Camilo Santana Archives - Página 10 de 13 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Camilo Santana

Dilma diz que irá avaliar crise da saúde e Camilo fica satisfeito. Preparem os bolsos!

Por Wanfil em Ceará

20 de Maio de 2015

Dilma Rousseff recebe Camilo Santana estão satisfeito. Você está? / Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Olha como Dilma Rousseff e Camilo Santana estão satisfeitos. E você, também está? / Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Leio no site do Governo do Ceará que o governador Camilo Santana, do PT, saiu satisfeito da reunião que teve nesta quarta-feira (20) com a presidente Dilma Rousseff, também do PT, para discutir a crise da saúde no Ceará.

Qual o motivo dessa satisfação? “Ela compreendeu os números da saúde do Ceará e recomendou que a Casa Civil e o Ministério fizessem uma avaliação”, explicou Camilo. O problema é que isso não tem efeito prático nenhum. Pelo contrário. Façamos algumas considerações.

Essa papo de avaliação é conversa mole. Primeiro, Aloísio Mercadante, ministro da Casa Civil, não apita nada. É um zumbi no Planalto, agora que a articulação política está com o vice-presidente Michel Temer, do PMDB. Segundo, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse na semana passada que o Ceará recebe o suficiente para dar um atendimento de qualidade à população. Terceiro, a presidente Dilma pretende fazer um corte no orçamento entre 70 e 80 bilhões de reais. Portanto, se depender desse trio, mais verbas, nem sonhando!

Como diante disso Camilo se mostrou satisfeito, é provável que todos tenham achado muito sensata a ideia do cearense de estudar uma nova fonte de financiamento para a saúde, inspirada na extinta CPMF. É assim: Dilma gasta mal o dinheiro dos pagadores de impostos, desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal, cria um déficit recorde e depois lança um pacote de cortes que atinge a saúde pública em todo o país. Tudo com o apoio do governo local, que nos últimos oito anos gastou mal o dinheiro que tinha para a área e fez da Secretaria da Saúde moeda de troca para contemplar o apoio político do PC do B. Depois, com a crise estourando nos hospitais, criam mais um imposto para espetar no bolso dos brasileiros.

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Saia justa: Camilo Santana e Eduardo Cunha, frente a frente

Por Wanfil em Política

15 de Abril de 2015

Em reunião com governadores do Nordeste, Cunha (na cabeceira) recebe Camilo Santana (o segundo, da esquerda para a direita). (Foto: divulgação no Twitter do deputado José Guimarães - PT).

Brasília: Eduardo Cunha (na cabeceira), algoz de Cid Gomes, recebe Camilo Santana (o segundo da esquerda para a direita), aliado do ex-ministro. (Foto: Twitter/José Guimarães)

É… A vida tem dessas coisas. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), participou, nesta quarta-feira, em Brasília, de reunião entre governadores do Nordeste e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do PMDB. Aquele mesmo, acusado de ser achacador pelo então ministro da Educação Cid Gomes, numa sessão em que Camilo esteve presente, para prestar solidariedade ao ex-governador cearense.

O final da história, todos conhecem: no mesmo instante Eduardo Cunha exigiu a demissão de Cid no ministério e foi prontamente atendido.

É claro que um governador e o presidente da Câmara não precisam ser amigos ou aliados, mas é certo também que, eventualmente, circunstâncias de natureza institucional exijam uma aproximação para cuidar de temas de interesse público. Foi o caso dessa reunião com os governadores, que entre outros assuntos, tratou da polêmica sobre a possível troca do indexador das dívidas dos estados e municípios. Por isso, em razão desse mesmo motivo, é que gestores estaduais devem buscar preservar, como diria José Sarney, a liturgia do cargo, evitando atritos desnecessários.

Como Camilo se fez presente no plenário da Câmara em desagravo a Cid na sessão que custou o cargo do ex-ministro, ficou agora um certo constrangimento no ar, amenizado pelo fato de se tratar de uma pauta coletiva.

