Crítica: "Vida" é uma ficção/terror que fica à sombra das suas influências - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “Vida” é uma ficção/terror que fica à sombra das suas influências

Por Thiago Sampaio em Crítica

25 de Abril de 2017

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Não é das missões mais fáceis nos dias atuais tentar emplacar uma franquia de ficção científica totalmente original, sem pegar gancho como adaptação de algum anime ou série de TV, obra literária conhecida ou, principalmente, alguma saga consolidada ao longo dos anos (“Star Wars” e “Star Trek” estão aí até hoje). Por isso, “Vida” (Life, 2017) surge como um produto ousado, principalmente por partir para a vertente do horror, nem tão fácil de comercializar. Acontece que a influência de outras obras é tão nítida que fica difícil vê-lo como algo novo, soando mais como uma releitura.

Na trama, seis astronautas de diferentes nacionalidades estão em uma estação espacial, cujo objetivo maior é estudar amostras coletadas no solo de Marte por um satélite. Dentre elas está um ser unicelular que é despertado através dos equipamentos da própria estação. Tal descoberta – que ganha o nome de Calvin através de um concurso escolar – é intensamente celebrada por ser a primeira forma de vida encontrada fora da Terra. Só que, surpreendentemente, este ser se desenvolve de forma bastante rápida, ganhando novas células e uma capacidade destrutiva.

Pela premissa, não tem como não associar o longa-metragem a “Alien, O 8º Passageiro” (Alien, 1979) e ele nem tenta esconder. É uma clara homenagem, que chega a parecer um remake. Em um plano em que um personagem e a criatura ficam cara a cara, é impossível não lembrar da cena clássica de “Alien 3” (Alien³, 1992). A qualquer momento o espectador fica na espreita para ver um monstro saltando da barriga de qualquer ser humano em cena (mas não, as imitações não são para tanto).

O roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick (responsáveis pelos ótimos “Zumbilândia”, 2009, e “Deadpool”, 2016) até apresentam um contexto interessante na introdução dos personagens, mostrando a missão como uma grande propaganda mundial (o fato de os astronautas terem nacionalidades diferentes não é à toa). Investimentos de diferentes regiões do planeta Terra, noticiário de TV com transmissões direto da estação espacial e até concurso entre escolas para definir o nome do alienígena. Será que teríamos uma união assim? Pretensioso. Mas quando a tal ameaça se solta, o longa vira um thriller sobre sobrevivência, com sangue jorrando, mortes, alguns sustos e tudo o que já esperamos.

Há sequências bem estilosas e que prendem a atenção. Mas o diretor Daniel Espinosa (“Protegendo o Inimigo”, 2012, “Crimes Ocultos”, 2015) não é nenhum Alfonso Cuarón, que consegue transportar o espectador para o espaço, causando a sensação de claustrofobia e desespero, como o fez em “Gravidade” (Gravity, 2013). Vale lembrar que um dos méritos de “Alien, O 8º Passageiro” era que, por conta das limitações tecnológicas da época, prevalecia o terror psicológico, com um clima de tensão constante, escondendo a criatura (que mesmo sendo um homem usando roupa de borracha, funcionava bem) a maior parte do tempo.

Não há o que reclamar dos efeitos especiais de “Vida”. De fato, o monstro tem um visual bem convincente, de modo que é uma atração à parte acompanharmos o seu “crescimento” à medida que se alimenta. É algo como uma mistura de alga e a simbionte alienígena do universo do Homem-Aranha (não, a teoria de que se trata de um prequel do filme solo do Venom não faz nenhum sentido), com uma espécie de “rosto” e movimentos plásticos. Ele protagoniza boas perseguições com gravidade zero, fuga de incineradores, além de inteligência desenvolvida. Mas como ele está em cena quase o tempo todo, prevalece mais a apreciação pela aventura, a violência explícita, do que o suspense em si.

A inclusão de nomes famosos como Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson e Ryan Reynolds é uma forma de atrair bilheteria. Nenhum deles é desenvolvido a ponto de alguém se importar de fato com o destino de cada um. Sabemos que David Jordan (Gyllenhaal) é o que está há mais tempo no espaço; Miranda North (Ferguson) é capaz de decisões drásticas em nome do trabalho; Rory Adams (Reynolds) é o corajoso que não foge da ação; Sho Murakami (o ótimo Hiroyuki Sanada) tem uma filha; Hugh Derry (Ariyon Bakare, o melhor em cena) é inteligente e tem paralisia nas pernas; e Ekaterina Golovkina (Olga Dihovichnaya)…bom…ela é russa! Cada um tem algum momento de destaque, mas são apenas petiscos para o vilão, que “só busca a sobrevivência”. Nada de criativo!

Com gancho para uma possível continuação, “Vida” pode até seguir em frente, até porque não teve um custo tão alto para uma superprodução: U$ 58 milhões. Mas com pretensões de um “O Segredo do Abismo” (The Abyss, 1989), no máximo deve ser lembrado por alguns como um “O Enigma do Horizonte” (Event Horizon, 1997), eficiente sci-fi de horror que caiu no esquecimento. Tem tensão suficiente para garantir o entretenimento, mas enquanto Ridley Scott continuar com o seu Alien original (“Alien: Covenant” vem aí ainda este ano), deve ficar em segundo plano.

