Segurança Archives - Página 5 de 9 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Segurança

Homicídios caem no Ceará após 17 anos: veja como foi a evolução da violência nesse período

Por Wanfil em Segurança

12 de Janeiro de 2016

O Ceará registrou em 2015 uma queda de 9,5% no número de “Crimes Violentos Letais Intencionais”. O próprio governo reconhece que ainda são índices ainda são muito altos, mas sem bem observadas as circunstâncias e a conjuntura, estancar o aumento de homicídios é um feito que merece reconhecimento, devidamente creditado a atual gestão.

Em entrevista coletiva, o governador Camilo Santana ressaltou o peso desses dados: “Depois de 17 anos — eu gosto de frisar esse número porque 17 anos não são 17 meses nem 17 dias — nós conseguimos uma redução.

É verdade. Por isso mesmo é preciso situar muito bem esses dados, para não correr o risco de repetir erros passados, identificando quando e como a situação degenerou a ponto de fazer do Ceará um dos estados mais violentos do Brasil.

Tempo senhor da razão
Se por um lado é justo que o governo ressalte os 17 anos de crescimento da violência para mostrar o tamanho do desafio, por outro não se pode perder de vista que a evolução da criminalidade nesse período não foi diluída gradualmente, em partes iguais, como se fosse fenômeno dissociado da atuação de governos locais.

Pelo contrário, houve saltos que foram registrados na linha do tempo, como podemos ver no Mapa da Violência, com informações coletadas entre 2002 e 2012.

Tagela Mapa da Violência

Não é o caso de comparar a pesquisa com os números da Secretaria de Segurança, pois as metodologias podem ser distintas. O que vale aqui é o paralelo entre os anos e os demais estados comparados dentro de uma mesma metodologia.

Pelo Mapa, as taxas de homicídios no Ceará passaram a crescer mais aceleradamente a partir de 2006, último ano da gestão Lúcio Alcântara, então no PSDB. Foi aí que Cid Gomes, na época candidato pelo PSB, apareceu prometendo resolver o problema.

Entretanto, uma vez eleito, foi justamente nessa gestão que a situação piorou, degringolando de vez entre 2011 e 2012, quando a taxa subiu impressionantes 36,5% (o dobro do segundo maior aumento, em Sergipe), saltando de 32,7 para 44,6 mortes por grupo de 100 mil habitantes.

Outras amostras
Em outro levantamento, feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, a taxa de homicídios no Ceará em 2014, último ano de Cid no governo, chegou a 46,76 por 100 mil habitantes.

tabela-taxa-homicidios 2

Já pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a taxa em 2014 chegou a 48,6.

Tabela anuário

Conclusão
Em 17 anos, a violência cresceu, é fato. Como também é fato que ela explodiu mesmo nos oito anos que precederam 2015. E o que isso significa? Que esse período deve ser estudado como um case invertido, um modelo de como não proceder em segurança pública.

De certa maneira, isso até aumenta a dimensão do feito em 2015, pois a gestão Camilo recebeu o Estado em posição crítica, no pior momento da segurança em sua História.  A construção desse desastre, pelos números, foi uma soma que em determinado momento se agravou localmente de modo intenso, o que revela relação direta entre a insegurança e um modo de fazer política que, se em outras áreas foi bem sucedido, fracassou na segurança como nunca antes se viu, não obstante tentativas de acerto.

Ter isso em mente foi o primeiro passo para começar a reverter esse quadro.

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Fortaleza é capital mais violenta do Brasil: a culpa não é só de Cid

Por Wanfil em Segurança

02 de outubro de 2015

Em entrevista para a Rede TV exibida na segunda-feira (28/09), o ex-ministro Ciro Gomes classificou de extraordinária a gestão de seu irmão Cid Gomes à frente do governo do Ceará, algo “sem rival”. Dois dias depois a Folha de São Paulo publicou matéria sobre uma realização de Cid de grande repercussão nacional: Fortaleza é a a capital mais violenta do Brasil. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referentes ao ano de 2014.

Recorde de violência
A capital cearense lidera o ranking de homicídios com 77,34 casos por grupo de 100 mil habitantes. No Rio de Janeiro a taxa é de 20,22. Em São Paulo o índice cai para 11,43. A boa notícia, se é que podemos dizer assim, é que em Fortaleza, entre 2013 e 2014 houve uma redução de 0,97%.

