Nossos jovens precisam de um novo John Hughes - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Nossos jovens precisam de um novo John Hughes

Por Thiago Sampaio em Cinema

06 de Abril de 2012

John Hughes faleceu no dia 6 de agosto de 2009, vítima de um ataque cardíaco

Certas celebridades que já se foram certamente terão seus nomes imortalizados na História do Cinema. Chega a ser clichê citar Stanley Kubrick, Alfred Hitchcock ou Akira Kurosawa. Há um outro ser, cujo nome não chega a ser tão famoso com o grande público como esses citados, mas suas obras certamente inspiraram sentimentos em muitos jovens que cresceram durante a década de 80. Trata-se de John Hughes (1950-2009).

Pode-se dizer que Hughes é um diretor cujo estilo se encontra em decadência nos dias atuais. Não só pela limitação de muitos cineastas da nova geração (sem generalização, já que existe muita gente boa), mas pela mudança natural das gerações. Hughes sabia traçar um diálogo entre seus personagens jovens e o seu espectador, também jovem, de modo que cada um que estivesse do outro lado da tela se imaginasse dentro de seus filmes.

Começamos pelo seu “ícone” mais famoso: Ferris Bueller, personagem de “Curtindo a Vida Adoidado”. Quem nunca se imaginou na pele do garoto que resolve matar um dia de aula para viver um dia intenso? Não que faltar a aulas fosse algo correto, mas andar pela cidade com uma Ferrari, parar uma avenida inteira ao som de The Beatles, rir dos figurões da bolsa de valores, ou simplesmente apreciar a beleza da cidade do alto da Estátua da Liberdade, são sensações de liberdade únicas!

Ferris Bueller virou o ícone de uma geração

Com “O Clube dos Cinco”, conseguiu traçar paralelos entre cinco jovens que nada tinham em comum, fora o fato de terem uns aos outros. Rodado praticamente em um único cenário (a escola), nos deparamos com os estereótipos de um atleta, um nerd, uma patricinha, uma louca e um maconheiro revoltado. Na verdade vemos que essas “etiquetas” nada mais são do que um reflexo da criação familiar, uma imposição da sociedade para que cada um seja aceito ao seu modo. No fundo, eram um bando de desajustados, com a tradicional dificuldade de diálogo com os pais, mas que acabam se encontrando em um universo próprio, mesmo que por apenas um dia.

Em seu primeiro filme, o pouco conhecido “Gatinhas e Gatões” (péssima tradução para Sixteen Candles), mostrava a angústia de uma jovem (vivida por Molly Ringwald, atriz presente na maioria das suas obras), no auge da adolescência, vivendo as dificuldades de “acordar” para a vida amorosa, mostrando as típicas situações constrangedores de não saber como flertar com o garoto bonitão da escola. Momentos abordados novamente em “A Garota de Rosa Choque”. Sempre apresentando os nichos, as divisões de grupo entre jovens, e usando aos montes piadas visuais. De maneira ousada, pois Hughes não hesitava em zoar nem mesmo com deficientes físicos.

O Clube dos Cinco: jovens compartilham as suas diferenças e angústias

Não poderia deixar de citar “Mulher Nota 1000”, quando desperta o sonho de todo jovem libidinoso de poder criar uma mulher perfeita através de um computador. O despertar sexual, justamente de meros nerds, é uma situação que a maioria dos jovens se identificava. Hughes resolveu fugir do tema jovem em “Antes Só do que Mal Acompanhado”, abordando a importância da amizade e as ironias que a competitividade traz para a vida de dois adultos. Tudo muito bem feito, vale dizer.

Agora, por que eu disse que o estilo atualmente se encontra em decadência? Simples. Hoje a definição do que é ser jovem, e principalmente o gosto dos jovens, se deturpou. A visão de John Hughes de que o simples tinha uma profundidade peculiar, já não é suficiente. Não digo nem suficiente, mas complexa demais, baseado no que é lançado a cada dia.

Comédias que usam e abusam de piadas de mau gosto, cenas de nudez e apelos sexuais gratuitos são quase que predominantes. Mas elas têm os seus devidos retornos. A maioria do jovem atual gosta de música de sucessos passageiros, despertam para a sexualidade cedo demais, e o instinto de exibicionismo vem se tornando cada vez mais forte.

Temos uma geração ‘Malhação’, que é refletida nos filmes, trazendo quase sempre as mesmas histórias – aquela mesmo da mocinha que quer conquistar o mocinho durante toda a projeção mas sempre há o vilão para atrapalhar. Na maioria das vezes, o intuito é apenas promover carreiras musicais dos atores que estão em cena.

