Segurança Archives - Página 4 de 9 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Segurança

Turismo em queda no Ceará

Por Wanfil em Segurança

04 de agosto de 2016

Matéria do jornal O Povo desta quinta-feira (4), sobre queda, no Ceará,  de 5,3% no fluxo de turistas nacionais e de 1,4% entre os internacionais entre no primeiro trimestre de 2016, segundo dados divulgados pela Fecomercio.

Arialdo Pinho, secretário do Turismo do Estado, acredita que a falta de divulgação e de mais voos internacionais são fatores que prejudicam a atratividade turística internacional.

O turismo nacional, claro, sofre com a crise econômica. Já o internacional, além das justificativas apontadas pelo secretário, é preciso lembrar outro fator bastante incômodo: Fortaleza está entre as capitais mais violentas do Brasil e do mundo.

O turista estrangeiro interessado em conhecer o Brasil nas Olimpíadas pode encontrar na Forbes, por exemplo, a informação de que Fortaleza lidera a taxa de homicídios no País: “Within the top 50, Brazil’s most violent cities are mainly in the north, far from the Olympic city of Rio de Janeiro“.

É bom não menosprezar o efeito causado pelo medo, na hora de pesar as razões dessa redução.

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A lógica do crime organizado contra o Estado do Ceará: imagem é tudo

Por Wanfil em Segurança

19 de julho de 2016

É óbvio que a recente onda de ataques contra delegacias, viaturas e ônibus são ações para desmoralizar a Segurança Pública no Ceará. Lembra a natureza das ações militares de guerrilha: não podendo eliminar o exército inimigo, o objetivo passa a ser destruir o moral de suas tropas, colocando a opinião pública em estado de alerta por causa do efeito psicológico dos atentados.

No caso mais recente, uma carta com ameaças ao governador Camilo Santana foi deixada com o motorista de um ônibus incendiado em Fortaleza. O texto, que também reclama da situação de “irmãos” nos presídios, é assinado pelo “Crime”, ou seja, sujeito indefinido e difuso que naturalmente infere medo na população.

Camilo afirma que tudo isso é uma reação do crime organizado contra a atual política de segurança. O secretário Delci Teixeira disse que as ordens partem dos presídios e que os responsáveis foram identificados, sem dar, porém, maiores detalhes. É normal o sigilo para não atrapalhar as investigações, coisa e tal, mas é preciso que o governo entenda que uma guerra de imagem está em curso. Os bandidos sabem que seus crimes serão noticiados e que haverá pressão sobre o Estado por respostas.

Assim, a demora em dar explicações precisas, quando não o silêncio como resposta de quem atua como se não precisasse dar satisfações ao público, como se isso fosse um favor, apenas alimentam a sensação de que as autoridades de segurança estão um passo atrás dos bandidos.

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Anunciada delegacia contra crime organizado no Ceará: já não era sem tempo!

Por Wanfil em Segurança

18 de julho de 2016

Eu não vou responder a boatos e especulações irresponsáveis!”. Foi o que o governador do Ceará, Camilo Santana, disse em fevereiro deste ano, sobre a possível ação de facções criminosas do Rio de Janeiro e de São Paulo, que teriam assumido o controle do tráfico em bairros de Fortaleza.

No sábado passado, dia 16 de julho, após uma sequência constante de ataques a policiais, delegacias, prédios públicos e ônibus, além de rebeliões e fugas nos presídios, o governador anunciou “a criação imediata da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ceará“, com a seguinte justificativa: “As ações criminosas das últimas horas contra prédios públicos e agentes de segurança são uma clara reação do crime às ações rigorosas realizadas pela nossa polícia”.

Boa medida. Talvez o governo tenha resistido a aceitar essa realidade por receio de perder o ganho de confiança obtido com a redução nos números de homicídios. Essa hesitação acarretou atraso considerável para a tomada de iniciativa, uma vez que as ações criminosas que a ensejaram não aconteceram apenas nas “últimas horas”, mas ao longo, no mínimo, dos últimos meses. E quando se trata de segurança, tempo é vida.

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Policiais mortos no Ceará: o luto e a luta

Por Wanfil em Segurança

01 de julho de 2016

Três policiais foram mortos e um foi baleado em Quixadá por uma quadrilha de roubos a carros-fortes, na tarde de ontem, quinta-feira. Outros dois foram feitos reféns e depois soltos.

