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Blog News Maranguape entrevista Arildo Castro, Pároco de Maranguape

Por Dadynha Saturnino em Entrevistas

06 de setembro de 2013

Maranguape. De 30 de agosto a oito de setembro acontecem os tradicionais festejos religiosos de Nossa Senhora da Penha, a Padroeira desta cidade, que há quase seis anos tem à frente da Paróquia o jovem Padre Arildo Castro, de apenas 44 anos e conhecido por todos os fiéis como “Belíssimo”. Mesmo sem pertencer a nenhum movimento da renovação carismática, a sua simpatia e alegria vem reanimando os católicos, conseguindo reunir mais e mais fiéis à cada Missa e Adoração ao Santíssimo celebradas por aqui. Durante uma hora de entrevista, Padre Arildo nos contou sobre a semana de comemoração da Festa da Padroeira, a fundação da Igreja de Maranguape que no último quatro de agosto completou 164 anos, a formação religiosa da nossa gente, a passagem do Papa Francisco no Brasil, o dízimo, a partilha fraterna, se Padre pode ou não pode casar, redes sociais entre outros de temas de relevantes importâncias.

 

Padre Arildo Castro, Pároco de Maranguape. Foto Dadynha Saturnino

Padre Arildo Castro, Pároco de Maranguape. Foto Dadynha Saturnino

Confira entrevista completa: 

 

BNM – Nós estamos na Semana de comemoração dos Festejos religiosos de Nossa Senhora da Penha, a Padroeira do nosso município. Gostaríamos que o Senhor falasse um pouco sobre a semana e sua promoção.

AC – Na verdade, a Festa da Padroeira tem que ser uma festa do coração dos fiéis. Os habitantes católicos de Maranguape deveriam ter por ela um carinho muito especial e evidentemente que nós temos percebido um aumento na participação dos fiéis nos festejos, mas, nós percebemos que no passado já foi melhor e que de um certo tempo pra cá a festa tinha esfriado nos seus corações e está havendo uma retomada da devoção à Nossa Senhora da Penha e esperamos que ela aumente muito mais porque ela é a “Mãe da Paróquia”, é aquela que nós acreditamos que intercede pela Paróquia junto à Jesus Cristo, então, os fiéis precisariam ter um fervor religioso pra “Festa da Padroeira” se voltarem com muito mais atenção para este novenário, para este evento.

 

BNM – A Paróquia de Maranguape completou 164 anos no último quatro de agosto. Nossa Senhora da Penha sempre foi a Padroeira desta cidade?

AC – É interessante que aqui existe a história de dois padroeiros, mas, não é verdade. A Paróquia sempre foi Nossa Senhora da Penha. Ela seria dois Padroeiros se fosse Paróquia de Nossa Senhora da Penha e São Sebastião, mas, ela não é, é somente Paróquia de Nossa Senhora da Penha. É claro que desde sempre houve aqui a devoção a São Sebastião, a figura de São Sebastião sempre foi muito vocada na Paróquia e ele foi aclamado como um Co-Padroeiro, mas, não de forma oficial. O povo ficou considerando São Sebastião também um  Co-Padroeiro e comemora-se em 20 de janeiro. Isso não é ruim não, mas, também é bom entender a história. Quando é que uma paróquia tem dois padroeiros? É quando, por exemplo, uma Paróquia já desde a sua fundação já trás aquele dois Santos como Padroeiros, como existe a Paróquia de São Pedro e São Paulo, de Santa Rita e Nossa Senhora da Conceição, mas, aqui não, aqui é Paróquia de Nossa Senhora da Penha desde o dia quatro de agosto de 1849 e isso é muito interessante.

 

BNM – Conte-nos sobre Nossa Senhora da Penha…

AC – Nossa Senhora, que é a mãe de Jesus, é denominada por vários nomes de acordo com as situação em que ela se revela ou aos povos em que ela se manifesta. Então você vai ter a Nossa Senhora de Guadalupe, de Mediogore, de Lourdes, da Saúde, Rainha da Paz, então ela é denominada de acordo com a situação em que os fiéis estão fazendo essa experiência de fé. Se foi numa hora de enfermidade, chamaram Nossa Senhora da Saúde, se foi numa hora de Guerra chamaram Nossa Senhora Rainha da Paz, então, Nossa Senhora da Penha é Nossa Senhora do Penhasco, da Serra, do Monte e cai muito bem com Maranguape, creio que até foi por causa disso e a história é que um determinado homem, num monte, passando por uma situação difícil invocou a a proteção de Nossa Senhora e foi salvo, então por isso temos a imagem de Nossa Senhora de Penha, não só com um Dragão embaixo do pé mais também algumas imagens trazendo um homem aos pés dela, sentado, justamente o homem que foi salvo quando a invocou. Não se tem uma data precisa de quando isso aconteceu.

 

BNM – Maranguape sempre foi conhecida pela forte religiosidade do seu povo e os números desta história de fé estão sempre crescendo e muitos atribuem isso ao fato do Senhor ser um Padre considerado carismático e alegre que atrai os fiéis para a evangelização. De que forma o Senhor recebe essa referência dada pelos fiéis? Sempre teve esta característica de pessoa muito animada ou foi estimulada ao longo do tempo?

AC – Eu não sou Padre do Movimento da Renovação Carismática, do Diocesano, não pertenço a nenhum movimento, mas, o carisma de celebrar com alegria, com fervor, de gostar de pregar a palavra de DEUS talvez tenha despertado nos fiéis um desejo de participar mais da Igreja e na realidade é bom que seja assim mesmo, os fiéis precisam ter gosto com a Missa, com a palavra de DEUS, precisam crer na realidade da presença viva de Jesus na Eucaristia e o modo como um Padre celebra, se ele prega, explica e atualiza a palavra de Deus para a vida do dia a dia dos fiéis, se as Missas são bem cantadas, bem tocadas, tudo isso ajuda a estimular a fé do fiel. E na verdade, a Missa é um conjunto de coisas, não é só o Padre, quer dizer, ele pode até ser bom, mas, se o grupo que canta e os leitores também não forem bons atrapalham e prejudicam a Missa, então, todo mundo tem que fazer bem feito a sua parte. E aí aqui em Maranguape estamos tentando fazer justamente isso: cada um fazer muito bem a sua parte e tem dado certo, mas, nós podemos avançar ainda mais. Nas festas da Padroeira nós estamos esperando que a participação dos fiéis aumente, a cada ano, como tem aumentado, mas, ainda não está como gostaríamos que estivesse. A turma ainda passa assim, a festa ainda passa meio despercebida pra muitos católicos. O aniversário da Paróquia, de fato, é dia quatro de agosto e como a festa ficava muito próxima, então, depois que cheguei, resolvemos comemorar tudo junto e por isso na festa da Padroeira estamos sempre retomando os anos porque pode ser que depois venha outro Padre e com mais tempo ele possa também se dedicar a fazer a festa da fundação da Paróquia no dia quatro e depois abrir (sempre no dia 30 de agosto) os festejos da Padroeira, pode ser, não haveria problema algum, mas, nós achamos por bem, como ficava de quatro a 30 um espaço pequeno, fazer longo tudo junto. Então, a cada festa a gente retoma o tempo dela porque na realidade é uma paróquia muito bela, de mais de um século e meio, já estamos caminhado para dois séculos, daí o fato de estarmos reformando a Igreja Matriz, porque uma Paróquia tão bela merece uma Matriz belíssima e aí é isso que nós queremos entregar domingo, se Deus quiser, para o povo de Maranguape.

 

BNM – A sua chegada há seis anos revolucionou a fé de muita gente na cidade. Algumas iam às missas de domingo quase por obrigação e cultura social e as modificações que o Senhor vem fazendo nas comunidades, como reformas e incentivos a realização de atividades na própria comunidade e na Matriz(como a realização de rifas, jantares beneficentes, doação de alimentos entre outras) e o modo de celebrar as missas, pertencem a do conjunto de fatores positivos que, mesmo diante de alguns problemas de ordens financeiras dentro de instituições, faz os fiéis acreditarem na Igreja Católica, sendo bastante perceptível um maior envolvimento do povo de Maranguape.  Como isso de fato acontece?