É claro que essa realidade é um legado da gestão de Cid Gomes. É preciso dizer isso para evitar certas mistificações e autoelogios desmedidos. Isso não apaga méritos da referida administração em outras áreas, mas inegavelmente é uma nódoa da qual não ele poderá fugir e que será devidamente registrada pela História: nunca a criminalidade avançou tanto em Fortaleza e no Ceará inteiro como nos anos em que Cid governou. Mas, para evitar injustiças, é preciso situar a questão no tempo e no espaço.

Atenuantes e agravantes
A violência tem crescido em todo o país, principalmente na região Nordeste. Ou seja, o Ceará e sua capital acompanharam um tendência devidamente registrada. O fato, entretanto, de Fortaleza figurar como a mais violenta entre as capitais mais violentas, isso é pode ser debitado na conta de problemas de gestão. Vale dizer que nesse mesmo período, Maceió, que em 2013 era a capital mais perigosa do Brasil, conseguiu reduzir seu índice de 81,37 para 69,53, sendo ultrapassada agora por Fortaleza. Não há como fugir da conclusão de que as políticas de segurança no Ceará foram mal planejadas.

Diferença fundamental
Outro ponto que vale a pena destacar é a conjuntura política. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, como vimos, estados com capitais muito, mas muito, muito mesmo, menos violentas do que a capital do Ceará, os governadores estaduais são duramente cobrados em matéria de segurança pela oposição, pela imprensa, por entidades não governamentais, pela OAB, pela Igreja e pela própria população. Qualquer crime mais chocante, lá estão seus governadores, responsáveis pela política de segurança, dando explicações, anunciando medidas, pedindo desculpas, colocando-se à frente do problema.

No Ceará, o tema foi tratado como tabu. Tudo o que aliados – e no Ceará quase todos os deputados estaduais são aliados de qualquer governo – se limitavam a fazer era, pasmem, elogiar os investimentos, como se isso bastasse. Quem lembrasse, seja no parlamento ou na imprensa, que os resultados não estavam aparecendo, era chamado, no mínimo, de pessimista. Esse estado de omissão dava a impressão de que boas medidas estavam sendo tomadas, quando isso era falso. Deu no que deu. Uma tragédia construída pelo governo, com o apoio de de muitos.

A esperança é que o governo, apesar de ser de continuidade, mudou.

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Crise na Segurança? Já?! – Ou: “De onde menos se espera…”

Por Wanfil em Segurança

25 de Fevereiro de 2015

No que diz respeito à segurança pública, os cearenses estão como São Tomé: não adianta mais prometer-lhes resultados, eles só acreditam vendo. Imagem: A Incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1599)

No que diz respeito à segurança pública, os cearenses estão como São Tomé: só acreditam vendo.
Imagem: A Incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1599)

Boatos sobre uma crise na Secretaria de Segurança do Ceará se alastraram como fogo na palha nos últimos dias, especialmente com o mistério em torno da demissão do secretário executivo da pasta, Odécio Carneiro. Versões e dúvidas se multiplicam. Seguem algumas:

1) Odécio teria descoberto um esquema de desvio de recursos feito na gestão passada e por isso teria perdido o cargo. Hipótese reforçada pela falta de explicações sobre a sua saída. Foi demitido ou pediu demissão? Qual o motivo?

2) Delci Teixeira, titular da secretaria, teria discutido com o governador Camilo Santana, reclamando de falta de autonomia, chegando a colocar o cargo à disposição;

3) O governo já estaria com o nome de um possível substituto para Delci, enfraquecido pelo aumento da violência já no início do governo. Em dois meses de gestão Camilo (que prometeu cuidar pessoalmente da área), foram registrados mais de 700 homicídios no Ceará;

4) A crise na segurança não estaria restrita a conflitos com a tropa, mas instalada em seu próprio comando.

Desconfiança
Diante disso, em entrevista, o governador disse que o secretário tem total autonomia para nomear e demitir quem quiser. Nada mais. Assim fica tudo muito incerto e sujeito a especulações. O governo precisa abrir o olho, pois boatos só prosperam onde existem dúvidas. E por que essas dúvidas existem? Simples. É que há uma desconfiança generalizada da população no que diz respeito a segurança pública. Primeiro, porque sente na pele a violência; segundo, porque está cansada de discursos.

