Ferreira Gomes: partido novo, encenação antiga - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ferreira Gomes: partido novo, encenação antiga

Por Wanfil em Política

19 de agosto de 2015

Em mais um capítulo de sua peculiar trajetória política, os Ferreira Gomes devem mesmo sair do PROS para entrar no PDT, sétimo partido a servir de abrigo aos  grupo liderado por Ciro e Cid Gomes.

O encontro que reuniu os ainda filiados do PROS no Ceará, na noite da última segunda-feira, repetiu a encenação que sempre é feita nessas ocasiões, necessária para tornar verossímeis as alegações escolhidas para justificar a mudança, invariavelmente fundadas nos mais belos e nobres propósitos, tudo para disfarçar que são as conveniências eleitorais do momento a razão para essas idas e vindas.

No caso atual, ninguém escondia lá na tal reunião do PROS estadual que a opção pelo  PDT empolga mais pela possibilidade de uma nova candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, em acordo com o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, ex-ministro do trabalho que perdeu o cargo por causa de denúncias de corrupção.

Quando saíram do PSB para ingressarem no PROS, os Ferreira Gomes e seus comandados alegaram compromisso com a reeleição de Dilma. Negavam uma candidatura própria com Eduardo Campos. A petista não será candidata em 2018, mas em meio a atual crise e faltando (em tese) pouco menos de três anos e meio para o fim do mandato da petista, os aliados da presidente no Ceará engrossam as fileiras da oposição e do PMDB, que já anteciparam o debate sucessório, fragilizando ainda mais o governo. Curiosamente, o prefeito Roberto Cláudio, ainda no PROS e com o pé no PDT, diz que antecipar debates eleitorais é um desrespeito com o povo, mas comemora publicamente a possível candidatura de Ciro. Convicções moldadas pelas oportunidades são outra característica de quem está sempre disposto a mudar de partido como quem troca de roupa.

É claro que Ciro Gomes tem o direito de querer ser candidato e que mudar de partido não é crime. Mas a frequência com que isso acontece, sempre em função de candidaturas, é sinal de inconsistência política para liderar nacionalmente uma agremiação política e de intolerância para conviver com as naturais disputas internas que existem em todos os partidos. A sucessão de trocas pode indicar ainda falta de lealdade, o que abre espaço para críticas sobre uma propensão ao oportunismo crônico. De qualquer forma, esse estilo tem funcionado aqui no Ceará. Se irá colar lá fora, é o que veremos. Sabe como é, tudo demais é veneno.

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Ferreira Gomes: partido novo, encenação antiga

Por Wanfil em Política

19 de agosto de 2015

Em mais um capítulo de sua peculiar trajetória política, os Ferreira Gomes devem mesmo sair do PROS para entrar no PDT, sétimo partido a servir de abrigo aos  grupo liderado por Ciro e Cid Gomes.

O encontro que reuniu os ainda filiados do PROS no Ceará, na noite da última segunda-feira, repetiu a encenação que sempre é feita nessas ocasiões, necessária para tornar verossímeis as alegações escolhidas para justificar a mudança, invariavelmente fundadas nos mais belos e nobres propósitos, tudo para disfarçar que são as conveniências eleitorais do momento a razão para essas idas e vindas.

No caso atual, ninguém escondia lá na tal reunião do PROS estadual que a opção pelo  PDT empolga mais pela possibilidade de uma nova candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, em acordo com o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, ex-ministro do trabalho que perdeu o cargo por causa de denúncias de corrupção.

Quando saíram do PSB para ingressarem no PROS, os Ferreira Gomes e seus comandados alegaram compromisso com a reeleição de Dilma. Negavam uma candidatura própria com Eduardo Campos. A petista não será candidata em 2018, mas em meio a atual crise e faltando (em tese) pouco menos de três anos e meio para o fim do mandato da petista, os aliados da presidente no Ceará engrossam as fileiras da oposição e do PMDB, que já anteciparam o debate sucessório, fragilizando ainda mais o governo. Curiosamente, o prefeito Roberto Cláudio, ainda no PROS e com o pé no PDT, diz que antecipar debates eleitorais é um desrespeito com o povo, mas comemora publicamente a possível candidatura de Ciro. Convicções moldadas pelas oportunidades são outra característica de quem está sempre disposto a mudar de partido como quem troca de roupa.

É claro que Ciro Gomes tem o direito de querer ser candidato e que mudar de partido não é crime. Mas a frequência com que isso acontece, sempre em função de candidaturas, é sinal de inconsistência política para liderar nacionalmente uma agremiação política e de intolerância para conviver com as naturais disputas internas que existem em todos os partidos. A sucessão de trocas pode indicar ainda falta de lealdade, o que abre espaço para críticas sobre uma propensão ao oportunismo crônico. De qualquer forma, esse estilo tem funcionado aqui no Ceará. Se irá colar lá fora, é o que veremos. Sabe como é, tudo demais é veneno.