AC – Nós temos aqui a experiência da partilha do que se tem, então, todo dinheiro que uma comunidade recebe, recolhe, seja do dízimo ou do Padroeiro ela dá uma porcentagem para a manutenção já que todas juntas formam a nossa Paróquia. Só que a maior parte fica na própria comunidade. Exemplo: do dízimo de uma comunidade X, 30% vem pra Paróquia  e 70 % ficam na comunidade. Na festa da Padroeira da comunidade, apenas 20% vem para a Paróquia, 80% fica na comunidade. E porque é que a maior parte fica na comunidade? Pra ela poder reformar a sua capela, trabalhar as suas pastorais e criar a sua própria vida pastoral e econômica e isso tem permitido que nos últimos seis anos todas todas as capelas aqui tenham entrado em reforma, trocado seus altares, feitos melhorias como você mesmo pode perceber, então, muitas nem terminaram ainda. Porque? Porque é o dinheirinho delas, vão fazendo aos poucos com aquilo que tem e isso fica muito bonito porque todas são responsáveis para manter a Paróquia, quando muitas vezes a pessoa tem uma ideia de que a ela é um centro e não é. Ele é uma comunidade como as outras, só que aqui temos a Secretaria que é onde se gerencia o trabalho, a Igreja Matriz que é a Igreja Mãe, mas, se formos observar quase que não existe mais comunidade do Centro porque se você for aqui encontra a comunidade da Outra Banda, ali a do Rosário, mais para o lado do Santa Fé, da Guabiraba, Pirapora, Santos Dumont, Parque São João, paticamente não há mais comunidade do Centro uma vez que é mais comercial então, todas as comunidades tem que se sentir responsável para manter esta Paróquia. E a gente procura sempre  ser muito transparente em relação a dinheiro e eu penso que os fiéis acreditam e eu sou um Padre muito feliz aqui, graças a Deus, não tem nenhum fiel em dúvida pra onde vai o dinheiro, então, muito pelo contrário, eles mostram é vontade, interesse de ajudar, participar e graças a Deus e a isso, estamos há seis anos reformando todo o patrimônio da Paróquia de Nossa Senhora da Penha e não é barato, é muito caro. Tanto que o Centro de Pastoral (localizado ao lado da Igreja do Rosário), ainda não está construído, estamos concluindo a Matriz pelo lado de dentro e ainda partiremos para o lado de fora, claro, depois que pagarmos as despesas. Pra isso acontecer, sortearemos em novembro um carro zero km, Gol geração 4, ano 2014, quatro portas, automático, com ar condicionado e que  já está comprado. O lançamento do sorteio será domingo agora (08), à noite, no encerramento dos festejos, para que os fiéis, adquirindo a cartela, possam ajudar a pagar a reforma da Matriz que vai pros R$130mil e é digna do povo maranguapense que se declara um povo de fé. Então, pela casa de Deus, a gente pode ver refletida a fé dos povos e esta proposta do sorteio é para justamente o dinheiro arrecadado pagar as despesas da reforma da matriz que a gente fez empréstimo pra reformar logo e encerrar os festejos da Padroeira com ela reformada. A cartela será baratíssima, acho importante colocar, será apenas R$10,00. É uma coisa que você trabalha sem estar pedindo dinheiro aos fiéis pois temos que tirar essa imagem que está muito feia, de muitas Igrejas na televisão pedindo dinheiro e e queremos que o fiel participe e também concorra a alguma coisa. Eu acho que vale à pena comprar uma cartela por R$10,00. E o pedido que a gente faz é esse: que o fiel compre, ofereça, no seu ambiente de trabalho e eu creio que assim a gente vai conseguir cobrir esta despesa.

 

BNM – A arquitetura original da Igreja Matriz está preservada mesmo com a realização da reforma? O teto já teve um desenho de uma passagem bíblica pintada? Essa informação pode ser confirmada?

AC – Não podemos saber porque o teto da Igreja é novo. A madeira que está aí é nova e como quando nós chegamos ela estava pintada de tinta óleo, lisa, não tinha  como saber. Encontramos desenho nas paredes da Matriz, bordados, que tiramos os modelos para colocarmos posteriormente porque não dá pra colocar agora, mas, ela já está com a tinta preparada para colocá-los posteriormente. Trouxemos de volta os altares coloridos que eram original da Igreja. A gente descascou e percebeu as cores, então fizemos um colorido e temos tentado preservar a arquitetura. Você observe por este prédio (entrevista realizada na Secretaria da Paróquia): ele conserva a arquitetura original e poderia estar forrado, mas, não está. Vamos fazendo as melhorias, mas, conservando a estrutura. A cerâmica da Matriz não era mais o mosaico original. Como era uma cerâmica já bastante descascada e o material novo não tinha problema em ser trocado. O que é tombado, que poderíamos considerar tombado na Matriz é a sua fachada, seus arcos e o altar principal e os altares dos santos e tudo isso tá muito preservado, agente tem até trazido de volta, pra preservar a história e eu me preocupo muito. A casa paroquial que foi toda reformada também, mas, preservamos a característica da casa antiga. Eu creio que a Matriz está belíssima, mas, isso os fiéis é quem dirão se gostaram. Obs: a reabertura da Igreja será no domingo (08), no encerramento dos festejos da Padroeira.

 

BNM – Já ficou claro que toda movimentação financeira da Paróquia de Nossa Senhora da Penha vem sendo realizada através da participação de todos os fiéis de Maranguape que promovem atividades nas suas comunidades e repassam o percentual para a Igreja Mãe, a matriz. Em algum momento se pensou ou existe parceria com a iniciativa pública e/ou privada? Ou de que forma estas colaboram nas realizações das atividades da Paróquia?

AC – Eu sou um Padre que estimula a Paróquia a ser independente financeiramente, quem tem que mantê-la são os fiéis, então, nós não temos trabalho e parceria com nenhuma Empresa ou Prefeitura, todo nosso trabalho é mantido pelo nosso trabalho. A Paróquia de Maranguape pode dizer isso com muita alegria. Não é com orgulho, é com alegria. Não temos dinheiro público, empresas que nos mantém, nos patrocinam, nós temos o dinheiro dos fiéis através das ofertas e dos dízimos. Fiéis que são comerciantes, que dão descontos para nós na hora que compramos, que dão oferta como fiel, mas, nenhuma quantia que pudesse ser um reforço para a vida econômica. Eu creio que, se eu pedisse, muitos seriam generosos, se eu pedisse a Prefeitura também seria generosa, mas, eu não vejo necessidade. O Prefeito, Átila Câmara, é católico, já se ofereceu pra ajudar, mas, nós não pedimos nada, não por orgulho, mas, porque no nosso entendimento, a Igreja tem que ser independente financeiramente. Pra que? Pra que o Padre  também seja livre de falar aquilo que ele acha que deve falar, na hora que  deve falar, não se sentir constrangido porque se beneficia de algum modo e fique com a língua trancada sem poder fazer crítica nenhuma, rs, a gente preza muito por isso, uma Igreja livre pra poder também ser profética porque não haveria como, por exemplo, se a Dadynha me sustenta, como é que eu vou falar mal da Dadynha? Seria incoerência da minha parte e eu não seria justo, então penso que também agente tem que ver que é assim que deve proceder, você já imaginou se o dinheiro público fosse usado pra Igreja Católica? E as outras Igrejas que não são católicas? É claro que a gente sabe que tem muita coisa aí acontecendo, mas, aqui em Maranguape, graças à Deus, economicamente nós somos independentes.

 

BNM – O Senhor pode esclarecer onde na bílica está escrito que o fiel deve realizar a oferta mensal do dízimo e que ela é obrigatória?  

AC – Se você observar, na Paróquia Nossa Senhora da Penha, nós não falamos muito em dízimo, aliás, a gente quase nem fala em dinheiros nas Igrejas, apenas quando precisamos falar para manter os fiéis informados sobre as atividades. A história do dízimo já foi ultrapassada, isso é coisa do Antigo Testamento, que dizia: você tinha que oferecer no templo 10% de tudo que você tinha conseguido, se eram 10 ovelhas, você levava uma, se você tinha cem pencas de bananas, você levaria 10 pencas de bananas, 10%. Dízimo vem de 10 porcento, daí esse nome. No Novo Testamento, isso é superado. Paulo vai dizer na Carta aos Corintíos “que cada um dê conforme a generosidade do seu coração, então por ser cinco por cento como pode ser vinte, pode ser trinta, quem ama não tem limites, Deus ama quem dá com alegria”, você não pode ser dizimista por obrigação, a gente mantém este nome porque é o que as pessoas mais entendem, mas, a Igreja Católica hoje fala da “Partilha Fraterna”, cada um partilha o que tem. Se você ama Jesus e reconhece que tudo que tem é porque ele permitiu que você alcançasse, se você tem uma Igreja, a Católica, então, você, por amor e fé, se sente responsável por esta Igreja que precisa de dinheiro, ela paga luz, telefone, água, funcionários, direitos trabalhistas, material de limpeza, combustível, reforma prédio….

 

BNM – As pessoas que trabalham na Igreja tem carteira assinada? 

AC – Os que podem ter assinada tem, como é o exemplo do Seu José e Gerônimo já a dona Maria do Carmo não quer assinar porquê já é aposentada, porém, recebe todos os direitos como um trabalhador. Isso é muito bonito, porque tem férias, 13º salário e a Igreja não é dispensada dessas coisas. E o dinheiro, cai do céu? Não! Então, é importante ter essa clareza e com isso o fiel se sente estimulado a contribuir com a sua Igreja, a participar. Quem mantém o Padre? São os fiéis que me alimentam, me dão abrigo.

 

BNM – O Padre ganha salário? 

AC – Na Arquidiocese de Fortaleza ele ganha quatro salários, mas, pra que? Pra que não ocupe nenhuma outra atividade pra ganhar dinheiro porque tem que se dedicar totalmente a Paróquia, então, não seria interessante que um Padre, para sobreviver, tivesse que trabalhar na Faculdade, num Colégio, ser Professor, Diretor, ser isso e aquilo pra poder ser sustentar. É belíssima essa iniciativa da Arquidiocese porque para que o Padre seja de fato o pastor da Paróquia ele não tem necessidade de ir pra canto nenhum pra se manter e aqui em Maranguape, graças a Deus, não pegamos ajuda de ninguém, nem da Arquidiocese de Fortaleza. É muito bonito. Aqui temos eu, que sou o Pároco e o Padre Ribamar de Vasconcelos que é Vigário Paroquial e outros que tem vindo aqui são irmãos nossos que não cobram por isso, mas, temos iniciativa de ajudar na gasolina e até mesmo pra eles exercerem as suas atividades. Por exemplo: Padres que são de fora, que não tem Paróquia aqui, mas, estão só estudando e realizando um serviço a gente ajuda financeiramente. E ajuda seminários também. Quando você é dizimista través da Igreja você ajuda os pobres, as vocações sacerdotais, os padres doentes, as famílias, ajuda a reeducar o povo na fé porque aquele seu dinheiro vai se converter em tudo isso. Há! Mas, o meu dízimo é tão pouco, só são R$20,00. É, mas, junta os seus vinte com dez de outro, quinze de outro e do montante a Paróquia manda 15% para a Arquidiocese para ela poder manter os seminários, os padres doentes, idosos e as obras sociais.