Na prática, os policiais não tiveram chance ao cumprir sua missão de combater o crime. As quadrilhas que agem na região do Sertão Central usam armamento pesado, muito pesado. A Segurança Pública está de luto. Quixadá e os cearenses estão de luto.

A caçada aos bandidos promete ser intensa. O caso, no entanto, enseja reflexões que não visam criticar ninguém, pois o momento é de unir forças, mas que precisam ser encaradas de frente. Divido com vocês, e sei que muitos policiais acompanham o blog, algumas delas:

1 – A unidades do interior do Ceará estão preparadas, com o devido treino, apoio e armamento, para enfrentar esses grupos?
2 – Os procedimentos de abordagem a suspeitos de assaltos dessa natureza nas nossas estradas devem mudar?
3 – Não será o caso de buscar um intercâmbio com estados do Sudeste que lidam a mais tempo com quadrilhas desse tipo?

Não sou especialista em Segurança, falo apenas como alguém profundamente consternado com a morte desses policiais, que nos faz lembrar a importância da corporação. Aliás, o próprio governador mostrou seu pesar no Facebook.

A gestão Camilo Santana começou sob pressão na área da segurança pública, dada a herança que recebeu, mas conseguiu mostrar resultado. Restabeleceu a autoridade do governo no setor, pacificou a relação entre comando e tropa, conseguiu punir maus profissionais sem causar crises e tem reduzido os homicídios no Estado.

Ocorre que os assaltos a banco e a carros-fortes ameaçam reforçar o que chamamos de sensação de insegurança. Portanto, a reação do presente precisa levar em conta o planejamento para o futuro. Que o sacrifício dos agentes em serviço não tenha sido em vão.

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Sossego da comunidade

Por Wanfil em Segurança

30 de junho de 2016

A foto que ilustra esta postagem tem circulado em grupos do WhatsApp em Fortaleza. Até que ponto a mensagem é verídica não é possível dizer.Comunicado

Imagens com cartazes semelhantes fixados em postes e muros da capital e de cidades do interior também circulam pelo aplicativo e ganham outras redes sociais.

Sobre isso, duas considerações:

1 – Rumores anteriores sobre supostos acordos de paz entre grupos de traficantes em Fortaleza e Sobral para levar tranquilidade aos seus pontos de drogas reforçam a “credibilidade” dos cartazes. Por coincidência, os homicídios de jovens caíram mais significativamente na capital após os boatos de pacto entre gangues. O governo nega que seja por isso.

2 – Caso exista mesmo relação direta entre a redução da violência e acordos entre facções de bandidos, estaremos vivendo o inacreditável paradoxo de ver a violência e o crime sendo combatidos por criminosos violentos, assumindo o papel de garantidores do “sossego da comunidade”.

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Os bandidos de Sobral

Por Wanfil em Segurança

30 de junho de 2016

A população de Sobral foi surpreendida na última terça-feira por uma inusitada passeata de bandidos, que celebravam um acordo de paz entre gangues de traficantes.

Para quem não é do Ceará, Sobral é uma das principais cidades do Estado, situada na região norte, famosa por ser o berço da família de Ciro Gomes. Na ocasião, quase cem pessoas foram presos por incitação ao crime.

Em entrevistas, tanto o prefeito Veveu Arruda como o governador Camilo Santana, ambos do PT, sugeriram que o episódio poderia ter ligação com interesses eleitorais.

Hã? Como assim? Naturalmente, seus opositores farão criticas, uma vez que não se tem notícia de outro caso igual. Agora, daí a insinuar que o desfile de criminosos tenha sido articulado e coordenado por políticos ou partidos, há uma grande distância. Quais são os indícios? O que a polícia diz? Por que não prendem os supostos responsáveis? Até o momento, não existem fatos concretos que autorizem as ilações de Veveu e Camilo.

Vale lembrar ainda que esse tipo de bandido não precisa de voto. Isso é para outra categoria.

No mais, além de inútil, essa conversa faz lembrar a gestão do ex-governador Cid Gomes. Toda vez que os índices de violência pioravam, o governo se justificava com acusações genéricas contra adversários políticos, como se fossem vítimas indefesas de forças poderosas agindo nas sombras. Milícias, um ou outro deputado, inimigos que em breve seriam desmascarados. Deu no que deu.

