Quem sente falta do PSDB? 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Quem sente falta do PSDB?

Por Wanfil em Artigo, convidado

05 de dezembro de 2012

Artigo do jornalista Bruno Pontes, que não é filiado a partido político, nem simpatizante do PSDB ou do PT.

Tucanos reclamam da agenda roubada pelo petismo. Agora, são os tucanos que imitam o discurso petista. Quem ganha e quem perde?

Em julho de 2010, durante a campanha presidencial, o petista Marco Aurélio Garcia chamou José Serra de “troglodita de direita”, porque o candidato tucano andava proferindo levíssimas críticas à política externa do governo Lula, a qual consistiu em dar um braço protetor a Mahmoud Ahmadinejad, às Farc e outras entidades beneficentes.

Disse Marco Aurélio Garcia: “Fico constrangido de ver uma pessoa que teve um passado de esquerda como o José Serra correr tanto em direção à direita. Daquela direita mais raivosa, mais atrasada. Me parece um final melancólico da sua carreira política, porque eu acho que a sua carreira política terminará no dia 3 de outubro”.

Acusado de apostasia ideológica, Serra devolveu a ofensa repugnante: “Troglodita de direita é quem apóia o Ahmadinejad, um sistema que mata mulheres, uma ditadura que prende jornalistas, enforca opositores”. O mundo foi pego de surpresa com essa declaração. Segundo os critérios de Serra, são direitistas os seguintes elementos: Hugo Chávez, Evo Morales, Vladimir Putin, Kim Jong-il, Robert Mugabe e Lula.

Preocupado em deixar fora de qualquer dúvida que é uma pessoa decente, o tucano reiterou ser esquerdista (como podem duvidar?) e explicou: “Para mim, falar de esquerda é falar de direitos humanos, e falar de políticas efetivamente populares, com políticas que façam bem para as pessoas a médio e longo prazo”.

“FOI PRESIDENTE DA UNE”

Dali em diante Serra continuaria a exalar bom-mocismo esquerdista até perder a eleição. Alguns dias depois, discursando no XI Fórum de Biarritz, na França, Serra informou ao público que o governo Lula vinha negligenciando os investimentos públicos e praticando “populismo cambial”. Portanto, adivinhem a conclusão do tucano! “É um governo populista de direita em matéria econômica”.

Somos ensinados, nos jornais, nas salas de aula, nos filmes dos artistas conscientes, nas conversas inteligentes, que o bem e o bonito são de esquerda e tudo que é ruim e desagradável vem da direita. É a ciência política dos intelectuais orgânicos, e, como demonstram palavras e gestos, é o que prega o esquema mental de Serra, o tucano que adora apanhar de petista (nunca se viu vocação tão incoercível).

Naquela campanha, a exemplo de Dilma Rousseff ou até mais do que ela, Serra gabou-se perante os eleitores de ter prestado serviços à causa esquerdista. Era uma grande preocupação sua. Da primeira à última propaganda eleitoral, lá estava o destaque curricular: “foi presidente da UNE, foi perseguido pela ditadura, teve que se exilar, blábláblá”. Durante os seis meses de sua campanha, Serra não fez menção ao Plano Nacional de Direitos Humanos 3, referendado por Dilma, aquele que, entre outras questões de honra da revolução cultural, defende a liberação total do aborto e a instituição do gayzismo nas escolas. Ele não queria ser confundido com um conservador.

Podem me chamar de tudo, menos disso! Eu fui presidente da UNE! A ditadura me perseguiu!

FHC, OUTRO PROGRESSISTA

Agora, em entrevista à Folha de S. Paulo, o tucano-mor Fernando Henrique Cardoso informa pela enésima vez que é um senhor progressista, que entre PT e PSDB não existem grandes diferenças programáticas e que, apesar de tudo, os brasileiros devem ser gratos a pessoas como José Dirceu e José Genoíno.“O PSDB foi um partido muito menos ideológico do que as pessoas pensam. E também nunca foi um partido que tivesse muito amor pelo mercado. É uma ilusão, uma impressão. Como todos os partidos brasileiros, as pessoas gostam mesmo é de governo, é de Estado. Isso desde Portugal, da Península Ibérica.”

