A eminência parda e a rainha da Inglaterra na Secretaria de Segurança 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

A eminência parda e a rainha da Inglaterra na Secretaria de Segurança do Ceará

Por Wanfil em Ceará, Segurança

08 de Abril de 2013

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) agora conta com a ajuda extraoficial do ex-governador e ex-ministro Ciro Ferreira Gomes, que ultimamente tem comparecido ao órgão com frequência com a missão de acompanhar as ações da pasta, embora até o momento não haja nomeação alguma nesse sentido no Diário Oficial do Estado.

Segundo o governador Cid Gomes, irmão mais novo e herdeiro político de Ciro, a contribuição é voluntária e atende a um pedido pessoal do próprio governador.

Sem desculpas

É inegável que Ciro Gomes, que no passado já foi uma das maiores promessas políticas do Brasil, tem todo o  direito de querer ajudar o irmão a escapar do completo fiasco na área da segurança pública, bandeira de campanha mais famosa do governador. Pior que o mais implacável crítico e o mais ferrenho opositor (caso ainda exista um), é parecer fracassado diante da população que apostou suas fichas nessa gestão. E o fato é que a incompetência do governo em prover soluções para a alta da criminalidade no estado não pode mais ser disfarçada com pirotecnias ou desculpas.

Aliás, diga-se de passagem, o próprio pedido de ajuda do governador ao irmão mais experiente é sinal reluzente de que o incômodo que a sociedade vive nessa área finalmente chegou ao centro das preocupações governo. Talvez seja tarde demais para a atual administração. De qualquer forma, o sinal vermelho acendeu.

Quem manda na SSPDS?

O problema é que a informalidade da presença de Ciro na secretaria cria um quadro de confusão e de incertezas que termina por complicar ainda mais a situação. Afinal, Ciro presta contas a quem? Somente ao governador? Qual sua autoridade para emitir eventuais ordens ou determinações? O fato é que essa participação sem lastro oficial acaba criando a figura da eminência parda, ou seja, abre um comando paralelo que termina por enfraquecer o próprio secretário Francisco Bezerra, que agora fica com cara de rainha da Inglaterra, mero enfeite burocrático sem poder de fato.

Tanto isso é verdade, que Cid Gomes já precisou vir à público dizer que não pretende promover mudanças na cúpula da Segurança. Ora, quando um gestor se vê na situação de negar a possível demissão de um secretário é porque já existem pressões nesse sentido atuando fortemente. Além disso, fica a desconfiança de que a mudança não será necessária justamente porque é Ciro quem dá as cartas no órgão.

Comando disperso

Nas questões de poder, não existe vácuo. Se o secretário Francisco Bezerra e Ciro Gomes divergirem em algum ponto, muito provavelmente a opinião do irmão do governador prevalecerá. Mas existe o outro lado da moeda. Ciro talvez não possa assumir oficialmente cargos na Segurança por não possuir liderança sobre o efetivo policial. Durante a greve que paralisou a Polícia Militar e o governador Cid Gomes no início de 2012, Ciro bateu de frente com a categoria. Em um de seus arroubos característicos, chamou os grevistas de marginais fardados. Assim, o ex-governador pode até contar com o aval do irmão para atuar, mas sua presença ali é causa de constrangimento diante dos comandados. Daí a necessidade de manter uma rainha da Inglaterra no organograma da pasta.

Desse jeito, a ajuda tal voluntária de Ciro acaba por se transformar em mais um ponto de dispersão de energia (e recursos) que tanto caracteriza a gestão Cid Gomes na Segurança Pública, sem que apareçam os devidos resultados.

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A eminência parda e a rainha da Inglaterra na Secretaria de Segurança do Ceará

Por Wanfil em Ceará, Segurança

08 de Abril de 2013

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) agora conta com a ajuda extraoficial do ex-governador e ex-ministro Ciro Ferreira Gomes, que ultimamente tem comparecido ao órgão com frequência com a missão de acompanhar as ações da pasta, embora até o momento não haja nomeação alguma nesse sentido no Diário Oficial do Estado.

Segundo o governador Cid Gomes, irmão mais novo e herdeiro político de Ciro, a contribuição é voluntária e atende a um pedido pessoal do próprio governador.

Sem desculpas

É inegável que Ciro Gomes, que no passado já foi uma das maiores promessas políticas do Brasil, tem todo o  direito de querer ajudar o irmão a escapar do completo fiasco na área da segurança pública, bandeira de campanha mais famosa do governador. Pior que o mais implacável crítico e o mais ferrenho opositor (caso ainda exista um), é parecer fracassado diante da população que apostou suas fichas nessa gestão. E o fato é que a incompetência do governo em prover soluções para a alta da criminalidade no estado não pode mais ser disfarçada com pirotecnias ou desculpas.

Aliás, diga-se de passagem, o próprio pedido de ajuda do governador ao irmão mais experiente é sinal reluzente de que o incômodo que a sociedade vive nessa área finalmente chegou ao centro das preocupações governo. Talvez seja tarde demais para a atual administração. De qualquer forma, o sinal vermelho acendeu.

Quem manda na SSPDS?

O problema é que a informalidade da presença de Ciro na secretaria cria um quadro de confusão e de incertezas que termina por complicar ainda mais a situação. Afinal, Ciro presta contas a quem? Somente ao governador? Qual sua autoridade para emitir eventuais ordens ou determinações? O fato é que essa participação sem lastro oficial acaba criando a figura da eminência parda, ou seja, abre um comando paralelo que termina por enfraquecer o próprio secretário Francisco Bezerra, que agora fica com cara de rainha da Inglaterra, mero enfeite burocrático sem poder de fato.

Tanto isso é verdade, que Cid Gomes já precisou vir à público dizer que não pretende promover mudanças na cúpula da Segurança. Ora, quando um gestor se vê na situação de negar a possível demissão de um secretário é porque já existem pressões nesse sentido atuando fortemente. Além disso, fica a desconfiança de que a mudança não será necessária justamente porque é Ciro quem dá as cartas no órgão.

Comando disperso

Nas questões de poder, não existe vácuo. Se o secretário Francisco Bezerra e Ciro Gomes divergirem em algum ponto, muito provavelmente a opinião do irmão do governador prevalecerá. Mas existe o outro lado da moeda. Ciro talvez não possa assumir oficialmente cargos na Segurança por não possuir liderança sobre o efetivo policial. Durante a greve que paralisou a Polícia Militar e o governador Cid Gomes no início de 2012, Ciro bateu de frente com a categoria. Em um de seus arroubos característicos, chamou os grevistas de marginais fardados. Assim, o ex-governador pode até contar com o aval do irmão para atuar, mas sua presença ali é causa de constrangimento diante dos comandados. Daí a necessidade de manter uma rainha da Inglaterra no organograma da pasta.

Desse jeito, a ajuda tal voluntária de Ciro acaba por se transformar em mais um ponto de dispersão de energia (e recursos) que tanto caracteriza a gestão Cid Gomes na Segurança Pública, sem que apareçam os devidos resultados.