convidado Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

convidado

Saiba quem não é Olavo de Carvalho

Por Wanfil em convidado

28 de novembro de 2018

Texto do jornalista e amigo Bruno Pontes especialmente para o blog, que aborda o recente interesse da imprensa brasileira sobre a figura do filósofo Olavo de Carvalho, uma das referências intelectuais influentes na futura gestão Jair Bolsonaro. Boa leitura.

Olavo de Carvalho: conhecido por quem leu seus livros e mais ainda pelos que nunca os leram (Foto: divulgação)

Saiba quem não é Olavo de Carvalho

Li artigos recentes, inclusive na imprensa cearense, alguns assinados e outros anônimos, apresentando Olavo de Carvalho ao público. Se eu já não conhecesse o filósofo, o máximo que conseguiria, ao sair da leitura desses artigos, seria não uma introdução ao Olavo real, mas àquele fantasiado na imaginação dos articulistas, que, a julgar pelo que escrevem, querem apresentar um autor do qual não leram os livros.

Uma norma de redação no jornalismo de esquerda é introduzir Olavo com os rótulos de “ex-astrólogo” e filósofo “autodenominado”. O primeiro busca explorar a imagem popular da astrologia como ocupação de lunáticos e/ou trapaceiros (algo como “Olavo de Carvalho traz o seu amor de volta em sete dias”). Olavo estudou o assunto por vinte anos. Segundo ele:

“A astrologia não é nem uma ciência nem uma pseudociência. É um PROBLEMA CIENTÍFICO atemorizante e fascinante, que ainda mal chegou a ser formulado, quanto mais estudado. Tudo quanto escrevi a respeito é uma tentativa de formulá-lo. Pessoas que não são capazes nem mesmo de imaginar que há um problema a formular são as que mais têm opiniões definitivas a respeito.” (https://olavodecarvalhofb. wordpress.com/2016/11/24/a- astrologia/)

É um assunto que atraiu a curiosidade e o estudo de gente como Giordano Bruno, Fernando Pessoa, Carl Jung e Renato Janine Ribeiro, que nunca serão tratados com deboche por causa disso nem terão seus currículos nos jornais iniciados com o carimbo de “ex-astrólogos”.

Platão: filósofo autodenominado?

O segundo rótulo, filósofo “autodenominado”, denuncia uma mancha terrível no caráter do Olavo: falta a ele um diploma de filosofia expedido pelo MEC, esse instrumento essencial na busca do conhecimento, sem o qual nada vale uma obra escrita que se estende por trinta anos e é reconhecida por gente adulta da filosofia no mundo, dentre a qual, para ficar num exemplo mais recente, Wolfgang Smith, autor de O Enigma Quântico.

Mas a imprensa trata Márcia Tiburi como filósofa sem aspas, já que além de ter diploma ela vota no PT.

(Enquanto isso, lá no outro mundo, as almas de Sócrates e Platão se queixam entre si: “Foi muito azar nosso nascer antes do advento das universidades, não foi não? Poderíamos ter virado filósofos de verdade…”)

Se não sai no jornal, não existe

Outra atitude comum na imprensa esquerdista é tratar como insignificâncias risíveis as realidades palpáveis analisadas pelo Olavo. Por exemplo: o globalismo. Um fato da vida promovido, denunciado, estudado, discutido e reconhecido como tal por intelectuais e agentes políticos em todo o mundo, desde há vários anos. Mas os jornalistas que não conhecem o assunto nem na superfície resolvem o problema dando aquele sorrisinho sarcástico de quem manja das coisas.

As idéias que estão fora do repertório de assuntos dos jornalistas contemporâneos são tratadas por eles como esquisitices cômicas ou indícios de malignidade. É aquele velho pressuposto já tantas vezes observado pelo Olavo: a ignorância como fonte de autoridade intelectual. Se eu nunca ouvi falar de uma coisa, se meus amigos nunca falaram dessa coisa, e se essa coisa nunca apareceu no jornal, é porque essa coisa não existe.

Todos os textos na imprensa que pretendem apresentar Olavo de Carvalho não têm uma coisa em comum: uma avaliação de sua obra. Um confronto com as teses. Apenas mentiras, distorções maliciosas, truques infantis à base de jargões. “Ex-astrólogo” pra cá, “ex-astrólogo” pra lá. “Ultra” isso e “ultra” aquilo. Existe algum jornalista de esquerda que tenha lido um livro do Olavo e se disponha a julgá-lo com a consciência honesta? Talvez seja pedir demais. Um dos artigos que li conseguiu errar até a ordem cronológica das obras.