“Nós flexibilizamos com a Lei do Petróleo. Para permitir a competição. Não privatizamos a Petrobras, nem nunca quisemos. Nem o Banco do Brasil. Houve até uma discussão. Sempre me opus a privatizar o Banco do Brasil.”

“Em termos de comportamento e de valores morais, o PSDB tem que se manter progressista. Quando não se mantém, não tem o meu apoio. Eu não vou nessa direção.”

“Acho um episódio triste (a condenação de Dirceu e Genoíno no julgamento do Mensalão). Porque essa gente ajudou muito o Brasil no passado. Poder é uma coisa complicada. Ensandece as pessoas. As pessoas ficam com um sentimento de que não tem limite. E que nunca ninguém vai mexer com elas. Não é fácil exercer o poder, viu? Não é fácil. Psicologicamente é muito difícil você entender que é uma pessoa, não é um rei, um ente especial. Sua vontade não é lei. Que você não vai ficar sempre acima de tudo e de todos. É difícil. Eu entendo a dificuldade. Mas não justifica. Se você fez e errou, vai fazer o quê? Lamento. Eu realmente acho que foi uma página triste da vida política brasileira.”

A MISSÃO É PERDER PARA O PT

Depois de perder três eleições presidenciais e a capital de São Paulo para os petistas, o PSDB precisa é cultivar a imagem progressista, afirma FHC. Ou seja: precisa imitar o PT no discurso e nos atos, perder mais algumas eleições para os imitados e manter-se longe dos abomináveis conservadores, que são a maioria da população e não têm uma agremiação que os represente. Os tucanos vão seguir definhando até morrer como partido (os otimistas dão cinco anos). Mas pelo menos os colunistas da Folha vão aprovar as opiniões deles.

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Quem sente falta do PSDB?

Por Wanfil em Artigo, convidado

05 de dezembro de 2012

Artigo do jornalista Bruno Pontes, que não é filiado a partido político, nem simpatizante do PSDB ou do PT.

Tucanos reclamam da agenda roubada pelo petismo. Agora, são os tucanos que imitam o discurso petista. Quem ganha e quem perde?

Em julho de 2010, durante a campanha presidencial, o petista Marco Aurélio Garcia chamou José Serra de “troglodita de direita”, porque o candidato tucano andava proferindo levíssimas críticas à política externa do governo Lula, a qual consistiu em dar um braço protetor a Mahmoud Ahmadinejad, às Farc e outras entidades beneficentes.

Disse Marco Aurélio Garcia: “Fico constrangido de ver uma pessoa que teve um passado de esquerda como o José Serra correr tanto em direção à direita. Daquela direita mais raivosa, mais atrasada. Me parece um final melancólico da sua carreira política, porque eu acho que a sua carreira política terminará no dia 3 de outubro”.

Acusado de apostasia ideológica, Serra devolveu a ofensa repugnante: “Troglodita de direita é quem apóia o Ahmadinejad, um sistema que mata mulheres, uma ditadura que prende jornalistas, enforca opositores”. O mundo foi pego de surpresa com essa declaração. Segundo os critérios de Serra, são direitistas os seguintes elementos: Hugo Chávez, Evo Morales, Vladimir Putin, Kim Jong-il, Robert Mugabe e Lula.

Preocupado em deixar fora de qualquer dúvida que é uma pessoa decente, o tucano reiterou ser esquerdista (como podem duvidar?) e explicou: “Para mim, falar de esquerda é falar de direitos humanos, e falar de políticas efetivamente populares, com políticas que façam bem para as pessoas a médio e longo prazo”.