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Saída da Força Nacional é desrespeito com o Ceará

Por Wanfil em Segurança

29 de junho de 2016

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), ficou surpreso com a saída da Força Nacional de Segurança, que atuava no Estado para conter a crise no sistema carcerário, chamada para um treinamento visando as Olimpíadas do Rio de Janeiro. É que o acordo firmado com o Ministério da Justiça previa que as tropas federais ficassem até o dia 15 de julho. Agora policiais militares sairão das ruas para fazer a segurança nos presídios.

A surpresa é compreensível, uma vez que a decisão foi unilateral e intempestiva, além do que, as Olimpíadas não constituem emergência, pelo contrário, estavam programadas há muitos anos. Vão treinar agora? Essa saída antes da hora está muito mal explicada.

Basta comprar com Mato Grosso do Sul, estado governado pelo tucano Reinaldo Azambuja, onde o mesmo Ministério da Justiça, na última segunda-feira, prorrogou por mais 15 dias a presença da Força para controlar conflitos numa área indígena. É claro que o ministério dirá que a decisão foi técnica, mas da forma que as coisas aconteceram, a impressão de que estados governados por opositores são discriminados é inevitável, em desacordo com a união pregada pelo presidente interino Michel Temer.

É preciso que o governo estadual deixe claro para todos que diante dessa diferença de tratamento com outros estados, se outras mortes acontecerem nos presídios cearenses, o ministro Alexandre de Moraes, que até pouco tempo atrás foi secretário de Segurança de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, terá sua parcela de responsabilidade, junto com o governo federal.

Tem horas que a propensão ao diálogo, útil e desejável, pode ser vista como hesitação ou fraqueza. Melhor botar a boca no trombone. Pode não mudar o que já foi feito, mas serve de alerta para decisões futuras.

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Força Nacional de Segurança no Ceará: decisão certa que não apaga erros

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

O pedido de reforço do governo estadual feito à Força Nacional de Segurança após a carnificina do final de semana nos presídios de Itaitinga e Caucaia, na Grande Fortaleza, que deixaram saldo provisório de 18 mortos segundo a Secretaria de Justiça, é plenamente justificável e acertado. O momento é de “estabilizar” o sistema carcerário, como bem enfatizaram o governador Camilo Santana e a Secretaria de Justiça, comandada pelo advogado Hélio Leitão.

Nessas horas, governos costumam hesitar por medo de parecerem inoperantes ou incapazes. Cabe então o registro de que nesse momento crítico o governo estadual priorizou a busca por uma solução do problema, com o apoio de outras instituições, como o Ministério Público. Parece uma tautologia, mas não custa lembrar que na greve dos policiais em 2011 o governo, sem comando, conseguiu piorar o que já era ruim.

A decisão acertada, no entanto, não apaga os erros que resultaram no espetáculo de selvageria dentro dos presídios. O estopim desse barril de pólvora que é a superlotação das prisões foi aceso por agentes penitenciários que, em greve, impediram as visitas aos presos. Deu no que deu. As devidas responsabilidades deverão ser apuradas assim que o quadro volte a uma normalidade mínima.

Mas é fato que emparedado pelo caos, o Governo do Estado recuou e aceitou as reivindicações da categoria. Ora, se havia possibilidade de acordo, faltou capacidade das partes na condução das negociações. Impasse que resultou em mortes.

Quanto a superlotação, boa parte do problema é causado pela lentidão do judiciário: 70% dos presos são provisórios à espera de julgamento. Muitos poderiam cumprir penas alternativas, a depender da gravidade do crime. Daí que essa seja uma questão nacional. De todo modo, cabe ao executivo gerir o amontoado que se avoluma nas penitenciárias, cadeias e delegacias, que por sua vez, são precárias, inseguras e ineficientes, como atestam as fugas semanais que acontecem por todo o Ceará.

O problema dos presídios precisa sim de um profundo debate que exige até mesmo mudanças na legislação. Antes disso, porém, toda essa tragédia exigirá mudanças locais mais imediatas assim que tudo se estabilize. Ficar como estava é que não tem condição.

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Bandido bom é bandido… preso!

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

As rebeliões nos presídios cearenses expuseram com muito sangue a crise no sistema carcerário do Estado. Mais informações no post Força Nacional de Segurança no Ceará. É um tema delicado para qualquer governo. De um lado, a obrigação de manter um sistema carcerário eficiente e do outro a população ressentida dos criminosos e da violência.

