A popularidade de Dilma, o peso da economia e a sombra de Lula 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

A popularidade de Dilma, o peso da economia e a sombra de Lula

Por Wanfil em Pesquisa

23 de Abril de 2012

Criatura e criador. Entre os dois sempre haverá uma conjunção adversativa: "Ela é boa, mas ele é mito". Foto: Ricardo Stucker/Instituto Lula

O instituto Datafolha divulgou nova pesquisa sobre a popularidade do governo Dilma junto aos brasileiros. O resultado foi um novo recorde de aceitação. Ao todo, 64% aprovam a gestão, 29% a consideram regular e 5% a desaprovam, deixando os ex-presidentes FHC e Lula para trás, comparando-se os resultados de cada após um ano e três meses de mandato.

A mesma pesquisa mostra que o brasileiro está otimista com os rumos da economia. Para 49%, situação econômica do país irá melhorar, 13% acreditam que ficará pior, e 34% acham que nada mudará.

A variante econômica
O cruzamento desses números confirma a tese segundo a qual, em condições normais de temperatura e pressão, ou sja, em ambientes políticos estáveis, a popularidade de um governo oscila de acordo com o desempenho da economia. Em caso de crise, sem indicativo de recuperação, a imagem dos governantes desabam.

Popularidade e consumo
Com a crise que atinge os mercados financeiros na Europa e nos EUA, o brasileiro percebe que o Brasil tem uma posição privilegiada. Se foi obra do PROER do Fernando Henrique ou da política monetária de Lula, pouco importa para o público. Vale o aqui e o agora.

O fato é que, com a manutenção da estabilidade econômica, boa parte da população conquistou, ao longo dos anos, ganhos reais de renda e novas oportunidades de consumo, lastreadas no endividamento a base de juros altos, e não em poupança, como seria recomendável. O que conta para o brasileiro médio é saber se há emprego e se é possível planejar compras a prestação.

Méritos
Dilma tem seus méritos, é inegável. Não foram poucas as apostas de que ela jamais conseguiria ter a popularidade de Lula, quanto mais ultrapassá-la. E olha que problemas não faltam.  No entanto, o crescimento econômico de apenas 2,7% e a baixa execução de obras do PAC não foram suficientes para afetar a sua imagem. A oposição, coitada, não consegue transformar esses dados em discurso político, muito menos em projeto alternativo de governo. De quebra, a presidente se descola dos escândalos que estouram em seu governo.

A opção por falar pouco e evitar defesas enfáticas de subordinados acusados de corrupção se tornou um ativo para a presidente, que passou a ser vista como alguém intransigente com a corrupção. A soma entre estabilidade econômica e falta de crítica persuasiva de seus opositores, resultam em popularidade.

Recado implícito
O Datafolha quis saber se os entrevistados preferiam Lula ou Dilma como candidatos nas próximas eleições. Lula é o predileto de 57% dos entrevistados, enquanto Dilma tem 32%  da preferência. A pergunta me pareceu precipitada, devido a distância para as próximas eleições presidenciais. Seria de mais serventia procurar saber se a curva ascendente na popularidade do governo Dilma é acompanhada na percepção da população sobre os serviços nas áreas da saúde, educação e segurança. De qualquer forma, o resultado, da forma como foi alardeado, até pareceu um recado.

A maioria dos jornais citaram o recorde de Dilma devidamente acompanhado da conjunção adversativa “mas”. “Governo Dilma bate recorde de popularidade, mas Lula é o preferido do eleitor”. Como Lula é a verdadeira liderança dentro do PT e dentro do amplo arco de aliança que reúne Sarney, Collor, e partidos como o PC do B, é como se estivessem a dizer para a presidente: “Ok, Dilma, você está de parabéns. Mas não se esqueça de que o Lula só não será o candidato se não quiser”. Líderes esquerdistas mais experientes geralmente sabem que o verdadeiro poder não está no cargo, mas no aggiornamento de correntes políticas e ideológicas em torno de um projeto.

Se Dilma acalenta, no fundo do seu íntimo, uma emancipação de seu criador, ainda vai ter que esperar um bom tempo. Para Lula, é o melhor dos mundos. Se nada mudar, se não houver crise, pode sonhar com um novo mandato ou com a recondução da sua escolhida, desde que faça por merecer, é claro.