Bruno Pontes, jornalista

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Quem sente falta do PSDB?

Por Wanfil em Artigo, convidado

05 de dezembro de 2012

Artigo do jornalista Bruno Pontes, que não é filiado a partido político, nem simpatizante do PSDB ou do PT.

Tucanos reclamam da agenda roubada pelo petismo. Agora, são os tucanos que imitam o discurso petista. Quem ganha e quem perde?

Em julho de 2010, durante a campanha presidencial, o petista Marco Aurélio Garcia chamou José Serra de “troglodita de direita”, porque o candidato tucano andava proferindo levíssimas críticas à política externa do governo Lula, a qual consistiu em dar um braço protetor a Mahmoud Ahmadinejad, às Farc e outras entidades beneficentes.

Disse Marco Aurélio Garcia: “Fico constrangido de ver uma pessoa que teve um passado de esquerda como o José Serra correr tanto em direção à direita. Daquela direita mais raivosa, mais atrasada. Me parece um final melancólico da sua carreira política, porque eu acho que a sua carreira política terminará no dia 3 de outubro”.

Acusado de apostasia ideológica, Serra devolveu a ofensa repugnante: “Troglodita de direita é quem apóia o Ahmadinejad, um sistema que mata mulheres, uma ditadura que prende jornalistas, enforca opositores”. O mundo foi pego de surpresa com essa declaração. Segundo os critérios de Serra, são direitistas os seguintes elementos: Hugo Chávez, Evo Morales, Vladimir Putin, Kim Jong-il, Robert Mugabe e Lula.

Preocupado em deixar fora de qualquer dúvida que é uma pessoa decente, o tucano reiterou ser esquerdista (como podem duvidar?) e explicou: “Para mim, falar de esquerda é falar de direitos humanos, e falar de políticas efetivamente populares, com políticas que façam bem para as pessoas a médio e longo prazo”.

“FOI PRESIDENTE DA UNE”

Dali em diante Serra continuaria a exalar bom-mocismo esquerdista até perder a eleição. Alguns dias depois, discursando no XI Fórum de Biarritz, na França, Serra informou ao público que o governo Lula vinha negligenciando os investimentos públicos e praticando “populismo cambial”. Portanto, adivinhem a conclusão do tucano! “É um governo populista de direita em matéria econômica”.

Somos ensinados, nos jornais, nas salas de aula, nos filmes dos artistas conscientes, nas conversas inteligentes, que o bem e o bonito são de esquerda e tudo que é ruim e desagradável vem da direita. É a ciência política dos intelectuais orgânicos, e, como demonstram palavras e gestos, é o que prega o esquema mental de Serra, o tucano que adora apanhar de petista (nunca se viu vocação tão incoercível).

Naquela campanha, a exemplo de Dilma Rousseff ou até mais do que ela, Serra gabou-se perante os eleitores de ter prestado serviços à causa esquerdista. Era uma grande preocupação sua. Da primeira à última propaganda eleitoral, lá estava o destaque curricular: “foi presidente da UNE, foi perseguido pela ditadura, teve que se exilar, blábláblá”. Durante os seis meses de sua campanha, Serra não fez menção ao Plano Nacional de Direitos Humanos 3, referendado por Dilma, aquele que, entre outras questões de honra da revolução cultural, defende a liberação total do aborto e a instituição do gayzismo nas escolas. Ele não queria ser confundido com um conservador.

Podem me chamar de tudo, menos disso! Eu fui presidente da UNE! A ditadura me perseguiu!

FHC, OUTRO PROGRESSISTA

Agora, em entrevista à Folha de S. Paulo, o tucano-mor Fernando Henrique Cardoso informa pela enésima vez que é um senhor progressista, que entre PT e PSDB não existem grandes diferenças programáticas e que, apesar de tudo, os brasileiros devem ser gratos a pessoas como José Dirceu e José Genoíno. Leia mais

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Um texto instigante sobre compra de votos em Fortaleza

Por Wanfil em convidado

02 de novembro de 2012

Célebre cena do filme Matrix: Toda escolha revela uma forma de ver o mundo. Negar o aceitar algo, aderir ou repudiar uma prática por vontade própria, são ações que manifestam, no limite, convicções.