Bandido bom é bandido morto
Assim, não é raro ouvirmos gente insuspeita dizendo que bandido bom é bandido morto, como forma de desabafo e indignação. Com o noticiário das rebeliões, vi uma amiga, pessoa de bem, escrever que não consegue “ter empatia” pelo sofrimento desses criminosos. Quem consegue, não é mesmo?Outro afirmou que “não dá para ter pena desses marginais”. Realmente, é difícil. E um terceiro, pessoa cordata e doce, disparou: “Quem morre ali são os mais perigosos, eles que se entendam”. Não dá mesmo para chorar.

São reações compreensíveis, afinal, é praticamente impossível nutrir algum tipo de compaixão por quem mata, estupra, sequestra, mata e rouba, sem parecer um masoquista. De certo modo, concluímos, eles, os marginais, merecem um fim doloroso.

Quem decide o que é certo?
Esse é o ponto. Bandido que morre em confronto com a polícia, em última análise, é também vítima das escolhas que fez. Antes ele do que o policial que se arrisca em serviço. No entanto, uma vez capturado e encaminhado para um presídio, muitas vezes por crimes de menor gravidade, como furto, as coisas mudam do ponto de vista ético e moral.

Também não tenho empatia por criminosos. E por isso mesmo entendo que estou obrigado a tratá-los de acordo com aquilo o que eles não aceitam: o respeito à lei e à condição de ser humano. Tolerar (ou apostar) na selvageria em presídios como método de assepsia é investir na cultura da violência, é dar-lhes razão quanto aos métodos de ação. Por isso, bandido bom é bandido preso, cumprindo a pena até o final em condições adequadas, sem regalias, mas também sem degradação. Bandido bom é bandido submetido às regras que entendemos serem as corretas e não às que eles mesmos imaginam como certas.

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Homicídios caem no Ceará após 17 anos: veja como foi a evolução da violência nesse período

Por Wanfil em Segurança

12 de Janeiro de 2016

O Ceará registrou em 2015 uma queda de 9,5% no número de “Crimes Violentos Letais Intencionais”. O próprio governo reconhece que ainda são índices ainda são muito altos, mas sem bem observadas as circunstâncias e a conjuntura, estancar o aumento de homicídios é um feito que merece reconhecimento, devidamente creditado a atual gestão.

Em entrevista coletiva, o governador Camilo Santana ressaltou o peso desses dados: “Depois de 17 anos — eu gosto de frisar esse número porque 17 anos não são 17 meses nem 17 dias — nós conseguimos uma redução.

É verdade. Por isso mesmo é preciso situar muito bem esses dados, para não correr o risco de repetir erros passados, identificando quando e como a situação degenerou a ponto de fazer do Ceará um dos estados mais violentos do Brasil.

Tempo senhor da razão
Se por um lado é justo que o governo ressalte os 17 anos de crescimento da violência para mostrar o tamanho do desafio, por outro não se pode perder de vista que a evolução da criminalidade nesse período não foi diluída gradualmente, em partes iguais, como se fosse fenômeno dissociado da atuação de governos locais.

Pelo contrário, houve saltos que foram registrados na linha do tempo, como podemos ver no Mapa da Violência, com informações coletadas entre 2002 e 2012.

Tagela Mapa da Violência

Não é o caso de comparar a pesquisa com os números da Secretaria de Segurança, pois as metodologias podem ser distintas. O que vale aqui é o paralelo entre os anos e os demais estados comparados dentro de uma mesma metodologia.

Pelo Mapa, as taxas de homicídios no Ceará passaram a crescer mais aceleradamente a partir de 2006, último ano da gestão Lúcio Alcântara, então no PSDB. Foi aí que Cid Gomes, na época candidato pelo PSB, apareceu prometendo resolver o problema.

Entretanto, uma vez eleito, foi justamente nessa gestão que a situação piorou, degringolando de vez entre 2011 e 2012, quando a taxa subiu impressionantes 36,5% (o dobro do segundo maior aumento, em Sergipe), saltando de 32,7 para 44,6 mortes por grupo de 100 mil habitantes.

