Guimarães acusa a imprensa e avisa: "Vamos regulamentar a comunicação" 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

José Guimarães acusa a imprensa e avisa: “Vamos tomar uma medida: A regulamentação da comunicação”

Por Wanfil em Imprensa

24 de setembro de 2012

Imagem: Frame de vídeo em que o parlamentar defende a regulamentação da imprensa para evitar acusações contra Lula, tudo em nome da democracia.

O deputado federal José Guimarães (PT) reagiu à movimentação dos partidos de oposição, que anunciam a pretensão de solicitar uma investigação sobre a participação do ex-presidente Lula no caso do mensalão.

Em vídeo gravado para o Partido dos Trabalhadores, o parlamentar sustenta que está em curso uma “ação orquestrada” em que a mídia agiria com interesses políticos: “A mídia não pode ser partido político. E passadas as eleições, nós do PT vamos tomar uma medida, quer queira, quer não queira: a regulamentação da questão da comunicação no país. (…) O Lula pertence a um patrimônio da democracia brasileira. Criminalizar o Lula é criminalizar a democracia brasileira.

O título do vídeo informa que o protesto é direcionado contra “as mentiras da revista Veja”, em referência à recente publicação de supostas declarações atribuídas a Marcos Valério acusando Lula de ser o verdadeiro chefe do mensalão. Entretanto, apesar do título, Guimarães não cita nenhum veículo em particular. Sobre Valério, também não faz comentários.

A diferença entre mensagem e mensageiro

A revista Veja aborda esse tema na Carta ao Leitor da edição desta semana e vai direto ao ponto: “Quem se sentiu prejudicado pela divulgação das informações do homem do dinheiro do mensalão tem a possibilidade de interpelá-lo publicamente ou procurar reparação na Justiça. Marcos Valério está vivo e tem endereço conhecido. A mensagem é de Marcos Valério. VEJA foi a mensageira”.

É isso! Se José Nobre Guimarães e o PT entendem que Lula não sabia de nada sobre o mensalão, o que é legítimo, a solução é buscar a interpelação judicial contra Valério. A ideia de que Lula seria praticamente inimputável por encarnar a quintessência da democracia brasileira, além de exagero, beira à mistificação personalista. É claro que Lula é uma espécie de símbolo do petismo, daí ser natural a reação que procura o ataque como defesa. Estranho é ela ser dirigida contra os mensageiros, e não contra os autores das mensagens.

Liberdade de imprensa e democracia

Guimarães cumpre o papel que lhe cabe nesse cenário de embate político. Não nega o mensalão, nem diz que o STF errou. Essa etapa já passou. Seu foco agora é a atuação da imprensa, ou da mídia, como ele diz. Ocorre que, até o momento, o homem condenado de operar o esquema do mensalão não desmentiu a revista ou a imprensa e ninguém o processou até o momento por calúnia  ou difamação. Esses são fatos bastante significativos, afinal, o Código Penal e o Judiciário existem também para isso. Não é preciso esperar por uma regulamentação para a atividade do jornalismo. Se não agem nesse sentido, é por algum bom motivo.

Partidos e parlamentares têm o direito de criticar a imprensa, claro. No entanto, é preciso muito cuidado para não cair na conversa de quem usa essa premissa como ameaça velada de controle da imprensa e de cerceamento da liberdade de expressão. A fala de Guimarães, uma vez pronunciada ao sabor da contrariedade, deixa a impressão de ressentimento, condição que deixa aberta a porta da suspeição.

É imperioso, nesse momento ímpar para a institucionalidade brasileira, não confundir os interesses partidários imediatos com a atuação parlamentar de longo prazo. A liberdade de imprensa foi conquista dura e serve de baliza para a democracia. Parafraseando José Nobre Guimarães, com uma pequena e substancial mudança no primeiro sujeito da oração, encerro dizendo:Criminalizar a imprensa é criminalizar a democracia brasileira.

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José Guimarães acusa a imprensa e avisa: “Vamos tomar uma medida: A regulamentação da comunicação”

Por Wanfil em Imprensa

24 de setembro de 2012

Imagem: Frame de vídeo em que o parlamentar defende a regulamentação da imprensa para evitar acusações contra Lula, tudo em nome da democracia.

O deputado federal José Guimarães (PT) reagiu à movimentação dos partidos de oposição, que anunciam a pretensão de solicitar uma investigação sobre a participação do ex-presidente Lula no caso do mensalão.

Em vídeo gravado para o Partido dos Trabalhadores, o parlamentar sustenta que está em curso uma “ação orquestrada” em que a mídia agiria com interesses políticos: “A mídia não pode ser partido político. E passadas as eleições, nós do PT vamos tomar uma medida, quer queira, quer não queira: a regulamentação da questão da comunicação no país. (…) O Lula pertence a um patrimônio da democracia brasileira. Criminalizar o Lula é criminalizar a democracia brasileira.

O título do vídeo informa que o protesto é direcionado contra “as mentiras da revista Veja”, em referência à recente publicação de supostas declarações atribuídas a Marcos Valério acusando Lula de ser o verdadeiro chefe do mensalão. Entretanto, apesar do título, Guimarães não cita nenhum veículo em particular. Sobre Valério, também não faz comentários.

A diferença entre mensagem e mensageiro

A revista Veja aborda esse tema na Carta ao Leitor da edição desta semana e vai direto ao ponto: “Quem se sentiu prejudicado pela divulgação das informações do homem do dinheiro do mensalão tem a possibilidade de interpelá-lo publicamente ou procurar reparação na Justiça. Marcos Valério está vivo e tem endereço conhecido. A mensagem é de Marcos Valério. VEJA foi a mensageira”.

É isso! Se José Nobre Guimarães e o PT entendem que Lula não sabia de nada sobre o mensalão, o que é legítimo, a solução é buscar a interpelação judicial contra Valério. A ideia de que Lula seria praticamente inimputável por encarnar a quintessência da democracia brasileira, além de exagero, beira à mistificação personalista. É claro que Lula é uma espécie de símbolo do petismo, daí ser natural a reação que procura o ataque como defesa. Estranho é ela ser dirigida contra os mensageiros, e não contra os autores das mensagens.

Liberdade de imprensa e democracia

Guimarães cumpre o papel que lhe cabe nesse cenário de embate político. Não nega o mensalão, nem diz que o STF errou. Essa etapa já passou. Seu foco agora é a atuação da imprensa, ou da mídia, como ele diz. Ocorre que, até o momento, o homem condenado de operar o esquema do mensalão não desmentiu a revista ou a imprensa e ninguém o processou até o momento por calúnia  ou difamação. Esses são fatos bastante significativos, afinal, o Código Penal e o Judiciário existem também para isso. Não é preciso esperar por uma regulamentação para a atividade do jornalismo. Se não agem nesse sentido, é por algum bom motivo.

Partidos e parlamentares têm o direito de criticar a imprensa, claro. No entanto, é preciso muito cuidado para não cair na conversa de quem usa essa premissa como ameaça velada de controle da imprensa e de cerceamento da liberdade de expressão. A fala de Guimarães, uma vez pronunciada ao sabor da contrariedade, deixa a impressão de ressentimento, condição que deixa aberta a porta da suspeição.

É imperioso, nesse momento ímpar para a institucionalidade brasileira, não confundir os interesses partidários imediatos com a atuação parlamentar de longo prazo. A liberdade de imprensa foi conquista dura e serve de baliza para a democracia. Parafraseando José Nobre Guimarães, com uma pequena e substancial mudança no primeiro sujeito da oração, encerro dizendo:Criminalizar a imprensa é criminalizar a democracia brasileira.