Ceará Archives - Página 19 de 41 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ceará

Vem pra cá também, Dilma!

Por Wanfil em Política

12 de junho de 2016

A Folha de São Paulo informa que Dilma resolveu viajar o Nordeste para “denunciar” o retrocesso representado pelo governo de Michel Temer. Curiosamente, a presidente afastada agora defende novas eleições, mas ao chamar de ilegítima a nova gestão, na prática afirma que o Congresso fraudou a democracia. Ocorre que para haver novas eleições é preciso aprovação desse mesmo Congresso. A impressão é de que ela aposta na confusão pela confusão. Mas voltando à Folha, na agenda divulgada estão passagens por João Pessoa (PB) na quarta-feira (15), Salvador (BA) na quinta (16) e Recife (PE) na sexta (17).

E o Ceará? Nada! Fato que, se tratando de Dilma, não é novidade, não é mesmo?

De todo modo, aliados de Dilma no Ceará deveriam deixar de lado eventuais diferenças eleitorais (especialmente em Fortaleza) e convidá-la a vir dar a sua graça por aqui. A não ser que ninguém queira aparecer ao lado da presidente afastada em ano eleitoral, seria uma oportunidade de fazer valer as convicções da turma. Como emblema do avanço promovido nos últimos anos, um palanque poderia ser levantado no local da pedra fundamental da refinaria prometida aos cearenses. E pode ser em dia de semana mesmo que gente sem emprego, portanto, com tempo de sobra para ir ao evento é o que não falta.

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Eleições: partidos mobilizados para o que der e vier

Por Wanfil em Partidos

10 de junho de 2016

Os diretórios estaduais do Partido Social Democrático (PSD)  e do Partido da Mulher Brasileira (PMB), que formam um bloco, digamos, familiar, realizara encontro para discutir questões de interesse eleitoral, de olho na formação das coligações para a disputa de outubro. Em seus quadros, uma penca de políticos que mudam de sigla como quem muda de roupa. O Partido Republicano da Ordem Social (PROS), que até outro dia era o maior partido o Ceará, agendou reuniões com o mesmo propósito.

São três das dezenas de partidos de aluguel que existem no Brasil mostrando que estão aí para o que der e, principalmente, para o que vier.

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Rachel Marques, não seja pessimista!

Por Wanfil em Política

09 de junho de 2016

O site da Assembleia Legislativa informa que a deputada estadual Rachel Marques (PT) cobrou, nesta quinta, “que não haja retrocesso do Governo Federal em relação à criação de faculdade de Medicina no município de Quixadá”.

A parlamentar cumpre seu papel de oposição ao governo interino. Nada contra. É preciso apenas não confundir promessa com obra em andamento ou concluída. Basta lembrar a refinaria da Petrobras, que teve até lançamento de pedra fundamental. Em 2014, ano da reeleição de Dilma, a deputada Rachel Marques garantia que a refinaria seria construída, pois o empreendimento constava na carteira de projetos em licitação da estatal. E criticava quem cobrava a demora no início das obras: “É lamentável, há gente que fica trabalhando no pessimismo”. Deu no que deu.

No caso da faculdade de medicina em Quixeramobim, anunciado pelo então ministro da Educação Aloísio Mercadante  às vésperas do impeachment de Dilma, é fundamental cobrar do governo interino não a execução da obra às cegas, mas a transparência na informação sobre a existência ou não de previsão orçamentária e de dinheiro em caixa para sua realização. Se houver, que seja construída; se não, tudo não terá passado, mais uma vez, de promessa inconsequente.

Sejamos otimistas.

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Incoerências e contradições

Por Wanfil em Política

09 de junho de 2016

No Brasil em geral e no Ceará em particular, o que não falta nos dias de hoje são incoerências e contradições. É só passar a vista no noticiário ou puxar pela memória que facilmente elas aparecem.