Trata-se, com efeito, da área mais complicada e com os piores resultados durante a gestão do ex-governador Cid Gomes. E como a atual administração é de continuidade, ou seja, como não está disposta a passar a limpo questões que possam causar constrangimentos ao antecessor, fica a expectativa. É uma desconfiança natural que faz lembrar aquela máxima de Apparício Torelly, o Barão de Itararé:

De onde menos se espera, daí é que não sai nada.

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Quem diria: agora o Capitão Wagner é gente boa

Por Wanfil em Segurança

09 de Janeiro de 2015

As voltas que o mundo dá… Há menos de um mês o Capitão Wagner, liderança entre policiais do Ceará, era apontado pelo agora ex-governador Cid Gomes e seu irmão Ciro Gomes como causa principal dos problemas de segurança no Ceará nos últimos anos, sendo acusado de liderar uma suposta milícia e de agir com interesses meramente eleitorais. Pois agora o governador Camilo Santana (PT) fez o que parecia inimaginável: recebeu Wagner no Palácio da Abolição, na condição de deputado estadual eleito pelo PR e interlocutor legítimo para assuntos de segurança.

A conversa foi mais uma entre os vários encontros individuais que o governador tem feito com deputados estaduais, mas, de todas, a audiência com Wagner, policial militar que liderou uma paralisação da categoria entre o final de 2011 e início de 2012, era a que gerava mais expectativas.

É simplesmente o mais inteligente a ser feito. Se de um lado realmente é preocupante a existência de movimentos que ameacem o sentido de hierarquia nas corporações militares, de outro é inegável que a relação da gestão Cid com os policiais se desgastou até se transformar numa crise de autoridade que degenerou para uma crise institucional, que por fim agravou ainda mais a insegurança no estado, já cambaleante, com índices obscenos de criminalidade, políticas públicas equivocadas e investimentos caros sem retorno. Assim, ao tentar personalizar esse processo na figura de uma única pessoa para fazê-la de bode expiatório da violência, a gestão Cid acabou catapultando a liderança do Capitão – em que pese eventuais críticas ao seu discurso -, para além dos limites da militância corporativa. A reação intempestiva e inábil das autoridades fez com que parte considerável do eleitorado passasse a ver nele o contraponto de protesto contra a situação precária da segurança e o elegesse com votações recordes para vereador e deputado estadual.

Por tudo isso, a nova gestão, ao contrário da anterior, não pretende, ao que tudo indica, enveredar pelo caminho da confrontação. Seria burrice. Os militares também acenam com uma postura mais amistosa. Para não ficar apenas nas palavras, no mesmo dia do encontro o governo anunciou a troca no comando da PM. O novo secretário de Segurança, Delci Teixeira, já trocou elogios públicos com o Wagner. Ficou decidido ainda que o deputado será recebido pelo chefe de gabinete Hélcio Batista e pela vice-governadora Isolda Cela, para tratar sobre reivindicações dos policiais e questões de segurança pública. Como dizem os mais jovens: bufo!

Ao ver essa mudança, fico aqui pensando nos comissionados e terceirizados pendurados nas repartições públicas (herança que lamentavelmente não entrou, por questões políticas, no corte dos gastos de custeio da nova administração), bem como em alguns secretários, assessores e deputados que saíram pelas redes sociais esculhambando o Capitão Wagner na campanha eleitoral. E agora? Poderiam ficar indignados e pedir para saírem, ou romperem com o governo acusando traição, mas algo me diz que ficarão caladinhos. São lindos, eles.

Se esse movimento de diálogo e aproximação vai render dividendos, eu não sei. Espero, pelo bem geral, que sim. Agora é possível dizer apenas que os primeiros passos rumo a uma solução estão sendo dados. Governo e policiais parecem ter consciência de que a intransigência é o pior caminho para quem deseja realmente negociar. Enquanto isso, resta esperar e torcer para que tudo se desenrole de maneira positiva e que enfim os responsáveis pela segurança pública – autoridades, oficiais e tropa -, possam finalmente focar sua atenções no combate ao crime e na redução dos índices de violência. Isso é o que realmente interessa.

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O crime cresce no Ceará e o que fazem o Executivo e o Legislativo? Reduzem penas para os criminosos!

Por Wanfil em Segurança

06 de dezembro de 2014

Nesta semana a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou o projeto de lei, de iniciativa do Executivo, que prevê a redução de pena para detentos que lerem obras literárias. Para cada livro, quatro dias a menos de cadeia, podendo chegar a 48 dias por ano. Por que um livro vale quatro dias e não três ou cinco? Não sei e acredito que nenhum parlamentar saiba. No entanto, vale aqui refletir sobre a essência da matéria.