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Dilma e governadores do NE: ela finge que governa, eles fingem que acreditam

Por Wanfil em Política

26 de Março de 2015

Dilma e governadores do Nordeste em momento de crise política e econômica: vão rindo, senhores e senhora. (Efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho - divulgação)

Dilma e governadores do Nordeste reunidos em tempos de crise: vão rindo, vão rindo… (Imagem: efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho/PR – divulgação)

A presidente Dilma Rousseff esteve reunida na tarde da quarta-feira (25) com os governadores do Nordeste, em Brasília, para tirar fotos e refazer promessas. Os gestores estaduais pediram mais investimentos e menos cortes de verbas, desejos que, no entanto, contrariam o ajuste fiscal aplicado por Dilma no segundo mandato, para corrigir o desajuste fiscal criado por Dilma no primeiro mandato.

O fato incontornável, para quem acompanha as notícias do mundo real, é que a grana acabou e o Nordeste, que tem dependência histórica dos repasses federais, sofre as consequências sem ter a quem recorrer.

Factoide
No encontro, Dilma – aquela que tapeou cearenses e maranhenses usando a Petrobras, e que jura não ter visto a roubalheira na refinaria dos pernambucanos – garantiu que o Nordeste é prioridade; os governadores, sem muitas opções, fingiram acreditar. Sabe, é a mesma conversa mole dos últimos 12 anos. Chega a ser cansativo dizer isso. Inauguração de uma grande obra, que é bom, nem pensar.

Credibilidade perdida
Com efeito, a reunião teve muito mais de política do que de gestão. É constrangedor ver tantas autoridades juntas para um factoide. Como os governadores não podem denunciar a situação, pois foram parceiros das lorotas governistas, silenciam. Além do mais, a essa altura, melhor ter repasses reduzidos ou atrasados, do que cortados, devem concluir os governantes. Tem lá a sua lógica, mas não deixa de ser constrangedor. Vale destacar que esse silêncio tem prazo de validade. Se as coisas piorarem, eles terão que se posicionar.

No fundo, o evento foi mais uma tentativa de criar uma agenda positiva para tentar estancar a perda de popularidade da presidente, mas acontece que esses truques velhos não servem mais para cobrir a realidade. A credibilidade, uma vez perdida, é difícil de reconquistar.

Sem mudanças
Os estrategistas do Palácio do Planalto estão desesperados, só pode. O que esse encontro vai melhorar na vida das pessoas nos próximos meses? Nada. E na imagem do governo? Nada, também. A crise seguirá açoitando o bolso dos brasileiros (em especial dos nordestinos, que são mais pobres), os governadores continuarão de pires na mão, a opinião pública permanecerá atenta aos escândalos de corrupção e Dilma, que no Nordeste, tradicional reduto eleitoral de presidentes, tem a gestão reprovada por 55% da população, não vai recuperar a popularidade fazendo de conta que governa.

PS. E aí governador Camilo Santana, aproveitou a oportunidade para dizer umas verdades aos que achacaram os cearenses com a promessa da refinaria?

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Anderson Silva e o doping eleitoral no Ceará

Por Wanfil em Ceará

05 de Fevereiro de 2015

Flagrada no exame de antidoping eleitoral, a promessa de refinaria para o Ceará derreteu e todos agora fingem estar surpresos.

Flagrada no exame de antidoping eleitoral, a promessa da Refinaria Premium II derreteu. Todos agora fingem estar surpresos com a fraude.

Anderson Silva foi pego no antidoping. Os organizadores da sua luta mais recente já sabiam pelo menos desde o início de janeiro que Silva não passaria no exame e mesmo assim mantiveram o evento. Poderiam ter evitado a farsa, mas isso significaria abrir mão de contratos de transmissão e da venda de ingressos. Agora todos fingem estar surpresos.