1) Enquanto a tocha olímpica passeia pelo Ceará iluminando os jogos do RJ que custarão R$ 39 bilhões aos brasileiros, o Ministério da Integração Nacional apresenta novo cronograma para a transposição do São Francisco, atrasada por falta de pagamento no governo Dilma Rousseff;

2) Construímos um estádio de R$ 518 milhões e nossos principais times de futebol continuam nas séries B e C do campeonato brasileiro;

3) Segundo o IBGE, a produção industrial no Ceará despencou 9,3% nos últimos 12 meses e Fortaleza tem a maior inflação do País. Mesmo assim, o governador Camilo Santana, o prefeito Roberto Cláudio querem a volta de Dilma Rousseff;

4) De acordo com o Ministério Público Federal, os municípios do Ceará estão na oitava posição no ranking dos portais da transparência, ao mesmo tempo em que conseguem ficar nas primeiras posições em fraudes no Bolsa Família;

5) O hospital regional de Quixeramobim não funciona por falta de verbas de custeio e os governos estadual e da capital anunciam a construção de um novo hospital.

Por essas e outras é que a classe política conseguiu ter a mesma credibilidade de contrabandistas paraguaios, aqueles que nas piadas garantem a qualidade dos seus empreendimentos e produtos dizendo: “la garantia soy yo“. Quem é que confia?

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Ceará olímpico 2: Estado é campeão de transparência em ranking do MPF

Por Wanfil em Ceará

08 de junho de 2016

Depois de amargar índices negativos na segurança e na saúde, o Ceará pode comemorar uma vitória positiva: medalha de ouro entre estados na do Ranking Nacional da Transparência, divulgada nesta quarta pelo Ministério Público Federal.

Já no ranking das prefeituras, o Ceará ficou com a oitava posição. Boa colocação, mas longe do pódio. O interessante é ver que, mesmo assim, o próprio MPF classifica o Ceará como segundo estado com mais desvios no Bolsa Família e primeiro com mais suspeitas de benefícios irregulares concedidos a servidores públicos (ver post anterior). Imagine então o nível de transparência no resto do país.

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Ceará olímpico: medalha de ouro em fraudes no Bolsa Família

Por Wanfil em Ceará

08 de junho de 2016

A tocha olímpica para os jogos de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro, passou ontem pelo Ceará, carregada em revezamento por atletas e não atletas em diversas cidades.

Nesse clima olímpico, os cearenses ficaram sabendo que o Estado conquistou o primeiro lugar em fraudes no Bolsa Família relacionadas a servidores públicos, segundo noticia o jornal O Povo desta quarta, com informações do Ministério Público Federal. É preciso verificar quantas prefeituras, que fazem os cadastros, se aproveitaram da frouxidão na fiscalização das concessões desses benefícios uma sistemática para angariar apoio político e eleitoral com dinheiro público. Onde houver exagero, é porque os desvios foram intencionais. Simples assim.

Na modalidade fraude em números brutos, o Ceará ficou a medalha de prata, com um prejuízo estimado em R$ 334 milhões, atrás apenas da Bahia. Em certas competições, o time de gestores municipais e federais é uma potência.

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Problemas no sistema carcerário começaram com Pedro Álvares Cabral, diz secretário

Por Wanfil em Ceará

06 de junho de 2016

“Esse é um problema histórico. Quando Pedro Álvares Cabral aportou por aqui começou todo esse problema. A sociedade sempre nutriu a mais clara indiferença nessa questão, talvez porque a esmagadora quantidade das pessoas que estão lá sejam negras, pardas, pobres, desempregadas, moradores de rua, analfabetos”. Essa é a explicação do secretário de Justiça, Hélio Leitão, para a crise no sistema carcerário do Ceará, segundo informa o jornal Diário do Nordeste desta segunda-feira.

Leitão está chateado por causa da “exploração política barata” do caso, já que “o problema é nacional”. O secretário aborda a questão a partir de uma olhar mais sociológico e também político. Isso é válido para a elaboração de ações de longo prazo, porém, em momentos agudos, o que interessa são as ações imediatas para restabelecer a ordem e a autoridade do Estado no sistema penitenciário.

Discutir a natureza das injustiças sociais do país ou falar nos erros históricos de antecessores equivale, neste momento, a uma junta médica debater as boas práticas preventivas para a saúde enquanto o paciente infartado aguarda na mesa de cirurgia.