Publico abaixo texto do professor Leonardo Sá, publicado originalmente em seu blog pessoal e gentilmente cedido para o Wanfil, que versa sobre aspectos intrínsecos às acusações de compra de votos nas eleições deste ano em Fortaleza. Não concordo com tudo (estou entre os que veem no capital um instrumento de libertação), mas nesse mundo de chavões, bordões e slogans em que vivemos, nada pode ser mais alvissareiro do que a autenticidade. Segue o texto (negritos e são meus). Ao caro Leonardo, agradecimentos e saudações.

O imbróglio da compra de votos nas eleições em Fortaleza: uma reflexão antropológica

Não concordo muito com as análises segundo as quais os votos de uma eleição foram comprados, pois não há ato humano que não seja expressão de uma convicção, nem que esta seja a de uma crença no esvaziamento do próprio sentido de qualquer convicção.

Atos de compra engajam atos de consumo que, por sua vez, expressam sentidos. Um tipo de convicção negativa sobre o sentido total da experiência humana que é uma marca forte das formas conservantistas de pensar funciona desse modo. Portanto, o pessimismo é uma forma de convicção, do mesmo jeito que a valorização da moeda também o é. Inclusive, há perspectivas que veem no uso do dinheiro um fator de liberdade humana, apesar de eu não concordar com isso, do ponto de vista pessoal, mas é digno de nota, do ponto de vista analítico.

Não se trata de defender um relativismo moral, nem um relativismo niilista, minha ponderação vai no sentido de questionar que o significado das práticas do que chamamos de “compra de votos” não é exato, mas sim polissêmico, circunstancial e contingencial. O significado do voto não é anulado, suprimido, por que houve alguma transação monetária de tipo ilegal dando suporte à adesão pelo voto a um projeto de poder político. Leia mais

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Movimento contra “a corrupção” faz corruptos tremerem na base?

Por Wanfil em convidado

12 de setembro de 2012

Caros,

Vez por outra o blog abre espaço para convidados. As condições são a parcialidade em relação a algum valor, o apartidarismo político e o não alinhamento com o politicamente correto (todo sujeito politicamente correto é um autoritário, como bem indica a palavra correto). Nada da falsa isenção que a tudo e a todos iguala. Segue abaixo.

Por Fabuloso Inocêncio *

Para completar o quebra-cabeça contra a corrupção é preciso dar nome aos bois. Não há crime sem criminoso. Foto: Corbis

Cearenses que integram o grupo “Unidos Contra a Corrupção”, estudantes a maioria, fincaram 190 cruzes no aterro da Praia de Iracema, por ocasião das comemorações do 7 de setembro. Uma das organizadoras do ato explicou: “A gente está completando 190 anos de independência e infelizmente todos esses anos marcados pela corrupção. A gente está colocando 190 cruzes em protesto, representando 190 anos de corrupção, com o objetivo de trazer reflexão para a sociedade”.

Outro dos organizadores do velório cívico disse a um jornal local: “O Instituto Transparência Brasil divulgou pesquisa que revela que, a cada ano, R$ 85 bilhões de reais vão para a corrupção, recursos que poderiam ir para a saúde, educação, saneamento, segurança e moradia. A independência que o brasileiro quer é o de ver essas necessidades mencionadas sendo resolvidas, e que aqueles que roubam o dinheiro do povo sejam exemplarmente punidos”.

É de se imaginar que essa frente de jovens imbuídos de espírito moralizante tentaria fazer alguma coisa contra as pessoas de carne e osso que efetivamente fraudam, desviam, roubam dinheiro público. Segundo o manual de lógica, seria bem estranho um movimento contra a corrupção que não fosse um movimento contra os corruptos. Mas esse grupo de protesto age de um modo peculiar. Avaliando pelas declarações de seus integrantes à imprensa e pelas fotografias dos atos que publicam na internet, parece que o interesse principal deles consiste em proferir palavras de ordem contra “a corrupção” como um mero conceito, ignorando os agentes que promovem o estado de coisas que o grupo afirma deplorar.

Leia mais

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Palavras que curam, palavras que adoecem

Por Wanfil em Artigo, convidado

18 de Maio de 2012

Publico abaixo texto do jornalista Wanderley Pereira, da TV Jangadeiro. Vale a reflexão.

