Segurança Archives - Página 9 de 9 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Segurança

Bandido pé-de-chinelo publica fotos de cela em rede social e humilha a Segurança no Ceará

Por Wanfil em Segurança

27 de novembro de 2012

Fotos de bandidos presos no Ceará postadas no Facebook. Escárnio e descontrole. Imagem: Reprodução / Barra Pesada.

Um assassino sem maior notoriedade no mundo do crime e que atende pela alcunha de “Ninja Nu” – o sujeito gosta de se exibir sem roupas pilotando uma motocicleta -, fez uso de um aparelho celular para tirar fotos dentro da cela em que estava preso e depois publicá-las na rede social Facebook.

Não é possível dizer se as imagens são de dentro de uma delegacia ou se foram feitas já na  Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) III, em Itaitinga, presídio onde ele estava até o começo desta semana. Mesmo assim, de acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Justiça do Ceará, seis aparelhos celulares foram encontrados após uma revista na cela em que estavam o tal “Ninja Nu” e outros criminosos. Ou seja, o acesso a equipamentos é amplo e fácil.

Quem imagina que o acesso a celulares e outras regalias dentro das cadeias no Brasil é coisa de sofisticadas organizações criminosas ou de poderosos chefes de quadrilhas, está enganado. A degradação do sistema de segurança pública é maior e mais profunda. No Ceará, resta comprovado, qualquer bandido consegue fazer uso da tecnologia e escarnecer das autoridades publicamente, acessando até a internet! Podem realizar, se quiserem, reuniões virtuais. É o fim.

Os chefes criminosos, claro, devem ter formas mais eficientes, e portanto, mais perigosas, de contato com o mundo exterior, não para se exibirem ou brincarem, mas para coordenarem suas atividades ilegais desde dentro das unidades prisionais.

No programa Barra Pesada, o apresentador Nonato Albuquerque faz uma pergunta que tanto mais surpreende pela sua realidade desconcertante: Onde os presos recarregam seus celulares? Existem tomadas nas celas? Ou eles levam os aparelhos para tomadas externas? E aí, quem sabe responder?

E o que dizem nossas autoridades? E a OAB?

Na última quarta-feira (21), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, abriu o Congresso de Ministros de Justiça do Mercosul e Estados Associados sobre acesso à Justiça, em solenidade no Centro de Eventos do Ceará. Junto com o ministro, que recentemente, ao saber que José Dirceu iria cumprir pena em regime fechado, declarou preferir morrer a ter que ir para uma penitenciária, estava a secretária da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará, Mariana Lobo.

Discutiam na ocasião experiências para a “democratização do acesso à Justiça”. Bonito e certamente importante. No entanto, me parece mais urgente debater formas de ao menos impedir que presos continuem a cometer crimes de dentro de delegacias e presídios. Anunciar apreensões em revistas é tentar tapar o sol com a peneira, pois não resolve o problema. Começo a desconfiar que essas apreensões são os presos fazendo descarte de aparelhos ultrapassados…

O senhor ministro e a senhora secretária não são páreos para o “Ninja Nu”.  O Estado não consegue dar conta de problemas já bastante conhecidos. Por quê?

A OAB tem se notabilizado ultimamente por suas disputas eleitorais. Agora que passaram, o que a entidade teria a dizer sobre o caso? Nada? E a secretária? Em São Paulo, estado com os menores percentuais de assassinatos do país, chefes do crime organizado presos mandam matar policiais nas ruas. Fizeram das penitenciárias seus bunkers. Lá estão seguros para operar seus esquemas. No Ceará, pelo visto, trilhamos o mesmo caminho.

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Segurança no Ceará: cada um por si e Deus por todos

Por Wanfil em Segurança

09 de julho de 2012

O grupo de rock Engenheiros do Hawaii tem uma música chamada Fusão a Frio, cuja letra diz o seguinte:

“Ninguém sabe como serão os filhos desse casamento /indústria da informação + indústria do entretenimento / em doses homeopáticas, em escala industrial /tudo acaba em samba, é sempre carnaval / tudo acaba em sombras, é sempre vendaval.”

Lembrei-me dela ao ver essa notícia, divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IpeaSeis em cada 10 pessoas têm medo de assassinato. A informação está no estudo Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre segurança pública.

Muro com cerca elétrica e arame farpado: Penitenciária? Instalação militar? Campo de concentração? Não. É uma residência. A violência incorporada no estilo de vida das pessoas comuns não causa indignação, só medo. Enquanto isso, as autoridades disfarçam.