A ideia de ajudar presos a voltarem ao convívio social é válida como princípio humanista. Isso não se questiona. Se reduzir penas contribui para isso, aí é discutível. Especialistas têm posições diversas a respeito. José Dirceu leu um monte de livros na Papuda. Se hoje é uma pessoa melhor, é um mistério. A questão, nesse caso do Ceará em particular, é o modo e a hora. O “quando” e o “como”, sem esquecer ainda o “quem”. Vou explicar melhor o raciocínio.

Vamos começar pelo “quem”. A política de segurança pública da gestão Cid Gomes, idealizadora do projeto, é um retumbante fracasso, não obstante acertos e méritos em outras áreas. Nunca o crime cresceu tanto como nos últimos oito anos. Segundo o  Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2014, o Ceará tem a segunda maior taxa de homicídios do Brasil. Em 2006 o Estado era o 15º nesse ranking. Pois bem, a pedido dessa gestão, a proposta foi endossada pela base aliada na Assembleia Legislativa. Somente os deputados Heitor Férrer (PDT) e Daniel Oliveira (PMDB) foram contra. Trata-se da mesma base que fechou os olhos para a degradação dos índices de segurança durante esse tempo e que acusou de “pessimistas” os críticos da política em vigor. Faltam-lhes, pois, condições de liderança para agir nesse sentido.

De qualquer jeito, são esses que aparecem agora no último mês do último ano de mandato (olha o “quando”), no apagar das luzes da atual legislatura, para posarem de autoridades ciosas e operantes, preocupadas com a reinserção de presos. No fundo, estão a repetir a cantilena de que tudo não passa de uma questão social, de compreender a psicologia e a sociologia do crime, de ser menos ostensivo e mais compreensivo, de modo que a presente situação possa ser imputada aos limites da condição humana e não à incompetência administrativa e política dessas mesmas autoridades. Como se isso fosse a prioridade do momento. Ora, ajudem a melhorar, senhores, as condições de trabalho da polícia e dos presídios! Seria bem mais útil.

Agora vamos ao “como”. Eu já disse que o debate sobre a ressocialização de presos é legítima. Ocorre que, diante de uma crise de segurança como a que vivemos é preciso antes discutir como reduzir a criminalidade. É tautológico, mas é isso. O italiano Cesare Beccaria já dizia no clássico Das Penas e dos Delitos (1746), que “o rigor das penas deve ser relativo ao estado atual da nação”. Com efeito, o atual estado no Ceará é de conflagração aberta, com vantagem para os criminosos. Beccaria também acreditava que a melhor forma de prevenir os crimes “é a certeza do castigo”. Ou seja, a impunidade estimula o criminoso. No Ceará, existem quase 60 mil mandados de prisão em aberto, segundo o Ministério Público. Boa parte da onda de violência nasce dessa incapacidade de punir bandidos. Mas para o Executivo e o Legislativo no Ceará, a solução é abrandar as penas daqueles que, eventualmente, foram presos. Depois ficam surpresos como tanto investimento em segurança não gerou resultados.

PS. Não estou pregando aqui a violência contra detentos, maus tratos, essas coisas. A prisão deve refletir o sentido de Justiça para proteger, acima de tudo, as pessoas de bem. Se der para recuperar, ótimo, se não der, que o indivíduo seja segregado do convívio com os demais. O momento é de mostrar rigor na aplicação da lei. “Tolerância Zero”. E isso vale também para o Judiciário na hora de ajudar a debelar essa crise. Pedir com jeitinho não vai assustar bandido. É preciso a certeza da punição, da prisão que não seja chamada de “engorda” ou que seja vista como mero contratempo, para intimidar a criminalidade. 

 

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Camilo diz que governo sabe quando e onde os crimes acontecem. Ótimo! Se é assim, só falta agir!

Por Wanfil em Segurança

21 de novembro de 2014

Atenção para a fala do governador eleito Camilo Santana (PT), em entrevista concedida após reunião com a equipe de transição, na quinta-feira (20), para avaliar a situação da segurança pública.

“Hoje o nível de tecnologia, o nível de organização da polícia hoje no Ceará na segurança evoluiu tanto, que hoje a gente sabe onde é que são as áreas mais críticas, os horários que acontecem o maior número de homicídios ou de crimes.”