 

BNM – Padre se aposenta?

AC – Com 75 anos, já na hora da morte, rs! Se aposenta de Paróquia, não exerce mais a função de Pároco, mas, continua sendo Padre podendo celebrar o resto da vida.

 

BNM – De acordo com o CENSO IBGE 2010, Maranguape possui 113.561 habitantes (Sede e 17 Distritos). Podemos mensurar o número de católicos em nossa cidade? 

AC – O município de Maranguape tem três Paróquias: de Maranguape, Tabatinga e Itapebuçu. A perspectiva do aumento de 13% de fiéis identificados neste censo é percebido pelos movimentos e participações nas missas, quando que não cabem mais fiéis dentro das Igrejas, temos essa média. Por exemplo: se formos a uma Missa na Igreja Matriz, ela, lotada, comporta 1000 fiéis, sendo 700 sentados e colocamos aí cerca de 300 em pé, dentro do templo, mas, não é só isso, as pessoas ficam nas laterais, no patamar, então, temos uma média de 1600 a 1800 fiéis por missa dominical. Em uma missa. E tem também missa no Novo Maranguape. Em Maranguape, havia na Igreja Católica Apostólica Romana, 74mil católicos no ano 2000 e já em 2010 passou para 87 mil, uma percentual grande, maior parte da população de Maranguape é católica, porém, que se dizem, porque temos que fazer a diferenciação entre o católico praticante que vai à Missa para aqueles que só receberam o batismo na Igreja Católica. Quando uma pessoa vai para outra Igreja e diz: eu era católico. Na verdade, não era, tinha sim recebido o batismo na Igreja Católica, mas, nunca tinha sido de fato um católico, porque o Papa Bento XVI disse: “ou você é católico ou não é católico”, não existe um católico praticante ou não praticante, só existe um católico: praticante. Se não pratica não é católico. Não posso dizer se sou casado se não pratico o meu matrimônio, meu casamento; não posso dizer que sou atleta se não pratico, não posso dizer que sou católico se não pratico a minha fé. Então, é isso, mas, pelos números, graças à DEUS, em Maranguape, o catolicismo tem aumentado.

 

BNM – Como se estabelecem as Ordens dentro da Igreja? 

AC – Nós, Padres, Bispos, recebemos o Sacramento da Ordem. Enquanto para os casais eles recebem o Sacramento do Matrimônio para serem marido e mulher, o Padre recebe o Sacramento da Ordem que tem três graus: o primeiro é o que todos nós recebemos, o Diaconato, ser Diácono, que pode fazer batizado, casamento, mas, não é um Padre Ainda. E no Diaconato existe o permanente, que será sempre Diácono e o provisório, enquanto chega a hora de receber o segundo grau do Sacramento da Ordem, que é o Presbiterato, que é o de ser Padre. Quando a Igreja vê nele condições de assumir o episcopado, concede para ele o terceiro grau do Sacramento da Ordem, que é o último e é o Episcopado. Dentre os Bispos, se escolhe um para ser o Papa. Então, o Papa não é um outro Sacramento, outra Ordem, o Papa  é o Bispo e por ser o Bispo de Roma, é chamado de Papa, por isso que o Papa Francisco, de vez em quando, diz assim: “Eu, Bispo de Roma.” Ele se declarar Bispo de Roma é o mesmo que se declarar Papa, sendo um sinal de humildade´trazendo isso um pouco presente na cabeça dos fiéis que é Papa por ser Bispo de Roma, que é a Sede da Igreja.

 

BNM – Qual a sua visão sobre o Papa Francisco e sua passagem pelo Brasil, mais precisamente no Estado do Rio de Janeiro, quando veio participar da Jornada Mundial da Juventude? 

AC – Ela foi extremamente proveitosa e reanimou bastante a fé do povo católico. Querendo ou não, o mundo de hoje é bombardeado por muitas informações e isso também atrapalha a vida religiosa e a presença do chefe da Igreja dando mensagem de paz e esperança, o testemunho da simplicidade ajuda o povo a ter mais ânimo, a continuar acreditando. O que é a bíblia? É uma coleção de livros e dentro deles tem as cartas paulinas que o Apóstolo escrevia para as comunidades para animá-las e quando não podia mandá-las, ele mesmo ia, então, ainda hoje é assim. Então, quando um Papa visita um país, quando um Bispo visita uma Paróquia, a presença anima, faz o povo dizer: olha, não estamos sozinhos, somos uma grande família, as coisas estão caminhando e eu creio que o Papa Francisco tem sido uma benção para a nossa Igreja, graças à  Deus.

 

BNM – Porque que Padre não pode casar? (pergunta enviada pela leitora Maraline Andrade)

AC – O Padre exerce o Ministério Sacerdotal de Jesus. Nós consideramos Jesus um grande sacerdócio, o nosso de Padre é o de Jesus, uma continuidade desse Sacerdócio e poderíamos perguntar: porque que Jesus não casou? Ele era homem, 33 anos, bonito, forte, diz a palavra, devia ser cheio de mulheres atrás dele, mas, o Sacerdócio católico cristão é de total doação de si mesmo, não é que um Padre não possa casar, entenda, o Padre poderia até casar, porque na Igreja Católica Oriental, os Padres casam, alguns são celibatários mas, outros não. Mas, no Ocidente, a Igreja está acolhendo para ser Padre só os celibatários e isso permite que sejamos mais livres e disponíveis para o exercício do Ministério. De fato, não se pode negar, que uma família, por mais maravilhosa que ela seja, prende a pessoa nela, e qual é a mulher que não vai querer passar o natal com o seu marido? Qual é o filho que não vai reivindicar a presença de um pai? E se um homem é Padre, tem sua mulher, seus filhos, netos e casa, contas pra pagar, vai ficar um homem dividido, então, nós sacerdotes seguimos o Sacerdócio de Cristo. Como é que ele então se comportou? Foi totalmente doado para a causa do Reino de Deus. Uma outra coisa é o dom. É Deus quem chama. Já vivemos na terra aquilo que está reservado para ser do céu, onde as pessoas não se casam e nem se dão em casamento e também já estamos vivendo aqui a própria palavra de Deus quando o Evangelho de São Mateus, capítulo 19, Jesus diz “que nem todo homem nasceu pra ter família. Há homens que não tem família diz o Senhor porque nasceram assim desde o ventre da mãe, ou sejam, já nasceram impotentes para gerar filhos. Há outros porque os homens fizeram assim, castraram, mas, há outros que não tem família por amor do reino dos céus.” Quer dizer, é bíblico. O próprio Senhor Jesus Cristo confirma esta vocação celibatária e esta é uma experiência milenar.

 

BNM – As famílias ainda estimulam os filhos à vocação Sacerdotal, como no passado? 

AC – Nas famílias antigas, era luxo, até uma certa vaidade, ter um filho Padre e um filho Doutor. As famílias quase que forçavam as crianças a ser um Padre, mas, muitas vezes geravam Padres frustados, porque a educação rígida, tradicional fazia com que aquela criança crescesse dentro de um seminário sem vocação para um Sacerdócio. As coisas mudaram, hoje as famílias são mais abertas, mais livres, hoje os filhos não são mais aquilo que os pais querem que eles sejam. Um menino de 18, 19 anos já sabe o que quer ser e hoje não temos mais problema de jovens que entram no Seminário por imposição da família, mas, se ele for por causa disso, não será um Padre feliz e muitas vezes desistem nos anos de seminário e quando não desistem depois de Padre. Só fica de fato se for vocação. Ou, alguns é claro, que sabe que não tem vocação, mas, não tem coragem de deixar então vivem do jeito que quer. O lado humano da coisa sempre vai estar presente, agente nunca vai poder, em instituição nenhuma, dizer aqui estão só os belíssimos, os escolhidos, os santos, não, não, não. É a nossa natureza humana pecadora. Então, mesmo que o Padre Arildo seja um homem bom e santo, ele pode não ser um homem bom e santo em um determinado momento, ele pode deixar de ser um homem bom e santo, ele pode melhorar nessa bondade, nessa santidade, ele pode piorar, é a dinâmica da vida humana. É como uma repórter: pode ser imparcial, séria, responsável? Pode. E em determinados momentos pode deixar de ser se não se cuidar, for tendenciosa, como a gente ver muitos repórteres fazendo isso. São tendenciosos, desagradáveis, mal educados. Então, não são respeitosos, é muito interessante. E na vocação sacerdotal é isso: uma vez vieram uns alunos me fazer uma entrevista e eu barrei, não quis continuar, percebi que não era coisa séria, não tinham capacidade para estar entrevistando, vieram enviados pelo Colégio, mas, não tinham preparação nem formação, então, disse-lhes: esta entrevista não vale, não serve, para por aqui. As coisas precisam ser feitas por vocação de forma espontânea, sem querer colocar a sua ideia, porque o repórter que faz a entrevista não pode colocar a sua ideia dentro do conteúdo da entrevista, não. Ele não é pra isso. É pra fazer perguntas, pra suscitar reflexão, mas, não pra estar discutindo valores com o entrevistado. Hoje abri exceção pra você porque confio.

