Crítica: 'Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1' prepara bem o terreno para a grande guerra final - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: ‘Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1’ prepara bem o terreno para a grande guerra final

Por Thiago Sampaio em Crítica

04 de dezembro de 2014

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Não é um bom sinal quando a adaptação de um único livro para os cinemas é dividida em duas partes por fins comerciais. Por isso, é inevitável a sensação que “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1” (The Hunger Games: Mockingjay – Part 1, 2014) serve apenas como ponte para o grande desfecho da saga, adaptada da trilogia literária de Suzanne Collins. Ainda assim, o longa mantém o grau de maturidade dos anteriores e, com uma abordagem mais melancólica, prepara bem o terreno para o conflito final.

Sinopse

Após ser resgatada do Massacre Quaternário pela resistência ao governo do presidente Snow (Donald Sutherland), Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) está abalada. A presidente Alma Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) querem que Katniss assuma o papel do tordo, o símbolo que a resistência precisa para mobilizar a população. Após uma certa relutância, Katniss aceita a proposta desde que a resistência se comprometa a resgatar Peeta Mellark (Josh Hutcherson) e os demais Vitoriosos mantidos prisioneiros pela Capital.

Menos ação, mais história

Se os “Jogos Vorazes” anteriores (2012, 2013) já se destacavam entre os blockbusters tradicionais por trazer um ar de maturidade diferente ao focar o controle governamental e da mídia sobre a população reprimida em prol de um reality show, esse terceiro episódio (ou pelo menos a primeira parte dele) se mostra ainda mais sério. Agora não há mais os jogos do título, dando vez ao drama vivido pelos rebeldes que vivem sob ameaça constante do poderio bélico da Capital.

Ao deixar a ação de lado para abordar a burocracia em torno do marketing da rebelião – sim, o reality show acabou, mas ainda é a mídia quem canaliza toda a guerra -, o diretor Francis Lawrence (que também comandou “Jogo Vorazes: Em Chamas”) opta por um silêncio predominante que, juntamente com a fotografia cinzenta e cenários de destroços dos distritos contrastando com o visual rico e colorido da Capital, transpõe a situação de melancolia e medo dos personagens.

Os poucos momentos de ação, como a explosão do hospital (sim, a protagonista utiliza o arco e flecha) e a missão de resgate dos rebeldes prisioneiros da Capital são utilizadas não para aumentar a adrenalina, e sim para atenuar a tensão entre os lados conflitantes. E levando em conta que pela primeira vez Katniss e Peeta se encontram longe, até mesmo o triângulo amoroso envolvendo eles e o personagem Gale (Liam Hemsworth) fica de lado, priorizando a preocupação da protagonista com o amigo/interesse.romântico, enquanto os seus aliados o repudiam.

A vez é dos rebeldes

Se antes a o foco político envolvia a burguesia ao promover tal reality show, em que jovens se banhavam de sangue enquanto patrocinadores lucravam alto, organizadores não hesitavam em manipular o resultado e alterar as regras o tempo todo, o roteiro de Peter Craig e Danny Strong agora vira para o lado da população oprimida. Interessante que para mostrar que eles não estão rendidos, é necessário todo um esquema de “mídia independente”, com direção estratégica, filmagens de cada ação e edição de vídeo para infiltrar nos grandes veículos de comunicação e assim mobilizar a sociedade. Tudo isso, tendo Katniss Everdeen como o símbolo principal da revolução.

Nesse contexto, os personagens voltam a ser bem trabalhados dentro das suas peculiaridades. A personagem Effie Trinket (Elizabeth Banks), por exemplo, deixa de lado a maquiagem exagerada a adota um semblante depressivo por se entregar ao drama da situação. O alcoólatra Haymitch Abernathy (Woody Harrelson), que curiosamente antes bebia para superar toda a carnificina que vivia, agora passa por reabilitação e se mantém sóbrio perante a importância de colaborar estrategicamente nesse momento decisivo. Do outro lado, a soberba da Capital segue bem representada pelo presidente Snow (Donald Sutherland), que em uma admirável cena, ao se ferir ao ser barbeado por um serviçal, limpa o local e fala “não deixarei que me vejam sangrar”.

Elenco convincente

Jennifer Lawrence apresenta mais uma eficiente atuação pelo modo que Katniss nunca se sente à vontade naquele contexto, necessitando proferir frases de efeito ou discursos em meio a destruição olhando para cinegrafistas com câmeras embutidas em capacete, mas o faz pela consciência de se tratar de um bem maior. Josh Hutcherson tem menos espaço em cena, aparecendo na maioria das vezes em um vídeo, mas tem forte carga dramática por atuar com um mistério em que o espectador nunca sabe as suas reais emoções.

O falecido Philip Seymour Hoffman segue sensacional, conferindo a Plutarch Heavensbee um líder com ar de positividade ao coordenar a campanha dos rebeldes e acreditando em Katniss, mesmo contra a opinião alheia. Novidade na série, Julianne Moore também traz peso ao longa-metragem como a presidente Alma Coin, uma mulher que por trás dos cabelos brancos e das opiniões fortes, se mostra alguém que visa apenas a paz do seu povo. Liam Hemsworth (irmão de Chris, o Thor), tem mais espaço em cena, podendo demonstrar o ciúme de Katniss em relação a Peeta e, pela primeira vez, vai a campo para a ação.

Fica pra 2015

Com toda uma estrutura montada de maneira digna e um final chocante, “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1” funciona como uma grande tatuagem feita em duas sessões. Na primeira, o esqueleto está todo lá, todos podem ter uma boa ideia do que se trata, para depois vir a “coloração” e finalmente todos possam desfrutar do produto final. E que venha a Parte 2 em 2015!

