Movimento contra “a corrupção” faz corruptos tremerem na base 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Movimento contra “a corrupção” faz corruptos tremerem na base?

Por Wanfil em convidado

12 de setembro de 2012

Caros,

Vez por outra o blog abre espaço para convidados. As condições são a parcialidade em relação a algum valor, o apartidarismo político e o não alinhamento com o politicamente correto (todo sujeito politicamente correto é um autoritário, como bem indica a palavra correto). Nada da falsa isenção que a tudo e a todos iguala. Segue abaixo.

Por Fabuloso Inocêncio *

Para completar o quebra-cabeça contra a corrupção é preciso dar nome aos bois. Não há crime sem criminoso. Foto: Corbis

Cearenses que integram o grupo “Unidos Contra a Corrupção”, estudantes a maioria, fincaram 190 cruzes no aterro da Praia de Iracema, por ocasião das comemorações do 7 de setembro. Uma das organizadoras do ato explicou: “A gente está completando 190 anos de independência e infelizmente todos esses anos marcados pela corrupção. A gente está colocando 190 cruzes em protesto, representando 190 anos de corrupção, com o objetivo de trazer reflexão para a sociedade”.

Outro dos organizadores do velório cívico disse a um jornal local: “O Instituto Transparência Brasil divulgou pesquisa que revela que, a cada ano, R$ 85 bilhões de reais vão para a corrupção, recursos que poderiam ir para a saúde, educação, saneamento, segurança e moradia. A independência que o brasileiro quer é o de ver essas necessidades mencionadas sendo resolvidas, e que aqueles que roubam o dinheiro do povo sejam exemplarmente punidos”.

É de se imaginar que essa frente de jovens imbuídos de espírito moralizante tentaria fazer alguma coisa contra as pessoas de carne e osso que efetivamente fraudam, desviam, roubam dinheiro público. Segundo o manual de lógica, seria bem estranho um movimento contra a corrupção que não fosse um movimento contra os corruptos. Mas esse grupo de protesto age de um modo peculiar. Avaliando pelas declarações de seus integrantes à imprensa e pelas fotografias dos atos que publicam na internet, parece que o interesse principal deles consiste em proferir palavras de ordem contra “a corrupção” como um mero conceito, ignorando os agentes que promovem o estado de coisas que o grupo afirma deplorar.

Para que os corruptos sejam punidos é preciso antes de tudo identificá-los. Aqueles manifestantes da Praia de Iracema poderiam contribuir dando nome aos pilantras e explicando à comunidade o que esses sujeitos fizeram e por que devem ser castigados. Quem são eles? Os meliantes que promoveram o mensalão, por exemplo? Ou são, para ficarmos no Ceará, os acusados de embolsar o dinheiro dos banheiros no interior? O grupo “Unidos Contra a Corrupção” está falando de quem exatamente? Eu não sei e, pela postura adotada por seus integrantes, eles devem achar melhor não informar. Conforme noticiou a imprensa, o grupo quer agir “sem desestabilizar nenhum governo, seja na esfera municipal, estadual ou federal, nem agredir pessoas”.

Mas quem se escandaliza com o roubo deveria ter a tranquilidade necessária para agredir um ladrão chamando-o de ladrão. Um governo bandido precisa ser desestabilizado. Os canalhas devem ser nomeados e execrados. O objetivo não é criar um mínimo de embaraço aos patifes? O “Unidos Contra a Corrupção” parece preferir protestar contra um estado de coisas sem apontar os responsáveis por ele. Ir para a rua e dizer “Sou contra a corrupção” é como ir para a rua e dizer “Sou a favor da bondade”. É coisa de adolescentes políticos: vestir fantasia de cara-pintada, botar nariz de palhaço, cantar chavões inofensivos contra “a corrupção” (quem?) e imaginar que algum saqueador do erário fica minimamente incomodado.

* Fabuloso Inocêncio não fez carreira no movimento estudantil nem no sindical, não foi perseguido pela ditadura, não advoga pelas causas ambientais, não se entusiasma com cotas e bolsas, não é intelectual orgãnico e mesmo assim acredita que pode ser articulista.

