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Dica de filme: Coriolanus 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Dica de filme: Coriolanus – e um alerta de Shakespeare

Por Wanfil em Cinema

10 de junho de 2012

Coriolanus - As desventuras de um homem que não teme ser autêntico - com seus defeitos e qualidade - num mundo de aparências.

Coriolanus (Reino Unido – 2011), é uma adaptação cinematográfica da peça de William Shakespeare. Gravado na Sérvia, o filme mantém boa parte do texto original – do século XVI -, mas o figurino é contemporâneo, opção mostra que o dramaturgo inglês é atemporal e que suas peças servem a qualquer época.

Caio Márcio Coriolano (Ralph Fiennes) é um general romano, herói de guerra que salvou a cidade do ataque de Tullus Aufidius (Gerard Butler), líder dos volscos. Coriolano é honesto, temido e antissocial. Luta pela pátria, porém, despreza o povo. Aceita concorrer ao cargo de Cônsul para atender um pedido de Volúmnia, sua mãe. Durante a campanha, entretanto, seus adversários fazem o povo se voltar contra ele, que é forçado a se exilar.

Qualquer semelhança com eleições…

Reproduzo trechos da peça, notáveis pela pertinência com que revela a natureza das tramas políticas. Notem como os argumentos de Volúmnia se assemelham aos conselhos de marqueteiros. Vejam como Coriolano não consegue fingir só para parecer agradável aos eleitores (Dilma, por exemplo, chegou e negar que seja contra o aborto, conforme havia declarado meses antes). Destaco algumas passagens em azul.

CENA II

Volúmnia — Porque importa muito falardes hoje para o povo, não segundo a experiência vos ditar, nem como o coração vos aconselha, mas com palavras que só tenham curso superficial na língua, pensamentos bastardos e fraseado sem nenhuma relação com a lealdade do imo peito. (…) Sim, meu filho, dirige-te para eles com teu gorro na mão, assim, levando-o bem à frente, e deixa que teu joelho beije a terra, porque nesses assuntos a eloquência melhor é o gesto; muito mais instruído é o olho do ignorante do que o ouvido.

Palavras e atos

Coriolano esperava que seus atos de bravura falassem por si. No entanto, ao debater com adversários, ele se exalta e destrata o povo. Acaba, por isso, banido da cidade. Tomado de ira, ele desabafa na passagem a seguir.

CENA III

Coriolano – Vil matilha de cães, cujo mau hálito odeio como o pântano empestado, e cuja simpatia estimo tanto quanto o cadáver insepulto e podre que deixa o ar corrompido e irrespirável: sou eu que vos desterro, e aqui vos deixo com vossa inconsistência. Que o mais fraco rumor o coração vos deixe inquieto, e que só com moverem seus penachos vos insuflem terror os inimigos. Ficai com força para banir todos os vossos defensores, até o dia em que vossa ignorância, que só entende quanto venha a sentir, tiver limpado com todos, menos vós — os inimigos de vós mesmos — alfim vos entregando como fracos escravos a algum povo que vos conquiste sem fazer esforço. Por vossa causa desprezando Roma dou-lhe as costas. O mundo é muito grande.

Final

O resto da história fala sobre o desejo de vingança de Coriolano, que se une aos volscos para destruir a antiga pátria. Mas adianto – sem prejuízo para quem deseje assistir o filme – que o final de qualquer personagem que procure ser autêntico no universo da política não pode ser muito diferente ao de Coriolano.

Por último, nesse ano eleitoral, muitas serão as promessas feitas a partir de pesquisas qualitativas. Candidatos, em sua imensa maioria, não falam o que pensam, mas o que entende que seus eleitores querem ouvir. E geralmente o povo só percebe isso, como disse Coriolano, quando sente o peso de duas decisões.

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Dica de filme: Coriolanus – e um alerta de Shakespeare

Por Wanfil em Cinema

10 de junho de 2012

Coriolanus - As desventuras de um homem que não teme ser autêntico - com seus defeitos e qualidade - num mundo de aparências.

Coriolanus (Reino Unido – 2011), é uma adaptação cinematográfica da peça de William Shakespeare. Gravado na Sérvia, o filme mantém boa parte do texto original – do século XVI -, mas o figurino é contemporâneo, opção mostra que o dramaturgo inglês é atemporal e que suas peças servem a qualquer época.

Caio Márcio Coriolano (Ralph Fiennes) é um general romano, herói de guerra que salvou a cidade do ataque de Tullus Aufidius (Gerard Butler), líder dos volscos. Coriolano é honesto, temido e antissocial. Luta pela pátria, porém, despreza o povo. Aceita concorrer ao cargo de Cônsul para atender um pedido de Volúmnia, sua mãe. Durante a campanha, entretanto, seus adversários fazem o povo se voltar contra ele, que é forçado a se exilar.

Qualquer semelhança com eleições…

Reproduzo trechos da peça, notáveis pela pertinência com que revela a natureza das tramas políticas. Notem como os argumentos de Volúmnia se assemelham aos conselhos de marqueteiros. Vejam como Coriolano não consegue fingir só para parecer agradável aos eleitores (Dilma, por exemplo, chegou e negar que seja contra o aborto, conforme havia declarado meses antes). Destaco algumas passagens em azul.

CENA II

Volúmnia — Porque importa muito falardes hoje para o povo, não segundo a experiência vos ditar, nem como o coração vos aconselha, mas com palavras que só tenham curso superficial na língua, pensamentos bastardos e fraseado sem nenhuma relação com a lealdade do imo peito. (…) Sim, meu filho, dirige-te para eles com teu gorro na mão, assim, levando-o bem à frente, e deixa que teu joelho beije a terra, porque nesses assuntos a eloquência melhor é o gesto; muito mais instruído é o olho do ignorante do que o ouvido.

Palavras e atos

Coriolano esperava que seus atos de bravura falassem por si. No entanto, ao debater com adversários, ele se exalta e destrata o povo. Acaba, por isso, banido da cidade. Tomado de ira, ele desabafa na passagem a seguir.

CENA III

Coriolano – Vil matilha de cães, cujo mau hálito odeio como o pântano empestado, e cuja simpatia estimo tanto quanto o cadáver insepulto e podre que deixa o ar corrompido e irrespirável: sou eu que vos desterro, e aqui vos deixo com vossa inconsistência. Que o mais fraco rumor o coração vos deixe inquieto, e que só com moverem seus penachos vos insuflem terror os inimigos. Ficai com força para banir todos os vossos defensores, até o dia em que vossa ignorância, que só entende quanto venha a sentir, tiver limpado com todos, menos vós — os inimigos de vós mesmos — alfim vos entregando como fracos escravos a algum povo que vos conquiste sem fazer esforço. Por vossa causa desprezando Roma dou-lhe as costas. O mundo é muito grande.

Final

O resto da história fala sobre o desejo de vingança de Coriolano, que se une aos volscos para destruir a antiga pátria. Mas adianto – sem prejuízo para quem deseje assistir o filme – que o final de qualquer personagem que procure ser autêntico no universo da política não pode ser muito diferente ao de Coriolano.

Por último, nesse ano eleitoral, muitas serão as promessas feitas a partir de pesquisas qualitativas. Candidatos, em sua imensa maioria, não falam o que pensam, mas o que entende que seus eleitores querem ouvir. E geralmente o povo só percebe isso, como disse Coriolano, quando sente o peso de duas decisões.