O Ceará não terá uma refinaria da Petrobras. Os governistas já sabiam pelo menos desde o início do ano passado (com a operação Lava Jato) que a Petrobras não tinha mais condições econômicas e morais para o empreendimento e mesmo assim mantiveram o discurso eleitoral. Poderiam ter evitado a farsa, mas isso significaria por em risco a eleição. Agora todos fingem estar surpresos.

Atenuantes e agravantes
Em defesa de Anderson Silva diga-se que não há, até onde sei, precedentes. Já no caso da refinaria, essa foi a quarta eleição em que ela foi usada como propaganda, sem que nunca um tijolo tivesse sido assentado. O torcedor de Silva pode ficar decepcionado com o ídolo, já os eleitores governistas no Ceará só podem ficar decepcionados consigo mesmos.

Anabolizante eleitoral
Como é um astro do “esporte”, muitos trabalham para fazer de Anderson Silva uma vítima do acaso: especialistas, médicos e analistas esportivos são chamados para atestar que coisas assim podem acontecer “sem querer”, que “os testes não são confiáveis” e por aí vai.

No caso da refinaria, está em curso uma operação para inocentar os políticos envolvidos no estelionato eleitoral. Seus cúmplices saem anunciando que a Petrobras age por conta própria, sem prestar contas a ninguém, insinuando que Lula e Dilma, assim como Cid e Camilo, foram enganados, coitados. De restos que a única culpada seria a empresa, essa sim é vítima de políticos!  A Petrobras teria, por esse entendimento, tirado proveito da ingenuidade de dois presidentes da  República e de dois governadores do Ceará.

O fato é que Silva não pode lutar sob efeito de anabolizantes. E como profissional, deveria que observar com rigor sua dieta, caso o contato com a substância não tenha decorrido de dolo. A Petrobras não veio ao Ceará pedir votos, prometendo em troca uma refinaria. Quem fez isso foram Lula, Dilma, Cid, Camilo e seus aliados, que usaram a promessa como anabolizante eleitoral e que agora deveriam pedir desculpas públicas à população.

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Quem diria: agora o Capitão Wagner é gente boa

Por Wanfil em Segurança

09 de Janeiro de 2015

As voltas que o mundo dá… Há menos de um mês o Capitão Wagner, liderança entre policiais do Ceará, era apontado pelo agora ex-governador Cid Gomes e seu irmão Ciro Gomes como causa principal dos problemas de segurança no Ceará nos últimos anos, sendo acusado de liderar uma suposta milícia e de agir com interesses meramente eleitorais. Pois agora o governador Camilo Santana (PT) fez o que parecia inimaginável: recebeu Wagner no Palácio da Abolição, na condição de deputado estadual eleito pelo PR e interlocutor legítimo para assuntos de segurança.

A conversa foi mais uma entre os vários encontros individuais que o governador tem feito com deputados estaduais, mas, de todas, a audiência com Wagner, policial militar que liderou uma paralisação da categoria entre o final de 2011 e início de 2012, era a que gerava mais expectativas.

É simplesmente o mais inteligente a ser feito. Se de um lado realmente é preocupante a existência de movimentos que ameacem o sentido de hierarquia nas corporações militares, de outro é inegável que a relação da gestão Cid com os policiais se desgastou até se transformar numa crise de autoridade que degenerou para uma crise institucional, que por fim agravou ainda mais a insegurança no estado, já cambaleante, com índices obscenos de criminalidade, políticas públicas equivocadas e investimentos caros sem retorno. Assim, ao tentar personalizar esse processo na figura de uma única pessoa para fazê-la de bode expiatório da violência, a gestão Cid acabou catapultando a liderança do Capitão – em que pese eventuais críticas ao seu discurso -, para além dos limites da militância corporativa. A reação intempestiva e inábil das autoridades fez com que parte considerável do eleitorado passasse a ver nele o contraponto de protesto contra a situação precária da segurança e o elegesse com votações recordes para vereador e deputado estadual.