Cabe à secretaria de Justiça, e ao seu titular, a missão de estabilizar a crise. O resto é tergiversação.

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Secretários afirmam que superlotação de presídios é responsabilidade do Judiciário. E a Justiça, o que tem a dizer?

Por Wanfil em Ceará

02 de junho de 2016

Os secretários estaduais de segurança, Delci Teixeira, e da Justiça, hélio leitão, estiveram ontem na Assembleia Legislativa, onde puderam falar sobre a crise no sistema prisional do Ceará.

Resumindo a conversa, eles disseram que o principal problema nas prisões do Estado é a superlotação, causada, em grande medida, pelo excesso de presos provisórios, que representam 72% do total da população carcerária. Ou seja, a responsabilidade maior pela situação, segundo os secretários, é do Judiciário.

E o Executivo? Nem Teixeira nem Leitão admitiram erros da gestão estadual ou fizeram algum tipo de mea culpa, muito pelo contrário. Aí é o seguinte: se o governo não reconhece suas falhas – e elas existem, como bem demonstra, por exemplo, a demora em retomar o controle da situação -, fica impossibilitado de corrigi-las.

Ampliar o debate
A iniciativa da Assembleia Legislativa, idealizada pelo presidente Zezinho Albuquerque, de convidar secretários para falar sobre as ações de suas pastas merece todo apoio e elogios, pois aproxima gestores e população.

Assim, como sugestão, seria interessante que outras autoridades pudessem ser convidadas pela AL para discussões de interesse público. A partir do que expuseram os secretários da Justiça e da Segurança, seria de grande valia ouvir representantes do judiciário sobre o excesso de presos provisórios nas prisões. Caso contrário, fica o dito pelo não dito e nada muda.

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Força Nacional de Segurança no Ceará: decisão certa que não apaga erros

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

O pedido de reforço do governo estadual feito à Força Nacional de Segurança após a carnificina do final de semana nos presídios de Itaitinga e Caucaia, na Grande Fortaleza, que deixaram saldo provisório de 18 mortos segundo a Secretaria de Justiça, é plenamente justificável e acertado. O momento é de “estabilizar” o sistema carcerário, como bem enfatizaram o governador Camilo Santana e a Secretaria de Justiça, comandada pelo advogado Hélio Leitão.

Nessas horas, governos costumam hesitar por medo de parecerem inoperantes ou incapazes. Cabe então o registro de que nesse momento crítico o governo estadual priorizou a busca por uma solução do problema, com o apoio de outras instituições, como o Ministério Público. Parece uma tautologia, mas não custa lembrar que na greve dos policiais em 2011 o governo, sem comando, conseguiu piorar o que já era ruim.

A decisão acertada, no entanto, não apaga os erros que resultaram no espetáculo de selvageria dentro dos presídios. O estopim desse barril de pólvora que é a superlotação das prisões foi aceso por agentes penitenciários que, em greve, impediram as visitas aos presos. Deu no que deu. As devidas responsabilidades deverão ser apuradas assim que o quadro volte a uma normalidade mínima.

Mas é fato que emparedado pelo caos, o Governo do Estado recuou e aceitou as reivindicações da categoria. Ora, se havia possibilidade de acordo, faltou capacidade das partes na condução das negociações. Impasse que resultou em mortes.

Quanto a superlotação, boa parte do problema é causado pela lentidão do judiciário: 70% dos presos são provisórios à espera de julgamento. Muitos poderiam cumprir penas alternativas, a depender da gravidade do crime. Daí que essa seja uma questão nacional. De todo modo, cabe ao executivo gerir o amontoado que se avoluma nas penitenciárias, cadeias e delegacias, que por sua vez, são precárias, inseguras e ineficientes, como atestam as fugas semanais que acontecem por todo o Ceará.

O problema dos presídios precisa sim de um profundo debate que exige até mesmo mudanças na legislação. Antes disso, porém, toda essa tragédia exigirá mudanças locais mais imediatas assim que tudo se estabilize. Ficar como estava é que não tem condição.

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Bandido bom é bandido… preso!