Nota: 8,0

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Crítica: ‘Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1’ prepara bem o terreno para a grande guerra final

Por Thiago Sampaio em Crítica

04 de dezembro de 2014

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Não é um bom sinal quando a adaptação de um único livro para os cinemas é dividida em duas partes por fins comerciais. Por isso, é inevitável a sensação que “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1” (The Hunger Games: Mockingjay – Part 1, 2014) serve apenas como ponte para o grande desfecho da saga, adaptada da trilogia literária de Suzanne Collins. Ainda assim, o longa mantém o grau de maturidade dos anteriores e, com uma abordagem mais melancólica, prepara bem o terreno para o conflito final.

Sinopse

Após ser resgatada do Massacre Quaternário pela resistência ao governo do presidente Snow (Donald Sutherland), Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) está abalada. A presidente Alma Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) querem que Katniss assuma o papel do tordo, o símbolo que a resistência precisa para mobilizar a população. Após uma certa relutância, Katniss aceita a proposta desde que a resistência se comprometa a resgatar Peeta Mellark (Josh Hutcherson) e os demais Vitoriosos mantidos prisioneiros pela Capital.

Menos ação, mais história

Se os “Jogos Vorazes” anteriores (2012, 2013) já se destacavam entre os blockbusters tradicionais por trazer um ar de maturidade diferente ao focar o controle governamental e da mídia sobre a população reprimida em prol de um reality show, esse terceiro episódio (ou pelo menos a primeira parte dele) se mostra ainda mais sério. Agora não há mais os jogos do título, dando vez ao drama vivido pelos rebeldes que vivem sob ameaça constante do poderio bélico da Capital.

Ao deixar a ação de lado para abordar a burocracia em torno do marketing da rebelião – sim, o reality show acabou, mas ainda é a mídia quem canaliza toda a guerra -, o diretor Francis Lawrence (que também comandou “Jogo Vorazes: Em Chamas”) opta por um silêncio predominante que, juntamente com a fotografia cinzenta e cenários de destroços dos distritos contrastando com o visual rico e colorido da Capital, transpõe a situação de melancolia e medo dos personagens.

Os poucos momentos de ação, como a explosão do hospital (sim, a protagonista utiliza o arco e flecha) e a missão de resgate dos rebeldes prisioneiros da Capital são utilizadas não para aumentar a adrenalina, e sim para atenuar a tensão entre os lados conflitantes. E levando em conta que pela primeira vez Katniss e Peeta se encontram longe, até mesmo o triângulo amoroso envolvendo eles e o personagem Gale (Liam Hemsworth) fica de lado, priorizando a preocupação da protagonista com o amigo/interesse.romântico, enquanto os seus aliados o repudiam.

A vez é dos rebeldes

Se antes a o foco político envolvia a burguesia ao promover tal reality show, em que jovens se banhavam de sangue enquanto patrocinadores lucravam alto, organizadores não hesitavam em manipular o resultado e alterar as regras o tempo todo, o roteiro de Peter Craig e Danny Strong agora vira para o lado da população oprimida. Interessante que para mostrar que eles não estão rendidos, é necessário todo um esquema de “mídia independente”, com direção estratégica, filmagens de cada ação e edição de vídeo para infiltrar nos grandes veículos de comunicação e assim mobilizar a sociedade. Tudo isso, tendo Katniss Everdeen como o símbolo principal da revolução.

Nesse contexto, os personagens voltam a ser bem trabalhados dentro das suas peculiaridades. A personagem Effie Trinket (Elizabeth Banks), por exemplo, deixa de lado a maquiagem exagerada a adota um semblante depressivo por se entregar ao drama da situação. O alcoólatra Haymitch Abernathy (Woody Harrelson), que curiosamente antes bebia para superar toda a carnificina que vivia, agora passa por reabilitação e se mantém sóbrio perante a importância de colaborar estrategicamente nesse momento decisivo. Do outro lado, a soberba da Capital segue bem representada pelo presidente Snow (Donald Sutherland), que em uma admirável cena, ao se ferir ao ser barbeado por um serviçal, limpa o local e fala “não deixarei que me vejam sangrar”.

Elenco convincente

Jennifer Lawrence apresenta mais uma eficiente atuação pelo modo que Katniss nunca se sente à vontade naquele contexto, necessitando proferir frases de efeito ou discursos em meio a destruição olhando para cinegrafistas com câmeras embutidas em capacete, mas o faz pela consciência de se tratar de um bem maior. Josh Hutcherson tem menos espaço em cena, aparecendo na maioria das vezes em um vídeo, mas tem forte carga dramática por atuar com um mistério em que o espectador nunca sabe as suas reais emoções.

O falecido Philip Seymour Hoffman segue sensacional, conferindo a Plutarch Heavensbee um líder com ar de positividade ao coordenar a campanha dos rebeldes e acreditando em Katniss, mesmo contra a opinião alheia. Novidade na série, Julianne Moore também traz peso ao longa-metragem como a presidente Alma Coin, uma mulher que por trás dos cabelos brancos e das opiniões fortes, se mostra alguém que visa apenas a paz do seu povo. Liam Hemsworth (irmão de Chris, o Thor), tem mais espaço em cena, podendo demonstrar o ciúme de Katniss em relação a Peeta e, pela primeira vez, vai a campo para a ação.

Fica pra 2015

Com toda uma estrutura montada de maneira digna e um final chocante, “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1” funciona como uma grande tatuagem feita em duas sessões. Na primeira, o esqueleto está todo lá, todos podem ter uma boa ideia do que se trata, para depois vir a “coloração” e finalmente todos possam desfrutar do produto final. E que venha a Parte 2 em 2015!

Nota: 8,0