No Nordeste, o medo de ser assassinado aumenta para 72,9%. Na região Sul, esse índice é de 39,1%.

E o que a música tem a ver com esses dados? Simples. A insegurança é o maior problema do Nordeste e o Ceará não destoa dessa realidade. Pelo contrário. Vivemos sombras e vendavais, mas por aqui tudo acaba em samba e sempre é carnaval. Estádios de futebol ou Centro de Eventos que comporta shows grandiosos, são boas iniciativas, claro, mas apresentadas como ações fundamentais. Porém, o fato é que moramos em casas rodeadas por cercas elétricas, como se fossem campos de concentração, e não somos mais capazes de perceber que isso não é normal. Não nos damos conta de que viver e conviver em paz é que é o essencial.

Os números comprovam: insegurança só aumenta

No Ceará, na área de segurança pública temos alarmes sonoros em postes, patinetes na Beira-Mar e viaturas policiais de luxo, tudo apresentado com enorme aparato publicitário. No entanto, de acordo com o mais recente Mapa da Violência,divulgado pelo Instituto Sangari, a taxa de 29, 7 homicídios por grupo de 100 mil habitantes registrada no Ceará em 2010 ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Os assassinatos mais que triplicaram! Adaptando a letra da canção, é a política de entretenimento sucumbindo diante da informação real.

As autoridades afirmam que o problema é a migração de quadrilhas do Sul/Sudeste para o Norte/Nordeste. Isso acontece, mas não podemos confundir causa e efeito. A segurança não cai com a migração de criminosos, os criminosos é que migram pela precariedade da segurança pública nesses estados. Sem contar que temos os nossos próprios criminosos presos e soltos diariamente.

Boas intenções não bastam

Não é o caso de lançar dúvidas a respeito das intenções de quem trabalha para mitigar essa situação, mas intenções não bastam. Enquanto os governos não reconhecerem a gravidade da situação, o problema persistirá.

Em 2009, a Prefeitura de Fortaleza realizou a I Conferência Municipal de Segurança Pública (Conseg), para  “criar uma cultura de paz baseada na segurança cidadã”. O encontro, que aconteceu em um hotel cinco estrelas repleto de seguranças… particulares!, é claro, seria  é “uma grande oportunidade para criar a ambiência necessária, a fim de consolidar um novo paradigma, visando efetivar a segurança pública como direito fundamental”. Papo furado. Na falta do que mostrar, autoridades procuram disfarçar, abusam de frases de efeito repletas de termos empolados e pomposos. E só!

No fundo, essa conversa de “cultura da paz” é uma forma esperta de não resolver o problema da violência. É gente que pretende sensibilizar criminosos organizando passeatas. O que está valendo – em termos de segurança – é o cada um por si e Deus por todos. Leia mais

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Torcedor baderneiro precisa é de punição pesada

Por Wanfil em Segurança

14 de Maio de 2012

Torcedores usam pedras e rojões em briga registrada próximo ao terminal da Parangaba. Imagem: TV Jangadeiro

É sempre assim. Arruaceiros protagonizam espetáculos de baderna e violência nas ruas, assustando e até afastando pessoas de bem dos grandes jogos de futebol. O pior é que tudo se repete clássico após clássico, como bem reportagem do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro. Não adianta autoridades anunciarem mais policiamento. Não adianta jogadores, jornalistas e celebridades pedirem paz nos estádios. Os marginais não se sensibilizam com nada disso.

O esporte tem enorme capacidade de promover integração social, não obstante o surgimento de algumas rivalidades. Tudo saudável. No entanto, o fanatismo de alguns pode gerar um subproduto: os bandos de arruaceiros, geralmente abrigado dentro de torcidas organizadas. Como evitar que esses poucos atrapalhem a maioria?

Juventude mimada

Invariavelmente os grupos de baderneiros é composto por maioria de jovens. Não é por acaso. Temos uma juventude mimada no Brasil, que cresceu acreditando ter direitos e mais direitos, sem arcar com nenhuma obrigação. Se reprovam na escola, a culpa é dos professores; se não conseguem socializa-se, a culpa é dos pais; se roubam, a culpa é da publicidade que lhes alimenta o desejo de consumir; se não conseguem emprego, a culpa é do capitalismo; se brigam nos estádios, a culpa é falta de políticas públicas de lazer para a juventude. A responsabilidades pelos atos do jovem só nunca é imputada ao próprio indivíduo e seu livre arbítrio.