Repare que o novo governador enfatiza bem o tempo presente com a repetição do advérbio “hoje”. É um tributo ao ainda governador Cid Gomes (Pros), seu padrinho político. Não há o antes, só o agora dotado de qualidades inéditas. Se é assim, é uma boa notícia, uma vez que sabendo onde e quando os crimes acontecem, basta agora partir para a ação. Fica até difícil explicar por qual razão os índices de criminalidade não caíram vertiginosamente. Por incrível que pareça ao governador eleito, o Ceará hoje é o segundo estado mais violento do Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 2006, o Estado ocupava a 15ª posição.

O problema desse excesso de zelo para não ferir suscetibilidades é deixar de ver a realidade. Isso não implica em falta de reconhecimento a respeito desses investimentos, mas se não houver a aceitação de que o modelo adotado hoje falou, não será possível fazer as devidas correções para o próximo ano, para o amanhã.

A experiência dos últimos oito anos mostra que esse investimento em equipamentos e tecnologia não foi o bastante. Evidentemente Camilo não precisa sair criticando a gestão Cid, que isso seria deselegante, mas é importante ter em vista que o desastre – e a palavra é essa mesmo – na segurança pública do Ceará é político. Na verdade, faltam rumo e liderança. E isso não pode ser comprado.

É preciso deixar claro desde o início que a política da nova gestão é de tolerância zero, que polícia e governo são parceiros, que a máquina está realmente organizada para atuar de forma coordenada. A crise de segurança, repito quantas vezes for necessário, é antes uma crise de autoridade que só pode ser debelada com pulso firme e sem tergiversações.

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Mapa da Violência 2014 mostra desastre na segurança: é assim que a gente faz, um novo Ceará…

Por Wanfil em Segurança

28 de Maio de 2014

Ceará-mapaUma prévia do Mapa da Violência 2014 divulgada nesta terça-feira (27) mostrou o Ceará como o segundo estado brasileiro com maior crescimento em números de homicídios, com uma alta de 37,7% entre 2011 e 2012. Ficou ainda na terceira posição no índice de assassinatos, com uma taxa de 44,6 por grupo de 100 mil habitantes. Ao ler isso, imediatamente me veio à mente aquela canção da propaganda: “é assim que a gente faz, um novo Ceará…” É… O marketing realmente toca fundo nos labirintos da mente.

O estudo foi realizado pela Faculdade Latino-America de Ciências Sociais, a partir de dados consolidados pelo Ministério da Saúde em todo o país, relativos ao ano de 2012. Como em 2013 o quadro degenerou ainda mais no Ceará, conforme estatísticas da própria Secretaria de Segurança, a situação tende a piorar na edição de 2015. Mas o que temos já basta para comprovar a realidade que o cearense vive.

O todo e as partes
De modo geral, a violência cresceu no Brasil como um todo. Pulou de 49 mil homicídios em 2002 para 56 homicídios em 2012. São números estarrecedores, de guerra civil, que servem ainda para dar verossimilhança ao argumento defendido pelo governador Cid Gomes e seus liderados, para explicar a onda de crimes no Ceará. Para as nossas autoridades locais, como o fenômeno é nacional, com especial gravidade no Nordeste, a responsabilidade dos governos estaduais nesses resultados acabaria reduzida. Ocorre que o quadro geral esconde a heterogeneidade da distribuição desses crimes  no território nacional.

Ceará é o pior do NE
O aspecto mais interessante do Mapa da Violência é a oportunidade de comparar dados entre os estados. Assim, enquanto no Ceará a Taxa de Homicídios cresceu 36,5% entre 2011 e 2012, em Pernambuco esse índice caiu 5,1%, na Paraíba recuou 6,2% e em Alagoas despencou 10,4%! Nos demais estados do Nordeste que registraram alta nos assassinatos, todos ficaram abaixo do Ceará. Na região, a segunda maior taxa é de Sergipe, com 18,3%, metade da cearense! Ou seja, se a situação é ruim no Brasil como um todo e no Nordeste em particular, no Ceará é pior ainda. A diferença, nesses casos, é preciso dizer, tem nome: gestão!

Segurança e eleições
O tema segurança pública é o assunto das eleições estaduais neste ano. O governo tem buscado ações de curto prazo, um esforço na comunicação institucional e no campo político, vem procurando rebater com mais energia críticas de adversários.

