Pesquisa Ibope mostra aprovação recorde para o governo Dilma e apagão da oposição 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Pesquisa Ibope mostra aprovação recorde para o governo Dilma e apagão da oposição

Por Wanfil em Pesquisa

29 de junho de 2012

Pesquisas refletem cenários mutáveis. Cada momento permite diversas leituras, cada leitura diversos caminhos. O governo escolheu o seu enquanto a oposição fecha os olhos, esperando pela sorte.

Os números da pesquisa CNI/Ibope divulgados nesta sexta-feira (29) mostram recorde de aprovação para o governo Dilma Rousseff : 59% dos entrevistados consideram a gestão da petista boa ou ótima. A confiança na presidente não alterou em relação à pesquisa anterior e permanece em 72%. Parece um mundo perfeito, mas não é.

Os curiosos que foram além das manchetes de jornal puderam ver que o governo é reprovado em três áreas fundamentais. São informações relevantes que acabam aparecendo como complementos secundários. A saúde é ruim para 66% , a educação é reprovada por 54% e a segurança pública é condenada por 61%.

Já imaginou se algum noticiário destacasse esse ponto do levantamento? “Brasileiros desaprovam atuação do governo na saúde, segurança e educação”. No outro dia apareceriam os defensores do “controle social” da imprensa falando em golpe. Mas como a manchete é positiva, então a isenção está comprovada e ninguém reclama. Veja onde chegamos.

Ocorre que não adianta cobrar que a imprensa seja a única instância de alerta para os problemas que vivemos. Onde está a oposição? Por que não criam fatos para mostrar o descontentamento registrado pela pesquisa? E aí chegamos ao ponto central deste post:  Como explicar a alta popularidade de um governo mal avaliado em áreas de tamanha importância?

Economia e comunicação

Para o Ibope, a população está satisfeita com a política econômica. Certamente isso tem impacto positivo, mas não explica tudo. Haveria, pelo menos, um flanco aberto que poderia causar desgaste à imagem do governo. Falta, entretanto, quem ligue criatura ao criador aos olhos da opinião pública.

Dessa forma, a popularidade de Dilma é resultado da soma de uma boa comunicação do governo com a mudez total da oposição. Boa comunicação não apenas no sentido da propaganda oficial, mas também na forma de discurso e de postura. A presidente acerta em cheio ao optar por um estilo mais resguardado, sem entrar em atritos desnecessários, provocar adversários ou abusar de bravatas. Como fala mal, Dilma faz bem em calar o máximo possível, para falar apenas de temas que possam lhe render simpatia, como corte de juros ou anúncios de programas assistencialistas. Bingo.

Discurso existe, falta quem o assuma

Já a oposição não possui nem mesmo um discurso. Ou melhor, não é capaz de assumir um discurso. Problemas não faltam, como mostram os entrevistados do Ibope. Como estratégia, o melhor caminho seria evitar o nome da presidente num primeiro momento e criticar a qualidade dos serviços, atrelando-os ao partido dela, exposto pela iminência do julgamento do mensalão. Num segundo momento o nome dela seria vinculado aos defeitos do partido, e por aí vai. Daria certo? Não sei, mas pelo menos seria um caminho, e o que temos hoje é a completa ausência de rumo na oposição, que não consegue dar encaminhamento ao que a pesquisa mostra: existe um descontentamento considerável esperando por um agente catalisador que o transforme em ação política.

Dilma segue firme, tentando já na base do desespero manter a economia sob controle. Enquanto isso, a oposição aguarda que as circunstâncias a salve, criando ao sabor do acaso os acontecimentos que beneficiem alguma de suas silenciosas lideranças.

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Pesquisa Ibope mostra aprovação recorde para o governo Dilma e apagão da oposição

Por Wanfil em Pesquisa

29 de junho de 2012

Pesquisas refletem cenários mutáveis. Cada momento permite diversas leituras, cada leitura diversos caminhos. O governo escolheu o seu enquanto a oposição fecha os olhos, esperando pela sorte.

Os números da pesquisa CNI/Ibope divulgados nesta sexta-feira (29) mostram recorde de aprovação para o governo Dilma Rousseff : 59% dos entrevistados consideram a gestão da petista boa ou ótima. A confiança na presidente não alterou em relação à pesquisa anterior e permanece em 72%. Parece um mundo perfeito, mas não é.

Os curiosos que foram além das manchetes de jornal puderam ver que o governo é reprovado em três áreas fundamentais. São informações relevantes que acabam aparecendo como complementos secundários. A saúde é ruim para 66% , a educação é reprovada por 54% e a segurança pública é condenada por 61%.

Já imaginou se algum noticiário destacasse esse ponto do levantamento? “Brasileiros desaprovam atuação do governo na saúde, segurança e educação”. No outro dia apareceriam os defensores do “controle social” da imprensa falando em golpe. Mas como a manchete é positiva, então a isenção está comprovada e ninguém reclama. Veja onde chegamos.

Ocorre que não adianta cobrar que a imprensa seja a única instância de alerta para os problemas que vivemos. Onde está a oposição? Por que não criam fatos para mostrar o descontentamento registrado pela pesquisa? E aí chegamos ao ponto central deste post:  Como explicar a alta popularidade de um governo mal avaliado em áreas de tamanha importância?

Economia e comunicação

Para o Ibope, a população está satisfeita com a política econômica. Certamente isso tem impacto positivo, mas não explica tudo. Haveria, pelo menos, um flanco aberto que poderia causar desgaste à imagem do governo. Falta, entretanto, quem ligue criatura ao criador aos olhos da opinião pública.

Dessa forma, a popularidade de Dilma é resultado da soma de uma boa comunicação do governo com a mudez total da oposição. Boa comunicação não apenas no sentido da propaganda oficial, mas também na forma de discurso e de postura. A presidente acerta em cheio ao optar por um estilo mais resguardado, sem entrar em atritos desnecessários, provocar adversários ou abusar de bravatas. Como fala mal, Dilma faz bem em calar o máximo possível, para falar apenas de temas que possam lhe render simpatia, como corte de juros ou anúncios de programas assistencialistas. Bingo.

Discurso existe, falta quem o assuma

Já a oposição não possui nem mesmo um discurso. Ou melhor, não é capaz de assumir um discurso. Problemas não faltam, como mostram os entrevistados do Ibope. Como estratégia, o melhor caminho seria evitar o nome da presidente num primeiro momento e criticar a qualidade dos serviços, atrelando-os ao partido dela, exposto pela iminência do julgamento do mensalão. Num segundo momento o nome dela seria vinculado aos defeitos do partido, e por aí vai. Daria certo? Não sei, mas pelo menos seria um caminho, e o que temos hoje é a completa ausência de rumo na oposição, que não consegue dar encaminhamento ao que a pesquisa mostra: existe um descontentamento considerável esperando por um agente catalisador que o transforme em ação política.

Dilma segue firme, tentando já na base do desespero manter a economia sob controle. Enquanto isso, a oposição aguarda que as circunstâncias a salve, criando ao sabor do acaso os acontecimentos que beneficiem alguma de suas silenciosas lideranças.