Nota: 6,0

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Crítica: “Vida” é uma ficção/terror que fica à sombra das suas influências

Por Thiago Sampaio em Crítica

25 de Abril de 2017

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Não é das missões mais fáceis nos dias atuais tentar emplacar uma franquia de ficção científica totalmente original, sem pegar gancho como adaptação de algum anime ou série de TV, obra literária conhecida ou, principalmente, alguma saga consolidada ao longo dos anos (“Star Wars” e “Star Trek” estão aí até hoje). Por isso, “Vida” (Life, 2017) surge como um produto ousado, principalmente por partir para a vertente do horror, nem tão fácil de comercializar. Acontece que a influência de outras obras é tão nítida que fica difícil vê-lo como algo novo, soando mais como uma releitura.

Na trama, seis astronautas de diferentes nacionalidades estão em uma estação espacial, cujo objetivo maior é estudar amostras coletadas no solo de Marte por um satélite. Dentre elas está um ser unicelular que é despertado através dos equipamentos da própria estação. Tal descoberta – que ganha o nome de Calvin através de um concurso escolar – é intensamente celebrada por ser a primeira forma de vida encontrada fora da Terra. Só que, surpreendentemente, este ser se desenvolve de forma bastante rápida, ganhando novas células e uma capacidade destrutiva.

Pela premissa, não tem como não associar o longa-metragem a “Alien, O 8º Passageiro” (Alien, 1979) e ele nem tenta esconder. É uma clara homenagem, que chega a parecer um remake. Em um plano em que um personagem e a criatura ficam cara a cara, é impossível não lembrar da cena clássica de “Alien 3” (Alien³, 1992). A qualquer momento o espectador fica na espreita para ver um monstro saltando da barriga de qualquer ser humano em cena (mas não, as imitações não são para tanto).

O roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick (responsáveis pelos ótimos “Zumbilândia”, 2009, e “Deadpool”, 2016) até apresentam um contexto interessante na introdução dos personagens, mostrando a missão como uma grande propaganda mundial (o fato de os astronautas terem nacionalidades diferentes não é à toa). Investimentos de diferentes regiões do planeta Terra, noticiário de TV com transmissões direto da estação espacial e até concurso entre escolas para definir o nome do alienígena. Será que teríamos uma união assim? Pretensioso. Mas quando a tal ameaça se solta, o longa vira um thriller sobre sobrevivência, com sangue jorrando, mortes, alguns sustos e tudo o que já esperamos.

Há sequências bem estilosas e que prendem a atenção. Mas o diretor Daniel Espinosa (“Protegendo o Inimigo”, 2012, “Crimes Ocultos”, 2015) não é nenhum Alfonso Cuarón, que consegue transportar o espectador para o espaço, causando a sensação de claustrofobia e desespero, como o fez em “Gravidade” (Gravity, 2013). Vale lembrar que um dos méritos de “Alien, O 8º Passageiro” era que, por conta das limitações tecnológicas da época, prevalecia o terror psicológico, com um clima de tensão constante, escondendo a criatura (que mesmo sendo um homem usando roupa de borracha, funcionava bem) a maior parte do tempo.

Não há o que reclamar dos efeitos especiais de “Vida”. De fato, o monstro tem um visual bem convincente, de modo que é uma atração à parte acompanharmos o seu “crescimento” à medida que se alimenta. É algo como uma mistura de alga e a simbionte alienígena do universo do Homem-Aranha (não, a teoria de que se trata de um prequel do filme solo do Venom não faz nenhum sentido), com uma espécie de “rosto” e movimentos plásticos. Ele protagoniza boas perseguições com gravidade zero, fuga de incineradores, além de inteligência desenvolvida. Mas como ele está em cena quase o tempo todo, prevalece mais a apreciação pela aventura, a violência explícita, do que o suspense em si.

A inclusão de nomes famosos como Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson e Ryan Reynolds é uma forma de atrair bilheteria. Nenhum deles é desenvolvido a ponto de alguém se importar de fato com o destino de cada um. Sabemos que David Jordan (Gyllenhaal) é o que está há mais tempo no espaço; Miranda North (Ferguson) é capaz de decisões drásticas em nome do trabalho; Rory Adams (Reynolds) é o corajoso que não foge da ação; Sho Murakami (o ótimo Hiroyuki Sanada) tem uma filha; Hugh Derry (Ariyon Bakare, o melhor em cena) é inteligente e tem paralisia nas pernas; e Ekaterina Golovkina (Olga Dihovichnaya)…bom…ela é russa! Cada um tem algum momento de destaque, mas são apenas petiscos para o vilão, que “só busca a sobrevivência”. Nada de criativo!

Com gancho para uma possível continuação, “Vida” pode até seguir em frente, até porque não teve um custo tão alto para uma superprodução: U$ 58 milhões. Mas com pretensões de um “O Segredo do Abismo” (The Abyss, 1989), no máximo deve ser lembrado por alguns como um “O Enigma do Horizonte” (Event Horizon, 1997), eficiente sci-fi de horror que caiu no esquecimento. Tem tensão suficiente para garantir o entretenimento, mas enquanto Ridley Scott continuar com o seu Alien original (“Alien: Covenant” vem aí ainda este ano), deve ficar em segundo plano.

Nota: 6,0