Camilo avisa a deputados que o dinheiro está curto 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Camilo avisa a deputados que o dinheiro está curto

Por Wanfil em Política

28 de Maio de 2019

Reunião do Executivo cearense com sua imensa base aliada no Legislativo – Foto: divulgação

O governador Camilo Santana se reuniu com deputados e secretários para mostrar o quadro geral das limitações financeiras do Estado: a ordem agora é cortar despesas. Foi divulgado ainda que o governador valoriza o Legislativo e que receberá deputados individualmente para conversas.

É que na semana passada deputados estaduais da gigantesca e heterogênea base aliada no Ceará deixaram de votar matérias de interesse do Executivo, descontentes com a falta de diálogo com o governo e com a demora na liberação do dinheiro para emendas parlamentares. É aquela história: mola que não geme, não ganha óleo.

Resumindo, o Executivo informa com todo o jeitinho que não vai dar para atender a todos, mas que não se trata de nada pessoal, pois se trata de uma contingência orçamentária.

Muito bem. Na tradição clientelista da política brasileira, legisladores são vistos como intermediários de obras e verbas para seus “colégios eleitorais” (eufemismo para os antigos currais eleitorais), além de empregos para apaniguados. É claro que a função do parlamentar não é essa, mas por aqui é assim: quem “leva” a obra para o município é o deputado. O problema é que nos tempos de vacas magras, a falta de obras, de verbas e de empregos é percebida pela clientela (prefeitos, vereadores, lideranças e eleitores) como falta de prestígio do representante da região junto ao governo estadual.

No Ceará, a essa tradição, acrescentou-se mais recentemente uma hegemonia política, com ampla adesão das forças políticas regionais ao governismo. Desse modo, adversários municipais inconciliáveis acabam unidos na base do governo e até disputam, não importa o partido ou a ideologia, para mostrar quem é o mais governista, na esperança de receber apoio e tratamento diferenciado.

Ocorre que num ambiente onde quase todos são da base aliada, essa condição deixa de ser um diferencial e passa a ser o padrão. Como o clientelismo, em seu conceito clássico, funciona a partir da capacidade que o governo tem de distribuir verbas e obras, ou de nomear aliados para cargos chaves, quando essa base é grande demais para ser devidamente incorporada na estrutura da máquina e quando as receitas diminuem, algumas preferências passam a ficar evidentes. Uns serão atendidos mais do que outros.

Daí o descontentamento. Para que isso se transforme em dissidência seria preciso que uma nova liderança surgisse no cenário, acenando com novos arranjos. Como não é o caso, a reclamação, por enquanto, não vai dar em nada. É só beicinho.

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Camilo avisa a deputados que o dinheiro está curto

Por Wanfil em Política

28 de Maio de 2019

Reunião do Executivo cearense com sua imensa base aliada no Legislativo – Foto: divulgação

O governador Camilo Santana se reuniu com deputados e secretários para mostrar o quadro geral das limitações financeiras do Estado: a ordem agora é cortar despesas. Foi divulgado ainda que o governador valoriza o Legislativo e que receberá deputados individualmente para conversas.

É que na semana passada deputados estaduais da gigantesca e heterogênea base aliada no Ceará deixaram de votar matérias de interesse do Executivo, descontentes com a falta de diálogo com o governo e com a demora na liberação do dinheiro para emendas parlamentares. É aquela história: mola que não geme, não ganha óleo.

Resumindo, o Executivo informa com todo o jeitinho que não vai dar para atender a todos, mas que não se trata de nada pessoal, pois se trata de uma contingência orçamentária.

Muito bem. Na tradição clientelista da política brasileira, legisladores são vistos como intermediários de obras e verbas para seus “colégios eleitorais” (eufemismo para os antigos currais eleitorais), além de empregos para apaniguados. É claro que a função do parlamentar não é essa, mas por aqui é assim: quem “leva” a obra para o município é o deputado. O problema é que nos tempos de vacas magras, a falta de obras, de verbas e de empregos é percebida pela clientela (prefeitos, vereadores, lideranças e eleitores) como falta de prestígio do representante da região junto ao governo estadual.

No Ceará, a essa tradição, acrescentou-se mais recentemente uma hegemonia política, com ampla adesão das forças políticas regionais ao governismo. Desse modo, adversários municipais inconciliáveis acabam unidos na base do governo e até disputam, não importa o partido ou a ideologia, para mostrar quem é o mais governista, na esperança de receber apoio e tratamento diferenciado.

Ocorre que num ambiente onde quase todos são da base aliada, essa condição deixa de ser um diferencial e passa a ser o padrão. Como o clientelismo, em seu conceito clássico, funciona a partir da capacidade que o governo tem de distribuir verbas e obras, ou de nomear aliados para cargos chaves, quando essa base é grande demais para ser devidamente incorporada na estrutura da máquina e quando as receitas diminuem, algumas preferências passam a ficar evidentes. Uns serão atendidos mais do que outros.

Daí o descontentamento. Para que isso se transforme em dissidência seria preciso que uma nova liderança surgisse no cenário, acenando com novos arranjos. Como não é o caso, a reclamação, por enquanto, não vai dar em nada. É só beicinho.