Por tudo isso, a nova gestão, ao contrário da anterior, não pretende, ao que tudo indica, enveredar pelo caminho da confrontação. Seria burrice. Os militares também acenam com uma postura mais amistosa. Para não ficar apenas nas palavras, no mesmo dia do encontro o governo anunciou a troca no comando da PM. O novo secretário de Segurança, Delci Teixeira, já trocou elogios públicos com o Wagner. Ficou decidido ainda que o deputado será recebido pelo chefe de gabinete Hélcio Batista e pela vice-governadora Isolda Cela, para tratar sobre reivindicações dos policiais e questões de segurança pública. Como dizem os mais jovens: bufo!

Ao ver essa mudança, fico aqui pensando nos comissionados e terceirizados pendurados nas repartições públicas (herança que lamentavelmente não entrou, por questões políticas, no corte dos gastos de custeio da nova administração), bem como em alguns secretários, assessores e deputados que saíram pelas redes sociais esculhambando o Capitão Wagner na campanha eleitoral. E agora? Poderiam ficar indignados e pedir para saírem, ou romperem com o governo acusando traição, mas algo me diz que ficarão caladinhos. São lindos, eles.

Se esse movimento de diálogo e aproximação vai render dividendos, eu não sei. Espero, pelo bem geral, que sim. Agora é possível dizer apenas que os primeiros passos rumo a uma solução estão sendo dados. Governo e policiais parecem ter consciência de que a intransigência é o pior caminho para quem deseja realmente negociar. Enquanto isso, resta esperar e torcer para que tudo se desenrole de maneira positiva e que enfim os responsáveis pela segurança pública – autoridades, oficiais e tropa -, possam finalmente focar sua atenções no combate ao crime e na redução dos índices de violência. Isso é o que realmente interessa.

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Sobre a entrevista com Camilo na Band News: só falta combinar com os russos

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

06 de Janeiro de 2015

Camilo Santana no estúdio da Tribuna Band News.

Camilo Santana no estúdio da Tribuna Band News

Em entrevista na rádio Tribuna Band News nesta terça-feira, o governador Camilo Santana reafirmou a necessidade de cortar gastos de custeio e elencou seca, segurança e saúde como prioridades de sua gestão. Ao falar sobre esses temas, o governador voltou a defender novas fontes de financiamento para a saúde, anunciou uma campanha de uso racional da água e se comprometeu, mais uma vez, a dialogar de forma aberta com policiais militares e a corrigir distorções salariais na corporação.

Leia mais: Camilo Santana vai discutir ações de combate à violência no Ceará com especialistas do Rio.

Participei da entrevista, no programa do Nonato Albuquerque, junto com a jornalista Jocasta Pimentel. A impressão que tive foi de um gestor comprometido com o que diz. Camilo não esconde ou diminui a gravidade dos problemas que hoje afligem os cearenses, não promete milagres e diz sem rodeios que soluções precisam caber no orçamento.

O compromisso com o diálogo e com a responsabilidade fiscal é bom presságio e as primeiras declarações da nova gestão parecem convergir para essa disposição.

Esse é o famoso momento em que o novo gestor pode contar com a paciência de todos, uma vez que tudo ainda é novidade. Assim como nos casamentos, inícios de governo são repletos de esperanças e boas intenções, que serão testadas ao longo do tempo. Estar disposto a dialogar, por exemplo, não é garantia de acordo, embora seja um avanço considerável em relação à gestão anterior. Em muitos momentos – às vezes em momentos cruciais -, impasses paralisam negociações. É nessa hora que as juras são colocadas à prova.

Os russos
A estratégia está montada e a equipe devidamente escalada para o jogo. Existe a consciência de que nada será fácil, mas o grupo está confiante. No país das metáforas futebolísticas, o quadro lembra a vez em que o técnico da Seleção Brasileira na Copa da Suécia (58), Vicente Feola, reuniu o time para mostrar como os jogadores deveriam atuar contra a União Soviética na primeira fase da competição. Resumindo, cada um fazendo conforme o orientado, o gol sairia e a vitória estaria garantida. Ao final da preleção, Mané Garrincha, que era reserva, indagou: “Tudo bem, seu Feola, mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?”.

