Depois do leilão do Campo de Libra, nova promessa de refinaria no Ceará não passará de insulto - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Depois do leilão do Campo de Libra, nova promessa de refinaria no Ceará não passará de insulto

Por Wanfil em Ceará, Economia

22 de outubro de 2013

Em rede nacional de rádio e televisão, a presidente Dilma informou que o leilão do Campo de Libra foi um sucesso e não foi privatização. O discurso não poderia ser outro, mas a necessidade de falar à nação revela desde logo uma postura defensiva, uma vez que há vários questionamentos sobre o modelo adotado para atrair o capital privado para a exploração da maior reserva de petróleo do país.

Tecnicamente, a substituição do antigo modelo de concessão (não é venda, é concessão), que o partido da presidente apelidou de privatização, pelo de partilha (uma concessão – privatização, no passado – dividida com a Petrobras, que entra na exploração sem precisar pagar), não atraiu muitos investidores. Na verdade, dos 40 possíveis, somente cinco fizeram propostas.

Aí o negócio fica estranho. A Petrobras já tinha direito a 30% do Campo de Libra. Só que as ofertas feitas no leilão cobriam a exploração de 90% da área. Para não pagar mico, a Petrobras comprar os 10% restantes. E aí o que deveria sair de graça para a empresa orgulho nacional, ficou caro.

Agora, mesmo com problemas de caixa e uma dívida de US$ 112,7 bilhões no fim do segundo trimestre (a maior do mundo entre as companhias abertas não financeiras, de acordo com o Bank of America), a Petrobras terá que pagar um bônus de R$ 6 bilhões pela parte que lhe cabe no negócio. Fora o investimento na exploração propriamente dita.

E o que isso tem a ver com o Ceará?

Bom, só a grana do bônus daria para cobrir, na atual cotação do dólar, aproximadamente 25% do investimento previsto para a Refinaria Premium II, prometida aos cearenses por Lula e Dilma. Mas promessa só é dívida para quem é honesto.

Se for prometida novamente nas eleições do ano que vem, a refinaria, que já não viria mesmo nesse governo, deixa de ser um factoide eleitoral para se transformar de uma vez por todas em escárnio e insulto.

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Depois do leilão do Campo de Libra, nova promessa de refinaria no Ceará não passará de insulto

Por Wanfil em Ceará, Economia

22 de outubro de 2013

Em rede nacional de rádio e televisão, a presidente Dilma informou que o leilão do Campo de Libra foi um sucesso e não foi privatização. O discurso não poderia ser outro, mas a necessidade de falar à nação revela desde logo uma postura defensiva, uma vez que há vários questionamentos sobre o modelo adotado para atrair o capital privado para a exploração da maior reserva de petróleo do país.

Tecnicamente, a substituição do antigo modelo de concessão (não é venda, é concessão), que o partido da presidente apelidou de privatização, pelo de partilha (uma concessão – privatização, no passado – dividida com a Petrobras, que entra na exploração sem precisar pagar), não atraiu muitos investidores. Na verdade, dos 40 possíveis, somente cinco fizeram propostas.

Aí o negócio fica estranho. A Petrobras já tinha direito a 30% do Campo de Libra. Só que as ofertas feitas no leilão cobriam a exploração de 90% da área. Para não pagar mico, a Petrobras comprar os 10% restantes. E aí o que deveria sair de graça para a empresa orgulho nacional, ficou caro.

Agora, mesmo com problemas de caixa e uma dívida de US$ 112,7 bilhões no fim do segundo trimestre (a maior do mundo entre as companhias abertas não financeiras, de acordo com o Bank of America), a Petrobras terá que pagar um bônus de R$ 6 bilhões pela parte que lhe cabe no negócio. Fora o investimento na exploração propriamente dita.

E o que isso tem a ver com o Ceará?

Bom, só a grana do bônus daria para cobrir, na atual cotação do dólar, aproximadamente 25% do investimento previsto para a Refinaria Premium II, prometida aos cearenses por Lula e Dilma. Mas promessa só é dívida para quem é honesto.

Se for prometida novamente nas eleições do ano que vem, a refinaria, que já não viria mesmo nesse governo, deixa de ser um factoide eleitoral para se transformar de uma vez por todas em escárnio e insulto.