 

BNM – As redes sociais aproximam virtualmente pessoas distantes geograficamente. Acompanhamos o perfil Arildo Castro no facebook. É o Senhor mesmo que o alimenta e interage com as pessoas? 

AC – Na realidade, nesse aspecto, eu sou mais à moda antiga, até bem pouco tempo eu trabalhava com manuscrito, eu mesmo escrevia os textos e mandava alguém em Maranguape digitar. No seminário sempre foi máquina de escrever, não aderi ao computador, mas, como você mesmo falou: temos que nos servir daquilo que é moderno e que pode chegar mais rapidamente, então, fiz um esforço meu pra me adaptar a internet, mas, a experiência foi extremamente positiva, através do facebook,de fato, a agente tem oportunidade de interagir com mais pessoas, apesar da distâncias e dificuldades. O meu face Arildo Castro sou eu mesmo que leio e respondo, tanto que sou eu mesmo que muitas vezes a resposta vem de madrugada porque eu só posso ver uma vez no dia e quando eu vou ver é quando estou em casa, já tenho feito todo trabalho, tenho rezado, feito tudo aí vou lá no face e vejo se tem alguma questão, alguma pergunta que o fiel está lançando e lá respondo. Geralmente as respostas vem de madrugada. Se a pessoa tem uma pergunta, uma questão, não é preciso que eu esteja lá, na mesma hora, ela pode deixar a mensagem escrita que eu retorno. As vezes sai do ar por que moro na Serra e isso dificulta bastante a internet. Tem sido isso. Para os fiéis, seja da Paróquia de Maranguape, Acarape, Barreira, Caridade, Cascavel ou então da Paróquia do Manoel Sátiro ou de qualquer outra paróquia que eu tenha passado, se algum tiver uma dúvida e não tiver podendo ir à Paróquia e quiser colocar no facebook não há problema, independente da Paróquia que ele seja a gente acolhe com muita alegria.

 

BNM – Já aconteceu alguma situação constrangedora, desagradável e/ou negativa no perfil Arildo Castro? 

AC – A gente percebe as vezes, algumas colocações de pessoas que não são católicas mas, eu respeito profundamente e no face eu não entro na linha do responder, só se for uma pergunta, mas, se for no nível da discussão eu não ocupo meu tempo com isso. A finalidade ali é evangelizar e esclarecer os fiéis. Não tenho lá pretensão de estar trocando idéias, eu não uso pra isso, eu já não tenho tempo e se eu for fazer isso vou estar ocupando um tempo que eu tenho pra destinar aos meus católicos, mas, respeito as colocações de quem não é católico e participa. As vezes dou uma olhadinha na linha do tempo porque como são muitos amigos, as vezes tem coisas que não são muitos cristãs pra estarem na linha do tempo então vou ocultando. Não digo não faça isso e vou tirando o que não for para os fiéis irem vendo. As vezes até eu mesmo quero ver, por exemplo, eu postei recentemente a foto de uma criança de 10 anos que foi estrupada e queimada. Achei tão triste, mas, coloquei mais para os fiéis rezarem pela conversão do mundo, mas, não sou de colocar coisas tristes não. Eu mesmo faço a seleção, os fiéis vão colocando e eu selecionado.

 

BNM – O que significa a Adoração ao Santíssimo e porque ela ocorre somente na primeira sexta-feira do mês? Porque as pessoas só procuram Deus quando precisam? 

AC – Existe uma diferença no modo de Deus agir e no modo de nós agirmos. Por exemplo: quando você vê uma pessoa que só te procura na hora da necessidade, a sua tendência depois é começar a frear a pessoa, afastar, humanamente. Deus não é assim, ele quer a pessoa mesmo ela só procure na hora da necessidade ele a acolhe. Então, quando nosso Senhor Jesus Cristo diz: “Vinde à mim vós que estais cansados, sobrecarregados, com o peso do vosso fardo, eu vos aliviarei e vos darei descanso porque o teu fardo é leve e o meu julgo é suave então,” a adoração da primeira sexta-feira é esse momento em que os fiéis, ou sobrecarregador ou não, vão ao encontro do Senhor e porque vão a este encontro Ele os acolhe. Se depois dali vão embora, não vão mais pra missa, ali não me interessa, o que me interessa é que ali, naquele momento ele faça a experiência da paz do Senhor, do amor do Senhor, e ele fazendo essa experiência vai continuar junto do senhor porque vai ter despertado a necessidade da conversão e fica belíssimo e é isso que Deus quer, então, só foi pra adoração? Sim. Continue indo. Um dia ele vai perceber que vale à pena ir para as missas, receber os sacramentos, Deus vai operar a graça na vida daquela pessoa. Nós, sabemos que naquela adoração da primeira sexta-feira é o encontro de Jesus vivo na eucaristia quando diz: “isto é o meu corpo, tomai e comei, isto é o meu corpo, Eu sou o pão vivo que desceu do céu, quem come a minha carne viverá eternamente,” então, é o encontro do católico com o Cristo vivo na hóstia consagrada e desse encontro só pode sair coisa boa. Quando surgiu a adoração em Maranguape, não tinha aquela multidão de gente, ela não surgiu com aquela pretensão de gente, tanto que começou na Matriz, passou pro patamar, fomos para o SESI e não coube mais e fomos para o nosso espaço ali, no Centro Pastoral, graças à Deus. E porque na primeira sexta-feira? Porque é o dia da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e é o dia em que nós rezamos pelas vocações sacerdotais e religiosas e é porque na história da Igreja de Maranguape, antes mesmo do Pároco Monsenhor Mauro, já havia a devoção ao sagrado coração de jesus e a missa da primeira sexta-feira. Então, quando coloquei a primeira é porque eu já sabia que já havia a Missa da Primeira sexta ai fizemos uma adaptação. Depois, vi no livro de tombo da Paróquia que isso já era sonhado no coração dos padres antes mesmo do Monsenhor, a Adoração ao santíssimo, além da missa a Adoração. De certa forma foi providencial, mas, eu acredito até que deveria ser mesmo na quinta-feira, porque foi o dia que Jesus destituiu a eucaristia, a quinta-feira santa, daria mais sentido. Acontece que não podemos perder de vista o mundo, a sociedade, hoje as pessoas trabalham, fazem faculdade a semana inteira então, não é difícil eu, se for da vontade de Deus, em outra Paróquia, no lugar de fazer na sexta fazer no sábado pra permitir que o maior número de pessoas possa participar e adorar Jesus Cristo na Eucaristia.

 

BNM- Aquele que comunga as nove primeiras sextas feiras seguidas no ano terá vida eterna.

AC – Isso é uma devoção particular ao Sagrado Coração de Jesus. Quando Senhor Jesus se manifestou a Santa Margarida Maria de Alacoque, ele manifestou o desejo de purificar os corações humanos quando as pessoas fizessem a devoção ao seu Sagrado Coração e prometeu a estas pessoas que fizessem a novena que elas não ficariam desassistidas na hora de sua partida. Isso é muito cristão, católico e é bíblico porque Jesus diz no Evangelho de São Mateus “Eis que vou estar com vocês todos os dias até o fim” então essa presença de Jesus, em todo momento, de modo muito particular na hora da morte, é algo que todos deveríamos desejar. Se a gente for ver, na Ave-Maria, também pedimos que Nossa Senhora interceda por nós na hora da morte. Quem não gostaria de ter uma morte Santa, feliz? Eu gostaria. Qual é a morte feliz? Tranquila, sem vexame. tantas mortes estamos vendo em Maranguape, tristes, meu Deus. Temos que pedir a Deus pra nos livrar dessas mortes assim. Então, a devoção. E os Padres Jesuítas fundaram o apostolado do coração de jesus responsável para propagar a devoção ao coração de Jesus.

 

BNM – Mensagem do Padre Arildo Castro para os leitores do Blog News Maranguape 

AC – Agradeço você, Dadynha Saturnino, por sua simpatia e ter a graça de ser paroquiana, perceber que você é carinhosa no modo de fazer a entrevista, pensa bastante pra não ser desagradável e isso é muito bonito nos meios de comunicação hoje. Quero agradecer a todos as pessoas que acessam pela internet esses meios de comunicação para se manter informadas e sabem fazer bom uso da internet nos dias de hoje e quero pedir para que Deus abençoe cada irmão, cada irmã, cada pessoa bem intencionada de bom coração, e que nós possamos continuar acreditando que Jesus de fato é luz nas nossas vidas, é a razão da nossa existência e que amando Jesus estaremos capacitados para também amar os outros e que verdadeiramente é o amor que nos identifica como sendo filhos e filhas de Deus, o amor do dia a dia, pelas pessoas, o amor uns pelos outros, é o amor a Deus, deixemos que o amor possa crescer dentro de nós e a todos gostaria de conceder a benção, a benção de Deus que é pai, filho, espírito santo, que é a trindade santa e que possam guardar todas as pessoas que vai entrar em contato pela internet se sentirem abençoadas por Deus. Que Deus os abençoe em nome do pai, do filho e do espírito santo. Amém!