Moral da história: preleção é preleção, jogo é jogo.

PS. Garrincha jogou e o Brasil venceu os russos e depois ganhou sua primeiro título em 58. Pelé, outro reserva, também virou titular durante o torneio.

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A posse de Camilo: a distância entre discurso e prática

Por Wanfil em Política

02 de Janeiro de 2015

Camilo em discurso de posse: boas intenções esbarram em práticas antigas

Camilo em discurso de posse: boas intenções esbarram em práticas antigas. Foto: montagem sobre divulgação (Governo do Estado).

O discurso de posse do governador Camilo Santana (PT) seguiu o protocolo para ocasiões desse tipo: agradecimentos e palavras de otimismo e motivação.

Como foi candidato da situação, pregou a continuidade do “legado” que recebeu. No entanto, elegeu a redução dos índices de violência como uma de suas principais metas. Assunto complicado. Prudente, Camilo evitou críticas à gestão da Segurança Pública no governo Cid Gomes, que deixou o Ceará na condição de segundo estado mais violento do Brasil. Mas o reconhecimento de que a área exige mais atenção, dentro das circunstâncias, soa quase como uma autocrítica. O novo governador poderia ter falado sobre os investimentos recordes em segurança ou culpar supostas milícias pela situação, mas preferiu ser sucinto ao dizer que coordenará “diretamente as ações para combater a criminalidade”. Perfeito. Não deixa de ser uma confissão indireta de que as coisas realmente fugiram ao controle.

De resto, em linhas gerais, o discurso foi um apanhado de boas intenções: só gente de bem interessada em fazer tudo pelos mais necessitados, sem esquecer nunca de combater a corrupção. É de praxe. Aqui vale uma menção ao momento poético em que, após agradecer familiares, o governador afirmou que agora todos os cearenses são a sua família. Redação inspirada.

Até aí o discurso estava bacana, no campo das vontades e das linhas gerais que devem nortear a administração. Mas a conversa desandou quando Camilo mencionou os critérios para a formação de sua equipe: “todos foram escolhidos por sua competência e potencialidade”. Como? Não é bem assim… É possível reconhecer indicações predominantemente técnicas no novo secretariado, mas é inegável o peso de questões políticas como cotas partidárias (o velho e bom loteamento de cargos), projetos eleitorais para candidatos a deputado ou a prefeituras em 2016, nomeação de representantes da gestão Cid, acomodação de aliados não eleitos, entre outros, como critérios vigentes no processo de escolha.

Simplesmente não é possível explicar com argumentos de competência técnica a escolha de alguns indicados. Inácio Arruda (PCdoB) para a Secretaria da Ciência e Tecnologia, Osmar Baquit (PSD) para a Pesca e Aquicultura, David Duran (PRB) para o Esporte, Zé Linhares (PP) no Conselho de Educação, Míriam Sobreira (Pros) na Secretaria de Políticas sobre Drogas,  Dedé Teixeira (PT) na Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Artur Bruno (PT) para o Meio Ambiente, são exemplos disso. Podem se sair bem, mas não foi na base do currículo profissional e do conhecimento profundo nas respectivas áreas para as quais foram nomeados, que se deu a escolha. Melhor seria dizer que “alguns foram chamados por questões técnicas e outros pela capacidade política de articulação etc., etc.”. Ficaria menos distante da realidade. Por fim, querer disfarçar o óbvio faz parecer que certas indicações constrangem o novo chefe do Executivo estadual.

Fica a lição. Quando tratam de fatos objetivos, concretos, palavras precisam estar conectadas com ações se quiserem ser levadas a sério.

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Camilo viu o tamanho do problema e agora quer volta da CPMF

Por Wanfil em Ceará

04 de dezembro de 2014

O candidato ao governo do Ceará  Camilo Santana (PT), apoiado pelo então governador Cid Gomes (Pros), vez por outra assegurava que só prometeria o que pudesse cumprir. A mensagem era cristalina: as finanças estariam em ordem e o candidato oficial teria a vantagem de conhecer em detalhes a situação das contas públicas estaduais.

