Crítica: “À Toda Prova” traz uma divertida mistura de MMA e espionagem com direção estilosa - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “À Toda Prova” traz uma divertida mistura de MMA e espionagem com direção estilosa

Por Thiago Sampaio em Crítica

17 de Abril de 2012

Elenco de peso “À Toda Prova” (Haywire) – Foto: Divulgação

O diretor Steven Soderbergh é daqueles que, assim como Steven Spielberg, parece que existem dois dele: um engajado em projetos sérios e com ambições de Oscar, como “Traffic” e “Erin Brockovich”, e outro que gosta de reunir um grupo grande de amigos famosos por valores bem abaixo do que recebem comumente, simplesmente para se divertir em um projeto despretensioso, como a boa franquia “Onze Homens e Um Segredo”. Em “À Toda Prova” (Haywire) ele segue a segunda linha, ainda exigindo menos do cérebro do espectador, mas realiza o trabalho com eficiência ao que se propõe.

Aproveitando a moda do MMA pelo mundo, o diretor traz para a sua obra Gina Carano, que pode não ser tão famosa no Brasil, mas é uma das mais conhecidas praticante do esporte (ou ex-lutadora, como ela se define, mas é comum desses esportistas voltarem atrás na decisão) do sexo feminino. No elenco masculino, que não é nada difícil prever que todos serão vítimas fáceis da habilidade da protagonista, nomes de peso como Ewan McGregor, Antonio Banderas, Michael Fassbender, Michael Douglas, Chaning Tatum, além de Bill Paxton e Michael Angarano.

Na trama, Carano vive a agente Mallory, treinada pela CIA, que em sua “última missão” (claro!) é convocada pelo chefe Kenneth (McGregor) para realizar uma missão secreta com Paul (Fassbender), mas logo ela descobrirá que os seus parceiros armaram uma emboscada para matá-la. Confiando apenas no seu instinto selvagem e tendo de proteger o seu pai, precisa fugir dos riscos e ainda desarmar um complô internacional.

Michael Fassbender em uma trama de espionagem pouco convencional

O roteiro do pouco experiente Lem Dobbs (“A Cartada Final”) traz, sem se preocupar muito com surpresas ou lições direcionadas ao sistema de governo, toda a receita da mulher poderosa que busca vingança e explicações a todo custo. Porém, o ar de filme de espionagem, presente durante toda a projeção, acaba levando o charme, remetendo até aos filmes da nova franquia 007 estrelados por Daniel Craig (é impossível, por exemplo, não lembrar do espião britânico quando o personagem de Fassbender está em cena). Há intrigas, traições, ligações com figuras do mais alto escalão, às vezes soando até confuso na medida do necessário.

O que deixa a desejar é o mal aproveitamento dos coadjuvantes, de modo que o estelar elenco masculino está presente apenas como “participações de luxo”. Os personagens de Banderas e Michael Douglas possuem uma carga interessante, mas nunca é mostrado do que realmente são capazes. O mesmo vale para o envolvimento de Mallory com o personagem de Chaning Tatum, que, apesar de deixar clara a mensagem de que ela paga pelas escolhas que faz na vida, poderia ter sido melhor aproveitado. Ewan McGregor, bem à vontade e se divertindo em cena, é um dos poucos que aparece por mais tempo.

Mas todo o diferencial se deve à direção de Steven Soderbergh, que evita que “À Toda Prova” se torne mais um filme de pancadaria gratuita, e sim, um longa de aventura com clima noir. Ao invés de optar por edições rápidas, que apelam para inúmeros cortes em frações de segundo, e trilha sonora pesada de fundo, o cineasta opta por câmeras estáticas e a predominância do silêncio ao fundo, recurso que acaba por tornar ação mais realista e com potência realçada. Acertadamente, ele segue a tendência de boas obras contemporâneas do estilo, como a franquia “Bourne” e “007 – Cassino Royale”, com menos armas e mais contato físico. Destaque para a cena escura e silenciosa, vista na casa do pai da personagem de Gina. É, no mínimo, estilosa.

Gina Carano não faz feio em sua estreia nas telonas, sendo beneficiada pelo fato de sua personagem não ter seu lado sentimental bem trabalhado pelo roteiro. Mesmo assim, por trás das expressões fechadas, ela convence na pele da mulher que busca sempre se manter forte, mas não esconde as decepções com pessoas ao redor. Na parte da ação ela mostra a que veio, sem precisar, óbvio, do uso de dublês. E toda a sua habilidade pode ser vista, sem decepcionar àqueles que não perdem a uma exibição do UFC (no caso de Gina, o Strikeforce). Estão lá muitas joelhadas, cotoveladas, socos e chutes rodados do Muay Thay; quedas de Wrestling; mata leões, chaves de pernas e guilhotinas do Jiu Jitsu, entre muitas outras modalidades.

“À Toda Prova” pode ser definido como um “Kill Bill” bem menos pop e um “A Supremacia Bourne” bem menos sério. Com esse meio termo, Soderbergh apresenta a obra mais despretensiosa de sua filmografia, mas sem perder o bom jeito.