O marmanjo de 17 anos que apedreja um coletivo se sente algo entre uma vítima que reaje ao mundo que lhe parece opressor, e um herói destemido que luta em nome de uma causa sem nome e inimigos imaginários.

Impunidade

No fundo, sabem que não terão que arcar com o que fazem. Sabem que na hora de prestar contas sobre os seus atos serão tratados como coitados incapazes de compreender o que fizeram. Contam com a complacência do progressismo bacana que tudo entende. Pedir cadeia para esses jovens é ser reacionário. Quem disser que punição severa para baderneiros, com proibição de frequentar estádios e multas pesadas, é ação didática que serve de exemplo para que outros vândalos não façam o mesmo, será acusado de incitar, vejam só, a violência. E ai do policial que prender um membro dessas torcidas. Será suspenso por truculência.

A melhor forma de evitar novas cenas de violência patrocinadas por esses jovens mimados é cobrar das autoridades tolerância zero com esses sujeitos. Quantos foram presos? Onde estão agora? Poderão voltar ao estádio no próximo jogo? A resposta é a seguinte: todos estão soltos e assistem jogos quando quiserem – e como quiserem. Enquanto for assim, não adianta pedir bons modos aos violentos.

Confira o vídeo

 

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O perigo de andar de ônibus ou ir ao banco em Fortaleza: muito mais que uma sensação de insegurança

Por Wanfil em Fortaleza, Segurança

19 de Abril de 2012

Apesar dos investimentos crescentes em segurança, os números da violência aumentam ano após ano. É hora do governo debater com a sociedade.

As notícias que sobre nove saidinhas bancárias em dois dias e mais de 100 assaltos a ônibus nos primeiros 3 meses do ano em Fortaleza, publicadas pelo Jangadeiro Online, mostram que a realidade já ultrapassou muito aquilo o que alguns especialistas chamam de “sensação de insegurança”. Vivemos na pele mesmo é uma onda crescente de insegurança real. Atividades comuns como pegar um coletivo ou ir a uma agência bancária, agora causam justificado medo nas pessoas. Medo que se transforma em paranoia, na medida em que nos obriga a manter um estado de alerta constante, tal como nas cidades que correm risco de atentados terroristas.

Violência crescente
Os números, sempre os números, mostram que essa percepção tem razão de ser. De acordo com o mais recente Mapa da Violência, divulgado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, mostra que em 2010 a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no Ceará 2010, ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Uma alta de 16,7 no índice. Uma calamidade.

Desculpas sobram aos montes, mas resultados impactantes no combate à criminalidade simplesmente inexistem. E como se o problema não fosse grave o bastante, o mais urgente e angustiante que vivemos, a maior preocupação do governo e de seus opositores é a construção de um aquário. Parecem não saber que para se ter aquário, emprego, turismo, educação e saúde, a premissa básica é no mínimo estar vivo.  Leia mais

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O perigo de andar de ônibus ou ir ao banco em Fortaleza: muito mais que uma sensação de insegurança

Por Wanfil em Fortaleza, Segurança

19 de Abril de 2012

Apesar dos investimentos crescentes em segurança, os números da violência aumentam ano após ano. É hora do governo debater com a sociedade.

As notícias que sobre nove saidinhas bancárias em dois dias e mais de 100 assaltos a ônibus nos primeiros 3 meses do ano em Fortaleza, publicadas pelo Jangadeiro Online, mostram que a realidade já ultrapassou muito aquilo o que alguns especialistas chamam de “sensação de insegurança”. Vivemos na pele mesmo é uma onda crescente de insegurança real. Atividades comuns como pegar um coletivo ou ir a uma agência bancária, agora causam justificado medo nas pessoas. Medo que se transforma em paranoia, na medida em que nos obriga a manter um estado de alerta constante, tal como nas cidades que correm risco de atentados terroristas.

Violência crescente
Os números, sempre os números, mostram que essa percepção tem razão de ser. De acordo com o mais recente Mapa da Violência, divulgado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, mostra que em 2010 a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no Ceará 2010, ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Uma alta de 16,7 no índice. Uma calamidade.

Desculpas sobram aos montes, mas resultados impactantes no combate à criminalidade simplesmente inexistem. E como se o problema não fosse grave o bastante, o mais urgente e angustiante que vivemos, a maior preocupação do governo e de seus opositores é a construção de um aquário. Parecem não saber que para se ter aquário, emprego, turismo, educação e saúde, a premissa básica é no mínimo estar vivo.  (mais…)