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A popularidade de Dilma, o peso da economia e a sombra de Lula

Por Wanfil em Pesquisa

23 de Abril de 2012

Criatura e criador. Entre os dois sempre haverá uma conjunção adversativa: "Ela é boa, mas ele é mito". Foto: Ricardo Stucker/Instituto Lula

O instituto Datafolha divulgou nova pesquisa sobre a popularidade do governo Dilma junto aos brasileiros. O resultado foi um novo recorde de aceitação. Ao todo, 64% aprovam a gestão, 29% a consideram regular e 5% a desaprovam, deixando os ex-presidentes FHC e Lula para trás, comparando-se os resultados de cada após um ano e três meses de mandato.

A mesma pesquisa mostra que o brasileiro está otimista com os rumos da economia. Para 49%, situação econômica do país irá melhorar, 13% acreditam que ficará pior, e 34% acham que nada mudará.

A variante econômica
O cruzamento desses números confirma a tese segundo a qual, em condições normais de temperatura e pressão, ou sja, em ambientes políticos estáveis, a popularidade de um governo oscila de acordo com o desempenho da economia. Em caso de crise, sem indicativo de recuperação, a imagem dos governantes desabam.

Popularidade e consumo
Com a crise que atinge os mercados financeiros na Europa e nos EUA, o brasileiro percebe que o Brasil tem uma posição privilegiada. Se foi obra do PROER do Fernando Henrique ou da política monetária de Lula, pouco importa para o público. Vale o aqui e o agora.

O fato é que, com a manutenção da estabilidade econômica, boa parte da população conquistou, ao longo dos anos, ganhos reais de renda e novas oportunidades de consumo, lastreadas no endividamento a base de juros altos, e não em poupança, como seria recomendável. O que conta para o brasileiro médio é saber se há emprego e se é possível planejar compras a prestação.

Méritos
Dilma tem seus méritos, é inegável. Não foram poucas as apostas de que ela jamais conseguiria ter a popularidade de Lula, quanto mais ultrapassá-la. E olha que problemas não faltam.  No entanto, o crescimento econômico de apenas 2,7% e a baixa execução de obras do PAC não foram suficientes para afetar a sua imagem. A oposição, coitada, não consegue transformar esses dados em discurso político, muito menos em projeto alternativo de governo. De quebra, a presidente se descola dos escândalos que estouram em seu governo.

A opção por falar pouco e evitar defesas enfáticas de subordinados acusados de corrupção se tornou um ativo para a presidente, que passou a ser vista como alguém intransigente com a corrupção. A soma entre estabilidade econômica e falta de crítica persuasiva de seus opositores, resultam em popularidade.

Recado implícito
O Datafolha quis saber se os entrevistados preferiam Lula ou Dilma como candidatos nas próximas eleições. Lula é o predileto de 57% dos entrevistados, enquanto Dilma tem 32%  da preferência. A pergunta me pareceu precipitada, devido a distância para as próximas eleições presidenciais. Seria de mais serventia procurar saber se a curva ascendente na popularidade do governo Dilma é acompanhada na percepção da população sobre os serviços nas áreas da saúde, educação e segurança. De qualquer forma, o resultado, da forma como foi alardeado, até pareceu um recado.

A maioria dos jornais citaram o recorde de Dilma devidamente acompanhado da conjunção adversativa “mas”. “Governo Dilma bate recorde de popularidade, mas Lula é o preferido do eleitor”. Como Lula é a verdadeira liderança dentro do PT e dentro do amplo arco de aliança que reúne Sarney, Collor, e partidos como o PC do B, é como se estivessem a dizer para a presidente: “Ok, Dilma, você está de parabéns. Mas não se esqueça de que o Lula só não será o candidato se não quiser”. Líderes esquerdistas mais experientes geralmente sabem que o verdadeiro poder não está no cargo, mas no aggiornamento de correntes políticas e ideológicas em torno de um projeto.

Se Dilma acalenta, no fundo do seu íntimo, uma emancipação de seu criador, ainda vai ter que esperar um bom tempo. Para Lula, é o melhor dos mundos. Se nada mudar, se não houver crise, pode sonhar com um novo mandato ou com a recondução da sua escolhida, desde que faça por merecer, é claro.