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Blog News Maranguape entrevista Arildo Castro, Pároco de Maranguape

Por Dadynha Saturnino em Entrevistas

06 de setembro de 2013

Maranguape. De 30 de agosto a oito de setembro acontecem os tradicionais festejos religiosos de Nossa Senhora da Penha, a Padroeira desta cidade, que há quase seis anos tem à frente da Paróquia o jovem Padre Arildo Castro, de apenas 44 anos e conhecido por todos os fiéis como “Belíssimo”. Mesmo sem pertencer a nenhum movimento da renovação carismática, a sua simpatia e alegria vem reanimando os católicos, conseguindo reunir mais e mais fiéis à cada Missa e Adoração ao Santíssimo celebradas por aqui. Durante uma hora de entrevista, Padre Arildo nos contou sobre a semana de comemoração da Festa da Padroeira, a fundação da Igreja de Maranguape que no último quatro de agosto completou 164 anos, a formação religiosa da nossa gente, a passagem do Papa Francisco no Brasil, o dízimo, a partilha fraterna, se Padre pode ou não pode casar, redes sociais entre outros de temas de relevantes importâncias.

 

Padre Arildo Castro, Pároco de Maranguape. Foto Dadynha Saturnino

Padre Arildo Castro, Pároco de Maranguape. Foto Dadynha Saturnino

Confira entrevista completa: 

 

BNM – Nós estamos na Semana de comemoração dos Festejos religiosos de Nossa Senhora da Penha, a Padroeira do nosso município. Gostaríamos que o Senhor falasse um pouco sobre a semana e sua promoção.

AC – Na verdade, a Festa da Padroeira tem que ser uma festa do coração dos fiéis. Os habitantes católicos de Maranguape deveriam ter por ela um carinho muito especial e evidentemente que nós temos percebido um aumento na participação dos fiéis nos festejos, mas, nós percebemos que no passado já foi melhor e que de um certo tempo pra cá a festa tinha esfriado nos seus corações e está havendo uma retomada da devoção à Nossa Senhora da Penha e esperamos que ela aumente muito mais porque ela é a “Mãe da Paróquia”, é aquela que nós acreditamos que intercede pela Paróquia junto à Jesus Cristo, então, os fiéis precisariam ter um fervor religioso pra “Festa da Padroeira” se voltarem com muito mais atenção para este novenário, para este evento.

 

BNM – A Paróquia de Maranguape completou 164 anos no último quatro de agosto. Nossa Senhora da Penha sempre foi a Padroeira desta cidade?

AC – É interessante que aqui existe a história de dois padroeiros, mas, não é verdade. A Paróquia sempre foi Nossa Senhora da Penha. Ela seria dois Padroeiros se fosse Paróquia de Nossa Senhora da Penha e São Sebastião, mas, ela não é, é somente Paróquia de Nossa Senhora da Penha. É claro que desde sempre houve aqui a devoção a São Sebastião, a figura de São Sebastião sempre foi muito vocada na Paróquia e ele foi aclamado como um Co-Padroeiro, mas, não de forma oficial. O povo ficou considerando São Sebastião também um  Co-Padroeiro e comemora-se em 20 de janeiro. Isso não é ruim não, mas, também é bom entender a história. Quando é que uma paróquia tem dois padroeiros? É quando, por exemplo, uma Paróquia já desde a sua fundação já trás aquele dois Santos como Padroeiros, como existe a Paróquia de São Pedro e São Paulo, de Santa Rita e Nossa Senhora da Conceição, mas, aqui não, aqui é Paróquia de Nossa Senhora da Penha desde o dia quatro de agosto de 1849 e isso é muito interessante.

 

BNM – Conte-nos sobre Nossa Senhora da Penha…

AC – Nossa Senhora, que é a mãe de Jesus, é denominada por vários nomes de acordo com as situação em que ela se revela ou aos povos em que ela se manifesta. Então você vai ter a Nossa Senhora de Guadalupe, de Mediogore, de Lourdes, da Saúde, Rainha da Paz, então ela é denominada de acordo com a situação em que os fiéis estão fazendo essa experiência de fé. Se foi numa hora de enfermidade, chamaram Nossa Senhora da Saúde, se foi numa hora de Guerra chamaram Nossa Senhora Rainha da Paz, então, Nossa Senhora da Penha é Nossa Senhora do Penhasco, da Serra, do Monte e cai muito bem com Maranguape, creio que até foi por causa disso e a história é que um determinado homem, num monte, passando por uma situação difícil invocou a a proteção de Nossa Senhora e foi salvo, então por isso temos a imagem de Nossa Senhora de Penha, não só com um Dragão embaixo do pé mais também algumas imagens trazendo um homem aos pés dela, sentado, justamente o homem que foi salvo quando a invocou. Não se tem uma data precisa de quando isso aconteceu.

 

BNM – Maranguape sempre foi conhecida pela forte religiosidade do seu povo e os números desta história de fé estão sempre crescendo e muitos atribuem isso ao fato do Senhor ser um Padre considerado carismático e alegre que atrai os fiéis para a evangelização. De que forma o Senhor recebe essa referência dada pelos fiéis? Sempre teve esta característica de pessoa muito animada ou foi estimulada ao longo do tempo?

AC – Eu não sou Padre do Movimento da Renovação Carismática, do Diocesano, não pertenço a nenhum movimento, mas, o carisma de celebrar com alegria, com fervor, de gostar de pregar a palavra de DEUS talvez tenha despertado nos fiéis um desejo de participar mais da Igreja e na realidade é bom que seja assim mesmo, os fiéis precisam ter gosto com a Missa, com a palavra de DEUS, precisam crer na realidade da presença viva de Jesus na Eucaristia e o modo como um Padre celebra, se ele prega, explica e atualiza a palavra de Deus para a vida do dia a dia dos fiéis, se as Missas são bem cantadas, bem tocadas, tudo isso ajuda a estimular a fé do fiel. E na verdade, a Missa é um conjunto de coisas, não é só o Padre, quer dizer, ele pode até ser bom, mas, se o grupo que canta e os leitores também não forem bons atrapalham e prejudicam a Missa, então, todo mundo tem que fazer bem feito a sua parte. E aí aqui em Maranguape estamos tentando fazer justamente isso: cada um fazer muito bem a sua parte e tem dado certo, mas, nós podemos avançar ainda mais. Nas festas da Padroeira nós estamos esperando que a participação dos fiéis aumente, a cada ano, como tem aumentado, mas, ainda não está como gostaríamos que estivesse. A turma ainda passa assim, a festa ainda passa meio despercebida pra muitos católicos. O aniversário da Paróquia, de fato, é dia quatro de agosto e como a festa ficava muito próxima, então, depois que cheguei, resolvemos comemorar tudo junto e por isso na festa da Padroeira estamos sempre retomando os anos porque pode ser que depois venha outro Padre e com mais tempo ele possa também se dedicar a fazer a festa da fundação da Paróquia no dia quatro e depois abrir (sempre no dia 30 de agosto) os festejos da Padroeira, pode ser, não haveria problema algum, mas, nós achamos por bem, como ficava de quatro a 30 um espaço pequeno, fazer longo tudo junto. Então, a cada festa a gente retoma o tempo dela porque na realidade é uma paróquia muito bela, de mais de um século e meio, já estamos caminhado para dois séculos, daí o fato de estarmos reformando a Igreja Matriz, porque uma Paróquia tão bela merece uma Matriz belíssima e aí é isso que nós queremos entregar domingo, se Deus quiser, para o povo de Maranguape.

 

BNM – A sua chegada há seis anos revolucionou a fé de muita gente na cidade. Algumas iam às missas de domingo quase por obrigação e cultura social e as modificações que o Senhor vem fazendo nas comunidades, como reformas e incentivos a realização de atividades na própria comunidade e na Matriz(como a realização de rifas, jantares beneficentes, doação de alimentos entre outras) e o modo de celebrar as missas, pertencem a do conjunto de fatores positivos que, mesmo diante de alguns problemas de ordens financeiras dentro de instituições, faz os fiéis acreditarem na Igreja Católica, sendo bastante perceptível um maior envolvimento do povo de Maranguape.  Como isso de fato acontece?