“FOI PRESIDENTE DA UNE”

Dali em diante Serra continuaria a exalar bom-mocismo esquerdista até perder a eleição. Alguns dias depois, discursando no XI Fórum de Biarritz, na França, Serra informou ao público que o governo Lula vinha negligenciando os investimentos públicos e praticando “populismo cambial”. Portanto, adivinhem a conclusão do tucano! “É um governo populista de direita em matéria econômica”.

Somos ensinados, nos jornais, nas salas de aula, nos filmes dos artistas conscientes, nas conversas inteligentes, que o bem e o bonito são de esquerda e tudo que é ruim e desagradável vem da direita. É a ciência política dos intelectuais orgânicos, e, como demonstram palavras e gestos, é o que prega o esquema mental de Serra, o tucano que adora apanhar de petista (nunca se viu vocação tão incoercível).

Naquela campanha, a exemplo de Dilma Rousseff ou até mais do que ela, Serra gabou-se perante os eleitores de ter prestado serviços à causa esquerdista. Era uma grande preocupação sua. Da primeira à última propaganda eleitoral, lá estava o destaque curricular: “foi presidente da UNE, foi perseguido pela ditadura, teve que se exilar, blábláblá”. Durante os seis meses de sua campanha, Serra não fez menção ao Plano Nacional de Direitos Humanos 3, referendado por Dilma, aquele que, entre outras questões de honra da revolução cultural, defende a liberação total do aborto e a instituição do gayzismo nas escolas. Ele não queria ser confundido com um conservador.

Podem me chamar de tudo, menos disso! Eu fui presidente da UNE! A ditadura me perseguiu!

FHC, OUTRO PROGRESSISTA

Agora, em entrevista à Folha de S. Paulo, o tucano-mor Fernando Henrique Cardoso informa pela enésima vez que é um senhor progressista, que entre PT e PSDB não existem grandes diferenças programáticas e que, apesar de tudo, os brasileiros devem ser gratos a pessoas como José Dirceu e José Genoíno.“O PSDB foi um partido muito menos ideológico do que as pessoas pensam. E também nunca foi um partido que tivesse muito amor pelo mercado. É uma ilusão, uma impressão. Como todos os partidos brasileiros, as pessoas gostam mesmo é de governo, é de Estado. Isso desde Portugal, da Península Ibérica.”

“Nós flexibilizamos com a Lei do Petróleo. Para permitir a competição. Não privatizamos a Petrobras, nem nunca quisemos. Nem o Banco do Brasil. Houve até uma discussão. Sempre me opus a privatizar o Banco do Brasil.”

“Em termos de comportamento e de valores morais, o PSDB tem que se manter progressista. Quando não se mantém, não tem o meu apoio. Eu não vou nessa direção.”

“Acho um episódio triste (a condenação de Dirceu e Genoíno no julgamento do Mensalão). Porque essa gente ajudou muito o Brasil no passado. Poder é uma coisa complicada. Ensandece as pessoas. As pessoas ficam com um sentimento de que não tem limite. E que nunca ninguém vai mexer com elas. Não é fácil exercer o poder, viu? Não é fácil. Psicologicamente é muito difícil você entender que é uma pessoa, não é um rei, um ente especial. Sua vontade não é lei. Que você não vai ficar sempre acima de tudo e de todos. É difícil. Eu entendo a dificuldade. Mas não justifica. Se você fez e errou, vai fazer o quê? Lamento. Eu realmente acho que foi uma página triste da vida política brasileira.”

A MISSÃO É PERDER PARA O PT

Depois de perder três eleições presidenciais e a capital de São Paulo para os petistas, o PSDB precisa é cultivar a imagem progressista, afirma FHC. Ou seja: precisa imitar o PT no discurso e nos atos, perder mais algumas eleições para os imitados e manter-se longe dos abomináveis conservadores, que são a maioria da população e não têm uma agremiação que os represente. Os tucanos vão seguir definhando até morrer como partido (os otimistas dão cinco anos). Mas pelo menos os colunistas da Folha vão aprovar as opiniões deles.