Depois, o governador eleito Camilo Santana, já nas primeiras semanas de trabalho na transição para a nova gestão, passou a falar em corte de gastos, a viajar para Brasília em busca de recursos e a defender a volta da CPMF. Enquanto isso, o ainda governador Cid Gomes cuida da própria vida nos Estados Unidos. O recado é claro: o cobertor é pequeno para cobrir os pés e a cabeça ao mesmo tempo.

Do otimismo à aflição
Como explicar a mudança de candidato otimista para futuro gestor aflito? Tudo indica que para Camilo cumprir o que prometeu, será preciso mais dinheiro do que se imaginou. Com a economia paralisada e a projeção de anos ruins pela frente, a estimativa de receita não acompanha a demanda de investimentos e custeio.

Obras e ações da atual gestão, muitas ainda em andamento, necessitarão de novos recursos para funcionarem adequadamente. Ter dinheiro para construir um hospital regional, por exemplo, é uma coisa. São R$ 120 milhões. Outra bem diferente é ter previsão orçamentária de longo prazo para manter esses equipamentos: são R$ 110 milhões POR ANO! Bastaram algumas reuniões para Camilo ter a real dimensão da roubada em que se meteu.

No limite
Para se ter uma ideia, o jornal O Globo mostrou nesta semana que o Ceará está na chamada “zona de risco” da Lei de Responsabilidade Fiscal, quando os gastos com a folha de pagamento atingem 44,1% da receita. O limite é de 49%. Em outras palavras, Camilo, futuro governador em exercício, sabe que existe pouca margem para aumentos e contratações.

Governistas podem alegar que a situação se repete em outros estados. É verdade, embora todos dissessem que por aqui as coisas eram diferentes. Podem afirmar ainda que o compromisso com o rigor fiscal é salutar em qualquer momento. É verdade também e Camilo acerta ao mirar nas despesas e ao procurar mais recursos. O problema é que essa realidade e essa disposição somente foram admitidas depois das eleições. Até lá, tudo era possível: mais hospitais, delegacias, etc., etc. Não é por aí e o buraco é mais embaixo. E como é aliado da gestão Cid e da presidente Dilma, Camilo ainda tem que tentar desatar esse nó sem reclamar da herança que recebe.

No final, como sempre, é melhor o contribuinte preparar os bolsos.

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Camilo diz que governo sabe quando e onde os crimes acontecem. Ótimo! Se é assim, só falta agir!

Por Wanfil em Segurança

21 de novembro de 2014

Atenção para a fala do governador eleito Camilo Santana (PT), em entrevista concedida após reunião com a equipe de transição, na quinta-feira (20), para avaliar a situação da segurança pública.

“Hoje o nível de tecnologia, o nível de organização da polícia hoje no Ceará na segurança evoluiu tanto, que hoje a gente sabe onde é que são as áreas mais críticas, os horários que acontecem o maior número de homicídios ou de crimes.”

Repare que o novo governador enfatiza bem o tempo presente com a repetição do advérbio “hoje”. É um tributo ao ainda governador Cid Gomes (Pros), seu padrinho político. Não há o antes, só o agora dotado de qualidades inéditas. Se é assim, é uma boa notícia, uma vez que sabendo onde e quando os crimes acontecem, basta agora partir para a ação. Fica até difícil explicar por qual razão os índices de criminalidade não caíram vertiginosamente. Por incrível que pareça ao governador eleito, o Ceará hoje é o segundo estado mais violento do Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 2006, o Estado ocupava a 15ª posição.

O problema desse excesso de zelo para não ferir suscetibilidades é deixar de ver a realidade. Isso não implica em falta de reconhecimento a respeito desses investimentos, mas se não houver a aceitação de que o modelo adotado hoje falou, não será possível fazer as devidas correções para o próximo ano, para o amanhã.