AC – Nós temos aqui a experiência da partilha do que se tem, então, todo dinheiro que uma comunidade recebe, recolhe, seja do dízimo ou do Padroeiro ela dá uma porcentagem para a manutenção já que todas juntas formam a nossa Paróquia. Só que a maior parte fica na própria comunidade. Exemplo: do dízimo de uma comunidade X, 30% vem pra Paróquia  e 70 % ficam na comunidade. Na festa da Padroeira da comunidade, apenas 20% vem para a Paróquia, 80% fica na comunidade. E porque é que a maior parte fica na comunidade? Pra ela poder reformar a sua capela, trabalhar as suas pastorais e criar a sua própria vida pastoral e econômica e isso tem permitido que nos últimos seis anos todas todas as capelas aqui tenham entrado em reforma, trocado seus altares, feitos melhorias como você mesmo pode perceber, então, muitas nem terminaram ainda. Porque? Porque é o dinheirinho delas, vão fazendo aos poucos com aquilo que tem e isso fica muito bonito porque todas são responsáveis para manter a Paróquia, quando muitas vezes a pessoa tem uma ideia de que a ela é um centro e não é. Ele é uma comunidade como as outras, só que aqui temos a Secretaria que é onde se gerencia o trabalho, a Igreja Matriz que é a Igreja Mãe, mas, se formos observar quase que não existe mais comunidade do Centro porque se você for aqui encontra a comunidade da Outra Banda, ali a do Rosário, mais para o lado do Santa Fé, da Guabiraba, Pirapora, Santos Dumont, Parque São João, paticamente não há mais comunidade do Centro uma vez que é mais comercial então, todas as comunidades tem que se sentir responsável para manter esta Paróquia. E a gente procura sempre  ser muito transparente em relação a dinheiro e eu penso que os fiéis acreditam e eu sou um Padre muito feliz aqui, graças a Deus, não tem nenhum fiel em dúvida pra onde vai o dinheiro, então, muito pelo contrário, eles mostram é vontade, interesse de ajudar, participar e graças a Deus e a isso, estamos há seis anos reformando todo o patrimônio da Paróquia de Nossa Senhora da Penha e não é barato, é muito caro. Tanto que o Centro de Pastoral (localizado ao lado da Igreja do Rosário), ainda não está construído, estamos concluindo a Matriz pelo lado de dentro e ainda partiremos para o lado de fora, claro, depois que pagarmos as despesas. Pra isso acontecer, sortearemos em novembro um carro zero km, Gol geração 4, ano 2014, quatro portas, automático, com ar condicionado e que  já está comprado. O lançamento do sorteio será domingo agora (08), à noite, no encerramento dos festejos, para que os fiéis, adquirindo a cartela, possam ajudar a pagar a reforma da Matriz que vai pros R$130mil e é digna do povo maranguapense que se declara um povo de fé. Então, pela casa de Deus, a gente pode ver refletida a fé dos povos e esta proposta do sorteio é para justamente o dinheiro arrecadado pagar as despesas da reforma da matriz que a gente fez empréstimo pra reformar logo e encerrar os festejos da Padroeira com ela reformada. A cartela será baratíssima, acho importante colocar, será apenas R$10,00. É uma coisa que você trabalha sem estar pedindo dinheiro aos fiéis pois temos que tirar essa imagem que está muito feia, de muitas Igrejas na televisão pedindo dinheiro e e queremos que o fiel participe e também concorra a alguma coisa. Eu acho que vale à pena comprar uma cartela por R$10,00. E o pedido que a gente faz é esse: que o fiel compre, ofereça, no seu ambiente de trabalho e eu creio que assim a gente vai conseguir cobrir esta despesa.

 

BNM – A arquitetura original da Igreja Matriz está preservada mesmo com a realização da reforma? O teto já teve um desenho de uma passagem bíblica pintada? Essa informação pode ser confirmada?

AC – Não podemos saber porque o teto da Igreja é novo. A madeira que está aí é nova e como quando nós chegamos ela estava pintada de tinta óleo, lisa, não tinha  como saber. Encontramos desenho nas paredes da Matriz, bordados, que tiramos os modelos para colocarmos posteriormente porque não dá pra colocar agora, mas, ela já está com a tinta preparada para colocá-los posteriormente. Trouxemos de volta os altares coloridos que eram original da Igreja. A gente descascou e percebeu as cores, então fizemos um colorido e temos tentado preservar a arquitetura. Você observe por este prédio (entrevista realizada na Secretaria da Paróquia): ele conserva a arquitetura original e poderia estar forrado, mas, não está. Vamos fazendo as melhorias, mas, conservando a estrutura. A cerâmica da Matriz não era mais o mosaico original. Como era uma cerâmica já bastante descascada e o material novo não tinha problema em ser trocado. O que é tombado, que poderíamos considerar tombado na Matriz é a sua fachada, seus arcos e o altar principal e os altares dos santos e tudo isso tá muito preservado, agente tem até trazido de volta, pra preservar a história e eu me preocupo muito. A casa paroquial que foi toda reformada também, mas, preservamos a característica da casa antiga. Eu creio que a Matriz está belíssima, mas, isso os fiéis é quem dirão se gostaram. Obs: a reabertura da Igreja será no domingo (08), no encerramento dos festejos da Padroeira.

 

BNM – Já ficou claro que toda movimentação financeira da Paróquia de Nossa Senhora da Penha vem sendo realizada através da participação de todos os fiéis de Maranguape que promovem atividades nas suas comunidades e repassam o percentual para a Igreja Mãe, a matriz. Em algum momento se pensou ou existe parceria com a iniciativa pública e/ou privada? Ou de que forma estas colaboram nas realizações das atividades da Paróquia?

AC – Eu sou um Padre que estimula a Paróquia a ser independente financeiramente, quem tem que mantê-la são os fiéis, então, nós não temos trabalho e parceria com nenhuma Empresa ou Prefeitura, todo nosso trabalho é mantido pelo nosso trabalho. A Paróquia de Maranguape pode dizer isso com muita alegria. Não é com orgulho, é com alegria. Não temos dinheiro público, empresas que nos mantém, nos patrocinam, nós temos o dinheiro dos fiéis através das ofertas e dos dízimos. Fiéis que são comerciantes, que dão descontos para nós na hora que compramos, que dão oferta como fiel, mas, nenhuma quantia que pudesse ser um reforço para a vida econômica. Eu creio que, se eu pedisse, muitos seriam generosos, se eu pedisse a Prefeitura também seria generosa, mas, eu não vejo necessidade. O Prefeito, Átila Câmara, é católico, já se ofereceu pra ajudar, mas, nós não pedimos nada, não por orgulho, mas, porque no nosso entendimento, a Igreja tem que ser independente financeiramente. Pra que? Pra que o Padre  também seja livre de falar aquilo que ele acha que deve falar, na hora que  deve falar, não se sentir constrangido porque se beneficia de algum modo e fique com a língua trancada sem poder fazer crítica nenhuma, rs, a gente preza muito por isso, uma Igreja livre pra poder também ser profética porque não haveria como, por exemplo, se a Dadynha me sustenta, como é que eu vou falar mal da Dadynha? Seria incoerência da minha parte e eu não seria justo, então penso que também agente tem que ver que é assim que deve proceder, você já imaginou se o dinheiro público fosse usado pra Igreja Católica? E as outras Igrejas que não são católicas? É claro que a gente sabe que tem muita coisa aí acontecendo, mas, aqui em Maranguape, graças à Deus, economicamente nós somos independentes.

 

BNM – O Senhor pode esclarecer onde na bílica está escrito que o fiel deve realizar a oferta mensal do dízimo e que ela é obrigatória?  

AC – Se você observar, na Paróquia Nossa Senhora da Penha, nós não falamos muito em dízimo, aliás, a gente quase nem fala em dinheiros nas Igrejas, apenas quando precisamos falar para manter os fiéis informados sobre as atividades. A história do dízimo já foi ultrapassada, isso é coisa do Antigo Testamento, que dizia: você tinha que oferecer no templo 10% de tudo que você tinha conseguido, se eram 10 ovelhas, você levava uma, se você tinha cem pencas de bananas, você levaria 10 pencas de bananas, 10%. Dízimo vem de 10 porcento, daí esse nome. No Novo Testamento, isso é superado. Paulo vai dizer na Carta aos Corintíos “que cada um dê conforme a generosidade do seu coração, então por ser cinco por cento como pode ser vinte, pode ser trinta, quem ama não tem limites, Deus ama quem dá com alegria”, você não pode ser dizimista por obrigação, a gente mantém este nome porque é o que as pessoas mais entendem, mas, a Igreja Católica hoje fala da “Partilha Fraterna”, cada um partilha o que tem. Se você ama Jesus e reconhece que tudo que tem é porque ele permitiu que você alcançasse, se você tem uma Igreja, a Católica, então, você, por amor e fé, se sente responsável por esta Igreja que precisa de dinheiro, ela paga luz, telefone, água, funcionários, direitos trabalhistas, material de limpeza, combustível, reforma prédio….

 

BNM – As pessoas que trabalham na Igreja tem carteira assinada? 

AC – Os que podem ter assinada tem, como é o exemplo do Seu José e Gerônimo já a dona Maria do Carmo não quer assinar porquê já é aposentada, porém, recebe todos os direitos como um trabalhador. Isso é muito bonito, porque tem férias, 13º salário e a Igreja não é dispensada dessas coisas. E o dinheiro, cai do céu? Não! Então, é importante ter essa clareza e com isso o fiel se sente estimulado a contribuir com a sua Igreja, a participar. Quem mantém o Padre? São os fiéis que me alimentam, me dão abrigo.

 

BNM – O Padre ganha salário? 

AC – Na Arquidiocese de Fortaleza ele ganha quatro salários, mas, pra que? Pra que não ocupe nenhuma outra atividade pra ganhar dinheiro porque tem que se dedicar totalmente a Paróquia, então, não seria interessante que um Padre, para sobreviver, tivesse que trabalhar na Faculdade, num Colégio, ser Professor, Diretor, ser isso e aquilo pra poder ser sustentar. É belíssima essa iniciativa da Arquidiocese porque para que o Padre seja de fato o pastor da Paróquia ele não tem necessidade de ir pra canto nenhum pra se manter e aqui em Maranguape, graças a Deus, não pegamos ajuda de ninguém, nem da Arquidiocese de Fortaleza. É muito bonito. Aqui temos eu, que sou o Pároco e o Padre Ribamar de Vasconcelos que é Vigário Paroquial e outros que tem vindo aqui são irmãos nossos que não cobram por isso, mas, temos iniciativa de ajudar na gasolina e até mesmo pra eles exercerem as suas atividades. Por exemplo: Padres que são de fora, que não tem Paróquia aqui, mas, estão só estudando e realizando um serviço a gente ajuda financeiramente. E ajuda seminários também. Quando você é dizimista través da Igreja você ajuda os pobres, as vocações sacerdotais, os padres doentes, as famílias, ajuda a reeducar o povo na fé porque aquele seu dinheiro vai se converter em tudo isso. Há! Mas, o meu dízimo é tão pouco, só são R$20,00. É, mas, junta os seus vinte com dez de outro, quinze de outro e do montante a Paróquia manda 15% para a Arquidiocese para ela poder manter os seminários, os padres doentes, idosos e as obras sociais.