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

As rebeliões nos presídios cearenses expuseram com muito sangue a crise no sistema carcerário do Estado. Mais informações no post Força Nacional de Segurança no Ceará. É um tema delicado para qualquer governo. De um lado, a obrigação de manter um sistema carcerário eficiente e do outro a população ressentida dos criminosos e da violência.

Bandido bom é bandido morto
Assim, não é raro ouvirmos gente insuspeita dizendo que bandido bom é bandido morto, como forma de desabafo e indignação. Com o noticiário das rebeliões, vi uma amiga, pessoa de bem, escrever que não consegue “ter empatia” pelo sofrimento desses criminosos. Quem consegue, não é mesmo?Outro afirmou que “não dá para ter pena desses marginais”. Realmente, é difícil. E um terceiro, pessoa cordata e doce, disparou: “Quem morre ali são os mais perigosos, eles que se entendam”. Não dá mesmo para chorar.

São reações compreensíveis, afinal, é praticamente impossível nutrir algum tipo de compaixão por quem mata, estupra, sequestra, mata e rouba, sem parecer um masoquista. De certo modo, concluímos, eles, os marginais, merecem um fim doloroso.

Quem decide o que é certo?
Esse é o ponto. Bandido que morre em confronto com a polícia, em última análise, é também vítima das escolhas que fez. Antes ele do que o policial que se arrisca em serviço. No entanto, uma vez capturado e encaminhado para um presídio, muitas vezes por crimes de menor gravidade, como furto, as coisas mudam do ponto de vista ético e moral.

Também não tenho empatia por criminosos. E por isso mesmo entendo que estou obrigado a tratá-los de acordo com aquilo o que eles não aceitam: o respeito à lei e à condição de ser humano. Tolerar (ou apostar) na selvageria em presídios como método de assepsia é investir na cultura da violência, é dar-lhes razão quanto aos métodos de ação. Por isso, bandido bom é bandido preso, cumprindo a pena até o final em condições adequadas, sem regalias, mas também sem degradação. Bandido bom é bandido submetido às regras que entendemos serem as corretas e não às que eles mesmos imaginam como certas.

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Bandido bom é bandido… preso!

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

As rebeliões nos presídios cearenses expuseram com muito sangue a crise no sistema carcerário do Estado. Mais informações no post Força Nacional de Segurança no Ceará. É um tema delicado para qualquer governo. De um lado, a obrigação de manter um sistema carcerário eficiente e do outro a população ressentida dos criminosos e da violência.

Bandido bom é bandido morto
Assim, não é raro ouvirmos gente insuspeita dizendo que bandido bom é bandido morto, como forma de desabafo e indignação. Com o noticiário das rebeliões, vi uma amiga, pessoa de bem, escrever que não consegue “ter empatia” pelo sofrimento desses criminosos. Quem consegue, não é mesmo?Outro afirmou que “não dá para ter pena desses marginais”. Realmente, é difícil. E um terceiro, pessoa cordata e doce, disparou: “Quem morre ali são os mais perigosos, eles que se entendam”. Não dá mesmo para chorar.

São reações compreensíveis, afinal, é praticamente impossível nutrir algum tipo de compaixão por quem mata, estupra, sequestra, mata e rouba, sem parecer um masoquista. De certo modo, concluímos, eles, os marginais, merecem um fim doloroso.

Quem decide o que é certo?
Esse é o ponto. Bandido que morre em confronto com a polícia, em última análise, é também vítima das escolhas que fez. Antes ele do que o policial que se arrisca em serviço. No entanto, uma vez capturado e encaminhado para um presídio, muitas vezes por crimes de menor gravidade, como furto, as coisas mudam do ponto de vista ético e moral.

Também não tenho empatia por criminosos. E por isso mesmo entendo que estou obrigado a tratá-los de acordo com aquilo o que eles não aceitam: o respeito à lei e à condição de ser humano. Tolerar (ou apostar) na selvageria em presídios como método de assepsia é investir na cultura da violência, é dar-lhes razão quanto aos métodos de ação. Por isso, bandido bom é bandido preso, cumprindo a pena até o final em condições adequadas, sem regalias, mas também sem degradação. Bandido bom é bandido submetido às regras que entendemos serem as corretas e não às que eles mesmos imaginam como certas.