Ministro da Integração Nacional explica por que é natural que cearenses bebam água contaminada - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ministro da Integração Nacional explica por que é natural que cearenses bebam água contaminada

Por Wanfil em Ceará

25 de novembro de 2014

O ministro na Integração Nacional, Francisco Teixeira, participou na última segunda-feira (24) de reunião do Comitê Integrado de Combate à Estiagem, realizada em Fortaleza.

Na ocasião, ao comentar a constatação de que metade da água distribuída por carros pipa no Ceará é imprópria para consumo humano, Teixeira, com a autoridade de quem representa o governo federal nas ações contra a seca, mandou ver: “Quando diminui a quantidade [de água ofertada], é natural que diminua a qualidade. E fica cada vez mais difícil encontrar água de qualidade”. E aí, o que dizer? Parece até uma constatação técnica incontornável, mas não passa de evasiva para evitar cobranças. Fosse um sertanejo obrigado a buscar água em poças sujas, a explicação seria até razoável, mas como se trata de um ministro, sinto dizer, a resposta beira ao cinismo, afinal, se a baixa qualidade é natural nessas circunstâncias, o que não é admissível é o seu consumo por seres humanos. Estamos – não custa lembrar – no Século 21.

Acontece que as coisas não param por aí. Com o propósito de mostrar que o governo não se rende às fatalidades do clima, Teixeira continua: “Pra isso [encontrar água de qualidade] a operação carro pipa busca o máximo possível ir atrás de água nos sistemas convencionais de distribuição de água: adutoras da Cagece no Ceará, por exemplo”.

O que isso quer dizer? Nada! Pior: significa dizer que a oferta de água tratada é limitada e pronto. Quem não puder ser atendido pela Cagece, paciência!, afinal, o Ministério da Integração Nacional fez o “máximo possível”.

Por fim, para não perder o hábito deste governo, a conclusão da transposição do Rio São Francisco foi prometida para o final de 2015. Como a obra está atrasadíssima – deveria ter ficado pronta em 2010 – e seu cronograma já foi alterado diversas vezes, o melhor é desconfiar e não baixar a guarda na hora de cobrar celeridade.

No momento em que a gestão Dilma vive uma crise fiscal sem precedentes e já anuncia um ano de corte de despesas, um bom começo seria pedir que ministros saíssem de Brasília somente em casos de necessidade real. A visita de Francisco Teixeira ao Ceará, por exemplo, não passou de gasto desnecessário de dinheiro público com passagens e hospedagem. Não disse nada de novo, não inaugurou nada, não trouxe coisa alguma. Foi somente mais do mesmo e solução que é bom, nada.

Na reunião do tal Comitê especialista em cisternas e carros pipa, todos foram devidamente servidos de água mineral. Sabe como é…

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Ministro da Integração Nacional explica por que é natural que cearenses bebam água contaminada

Por Wanfil em Ceará

25 de novembro de 2014

O ministro na Integração Nacional, Francisco Teixeira, participou na última segunda-feira (24) de reunião do Comitê Integrado de Combate à Estiagem, realizada em Fortaleza.

Na ocasião, ao comentar a constatação de que metade da água distribuída por carros pipa no Ceará é imprópria para consumo humano, Teixeira, com a autoridade de quem representa o governo federal nas ações contra a seca, mandou ver: “Quando diminui a quantidade [de água ofertada], é natural que diminua a qualidade. E fica cada vez mais difícil encontrar água de qualidade”. E aí, o que dizer? Parece até uma constatação técnica incontornável, mas não passa de evasiva para evitar cobranças. Fosse um sertanejo obrigado a buscar água em poças sujas, a explicação seria até razoável, mas como se trata de um ministro, sinto dizer, a resposta beira ao cinismo, afinal, se a baixa qualidade é natural nessas circunstâncias, o que não é admissível é o seu consumo por seres humanos. Estamos – não custa lembrar – no Século 21.

Acontece que as coisas não param por aí. Com o propósito de mostrar que o governo não se rende às fatalidades do clima, Teixeira continua: “Pra isso [encontrar água de qualidade] a operação carro pipa busca o máximo possível ir atrás de água nos sistemas convencionais de distribuição de água: adutoras da Cagece no Ceará, por exemplo”.

O que isso quer dizer? Nada! Pior: significa dizer que a oferta de água tratada é limitada e pronto. Quem não puder ser atendido pela Cagece, paciência!, afinal, o Ministério da Integração Nacional fez o “máximo possível”.

Por fim, para não perder o hábito deste governo, a conclusão da transposição do Rio São Francisco foi prometida para o final de 2015. Como a obra está atrasadíssima – deveria ter ficado pronta em 2010 – e seu cronograma já foi alterado diversas vezes, o melhor é desconfiar e não baixar a guarda na hora de cobrar celeridade.

No momento em que a gestão Dilma vive uma crise fiscal sem precedentes e já anuncia um ano de corte de despesas, um bom começo seria pedir que ministros saíssem de Brasília somente em casos de necessidade real. A visita de Francisco Teixeira ao Ceará, por exemplo, não passou de gasto desnecessário de dinheiro público com passagens e hospedagem. Não disse nada de novo, não inaugurou nada, não trouxe coisa alguma. Foi somente mais do mesmo e solução que é bom, nada.

Na reunião do tal Comitê especialista em cisternas e carros pipa, todos foram devidamente servidos de água mineral. Sabe como é…