Recentemente, o próprio governador Cid Gomes acusou de eleitoreiras as propagandas partidárias da oposição que tocaram no tema. O problema é que contra fatos, não há argumentos. Dizer que fez tudo o que era possível não cola mais, pois basta comparar nossa situação com a dos vizinhos. Pior ainda é insistir na conversa de que nunca tantos recursos foram investidos na área. É verdade, mas olhando os resultados obtidos, isso aos mais como uma confissão de incompetência. Pedir mais tempo é ridículo, afinal, lá se vão sete anos e meio de gestão (entre 2002 e 2012, os homicídios no Ceará cresceram 166%).

Eu poderia dar sugestões de como abordar o tema de outra forma. Mas aí seria pretensão demais. Afinal, o que não faltam no governo são equipes de assessores e de consultores de segurança, comunicação e marketing (“é assim que gente faz…”) muito bem pagos para orientar a gestão Cid Gomes como explicar a situação. Sabe como é: sem resultados concretos para apresentar, a saída é apostar na velha e boa lábia.

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O que não dá pra disfarçar é a insegurança

Por Wanfil em Segurança

11 de Abril de 2014

O governo do Estado lançou na quinta-feira (10) o Programa em Defesa da Vida, que já vinha funcionando em “caráter experimental” desde janeiro. É o conjunto de ações implementadas pelo secretário Servilho Paiva, importado de Pernambuco para tentar estancar a sangria nos índices de violência no Ceará, com destaque para divisão do Estado em 18 áreas de segurança e a remuneração extra para policiais que alcançarem as metas estabelecidas.

Na ocasião, o governador Cid Gomes afirmou, em tom de desabafo, que gostaria de andar disfarçado para ver como funciona a criminalidade. Trata-se, claro, de uma figura de linguagem que não deve ser levada ao pé da letra. Na verdade, o desejo aí expressado é uma forma oblíqua de dizer que a complexidade da insegurança ultrapassa a efetividade das ações empreendidas na área até o momento. Indo mais longe um pouco, não deixa de ser um reconhecimento de que a autoridade constituída não sabe o que fazer. Daí a necessidade de um programa em “caráter experimental” lançado no último ano de sua segunda gestão.

A frustração do governador é compreensível. Certamente, ninguém mais do que ele gostaria de acertar o rumo, mas isso não basta, como atestam os números surreais no setor. E com poucos meses restando para o fim do mandato, é praticamente impossível alguma mudança de impacto ainda na a gestão Cid Gomes. Resta tentar estabilizar o quadro e reduzir os danos de imagem aferidos em pesquisas, já que estamos em ano eleitoral.

Consciente disso, o governo busca um novo discurso para amenizar as inevitáveis críticas de opositores de até de aliados. A conversa batida sobre grandes investimentos, apesar de verdadeira, não cola mais, uma vez que os resultados não apareceram. Aliás, soa mesmo como uma confissão de que os recursos não foram bem utilizados. Por isso agora o reforço de argumentação, com o anúncio de novas metodologias baseadas em análises científicas. A prioridade agora é reunir material para os marqueteiros trabalharem.

Só que aí relatórios de organismos internacionais (até a ONU!) teimam em ofuscar o discurso oficial, classificando o Ceará como um do lugares mais perigosos do mundo. Se o governador quisesse mesmo andar disfarçado, isso seria fácil, porém, perigoso. Difícil mesmo é enxergar uma saída até outubro ou até o final da gestão. Se tem algo que não tem como disfarçar de jeito nenhum, é a nossa insegurança.

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Terra sem lei: morticínio no Ceará ultrapassa muito tragédias da Malaysia Airlines e Boate Kiss

Por Wanfil em Segurança

25 de Março de 2014

O Ceará está de joelhos, rendido, humilhado, sem forças, pasmo, frouxo, lerdo, atônito e inerte diante da brutal escalada do crime em seu território. Somente em 2014, já foram registrados algo em torno de 800 assassinatos em Fortaleza e região metropolitana. Isso equivale aproximadamente a 3,3 incêndios da Boate Kiss (242 mortos), que causou comoção e indignação nacional no início de 2013; ou ao mesmo número de acidentes como o do avião da Malaysia Airlines (239 passageiros), que desde o início de março deste ano mobiliza atenções do mundo inteiro.