Outras amostras
Em outro levantamento, feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, a taxa de homicídios no Ceará em 2014, último ano de Cid no governo, chegou a 46,76 por 100 mil habitantes.

tabela-taxa-homicidios 2

Já pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a taxa em 2014 chegou a 48,6.

Tabela anuário

Conclusão
Em 17 anos, a violência cresceu, é fato. Como também é fato que ela explodiu mesmo nos oito anos que precederam 2015. E o que isso significa? Que esse período deve ser estudado como um case invertido, um modelo de como não proceder em segurança pública.

De certa maneira, isso até aumenta a dimensão do feito em 2015, pois a gestão Camilo recebeu o Estado em posição crítica, no pior momento da segurança em sua História.  A construção desse desastre, pelos números, foi uma soma que em determinado momento se agravou localmente de modo intenso, o que revela relação direta entre a insegurança e um modo de fazer política que, se em outras áreas foi bem sucedido, fracassou na segurança como nunca antes se viu, não obstante tentativas de acerto.

Ter isso em mente foi o primeiro passo para começar a reverter esse quadro.

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Homicídios caem no Ceará após 17 anos: veja como foi a evolução da violência nesse período

Por Wanfil em Segurança

12 de Janeiro de 2016

O Ceará registrou em 2015 uma queda de 9,5% no número de “Crimes Violentos Letais Intencionais”. O próprio governo reconhece que ainda são índices ainda são muito altos, mas sem bem observadas as circunstâncias e a conjuntura, estancar o aumento de homicídios é um feito que merece reconhecimento, devidamente creditado a atual gestão.

Em entrevista coletiva, o governador Camilo Santana ressaltou o peso desses dados: “Depois de 17 anos — eu gosto de frisar esse número porque 17 anos não são 17 meses nem 17 dias — nós conseguimos uma redução.

É verdade. Por isso mesmo é preciso situar muito bem esses dados, para não correr o risco de repetir erros passados, identificando quando e como a situação degenerou a ponto de fazer do Ceará um dos estados mais violentos do Brasil.

Tempo senhor da razão
Se por um lado é justo que o governo ressalte os 17 anos de crescimento da violência para mostrar o tamanho do desafio, por outro não se pode perder de vista que a evolução da criminalidade nesse período não foi diluída gradualmente, em partes iguais, como se fosse fenômeno dissociado da atuação de governos locais.

Pelo contrário, houve saltos que foram registrados na linha do tempo, como podemos ver no Mapa da Violência, com informações coletadas entre 2002 e 2012.

Tagela Mapa da Violência

Não é o caso de comparar a pesquisa com os números da Secretaria de Segurança, pois as metodologias podem ser distintas. O que vale aqui é o paralelo entre os anos e os demais estados comparados dentro de uma mesma metodologia.

Pelo Mapa, as taxas de homicídios no Ceará passaram a crescer mais aceleradamente a partir de 2006, último ano da gestão Lúcio Alcântara, então no PSDB. Foi aí que Cid Gomes, na época candidato pelo PSB, apareceu prometendo resolver o problema.

Entretanto, uma vez eleito, foi justamente nessa gestão que a situação piorou, degringolando de vez entre 2011 e 2012, quando a taxa subiu impressionantes 36,5% (o dobro do segundo maior aumento, em Sergipe), saltando de 32,7 para 44,6 mortes por grupo de 100 mil habitantes.

Outras amostras
Em outro levantamento, feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, a taxa de homicídios no Ceará em 2014, último ano de Cid no governo, chegou a 46,76 por 100 mil habitantes.

tabela-taxa-homicidios 2

Já pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a taxa em 2014 chegou a 48,6.

Tabela anuário

Conclusão
Em 17 anos, a violência cresceu, é fato. Como também é fato que ela explodiu mesmo nos oito anos que precederam 2015. E o que isso significa? Que esse período deve ser estudado como um case invertido, um modelo de como não proceder em segurança pública.

De certa maneira, isso até aumenta a dimensão do feito em 2015, pois a gestão Camilo recebeu o Estado em posição crítica, no pior momento da segurança em sua História.  A construção desse desastre, pelos números, foi uma soma que em determinado momento se agravou localmente de modo intenso, o que revela relação direta entre a insegurança e um modo de fazer política que, se em outras áreas foi bem sucedido, fracassou na segurança como nunca antes se viu, não obstante tentativas de acerto.

Ter isso em mente foi o primeiro passo para começar a reverter esse quadro.