 

BNM – Padre se aposenta?

AC – Com 75 anos, já na hora da morte, rs! Se aposenta de Paróquia, não exerce mais a função de Pároco, mas, continua sendo Padre podendo celebrar o resto da vida.

 

BNM – De acordo com o CENSO IBGE 2010, Maranguape possui 113.561 habitantes (Sede e 17 Distritos). Podemos mensurar o número de católicos em nossa cidade? 

AC – O município de Maranguape tem três Paróquias: de Maranguape, Tabatinga e Itapebuçu. A perspectiva do aumento de 13% de fiéis identificados neste censo é percebido pelos movimentos e participações nas missas, quando que não cabem mais fiéis dentro das Igrejas, temos essa média. Por exemplo: se formos a uma Missa na Igreja Matriz, ela, lotada, comporta 1000 fiéis, sendo 700 sentados e colocamos aí cerca de 300 em pé, dentro do templo, mas, não é só isso, as pessoas ficam nas laterais, no patamar, então, temos uma média de 1600 a 1800 fiéis por missa dominical. Em uma missa. E tem também missa no Novo Maranguape. Em Maranguape, havia na Igreja Católica Apostólica Romana, 74mil católicos no ano 2000 e já em 2010 passou para 87 mil, uma percentual grande, maior parte da população de Maranguape é católica, porém, que se dizem, porque temos que fazer a diferenciação entre o católico praticante que vai à Missa para aqueles que só receberam o batismo na Igreja Católica. Quando uma pessoa vai para outra Igreja e diz: eu era católico. Na verdade, não era, tinha sim recebido o batismo na Igreja Católica, mas, nunca tinha sido de fato um católico, porque o Papa Bento XVI disse: “ou você é católico ou não é católico”, não existe um católico praticante ou não praticante, só existe um católico: praticante. Se não pratica não é católico. Não posso dizer se sou casado se não pratico o meu matrimônio, meu casamento; não posso dizer que sou atleta se não pratico, não posso dizer que sou católico se não pratico a minha fé. Então, é isso, mas, pelos números, graças à DEUS, em Maranguape, o catolicismo tem aumentado.

 

BNM – Como se estabelecem as Ordens dentro da Igreja? 

AC – Nós, Padres, Bispos, recebemos o Sacramento da Ordem. Enquanto para os casais eles recebem o Sacramento do Matrimônio para serem marido e mulher, o Padre recebe o Sacramento da Ordem que tem três graus: o primeiro é o que todos nós recebemos, o Diaconato, ser Diácono, que pode fazer batizado, casamento, mas, não é um Padre Ainda. E no Diaconato existe o permanente, que será sempre Diácono e o provisório, enquanto chega a hora de receber o segundo grau do Sacramento da Ordem, que é o Presbiterato, que é o de ser Padre. Quando a Igreja vê nele condições de assumir o episcopado, concede para ele o terceiro grau do Sacramento da Ordem, que é o último e é o Episcopado. Dentre os Bispos, se escolhe um para ser o Papa. Então, o Papa não é um outro Sacramento, outra Ordem, o Papa  é o Bispo e por ser o Bispo de Roma, é chamado de Papa, por isso que o Papa Francisco, de vez em quando, diz assim: “Eu, Bispo de Roma.” Ele se declarar Bispo de Roma é o mesmo que se declarar Papa, sendo um sinal de humildade´trazendo isso um pouco presente na cabeça dos fiéis que é Papa por ser Bispo de Roma, que é a Sede da Igreja.

 

BNM – Qual a sua visão sobre o Papa Francisco e sua passagem pelo Brasil, mais precisamente no Estado do Rio de Janeiro, quando veio participar da Jornada Mundial da Juventude? 

AC – Ela foi extremamente proveitosa e reanimou bastante a fé do povo católico. Querendo ou não, o mundo de hoje é bombardeado por muitas informações e isso também atrapalha a vida religiosa e a presença do chefe da Igreja dando mensagem de paz e esperança, o testemunho da simplicidade ajuda o povo a ter mais ânimo, a continuar acreditando. O que é a bíblia? É uma coleção de livros e dentro deles tem as cartas paulinas que o Apóstolo escrevia para as comunidades para animá-las e quando não podia mandá-las, ele mesmo ia, então, ainda hoje é assim. Então, quando um Papa visita um país, quando um Bispo visita uma Paróquia, a presença anima, faz o povo dizer: olha, não estamos sozinhos, somos uma grande família, as coisas estão caminhando e eu creio que o Papa Francisco tem sido uma benção para a nossa Igreja, graças à  Deus.

 

BNM – Porque que Padre não pode casar? (pergunta enviada pela leitora Maraline Andrade)

AC – O Padre exerce o Ministério Sacerdotal de Jesus. Nós consideramos Jesus um grande sacerdócio, o nosso de Padre é o de Jesus, uma continuidade desse Sacerdócio e poderíamos perguntar: porque que Jesus não casou? Ele era homem, 33 anos, bonito, forte, diz a palavra, devia ser cheio de mulheres atrás dele, mas, o Sacerdócio católico cristão é de total doação de si mesmo, não é que um Padre não possa casar, entenda, o Padre poderia até casar, porque na Igreja Católica Oriental, os Padres casam, alguns são celibatários mas, outros não. Mas, no Ocidente, a Igreja está acolhendo para ser Padre só os celibatários e isso permite que sejamos mais livres e disponíveis para o exercício do Ministério. De fato, não se pode negar, que uma família, por mais maravilhosa que ela seja, prende a pessoa nela, e qual é a mulher que não vai querer passar o natal com o seu marido? Qual é o filho que não vai reivindicar a presença de um pai? E se um homem é Padre, tem sua mulher, seus filhos, netos e casa, contas pra pagar, vai ficar um homem dividido, então, nós sacerdotes seguimos o Sacerdócio de Cristo. Como é que ele então se comportou? Foi totalmente doado para a causa do Reino de Deus. Uma outra coisa é o dom. É Deus quem chama. Já vivemos na terra aquilo que está reservado para ser do céu, onde as pessoas não se casam e nem se dão em casamento e também já estamos vivendo aqui a própria palavra de Deus quando o Evangelho de São Mateus, capítulo 19, Jesus diz “que nem todo homem nasceu pra ter família. Há homens que não tem família diz o Senhor porque nasceram assim desde o ventre da mãe, ou sejam, já nasceram impotentes para gerar filhos. Há outros porque os homens fizeram assim, castraram, mas, há outros que não tem família por amor do reino dos céus.” Quer dizer, é bíblico. O próprio Senhor Jesus Cristo confirma esta vocação celibatária e esta é uma experiência milenar.

 

BNM – As famílias ainda estimulam os filhos à vocação Sacerdotal, como no passado? 

AC – Nas famílias antigas, era luxo, até uma certa vaidade, ter um filho Padre e um filho Doutor. As famílias quase que forçavam as crianças a ser um Padre, mas, muitas vezes geravam Padres frustados, porque a educação rígida, tradicional fazia com que aquela criança crescesse dentro de um seminário sem vocação para um Sacerdócio. As coisas mudaram, hoje as famílias são mais abertas, mais livres, hoje os filhos não são mais aquilo que os pais querem que eles sejam. Um menino de 18, 19 anos já sabe o que quer ser e hoje não temos mais problema de jovens que entram no Seminário por imposição da família, mas, se ele for por causa disso, não será um Padre feliz e muitas vezes desistem nos anos de seminário e quando não desistem depois de Padre. Só fica de fato se for vocação. Ou, alguns é claro, que sabe que não tem vocação, mas, não tem coragem de deixar então vivem do jeito que quer. O lado humano da coisa sempre vai estar presente, agente nunca vai poder, em instituição nenhuma, dizer aqui estão só os belíssimos, os escolhidos, os santos, não, não, não. É a nossa natureza humana pecadora. Então, mesmo que o Padre Arildo seja um homem bom e santo, ele pode não ser um homem bom e santo em um determinado momento, ele pode deixar de ser um homem bom e santo, ele pode melhorar nessa bondade, nessa santidade, ele pode piorar, é a dinâmica da vida humana. É como uma repórter: pode ser imparcial, séria, responsável? Pode. E em determinados momentos pode deixar de ser se não se cuidar, for tendenciosa, como a gente ver muitos repórteres fazendo isso. São tendenciosos, desagradáveis, mal educados. Então, não são respeitosos, é muito interessante. E na vocação sacerdotal é isso: uma vez vieram uns alunos me fazer uma entrevista e eu barrei, não quis continuar, percebi que não era coisa séria, não tinham capacidade para estar entrevistando, vieram enviados pelo Colégio, mas, não tinham preparação nem formação, então, disse-lhes: esta entrevista não vale, não serve, para por aqui. As coisas precisam ser feitas por vocação de forma espontânea, sem querer colocar a sua ideia, porque o repórter que faz a entrevista não pode colocar a sua ideia dentro do conteúdo da entrevista, não. Ele não é pra isso. É pra fazer perguntas, pra suscitar reflexão, mas, não pra estar discutindo valores com o entrevistado. Hoje abri exceção pra você porque confio.