Ainda bem que para salvar o gênero comédia, temos novos diretores como Judd Apatow (de “O Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos”) que trazem inteligência do cotidiano para um estilo de filme meio perdido. Mas seu foco já é uma classe mais adulta. Nossos jovens não têm um John Hughes…

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Nossos jovens precisam de um novo John Hughes

Por Thiago Sampaio em Cinema

06 de Abril de 2012

John Hughes faleceu no dia 6 de agosto de 2009, vítima de um ataque cardíaco

Certas celebridades que já se foram certamente terão seus nomes imortalizados na História do Cinema. Chega a ser clichê citar Stanley Kubrick, Alfred Hitchcock ou Akira Kurosawa. Há um outro ser, cujo nome não chega a ser tão famoso com o grande público como esses citados, mas suas obras certamente inspiraram sentimentos em muitos jovens que cresceram durante a década de 80. Trata-se de John Hughes (1950-2009).

Pode-se dizer que Hughes é um diretor cujo estilo se encontra em decadência nos dias atuais. Não só pela limitação de muitos cineastas da nova geração (sem generalização, já que existe muita gente boa), mas pela mudança natural das gerações. Hughes sabia traçar um diálogo entre seus personagens jovens e o seu espectador, também jovem, de modo que cada um que estivesse do outro lado da tela se imaginasse dentro de seus filmes.

Começamos pelo seu “ícone” mais famoso: Ferris Bueller, personagem de “Curtindo a Vida Adoidado”. Quem nunca se imaginou na pele do garoto que resolve matar um dia de aula para viver um dia intenso? Não que faltar a aulas fosse algo correto, mas andar pela cidade com uma Ferrari, parar uma avenida inteira ao som de The Beatles, rir dos figurões da bolsa de valores, ou simplesmente apreciar a beleza da cidade do alto da Estátua da Liberdade, são sensações de liberdade únicas!

Ferris Bueller virou o ícone de uma geração

Com “O Clube dos Cinco”, conseguiu traçar paralelos entre cinco jovens que nada tinham em comum, fora o fato de terem uns aos outros. Rodado praticamente em um único cenário (a escola), nos deparamos com os estereótipos de um atleta, um nerd, uma patricinha, uma louca e um maconheiro revoltado. Na verdade vemos que essas “etiquetas” nada mais são do que um reflexo da criação familiar, uma imposição da sociedade para que cada um seja aceito ao seu modo. No fundo, eram um bando de desajustados, com a tradicional dificuldade de diálogo com os pais, mas que acabam se encontrando em um universo próprio, mesmo que por apenas um dia.

Em seu primeiro filme, o pouco conhecido “Gatinhas e Gatões” (péssima tradução para Sixteen Candles), mostrava a angústia de uma jovem (vivida por Molly Ringwald, atriz presente na maioria das suas obras), no auge da adolescência, vivendo as dificuldades de “acordar” para a vida amorosa, mostrando as típicas situações constrangedores de não saber como flertar com o garoto bonitão da escola. Momentos abordados novamente em “A Garota de Rosa Choque”. Sempre apresentando os nichos, as divisões de grupo entre jovens, e usando aos montes piadas visuais. De maneira ousada, pois Hughes não hesitava em zoar nem mesmo com deficientes físicos.

O Clube dos Cinco: jovens compartilham as suas diferenças e angústias

Não poderia deixar de citar “Mulher Nota 1000”, quando desperta o sonho de todo jovem libidinoso de poder criar uma mulher perfeita através de um computador. O despertar sexual, justamente de meros nerds, é uma situação que a maioria dos jovens se identificava. Hughes resolveu fugir do tema jovem em “Antes Só do que Mal Acompanhado”, abordando a importância da amizade e as ironias que a competitividade traz para a vida de dois adultos. Tudo muito bem feito, vale dizer.

Agora, por que eu disse que o estilo atualmente se encontra em decadência? Simples. Hoje a definição do que é ser jovem, e principalmente o gosto dos jovens, se deturpou. A visão de John Hughes de que o simples tinha uma profundidade peculiar, já não é suficiente. Não digo nem suficiente, mas complexa demais, baseado no que é lançado a cada dia.

Comédias que usam e abusam de piadas de mau gosto, cenas de nudez e apelos sexuais gratuitos são quase que predominantes. Mas elas têm os seus devidos retornos. A maioria do jovem atual gosta de música de sucessos passageiros, despertam para a sexualidade cedo demais, e o instinto de exibicionismo vem se tornando cada vez mais forte.

Temos uma geração ‘Malhação’, que é refletida nos filmes, trazendo quase sempre as mesmas histórias – aquela mesmo da mocinha que quer conquistar o mocinho durante toda a projeção mas sempre há o vilão para atrapalhar. Na maioria das vezes, o intuito é apenas promover carreiras musicais dos atores que estão em cena.

Ainda bem que para salvar o gênero comédia, temos novos diretores como Judd Apatow (de “O Virgem de 40 Anos”, “Ligeiramente Grávidos”) que trazem inteligência do cotidiano para um estilo de filme meio perdido. Mas seu foco já é uma classe mais adulta. Nossos jovens não têm um John Hughes…