Temos que aprender a vestir as ideias com as palavras adequadas. A palavra reflete o estado de espírito. Tudo que se fala está carregado das vibrações dos sentimentos. É como a flor que espalha o perfume agradável, ou como a que espalha o odor excêntrico, irritante, importuno. Assim também é a palavra exteriorizada, ela alcança os ouvidos e a sensibilidade, produzindo reações diversas, negativas ou positivas, nos que a ouvem.

O leitor já deve ter passado certamente pela experiência de ouvir uma boca que conforta, que acalma, que levanta o ânimo, que modifica a mente para melhor, ou a boca inflamada que agride, que inquieta, amarga e põe para baixo quem a ouve. A primeira desperta um sentimento de aceitação, de segurança e bem-estar, e quem a ouve tem interesse de continuar ouvindo-a. No segundo caso, a reação do ouvinte é que o interlocutor se retire logo para que ele não se imponha ao constrangimento de continuar ouvindo-o.

Por isso, é muito importante o falar. Há pessoas capazes de magnetizar as outras com os nutrientes espirituais do seu verbo educado, alegre, sensato. Outras há que exteriorizam um magnetismo contaminado que adoece. Uma conversa atenciosa, alentadora, do médico com o paciente é capaz de produzir resultados mais satisfatórios do que uma receita muda indicando comprimidos e injeções. Um diálogo fraterno, que produz energia pacífica, pode contornar situações que a força e a imposição não conseguem.

Daí a necessidade das pessoas optarem por ouvir a palavra edificante, as mensagens da mente higienizada, sobretudo em se tratando de notícias, comentários, reportagens e entrevistas. Vivemos sob uma carga muito pesada de palavras que transportam agressão, censura, desconfiança, insegurança, medo, desespero. São tóxicos perigosos que estimulam o ódio e a violência. Só a palavra de amor, só o timbre suave da esperança, podem levantar os enfermos das emoções. Não foi à toa que o apóstolo Paulo disse numa carta aos coríntios: “As más conversações corrompem os bons costumes.”

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Palavras que curam, palavras que adoecem

Por Wanfil em Artigo, convidado

18 de Maio de 2012

Publico abaixo texto do jornalista Wanderley Pereira, da TV Jangadeiro. Vale a reflexão.

Temos que aprender a vestir as ideias com as palavras adequadas. A palavra reflete o estado de espírito. Tudo que se fala está carregado das vibrações dos sentimentos. É como a flor que espalha o perfume agradável, ou como a que espalha o odor excêntrico, irritante, importuno. Assim também é a palavra exteriorizada, ela alcança os ouvidos e a sensibilidade, produzindo reações diversas, negativas ou positivas, nos que a ouvem.

O leitor já deve ter passado certamente pela experiência de ouvir uma boca que conforta, que acalma, que levanta o ânimo, que modifica a mente para melhor, ou a boca inflamada que agride, que inquieta, amarga e põe para baixo quem a ouve. A primeira desperta um sentimento de aceitação, de segurança e bem-estar, e quem a ouve tem interesse de continuar ouvindo-a. No segundo caso, a reação do ouvinte é que o interlocutor se retire logo para que ele não se imponha ao constrangimento de continuar ouvindo-o.

Por isso, é muito importante o falar. Há pessoas capazes de magnetizar as outras com os nutrientes espirituais do seu verbo educado, alegre, sensato. Outras há que exteriorizam um magnetismo contaminado que adoece. Uma conversa atenciosa, alentadora, do médico com o paciente é capaz de produzir resultados mais satisfatórios do que uma receita muda indicando comprimidos e injeções. Um diálogo fraterno, que produz energia pacífica, pode contornar situações que a força e a imposição não conseguem.

Daí a necessidade das pessoas optarem por ouvir a palavra edificante, as mensagens da mente higienizada, sobretudo em se tratando de notícias, comentários, reportagens e entrevistas. Vivemos sob uma carga muito pesada de palavras que transportam agressão, censura, desconfiança, insegurança, medo, desespero. São tóxicos perigosos que estimulam o ódio e a violência. Só a palavra de amor, só o timbre suave da esperança, podem levantar os enfermos das emoções. Não foi à toa que o apóstolo Paulo disse numa carta aos coríntios: “As más conversações corrompem os bons costumes.”