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Movimento contra “a corrupção” faz corruptos tremerem na base?

Por Wanfil em convidado

12 de setembro de 2012

Caros,

Vez por outra o blog abre espaço para convidados. As condições são a parcialidade em relação a algum valor, o apartidarismo político e o não alinhamento com o politicamente correto (todo sujeito politicamente correto é um autoritário, como bem indica a palavra correto). Nada da falsa isenção que a tudo e a todos iguala. Segue abaixo.

Por Fabuloso Inocêncio *

Para completar o quebra-cabeça contra a corrupção é preciso dar nome aos bois. Não há crime sem criminoso. Foto: Corbis

Cearenses que integram o grupo “Unidos Contra a Corrupção”, estudantes a maioria, fincaram 190 cruzes no aterro da Praia de Iracema, por ocasião das comemorações do 7 de setembro. Uma das organizadoras do ato explicou: “A gente está completando 190 anos de independência e infelizmente todos esses anos marcados pela corrupção. A gente está colocando 190 cruzes em protesto, representando 190 anos de corrupção, com o objetivo de trazer reflexão para a sociedade”.

Outro dos organizadores do velório cívico disse a um jornal local: “O Instituto Transparência Brasil divulgou pesquisa que revela que, a cada ano, R$ 85 bilhões de reais vão para a corrupção, recursos que poderiam ir para a saúde, educação, saneamento, segurança e moradia. A independência que o brasileiro quer é o de ver essas necessidades mencionadas sendo resolvidas, e que aqueles que roubam o dinheiro do povo sejam exemplarmente punidos”.

É de se imaginar que essa frente de jovens imbuídos de espírito moralizante tentaria fazer alguma coisa contra as pessoas de carne e osso que efetivamente fraudam, desviam, roubam dinheiro público. Segundo o manual de lógica, seria bem estranho um movimento contra a corrupção que não fosse um movimento contra os corruptos. Mas esse grupo de protesto age de um modo peculiar. Avaliando pelas declarações de seus integrantes à imprensa e pelas fotografias dos atos que publicam na internet, parece que o interesse principal deles consiste em proferir palavras de ordem contra “a corrupção” como um mero conceito, ignorando os agentes que promovem o estado de coisas que o grupo afirma deplorar.

Para que os corruptos sejam punidos é preciso antes de tudo identificá-los. Aqueles manifestantes da Praia de Iracema poderiam contribuir dando nome aos pilantras e explicando à comunidade o que esses sujeitos fizeram e por que devem ser castigados. Quem são eles? Os meliantes que promoveram o mensalão, por exemplo? Ou são, para ficarmos no Ceará, os acusados de embolsar o dinheiro dos banheiros no interior? O grupo “Unidos Contra a Corrupção” está falando de quem exatamente? Eu não sei e, pela postura adotada por seus integrantes, eles devem achar melhor não informar. Conforme noticiou a imprensa, o grupo quer agir “sem desestabilizar nenhum governo, seja na esfera municipal, estadual ou federal, nem agredir pessoas”.

Mas quem se escandaliza com o roubo deveria ter a tranquilidade necessária para agredir um ladrão chamando-o de ladrão. Um governo bandido precisa ser desestabilizado. Os canalhas devem ser nomeados e execrados. O objetivo não é criar um mínimo de embaraço aos patifes? O “Unidos Contra a Corrupção” parece preferir protestar contra um estado de coisas sem apontar os responsáveis por ele. Ir para a rua e dizer “Sou contra a corrupção” é como ir para a rua e dizer “Sou a favor da bondade”. É coisa de adolescentes políticos: vestir fantasia de cara-pintada, botar nariz de palhaço, cantar chavões inofensivos contra “a corrupção” (quem?) e imaginar que algum saqueador do erário fica minimamente incomodado.

* Fabuloso Inocêncio não fez carreira no movimento estudantil nem no sindical, não foi perseguido pela ditadura, não advoga pelas causas ambientais, não se entusiasma com cotas e bolsas, não é intelectual orgãnico e mesmo assim acredita que pode ser articulista.