27/04/2019 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

27/04/2019

O Brasil e o espírito do tempo

Por Wanfil em Cultura

27 de Abril de 2019

“Escritores e Leviatã” é o título de um pequeno ensaio escrito por George Orwell em 1948 (o mesmo ano em que ele publicou 1984). Pois bem, logo no início do texto, uma passagem chamou a minha atenção:

“Não quero aqui expressar uma opinião favorável ou contrária ao patrocínio estatal das artes, mas apenas salientar que o tipo de Estado que nos governa deve depender em parte da atmosfera intelectual dominante: quer dizer, nesse contexto, deve depender em parte da atitude dos próprios escritores e artistas, e de sua disposição ou não de manter vivo o espírito do liberalismo”.

Não me interessa agora o antagonismo entre os “patrocínios estatais das artes” e o “espírito do liberalismo”, mas sim a relação entre a “atmosfera intelectual” e o “tipo de de Estado que nos governa”. Repare: Orwell não indaga sobre o tipo de sujeito ou de partido que está no poder, mas sobre o pensamento predominante na forma de organização estatal que domina o pedaço. É algo mais profundo e duradouro.

O paralelismo foi automático: Qual tipo de Estado governa o Brasil? E o Ceará? Pois é. Respostas, quaisquer que sejam, não podem ignorar algumas características: ineficiente, paternalista, burocrático, corporativista.

Qual tipo de atmosfera intelectual prevalece no país desde algumas décadas? Com exceções que sempre confirmam a regra, certas distinções são inescapáveis: partidária, ativista, burocrática, corporativista.

Não existe efeito sem causa. Orwell tinha razão.

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O Brasil e o espírito do tempo

Por Wanfil em Cultura

27 de Abril de 2019

“Escritores e Leviatã” é o título de um pequeno ensaio escrito por George Orwell em 1948 (o mesmo ano em que ele publicou 1984). Pois bem, logo no início do texto, uma passagem chamou a minha atenção:

“Não quero aqui expressar uma opinião favorável ou contrária ao patrocínio estatal das artes, mas apenas salientar que o tipo de Estado que nos governa deve depender em parte da atmosfera intelectual dominante: quer dizer, nesse contexto, deve depender em parte da atitude dos próprios escritores e artistas, e de sua disposição ou não de manter vivo o espírito do liberalismo”.

Não me interessa agora o antagonismo entre os “patrocínios estatais das artes” e o “espírito do liberalismo”, mas sim a relação entre a “atmosfera intelectual” e o “tipo de de Estado que nos governa”. Repare: Orwell não indaga sobre o tipo de sujeito ou de partido que está no poder, mas sobre o pensamento predominante na forma de organização estatal que domina o pedaço. É algo mais profundo e duradouro.

O paralelismo foi automático: Qual tipo de Estado governa o Brasil? E o Ceará? Pois é. Respostas, quaisquer que sejam, não podem ignorar algumas características: ineficiente, paternalista, burocrático, corporativista.

Qual tipo de atmosfera intelectual prevalece no país desde algumas décadas? Com exceções que sempre confirmam a regra, certas distinções são inescapáveis: partidária, ativista, burocrática, corporativista.

Não existe efeito sem causa. Orwell tinha razão.