Qual a diferença entre a polêmica do Parque do Cocó e uma novela? - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Qual a diferença entre a polêmica do Parque do Cocó e uma novela?

Por Wanfil em Fortaleza, Ideologia

13 de agosto de 2013

A polêmica sobre a construção de viadutos nas imediações do Parque do Cocó possui duas vertentes de simbolismos politicamente trabalhados.

De um lado, os indefesos contra os truculentos, os fracos contra os fortes, os inocentes contra os opressores, a agenda do futuro contra a agenda do passado, a democracia participativa contra a ditadura das instituições governamentais. Do outro, os ocupados que constroem contra os desocupados sustentados por sabe-se lá quem, os práticos contra os tolos, a modernidade contra o atraso, o interesse coletivo contra o interesse de grupo, os formalistas construtivos contra os falsos revolucionários.

É mais ou menos assim que vêem uns aos outros os simpatizantes e os antipatizantes da obra, sempre na confortável condição de se verem, cada qual, no papel dos bons contra os maus.

Suspeito que a maioria dos fortalezenses não esteja nem aí para o caso. Que importa tanta celeuma para quem mora no Conjunto Ceará ou na Barra do Ceará? O debate é localizado, gera muito calor e pouca luz. Apesar disso, parece haver, pelo menos nos círculos sociais interessados no assunto, uma espécie de catarse típica das “causas” politicamente corretas exibidas em novelas. E aí as opiniões se misturam em meio a análises superficiais ou interessadas em distorcer a questão, com o agravante de que os envolvidos acreditam ser os legítimos representantes dos mais sublimes interesses da sociedade, ou de uma causa, ou de um sonho, de uma ideologia, ou ainda uma profecia.

Trata-se de uma mistura do arquétipo religioso do sacrifício que leva à salvação (perdão, Carl Jung), com a chamada cultura pop, onde a construção ou não de um viaduto ganha ares épicos de um Star Wars.

E tal como as novelas, todo o imbróglio do Cocó é irritantemente previsível. O uso da força na ação de retirada dos manifestantes acampados no local foi necessário ou abusivo? No fundo, a pergunta existe apenas para manter o caso em evidência. As partes contam com esse enredo, uns para posarem de vítima, outros pensando em resolver seus problemas de trânsito. Sem entrar no mérito da questão (numa contenda, cada parte se acha sempre com a razão), nessa novela não existe mocinho ou bandido, só figurantes usados para dramatizar o velho enredo das disputas políticas.

No final, os viadutos serão construídos e cada parte saberá tirar o devido proveito em forma de votos. É sempre assim.

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Qual a diferença entre a polêmica do Parque do Cocó e uma novela?

Por Wanfil em Fortaleza, Ideologia

13 de agosto de 2013

A polêmica sobre a construção de viadutos nas imediações do Parque do Cocó possui duas vertentes de simbolismos politicamente trabalhados.

De um lado, os indefesos contra os truculentos, os fracos contra os fortes, os inocentes contra os opressores, a agenda do futuro contra a agenda do passado, a democracia participativa contra a ditadura das instituições governamentais. Do outro, os ocupados que constroem contra os desocupados sustentados por sabe-se lá quem, os práticos contra os tolos, a modernidade contra o atraso, o interesse coletivo contra o interesse de grupo, os formalistas construtivos contra os falsos revolucionários.

É mais ou menos assim que vêem uns aos outros os simpatizantes e os antipatizantes da obra, sempre na confortável condição de se verem, cada qual, no papel dos bons contra os maus.

Suspeito que a maioria dos fortalezenses não esteja nem aí para o caso. Que importa tanta celeuma para quem mora no Conjunto Ceará ou na Barra do Ceará? O debate é localizado, gera muito calor e pouca luz. Apesar disso, parece haver, pelo menos nos círculos sociais interessados no assunto, uma espécie de catarse típica das “causas” politicamente corretas exibidas em novelas. E aí as opiniões se misturam em meio a análises superficiais ou interessadas em distorcer a questão, com o agravante de que os envolvidos acreditam ser os legítimos representantes dos mais sublimes interesses da sociedade, ou de uma causa, ou de um sonho, de uma ideologia, ou ainda uma profecia.

Trata-se de uma mistura do arquétipo religioso do sacrifício que leva à salvação (perdão, Carl Jung), com a chamada cultura pop, onde a construção ou não de um viaduto ganha ares épicos de um Star Wars.

E tal como as novelas, todo o imbróglio do Cocó é irritantemente previsível. O uso da força na ação de retirada dos manifestantes acampados no local foi necessário ou abusivo? No fundo, a pergunta existe apenas para manter o caso em evidência. As partes contam com esse enredo, uns para posarem de vítima, outros pensando em resolver seus problemas de trânsito. Sem entrar no mérito da questão (numa contenda, cada parte se acha sempre com a razão), nessa novela não existe mocinho ou bandido, só figurantes usados para dramatizar o velho enredo das disputas políticas.

No final, os viadutos serão construídos e cada parte saberá tirar o devido proveito em forma de votos. É sempre assim.