P de poesia: Báratro de dor - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

P de poesia: Báratro de dor

Por Nonato Albuquerque em POESIA

18 de junho de 2019

Báratro de dor 

Nonato Albuquerque

Eu ouço anjos
nas vozes dos meninos, aquietando silêncio.
Nas preces dos que nada pedem a Providência.
Na alegria de quem não guarda mágoa alguma
de quem lhe tirou o pão que lhe sacia a fome.Eu vejo santos
na sagrada inocência de adultos que, virtuosos,
não se arvoram em reclamar alguma prioridade
e na fila dos comensais aguardam tranquilos
a boia anunciada pelo profeta para os fins dos tempos.

Quem tem poder
de separar o joio desse trigo que abunda nas ruas
e que, nos lares esvaziados, consomem-se todos
no aguardo da promessa crística de alçar ao paraíso?

A vida é longa
para a brevidade da existência que nos dá a matéria
a fim de afugentar os miasmas de outras jornadas
feitas a fogo e ferro, no báratro de dor que é a Terra.

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P de poesia: Báratro de dor

Por Nonato Albuquerque em POESIA

18 de junho de 2019

Báratro de dor 

Nonato Albuquerque

Eu ouço anjos
nas vozes dos meninos, aquietando silêncio.
Nas preces dos que nada pedem a Providência.
Na alegria de quem não guarda mágoa alguma
de quem lhe tirou o pão que lhe sacia a fome.Eu vejo santos
na sagrada inocência de adultos que, virtuosos,
não se arvoram em reclamar alguma prioridade
e na fila dos comensais aguardam tranquilos
a boia anunciada pelo profeta para os fins dos tempos.

Quem tem poder
de separar o joio desse trigo que abunda nas ruas
e que, nos lares esvaziados, consomem-se todos
no aguardo da promessa crística de alçar ao paraíso?

A vida é longa
para a brevidade da existência que nos dá a matéria
a fim de afugentar os miasmas de outras jornadas
feitas a fogo e ferro, no báratro de dor que é a Terra.