autoritarismo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

autoritarismo

Moralismo pedetista

Por Wanfil em Partidos

18 de julho de 2019

A direção nacional do PDT suspendeu os oito parlamentares da sigla que votaram a favor a reforma da Previdência. Questão de princípios, afirmam suas lideranças. E de fidelidade.

O PDT é o maior partido do Ceará, desde a chegada de Ciro Gomes e seu grupo, após sucessivas mudanças. Nômades políticos, parecem ter finalmente encontrado uma casa estável. No entanto, o histórico do grupo mostra que seu comando, sempre que precisou escolher entre ser fiel a si mesmo ou às ordens do partido de ocasião, preferiu a primeira opção.

Algumas separações foram rumorosas, como nos casos em que saíram pressionados do PPS de Roberto Freire ou do PSB de Eduardo Campos (que os acusava de promover dissidências); outras mais discretas, como nos casos do PROS. Sempre os culpados, de acordo com os relatos do grupo, foram as cúpulas desses partidos. Agora que são cúpula, a lógica se inverteu.

O PDT não erra em procurar a difícil unidade de ação no Congresso, erra no modo ríspido com que exige obediência cega, em matéria tão complexa.

PS. O jornal O Globo publicou a seguinte matéria nesta semana: “PDT e PSB punem infiéis, mas poupam filiados que são réus na Justiça“. Pois é. O partido alega que ninguém foi condenado ainda, repetindo a postura de outros partidos que critica, como PT, MDB e PSDB. Mas vejam como são as coisas, quem diz que é diferente é o PDT. Carlos Lupi, nada menos que o presidente nacional do partido, além de ser réu por improbidade administrativa, pediu demissão do Ministério do Trabalho, ainda na gestão de Dilma Rousseff, após a Comissão de Ética Pública recomendar às presidente que o demitisse, por uma série de suspeições. É um currículo e tanto para cobrar postura dos outros.

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Sucupira é aqui; sucupirenses somos nós

Por Wanfil em Política

16 de dezembro de 2016

O governo do Ceará, sob o comando do petista Camilo Santana, eleito sob o comando dos pedetistas Cid e Ciro Gomes, enviou pacote de medidas que cria um teto para o aumento de gastos públicos, embora Camilo, Cid e Ciro sejam contrários ao pacote de medidas do governo federal que criou um teto para o aumento de gastos públicos. Que importa a contradição? Estamos no Ceará.

O governo estadual, sob o comando do petista Camilo Santana, eleito sob o comando dos pedetistas Cid e Ciro Gomes, quer a extinguir, às pressas, o Tribunal de Contas dos Municípios, porque não conseguiu “nomear” seu presidente, tal como fez na Assembleia Legislativa. Esta por sua vez, na tradicional posição de genuflexão que a caracteriza, conferiu urgência à tramitação da proposta. Autoritarismo e servilismo violando instituições? Não importa. Estamos no Ceará.

Dias Gomes imaginou Sucupira, cidade fictícia na Bahia, como caricatura de um Brasil provinciano, corrupto, atrasado e autoritário. O Ceará do Século XXI é caricatura de Sucupira, comprovando a máxima de que a vida imita a arte. Na verdade, a supera. Na peça, o prefeito Odorico Paraguassú, político dado a megalomania, era bajulado por Dirceu Borboleta, seu secretário particular; no Ceará, os Dirceus Borboletas se multiplicam às centenas, acompanhando os ventos do poder, prosperando enquanto Sucupira continua parada no tempo.

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Presidente do PT diz que imprensa brasileira age como na época do nazismo – Eles não desistem!

Por Wanfil em Imprensa

31 de Janeiro de 2013

Em reunião com a bancada federal do Partido dos Trabalhadores, o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, classificou a atuação de setores do Ministério Público e da imprensa de “interdição” política no Brasil. Disse ainda que ambas agem como “oposição extrapartidária”, com a intenção de preparar um golpe de algum projeto semelhante ao nazismo e ao fascismo.

Trata-se de uma opinião isolada? Não. Nem de um rompante ingênuo, mas de uma ideia fixa, parte de uma doutrina ideológica que não consegue conviver com a liberdade de imprensa. E não é de hoje que petistas graduados falam assim. Falcão assume, provisoriamente, o papel da água mole das insinuações autoritárias que, de tanto insistir, pode arrebentar a pedra sólida da imprensa livre.

Novidade

A novidade da fala é a inclusão do Ministério Público na lista pública de empecilhos ao projeto do partido. Em entrevista à Folha de São Paulo, em 2009, Lula dizia: O papel da imprensa não é fiscalizar o poder, mas é informar. Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União (TCU), a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas”. Como Lula agora anda calado, coube ao presidente do PT incluir o MP no grupo. Leia mais

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Lei Anti-baixaria em Fortaleza não cuida das verdadeiras baixarias

Por Wanfil em Legislação

16 de Maio de 2012

A mão "amiga" e segura que indica o caminho correto e a "verdade" do mundo. É o estado paternalista, autoritário, velha mania brasileira, preocupado em controlar comportamentos, enquanto outras questões, como prestação de contas, ficam de lado.