Outro caso de grande repercussão nacional foi a onda de execuções de detentos que em um ano fez 62 vítimas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, entre 2013 e 2014. A Procuradoria Geral da República cogitou pedir intervenção federal lá, como já havia feito em Rondônia, em 2008, por violação dos direitos humanos. No entanto, a governadora Roseana Sarney (PMDB), com a proteção política do Planalto, conseguiu contornar a situação ao apresentar um plano emergencial.

O morticínio verificado nas ruas da Grande Fortaleza nos três primeiros meses deste ano corresponde a 12,5 anos de execuções em Pedrinhas. Trata-se, com efeito, de um grave atentado contra os direitos humanos, principalmente por ser ação rotineira e de grande escala.

Tragédias do cotidiano

Existem as tragédias que chocam por quebrarem a rotina e existem as tragédias que estão inseridas na rotina. Esse é o caso da insegurança no Ceará. O desastre no Ceará não causa clamor nacional porque é diluída no dia a dia. Sem barreiras, a violência cresceu de modo que não pode mais ser disfarçada ou negada. Seja qual for a fonte escolhida, boletins da Secretaria de Segurança do Ceará, o Mapa da Violência do Instituto Sangari ou o relatório da ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal (que aponta Fortaleza como a 7ª cidade mais violenta do mundo), a realidade incontornável é que os homicídios cresceram e avançam assustadoramente no Ceará.

Urgência

Já não se trata mais de discutir as causas desse fenômeno ou de procurar culpados. Isso é importante, mas a situação se degradou de tal forma, que a questão agora é saber como debelar essa onda no curto prazo, estancar a sangria. É preciso ser objetivo. Dizer que a gestão Cid Gomes fracassou nessa área, a ponto de ofuscar eventuais méritos em outros setores, não é fazer juízo de valor, é apenas a constatação empírica de uma situação. Nem o governo nega o problema, sob o risco de parecer esquizofrênico. Mais do que isso, na atual administração, seja pelo motivo que for, a coisa desandou de vez.

Do jeito que está, cada dia a mais corresponde a dezenas de vidas perdidas para o crime. Mas, o que fazer? Ainda que Cid renunciasse por conveniências eleitorais, o que prevaleceria é a sua, digamos assim, concepção particular de política pública para a segurança, com investimentos que não geram resultados.

Alternativas

Uma possibilidade é a fazer como no Maranhão: pressão. Muita pressão. Lá, pelo menos, as mortes reduziram de ritmo. Olha a que ponto chegamos. Assim, por que não uma intervenção federal no Ceará? Exagero? Não, senhores, exagero são os índices da criminalidade na Terra do Sol, já chamada por internautas de Terra do Sangue. O Art. 34 do Capítulo VI da Constituição Federal diz:

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
III – pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
VII – assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
b) direitos da pessoa humana.

A ordem pública não está comprometida? Ir ao banco é operação de risco elevadíssimo. Andar de ônibus também. Viver na periferia é quase uma condenação à morte. E viver em paz, ou com uma sensação mínima de paz, não é direito da pessoa humana?

Especialista

Não sou especialista em segurança. Se eles existem no Ceará, estão calados. Ninguém cobra o governo. Todos falam genericamente do problema, como se fosse um fenômeno meteorológico e não obra dos homens. Arrisco falar, portanto, na condição de refém da violência. Minha família (mulher e duas crianças) já foi atacada por bandidos no bairro Cidade dos Funcionários, na capital. Fugi recentemente de um arrastão na Igreja das Dunas ao sair de uma missa (crianças deitadas no piso do carro). Vou para o trabalho pelo caminho mais longo, pois o outro é ponto de bandidos. Tenho, como todo morador do Ceará, uma penca de amigos e colegas que foram assaltados. Portanto, sou especialista em andar assustado, vendo perigo em cada esquina, em cada evento, todos os dias.

Que chamem o Exército e a Força de Segurança Nacional, que alguém possa intermediar um acordo entre policiais e o comando da segurança, que mobilizem instituições de fora para cobrar soluções (os fiscalizadores locais parecem indispostos com a possibilidade de melindrar o Executivo estadual), que façam seja lá o que for. O que não dá mais é fingir que não estamos em guerra civil aberta, abandonados, enquanto nossas autoridades se ocupam de conchavos políticos pensando nas próximas eleições.