A experiência dos últimos oito anos mostra que esse investimento em equipamentos e tecnologia não foi o bastante. Evidentemente Camilo não precisa sair criticando a gestão Cid, que isso seria deselegante, mas é importante ter em vista que o desastre – e a palavra é essa mesmo – na segurança pública do Ceará é político. Na verdade, faltam rumo e liderança. E isso não pode ser comprado.

É preciso deixar claro desde o início que a política da nova gestão é de tolerância zero, que polícia e governo são parceiros, que a máquina está realmente organizada para atuar de forma coordenada. A crise de segurança, repito quantas vezes for necessário, é antes uma crise de autoridade que só pode ser debelada com pulso firme e sem tergiversações.

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O Ceará no limbo: governo Cid acabou, gestão Camilo é mistério

Por Wanfil em Ceará

13 de novembro de 2014

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Na semana em que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmou o Ceará como o segundo estado mais violento do Brasil (16% de aumento no número de homicídios em um ano), o governador Cid Gomes postou uma série de fotos com obras como a reforma do Cine São Luiz, o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, um viaduto e uma escola profissionalizante em Maranguape. Tudo muito bacana e bonito, mas o silêncio sobre a violência contrasta com a gravidade dos índices anunciados. Enquanto isso, a Guarda Municipal de Fortaleza deixou o programa “Crack, é Possível Vencer”, feito em parceria com a Secretaria de Segurança, por falta de condições de trabalho. Na Via Expressa, tradicional ponto da bandidagem em Fortaleza, cidadãos continuam sendo assassinados. No interior, policiais são executados. De certo modo, o governo Cid não tem mais o que fazer mesmo nessa área e segue agora em modo automático. Resta esperar e contar os mortos.

Após oito anos, o clima parece ser de prestação de contas informal, de despedida. Bons números sempre existem, especialmente em relação a infraestrutura, mérito reconhecido nas urnas. Numa época de desconfiança generalizada contra políticos, Cid foi um governador razoavelmente bem avaliado pela população. Segundo o Datafolha, durante a campanha eleitoral, quando os feitos da administração são realçados pela propaganda, o governador conseguiu média 6,6 e sua gestão foi aprovada por 47% dos entrevistados (em 2010 a aprovação era de 65%). Não é brilhante, mas no contexto atual, foi bom.

Restando menos de dois meses para o fim do governo, nada de impactante será discutido ou anunciado, pois o compasso é de espera. Assim, até janeiro, os cearenses vivem um limbo de comando: o atual governante se despedindo, o novo, Camilo Santana, do PT, se preparando para assumir. E aí é que são elas. Mesmo sendo de continuidade, o governo Camilo é uma incógnita até o momento, por diversas razões. Como dividir a estrutura administrativa entre o PT, que certamente anseia por maior participação, e o Pros, sigla de aluguel que abriga o grupo cidista? Camilo realmente terá independência e autonomia para contrariar interesses? Os conflitos internos na base acontecerão e sua liderança será testada. Esse é outro fator que gera expectativa, pois até hoje o governador eleito nunca liderou grupos políticos. Autoridade não se transfere: ou o sujeito a emana naturalmente, ou não. A força da caneta bastará? Para Dilma, não bastou e sua autoridade, em que pese o estilo pessoal da presidente, não se estabeleceu de fato, pois seus comandados sempre esperam pela palavra de Lula. Que secretários serão mantidos? Aliás, será mesmo bom manter secretários de uma gestão anterior? Mais: quais serão devidamente dispensados? Cargos serão distribuídos para compensar aliados não eleitos?

Por fim, a segurança pública poderá ter um novo rumo? O anuário deste ano tem como base nos dados de 2013. No Ceará, ainda que os índices melhorem na próxima edição, eles são de tal forma ruins, que a única certeza é de que este ainda será o maior desafio da próxima gestão. Passadas as eleições, sem a pressão da disputa, Camilo pode avaliar o que realmente deu errado (e que nunca foi admitido pelo governo estadual) e pensar em mudanças nas políticas públicas para a área. Se fechar os olhos para as falhas da gestão que se encerra, corre o risco de repetir o que não deu certo. E para fazer isso, é necessário não temer melindres. “Reconhecer é aprender, meu amor”, diz o roqueiro Nasi. Janeiro está logo ali.