 

BNM – As redes sociais aproximam virtualmente pessoas distantes geograficamente. Acompanhamos o perfil Arildo Castro no facebook. É o Senhor mesmo que o alimenta e interage com as pessoas? 

AC – Na realidade, nesse aspecto, eu sou mais à moda antiga, até bem pouco tempo eu trabalhava com manuscrito, eu mesmo escrevia os textos e mandava alguém em Maranguape digitar. No seminário sempre foi máquina de escrever, não aderi ao computador, mas, como você mesmo falou: temos que nos servir daquilo que é moderno e que pode chegar mais rapidamente, então, fiz um esforço meu pra me adaptar a internet, mas, a experiência foi extremamente positiva, através do facebook,de fato, a agente tem oportunidade de interagir com mais pessoas, apesar da distâncias e dificuldades. O meu face Arildo Castro sou eu mesmo que leio e respondo, tanto que sou eu mesmo que muitas vezes a resposta vem de madrugada porque eu só posso ver uma vez no dia e quando eu vou ver é quando estou em casa, já tenho feito todo trabalho, tenho rezado, feito tudo aí vou lá no face e vejo se tem alguma questão, alguma pergunta que o fiel está lançando e lá respondo. Geralmente as respostas vem de madrugada. Se a pessoa tem uma pergunta, uma questão, não é preciso que eu esteja lá, na mesma hora, ela pode deixar a mensagem escrita que eu retorno. As vezes sai do ar por que moro na Serra e isso dificulta bastante a internet. Tem sido isso. Para os fiéis, seja da Paróquia de Maranguape, Acarape, Barreira, Caridade, Cascavel ou então da Paróquia do Manoel Sátiro ou de qualquer outra paróquia que eu tenha passado, se algum tiver uma dúvida e não tiver podendo ir à Paróquia e quiser colocar no facebook não há problema, independente da Paróquia que ele seja a gente acolhe com muita alegria.

 

BNM – Já aconteceu alguma situação constrangedora, desagradável e/ou negativa no perfil Arildo Castro? 

AC – A gente percebe as vezes, algumas colocações de pessoas que não são católicas mas, eu respeito profundamente e no face eu não entro na linha do responder, só se for uma pergunta, mas, se for no nível da discussão eu não ocupo meu tempo com isso. A finalidade ali é evangelizar e esclarecer os fiéis. Não tenho lá pretensão de estar trocando idéias, eu não uso pra isso, eu já não tenho tempo e se eu for fazer isso vou estar ocupando um tempo que eu tenho pra destinar aos meus católicos, mas, respeito as colocações de quem não é católico e participa. As vezes dou uma olhadinha na linha do tempo porque como são muitos amigos, as vezes tem coisas que não são muitos cristãs pra estarem na linha do tempo então vou ocultando. Não digo não faça isso e vou tirando o que não for para os fiéis irem vendo. As vezes até eu mesmo quero ver, por exemplo, eu postei recentemente a foto de uma criança de 10 anos que foi estrupada e queimada. Achei tão triste, mas, coloquei mais para os fiéis rezarem pela conversão do mundo, mas, não sou de colocar coisas tristes não. Eu mesmo faço a seleção, os fiéis vão colocando e eu selecionado.

 

BNM – O que significa a Adoração ao Santíssimo e porque ela ocorre somente na primeira sexta-feira do mês? Porque as pessoas só procuram Deus quando precisam? 

AC – Existe uma diferença no modo de Deus agir e no modo de nós agirmos. Por exemplo: quando você vê uma pessoa que só te procura na hora da necessidade, a sua tendência depois é começar a frear a pessoa, afastar, humanamente. Deus não é assim, ele quer a pessoa mesmo ela só procure na hora da necessidade ele a acolhe. Então, quando nosso Senhor Jesus Cristo diz: “Vinde à mim vós que estais cansados, sobrecarregados, com o peso do vosso fardo, eu vos aliviarei e vos darei descanso porque o teu fardo é leve e o meu julgo é suave então,” a adoração da primeira sexta-feira é esse momento em que os fiéis, ou sobrecarregador ou não, vão ao encontro do Senhor e porque vão a este encontro Ele os acolhe. Se depois dali vão embora, não vão mais pra missa, ali não me interessa, o que me interessa é que ali, naquele momento ele faça a experiência da paz do Senhor, do amor do Senhor, e ele fazendo essa experiência vai continuar junto do senhor porque vai ter despertado a necessidade da conversão e fica belíssimo e é isso que Deus quer, então, só foi pra adoração? Sim. Continue indo. Um dia ele vai perceber que vale à pena ir para as missas, receber os sacramentos, Deus vai operar a graça na vida daquela pessoa. Nós, sabemos que naquela adoração da primeira sexta-feira é o encontro de Jesus vivo na eucaristia quando diz: “isto é o meu corpo, tomai e comei, isto é o meu corpo, Eu sou o pão vivo que desceu do céu, quem come a minha carne viverá eternamente,” então, é o encontro do católico com o Cristo vivo na hóstia consagrada e desse encontro só pode sair coisa boa. Quando surgiu a adoração em Maranguape, não tinha aquela multidão de gente, ela não surgiu com aquela pretensão de gente, tanto que começou na Matriz, passou pro patamar, fomos para o SESI e não coube mais e fomos para o nosso espaço ali, no Centro Pastoral, graças à Deus. E porque na primeira sexta-feira? Porque é o dia da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e é o dia em que nós rezamos pelas vocações sacerdotais e religiosas e é porque na história da Igreja de Maranguape, antes mesmo do Pároco Monsenhor Mauro, já havia a devoção ao sagrado coração de jesus e a missa da primeira sexta-feira. Então, quando coloquei a primeira é porque eu já sabia que já havia a Missa da Primeira sexta ai fizemos uma adaptação. Depois, vi no livro de tombo da Paróquia que isso já era sonhado no coração dos padres antes mesmo do Monsenhor, a Adoração ao santíssimo, além da missa a Adoração. De certa forma foi providencial, mas, eu acredito até que deveria ser mesmo na quinta-feira, porque foi o dia que Jesus destituiu a eucaristia, a quinta-feira santa, daria mais sentido. Acontece que não podemos perder de vista o mundo, a sociedade, hoje as pessoas trabalham, fazem faculdade a semana inteira então, não é difícil eu, se for da vontade de Deus, em outra Paróquia, no lugar de fazer na sexta fazer no sábado pra permitir que o maior número de pessoas possa participar e adorar Jesus Cristo na Eucaristia.

 

BNM- Aquele que comunga as nove primeiras sextas feiras seguidas no ano terá vida eterna.

AC – Isso é uma devoção particular ao Sagrado Coração de Jesus. Quando Senhor Jesus se manifestou a Santa Margarida Maria de Alacoque, ele manifestou o desejo de purificar os corações humanos quando as pessoas fizessem a devoção ao seu Sagrado Coração e prometeu a estas pessoas que fizessem a novena que elas não ficariam desassistidas na hora de sua partida. Isso é muito cristão, católico e é bíblico porque Jesus diz no Evangelho de São Mateus “Eis que vou estar com vocês todos os dias até o fim” então essa presença de Jesus, em todo momento, de modo muito particular na hora da morte, é algo que todos deveríamos desejar. Se a gente for ver, na Ave-Maria, também pedimos que Nossa Senhora interceda por nós na hora da morte. Quem não gostaria de ter uma morte Santa, feliz? Eu gostaria. Qual é a morte feliz? Tranquila, sem vexame. tantas mortes estamos vendo em Maranguape, tristes, meu Deus. Temos que pedir a Deus pra nos livrar dessas mortes assim. Então, a devoção. E os Padres Jesuítas fundaram o apostolado do coração de jesus responsável para propagar a devoção ao coração de Jesus.

 

BNM – Mensagem do Padre Arildo Castro para os leitores do Blog News Maranguape 

AC – Agradeço você, Dadynha Saturnino, por sua simpatia e ter a graça de ser paroquiana, perceber que você é carinhosa no modo de fazer a entrevista, pensa bastante pra não ser desagradável e isso é muito bonito nos meios de comunicação hoje. Quero agradecer a todos as pessoas que acessam pela internet esses meios de comunicação para se manter informadas e sabem fazer bom uso da internet nos dias de hoje e quero pedir para que Deus abençoe cada irmão, cada irmã, cada pessoa bem intencionada de bom coração, e que nós possamos continuar acreditando que Jesus de fato é luz nas nossas vidas, é a razão da nossa existência e que amando Jesus estaremos capacitados para também amar os outros e que verdadeiramente é o amor que nos identifica como sendo filhos e filhas de Deus, o amor do dia a dia, pelas pessoas, o amor uns pelos outros, é o amor a Deus, deixemos que o amor possa crescer dentro de nós e a todos gostaria de conceder a benção, a benção de Deus que é pai, filho, espírito santo, que é a trindade santa e que possam guardar todas as pessoas que vai entrar em contato pela internet se sentirem abençoadas por Deus. Que Deus os abençoe em nome do pai, do filho e do espírito santo. Amém!