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Homicídios no Carnaval do Ceará: desastre anunciado

Por Wanfil em Segurança

05 de Março de 2014

Qualquer festa popular no mundo que acabe com dezenas de pessoas assassinadas é imediatamente classificada, com toda razão, de tragédia, consternando sua população e autoridades. A não ser que isso ocorra em ambientes de degradação da ordem e degeneração quase completa da autoridade constituída, onde o impacto do desastre se dilui no torpor anestesiado de uma sociedade já sem forças para reagir.

No Ceará, a discussão do momento é saber se o número de homicídios no Estado durante o Carnaval foi maior do que o registrado no ano anterior, ou se constitui ou não, uma curva ascendente que destoa dos outros finais de semana. Fala-se em 70 homicídios no período, o governo, reservadamente, nega. O balanço final deve ser divulgado pela Secretaria de Segurança nesta quinta.

Qualquer que sejam esses números, a simples expectativa de que tudo piorou, sentimento que nasce da percepção sensível e da famosa sensação de insegurança, já basta para mostrar que a coisa desandou de vez. Some-se a isso o avanço absurdo dos números da violência no Ceará, para que o quadro pós-carnaval se configure em morticínio anunciado, de certa forma, pela própria dinâmica do crime.

Publico abaixo uma foto que tirei na terça-feira de Carnaval, em Fortaleza, de um outdoor na Avenida Desembargador Gonzaga, no bairro Cidade dos Funcionários, que considero significativa dos dias atuais:

 

Outdoor Sindipol CE - Foto - Wanfil

Outdoor do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará. Foto: Wanderley Filho

 

Trata-se de uma campanha movida pelo Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará, com um retumbante alerta aos cidadãos: CUIDADO! Para dar credibilidade ao recado, a peça se vale do descrédito do governo estadual na área e manda ver: SEIS PESSOAS SÃO ASSALTADAS A CADA HORA NO CEARÁ.

O que esperar de um Estado onde policiais civis e militares vivem a denunciar a violência?

A resposta nos remete ao início do texto: vivemos o ápice de um processo de degeneração. Agora, resta-nos esperar a mórbida contagem oficial dos cadáveres do Carnaval. Restou-nos a contagem fria dos mortos. E resta-nos ainda rezar para que novos gestores apareçam o quanto antes.

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Homicídios no Carnaval do Ceará: desastre anunciado

Por Wanfil em Segurança

05 de Março de 2014

Qualquer festa popular no mundo que acabe com dezenas de pessoas assassinadas é imediatamente classificada, com toda razão, de tragédia, consternando sua população e autoridades. A não ser que isso ocorra em ambientes de degradação da ordem e degeneração quase completa da autoridade constituída, onde o impacto do desastre se dilui no torpor anestesiado de uma sociedade já sem forças para reagir.

No Ceará, a discussão do momento é saber se o número de homicídios no Estado durante o Carnaval foi maior do que o registrado no ano anterior, ou se constitui ou não, uma curva ascendente que destoa dos outros finais de semana. Fala-se em 70 homicídios no período, o governo, reservadamente, nega. O balanço final deve ser divulgado pela Secretaria de Segurança nesta quinta.

Qualquer que sejam esses números, a simples expectativa de que tudo piorou, sentimento que nasce da percepção sensível e da famosa sensação de insegurança, já basta para mostrar que a coisa desandou de vez. Some-se a isso o avanço absurdo dos números da violência no Ceará, para que o quadro pós-carnaval se configure em morticínio anunciado, de certa forma, pela própria dinâmica do crime.

Publico abaixo uma foto que tirei na terça-feira de Carnaval, em Fortaleza, de um outdoor na Avenida Desembargador Gonzaga, no bairro Cidade dos Funcionários, que considero significativa dos dias atuais:

 

Outdoor Sindipol CE - Foto - Wanfil

Outdoor do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará. Foto: Wanderley Filho

 

Trata-se de uma campanha movida pelo Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará, com um retumbante alerta aos cidadãos: CUIDADO! Para dar credibilidade ao recado, a peça se vale do descrédito do governo estadual na área e manda ver: SEIS PESSOAS SÃO ASSALTADAS A CADA HORA NO CEARÁ.

O que esperar de um Estado onde policiais civis e militares vivem a denunciar a violência?

A resposta nos remete ao início do texto: vivemos o ápice de um processo de degeneração. Agora, resta-nos esperar a mórbida contagem oficial dos cadáveres do Carnaval. Restou-nos a contagem fria dos mortos. E resta-nos ainda rezar para que novos gestores apareçam o quanto antes.