Servidores estaduais querem reajuste e defendem gestão Dilma. Governo quer tempo e também quer mais Dilma. Não dá: ou um ou outro! - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Servidores estaduais querem reajuste e defendem gestão Dilma. Governo quer tempo e também quer mais Dilma. Não dá: ou um ou outro!

Por Wanfil em Ceará

26 de Abril de 2016

O Fórum Unificado das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos Estaduais do Ceará avalia a possibilidade de uma greve geral, por causa do impasse nas negociações para o reajuste salarial do funcionalismo. Os servidores querem 12,67% de aumento (10,67% para repor a inflação e 2% de ganho real). Já o Governo do Estado pediu prazo até junho para definir um índice, pois a crise econômica e a queda nos repasses federais impedem projeções seguras.

Vez por outra o secretário da Fazenda, Mauro Filho, lembra que outros estados já não conseguem pagar seu quadro funcional em dia. Cumprir obrigações básicas virou um feito nos dias que correm.

Curiosamente, tanto o governo estadual (cúpula e aliados) como o Fórum dos servidores estaduais concordam quando o assunto é defender a continuidade da gestão Dilma Rousseff, manifestando-se publicamente contra o impeachment, como se não fosse essa mesma gestão a responsável pelo rombo fiscal que levou estados, municípios, empresas e trabalhadores a essa situação. Como se essa gestão não fosse a responsável por fraudar as informações da situação fiscal do País, induzindo gestores a erros. Como se não fosse a gestão Dilma a responsável pela maior recessão econômica de nossa História. Como se não fosse, por fim, o entrave maior para uma retomada da economia, uma vez perdidas a credibilidade e a capacidade de articulação política.

Sei que existem afinidades ideológicas e que estas são compreensíveis. Também sei que é legítimo ter repulsa por uma eventual ascensão do vice Michel Temer à Presidência, única saída prevista pela Constituição. Ocorre que os fatos se sobrepuseram a essas questões. Quando a inflação castiga, empresas quebram, o desemprego aumenta e a base governista se desfaz por inabilidade do governante, a rejeição geral é inevitável. E sendo a crise resultado de uma fraude fiscal devidamente reprovada pelo TCU, o caminho para um processo de responsabilidade fica aberto. Manter isso significa a manutenção dessas circunstâncias. Não é questão de gosto, é a realidade.

Assim, servidores e governo divergem quanto aos efeitos da crise, cada um tentando evitar maiores prejuízos, mas se unem na hora de proteger a causa deles. Não querem reconhecer que será preciso escolher: ou querem mais do mesmo (com as consequências que já conhecemos) ou aceitam que é necessário buscar um novo rumo para tentar debelar a crise. Do contrário, não há do que reclamarem.

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Servidores estaduais querem reajuste e defendem gestão Dilma. Governo quer tempo e também quer mais Dilma. Não dá: ou um ou outro!

Por Wanfil em Ceará

26 de Abril de 2016

O Fórum Unificado das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos Estaduais do Ceará avalia a possibilidade de uma greve geral, por causa do impasse nas negociações para o reajuste salarial do funcionalismo. Os servidores querem 12,67% de aumento (10,67% para repor a inflação e 2% de ganho real). Já o Governo do Estado pediu prazo até junho para definir um índice, pois a crise econômica e a queda nos repasses federais impedem projeções seguras.

Vez por outra o secretário da Fazenda, Mauro Filho, lembra que outros estados já não conseguem pagar seu quadro funcional em dia. Cumprir obrigações básicas virou um feito nos dias que correm.

Curiosamente, tanto o governo estadual (cúpula e aliados) como o Fórum dos servidores estaduais concordam quando o assunto é defender a continuidade da gestão Dilma Rousseff, manifestando-se publicamente contra o impeachment, como se não fosse essa mesma gestão a responsável pelo rombo fiscal que levou estados, municípios, empresas e trabalhadores a essa situação. Como se essa gestão não fosse a responsável por fraudar as informações da situação fiscal do País, induzindo gestores a erros. Como se não fosse a gestão Dilma a responsável pela maior recessão econômica de nossa História. Como se não fosse, por fim, o entrave maior para uma retomada da economia, uma vez perdidas a credibilidade e a capacidade de articulação política.

Sei que existem afinidades ideológicas e que estas são compreensíveis. Também sei que é legítimo ter repulsa por uma eventual ascensão do vice Michel Temer à Presidência, única saída prevista pela Constituição. Ocorre que os fatos se sobrepuseram a essas questões. Quando a inflação castiga, empresas quebram, o desemprego aumenta e a base governista se desfaz por inabilidade do governante, a rejeição geral é inevitável. E sendo a crise resultado de uma fraude fiscal devidamente reprovada pelo TCU, o caminho para um processo de responsabilidade fica aberto. Manter isso significa a manutenção dessas circunstâncias. Não é questão de gosto, é a realidade.

Assim, servidores e governo divergem quanto aos efeitos da crise, cada um tentando evitar maiores prejuízos, mas se unem na hora de proteger a causa deles. Não querem reconhecer que será preciso escolher: ou querem mais do mesmo (com as consequências que já conhecemos) ou aceitam que é necessário buscar um novo rumo para tentar debelar a crise. Do contrário, não há do que reclamarem.