Nota: 7,0

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Crítica: “À Toda Prova” traz uma divertida mistura de MMA e espionagem com direção estilosa

Por Thiago Sampaio em Crítica

17 de Abril de 2012

Elenco de peso “À Toda Prova” (Haywire) – Foto: Divulgação

O diretor Steven Soderbergh é daqueles que, assim como Steven Spielberg, parece que existem dois dele: um engajado em projetos sérios e com ambições de Oscar, como “Traffic” e “Erin Brockovich”, e outro que gosta de reunir um grupo grande de amigos famosos por valores bem abaixo do que recebem comumente, simplesmente para se divertir em um projeto despretensioso, como a boa franquia “Onze Homens e Um Segredo”. Em “À Toda Prova” (Haywire) ele segue a segunda linha, ainda exigindo menos do cérebro do espectador, mas realiza o trabalho com eficiência ao que se propõe.

Aproveitando a moda do MMA pelo mundo, o diretor traz para a sua obra Gina Carano, que pode não ser tão famosa no Brasil, mas é uma das mais conhecidas praticante do esporte (ou ex-lutadora, como ela se define, mas é comum desses esportistas voltarem atrás na decisão) do sexo feminino. No elenco masculino, que não é nada difícil prever que todos serão vítimas fáceis da habilidade da protagonista, nomes de peso como Ewan McGregor, Antonio Banderas, Michael Fassbender, Michael Douglas, Chaning Tatum, além de Bill Paxton e Michael Angarano.

Na trama, Carano vive a agente Mallory, treinada pela CIA, que em sua “última missão” (claro!) é convocada pelo chefe Kenneth (McGregor) para realizar uma missão secreta com Paul (Fassbender), mas logo ela descobrirá que os seus parceiros armaram uma emboscada para matá-la. Confiando apenas no seu instinto selvagem e tendo de proteger o seu pai, precisa fugir dos riscos e ainda desarmar um complô internacional.

Michael Fassbender em uma trama de espionagem pouco convencional

O roteiro do pouco experiente Lem Dobbs (“A Cartada Final”) traz, sem se preocupar muito com surpresas ou lições direcionadas ao sistema de governo, toda a receita da mulher poderosa que busca vingança e explicações a todo custo. Porém, o ar de filme de espionagem, presente durante toda a projeção, acaba levando o charme, remetendo até aos filmes da nova franquia 007 estrelados por Daniel Craig (é impossível, por exemplo, não lembrar do espião britânico quando o personagem de Fassbender está em cena). Há intrigas, traições, ligações com figuras do mais alto escalão, às vezes soando até confuso na medida do necessário.

O que deixa a desejar é o mal aproveitamento dos coadjuvantes, de modo que o estelar elenco masculino está presente apenas como “participações de luxo”. Os personagens de Banderas e Michael Douglas possuem uma carga interessante, mas nunca é mostrado do que realmente são capazes. O mesmo vale para o envolvimento de Mallory com o personagem de Chaning Tatum, que, apesar de deixar clara a mensagem de que ela paga pelas escolhas que faz na vida, poderia ter sido melhor aproveitado. Ewan McGregor, bem à vontade e se divertindo em cena, é um dos poucos que aparece por mais tempo.

Mas todo o diferencial se deve à direção de Steven Soderbergh, que evita que “À Toda Prova” se torne mais um filme de pancadaria gratuita, e sim, um longa de aventura com clima noir. Ao invés de optar por edições rápidas, que apelam para inúmeros cortes em frações de segundo, e trilha sonora pesada de fundo, o cineasta opta por câmeras estáticas e a predominância do silêncio ao fundo, recurso que acaba por tornar ação mais realista e com potência realçada. Acertadamente, ele segue a tendência de boas obras contemporâneas do estilo, como a franquia “Bourne” e “007 – Cassino Royale”, com menos armas e mais contato físico. Destaque para a cena escura e silenciosa, vista na casa do pai da personagem de Gina. É, no mínimo, estilosa.

Gina Carano não faz feio em sua estreia nas telonas, sendo beneficiada pelo fato de sua personagem não ter seu lado sentimental bem trabalhado pelo roteiro. Mesmo assim, por trás das expressões fechadas, ela convence na pele da mulher que busca sempre se manter forte, mas não esconde as decepções com pessoas ao redor. Na parte da ação ela mostra a que veio, sem precisar, óbvio, do uso de dublês. E toda a sua habilidade pode ser vista, sem decepcionar àqueles que não perdem a uma exibição do UFC (no caso de Gina, o Strikeforce). Estão lá muitas joelhadas, cotoveladas, socos e chutes rodados do Muay Thay; quedas de Wrestling; mata leões, chaves de pernas e guilhotinas do Jiu Jitsu, entre muitas outras modalidades.

“À Toda Prova” pode ser definido como um “Kill Bill” bem menos pop e um “A Supremacia Bourne” bem menos sério. Com esse meio termo, Soderbergh apresenta a obra mais despretensiosa de sua filmografia, mas sem perder o bom jeito.

Nota: 7,0