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O Ceará no limbo: governo Cid acabou, gestão Camilo é mistério

Por Wanfil em Ceará

13 de novembro de 2014

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Velhos problemas, poucas certezas e muitas dúvidas.

Na semana em que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirmou o Ceará como o segundo estado mais violento do Brasil (16% de aumento no número de homicídios em um ano), o governador Cid Gomes postou uma série de fotos com obras como a reforma do Cine São Luiz, o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, um viaduto e uma escola profissionalizante em Maranguape. Tudo muito bacana e bonito, mas o silêncio sobre a violência contrasta com a gravidade dos índices anunciados. Enquanto isso, a Guarda Municipal de Fortaleza deixou o programa “Crack, é Possível Vencer”, feito em parceria com a Secretaria de Segurança, por falta de condições de trabalho. Na Via Expressa, tradicional ponto da bandidagem em Fortaleza, cidadãos continuam sendo assassinados. No interior, policiais são executados. De certo modo, o governo Cid não tem mais o que fazer mesmo nessa área e segue agora em modo automático. Resta esperar e contar os mortos.

Após oito anos, o clima parece ser de prestação de contas informal, de despedida. Bons números sempre existem, especialmente em relação a infraestrutura, mérito reconhecido nas urnas. Numa época de desconfiança generalizada contra políticos, Cid foi um governador razoavelmente bem avaliado pela população. Segundo o Datafolha, durante a campanha eleitoral, quando os feitos da administração são realçados pela propaganda, o governador conseguiu média 6,6 e sua gestão foi aprovada por 47% dos entrevistados (em 2010 a aprovação era de 65%). Não é brilhante, mas no contexto atual, foi bom.

Restando menos de dois meses para o fim do governo, nada de impactante será discutido ou anunciado, pois o compasso é de espera. Assim, até janeiro, os cearenses vivem um limbo de comando: o atual governante se despedindo, o novo, Camilo Santana, do PT, se preparando para assumir. E aí é que são elas. Mesmo sendo de continuidade, o governo Camilo é uma incógnita até o momento, por diversas razões. Como dividir a estrutura administrativa entre o PT, que certamente anseia por maior participação, e o Pros, sigla de aluguel que abriga o grupo cidista? Camilo realmente terá independência e autonomia para contrariar interesses? Os conflitos internos na base acontecerão e sua liderança será testada. Esse é outro fator que gera expectativa, pois até hoje o governador eleito nunca liderou grupos políticos. Autoridade não se transfere: ou o sujeito a emana naturalmente, ou não. A força da caneta bastará? Para Dilma, não bastou e sua autoridade, em que pese o estilo pessoal da presidente, não se estabeleceu de fato, pois seus comandados sempre esperam pela palavra de Lula. Que secretários serão mantidos? Aliás, será mesmo bom manter secretários de uma gestão anterior? Mais: quais serão devidamente dispensados? Cargos serão distribuídos para compensar aliados não eleitos?

Por fim, a segurança pública poderá ter um novo rumo? O anuário deste ano tem como base nos dados de 2013. No Ceará, ainda que os índices melhorem na próxima edição, eles são de tal forma ruins, que a única certeza é de que este ainda será o maior desafio da próxima gestão. Passadas as eleições, sem a pressão da disputa, Camilo pode avaliar o que realmente deu errado (e que nunca foi admitido pelo governo estadual) e pensar em mudanças nas políticas públicas para a área. Se fechar os olhos para as falhas da gestão que se encerra, corre o risco de repetir o que não deu certo. E para fazer isso, é necessário não temer melindres. “Reconhecer é aprender, meu amor”, diz o roqueiro Nasi. Janeiro está logo ali.