Tramita na Câmara Municipal de Fortaleza um projeto de lei de autoria do vereador Ronivaldo Maia (PT) para proibir o uso de recursos públicos para “contratar ou apoiar artistas que possuem composições ou danças que desrespeitem ou constranjam mulheres, homossexuais ou negros”. É a chamada Lei Anti-baixaria, que será debatida em audiência pública nesta sexta-feira (18).

A ideia não é original. Recentemente um projeto igual foi aprovado na Bahia, sinal de que a iniciativa é se trata de uma excentricidade, mas projeção de uma concepção de sociedade.

Sim, existem músicas de baixa qualidade e de gosto duvidoso. Pessoalmente vejo a maioria das músicas da atualidade, com suas respectivas coreografias (dancinhas ridículas para adultos), como lixo. Toda massificação tende à igualdade, ao nivelamento por baixo. Segundo Tocqueville, igualdade demais sempre acaba em mediocridade. Mas isso é uma forma de ver a questão cultural. Longe de mim propor uma lei para fazer da minha régua a medida dos outros.

Quem diz o que é bom ou ruim para você?

Vamos em frente. Aceitando o projeto de Ronivaldo como ação inspirada nos mais belos propósitos educacionais e artísticos, resta definir um ponto crucial: Quem determina quando e quais limites morais, estéticos e éticos são desrespeitados por uma música? A resposta é óbvia: o estado. E a premissa escondida sob o discurso politicamente correto é inegável: Uma vez que as pessoas não possuem capacidade intelectual e de discernimento para separar o que é bom do que é ruim, a burocracia deverá tomar o lugar das consciências para determinar o que deve ser ouvido ou não. É o papai governo levando o cidadão criança pela mão.

Se Moroni Torgan propusesse isso seria taxado de preconceituoso, elitista, fanático religioso e direitista. Sabem como é, gente do DEM não aceita que o povo se manifeste com o linguajar das ruas. Como é um esquerdista o autor do mimo, a coisa muda de figura e tudo passa a ser muito democrático e sublime.

Natureza autoritária

Entretanto, isso não muda a essência autoritária do projeto, que se manifesta já pelo corte de gênero e raça. Por que não proibir a contratação de artistas que ofendam a religião, a família, a pátria, os gordos, os pobres, os ricos, os bastardos, os cornos ou os brancos? Esses não merecem cuidados? Leia mais

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Lei Anti-baixaria em Fortaleza não cuida das verdadeiras baixarias

Por Wanfil em Legislação

16 de Maio de 2012

A mão "amiga" e segura que indica o caminho correto e a "verdade" do mundo. É o estado paternalista, autoritário, velha mania brasileira, preocupado em controlar comportamentos, enquanto outras questões, como prestação de contas, ficam de lado.

Tramita na Câmara Municipal de Fortaleza um projeto de lei de autoria do vereador Ronivaldo Maia (PT) para proibir o uso de recursos públicos para “contratar ou apoiar artistas que possuem composições ou danças que desrespeitem ou constranjam mulheres, homossexuais ou negros”. É a chamada Lei Anti-baixaria, que será debatida em audiência pública nesta sexta-feira (18).

A ideia não é original. Recentemente um projeto igual foi aprovado na Bahia, sinal de que a iniciativa é se trata de uma excentricidade, mas projeção de uma concepção de sociedade.

Sim, existem músicas de baixa qualidade e de gosto duvidoso. Pessoalmente vejo a maioria das músicas da atualidade, com suas respectivas coreografias (dancinhas ridículas para adultos), como lixo. Toda massificação tende à igualdade, ao nivelamento por baixo. Segundo Tocqueville, igualdade demais sempre acaba em mediocridade. Mas isso é uma forma de ver a questão cultural. Longe de mim propor uma lei para fazer da minha régua a medida dos outros.

Quem diz o que é bom ou ruim para você?

Vamos em frente. Aceitando o projeto de Ronivaldo como ação inspirada nos mais belos propósitos educacionais e artísticos, resta definir um ponto crucial: Quem determina quando e quais limites morais, estéticos e éticos são desrespeitados por uma música? A resposta é óbvia: o estado. E a premissa escondida sob o discurso politicamente correto é inegável: Uma vez que as pessoas não possuem capacidade intelectual e de discernimento para separar o que é bom do que é ruim, a burocracia deverá tomar o lugar das consciências para determinar o que deve ser ouvido ou não. É o papai governo levando o cidadão criança pela mão.

Se Moroni Torgan propusesse isso seria taxado de preconceituoso, elitista, fanático religioso e direitista. Sabem como é, gente do DEM não aceita que o povo se manifeste com o linguajar das ruas. Como é um esquerdista o autor do mimo, a coisa muda de figura e tudo passa a ser muito democrático e sublime.

Natureza autoritária

Entretanto, isso não muda a essência autoritária do projeto, que se manifesta já pelo corte de gênero e raça. Por que não proibir a contratação de artistas que ofendam a religião, a família, a pátria, os gordos, os pobres, os ricos, os bastardos, os cornos ou os brancos? Esses não merecem cuidados? (mais…)