Ceará Archives - Página 20 de 42 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ceará

Ceará olímpico: medalha de ouro em fraudes no Bolsa Família

Por Wanfil em Ceará

08 de junho de 2016

A tocha olímpica para os jogos de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro, passou ontem pelo Ceará, carregada em revezamento por atletas e não atletas em diversas cidades.

Nesse clima olímpico, os cearenses ficaram sabendo que o Estado conquistou o primeiro lugar em fraudes no Bolsa Família relacionadas a servidores públicos, segundo noticia o jornal O Povo desta quarta, com informações do Ministério Público Federal. É preciso verificar quantas prefeituras, que fazem os cadastros, se aproveitaram da frouxidão na fiscalização das concessões desses benefícios uma sistemática para angariar apoio político e eleitoral com dinheiro público. Onde houver exagero, é porque os desvios foram intencionais. Simples assim.

Na modalidade fraude em números brutos, o Ceará ficou a medalha de prata, com um prejuízo estimado em R$ 334 milhões, atrás apenas da Bahia. Em certas competições, o time de gestores municipais e federais é uma potência.

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Problemas no sistema carcerário começaram com Pedro Álvares Cabral, diz secretário

Por Wanfil em Ceará

06 de junho de 2016

“Esse é um problema histórico. Quando Pedro Álvares Cabral aportou por aqui começou todo esse problema. A sociedade sempre nutriu a mais clara indiferença nessa questão, talvez porque a esmagadora quantidade das pessoas que estão lá sejam negras, pardas, pobres, desempregadas, moradores de rua, analfabetos”. Essa é a explicação do secretário de Justiça, Hélio Leitão, para a crise no sistema carcerário do Ceará, segundo informa o jornal Diário do Nordeste desta segunda-feira.

Leitão está chateado por causa da “exploração política barata” do caso, já que “o problema é nacional”. O secretário aborda a questão a partir de uma olhar mais sociológico e também político. Isso é válido para a elaboração de ações de longo prazo, porém, em momentos agudos, o que interessa são as ações imediatas para restabelecer a ordem e a autoridade do Estado no sistema penitenciário.

Discutir a natureza das injustiças sociais do país ou falar nos erros históricos de antecessores equivale, neste momento, a uma junta médica debater as boas práticas preventivas para a saúde enquanto o paciente infartado aguarda na mesa de cirurgia.

Cabe à secretaria de Justiça, e ao seu titular, a missão de estabilizar a crise. O resto é tergiversação.

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Secretários afirmam que superlotação de presídios é responsabilidade do Judiciário. E a Justiça, o que tem a dizer?

Por Wanfil em Ceará

02 de junho de 2016

Os secretários estaduais de segurança, Delci Teixeira, e da Justiça, hélio leitão, estiveram ontem na Assembleia Legislativa, onde puderam falar sobre a crise no sistema prisional do Ceará.

Resumindo a conversa, eles disseram que o principal problema nas prisões do Estado é a superlotação, causada, em grande medida, pelo excesso de presos provisórios, que representam 72% do total da população carcerária. Ou seja, a responsabilidade maior pela situação, segundo os secretários, é do Judiciário.

E o Executivo? Nem Teixeira nem Leitão admitiram erros da gestão estadual ou fizeram algum tipo de mea culpa, muito pelo contrário. Aí é o seguinte: se o governo não reconhece suas falhas – e elas existem, como bem demonstra, por exemplo, a demora em retomar o controle da situação -, fica impossibilitado de corrigi-las.

Ampliar o debate
A iniciativa da Assembleia Legislativa, idealizada pelo presidente Zezinho Albuquerque, de convidar secretários para falar sobre as ações de suas pastas merece todo apoio e elogios, pois aproxima gestores e população.

Assim, como sugestão, seria interessante que outras autoridades pudessem ser convidadas pela AL para discussões de interesse público. A partir do que expuseram os secretários da Justiça e da Segurança, seria de grande valia ouvir representantes do judiciário sobre o excesso de presos provisórios nas prisões. Caso contrário, fica o dito pelo não dito e nada muda.

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Força Nacional de Segurança no Ceará: decisão certa que não apaga erros

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

O pedido de reforço do governo estadual feito à Força Nacional de Segurança após a carnificina do final de semana nos presídios de Itaitinga e Caucaia, na Grande Fortaleza, que deixaram saldo provisório de 18 mortos segundo a Secretaria de Justiça, é plenamente justificável e acertado. O momento é de “estabilizar” o sistema carcerário, como bem enfatizaram o governador Camilo Santana e a Secretaria de Justiça, comandada pelo advogado Hélio Leitão.

Nessas horas, governos costumam hesitar por medo de parecerem inoperantes ou incapazes. Cabe então o registro de que nesse momento crítico o governo estadual priorizou a busca por uma solução do problema, com o apoio de outras instituições, como o Ministério Público. Parece uma tautologia, mas não custa lembrar que na greve dos policiais em 2011 o governo, sem comando, conseguiu piorar o que já era ruim.

A decisão acertada, no entanto, não apaga os erros que resultaram no espetáculo de selvageria dentro dos presídios. O estopim desse barril de pólvora que é a superlotação das prisões foi aceso por agentes penitenciários que, em greve, impediram as visitas aos presos. Deu no que deu. As devidas responsabilidades deverão ser apuradas assim que o quadro volte a uma normalidade mínima.

Mas é fato que emparedado pelo caos, o Governo do Estado recuou e aceitou as reivindicações da categoria. Ora, se havia possibilidade de acordo, faltou capacidade das partes na condução das negociações. Impasse que resultou em mortes.

Quanto a superlotação, boa parte do problema é causado pela lentidão do judiciário: 70% dos presos são provisórios à espera de julgamento. Muitos poderiam cumprir penas alternativas, a depender da gravidade do crime. Daí que essa seja uma questão nacional. De todo modo, cabe ao executivo gerir o amontoado que se avoluma nas penitenciárias, cadeias e delegacias, que por sua vez, são precárias, inseguras e ineficientes, como atestam as fugas semanais que acontecem por todo o Ceará.

O problema dos presídios precisa sim de um profundo debate que exige até mesmo mudanças na legislação. Antes disso, porém, toda essa tragédia exigirá mudanças locais mais imediatas assim que tudo se estabilize. Ficar como estava é que não tem condição.

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Bandido bom é bandido… preso!

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

As rebeliões nos presídios cearenses expuseram com muito sangue a crise no sistema carcerário do Estado. Mais informações no post Força Nacional de Segurança no Ceará. É um tema delicado para qualquer governo. De um lado, a obrigação de manter um sistema carcerário eficiente e do outro a população ressentida dos criminosos e da violência.

Bandido bom é bandido morto
Assim, não é raro ouvirmos gente insuspeita dizendo que bandido bom é bandido morto, como forma de desabafo e indignação. Com o noticiário das rebeliões, vi uma amiga, pessoa de bem, escrever que não consegue “ter empatia” pelo sofrimento desses criminosos. Quem consegue, não é mesmo?Outro afirmou que “não dá para ter pena desses marginais”. Realmente, é difícil. E um terceiro, pessoa cordata e doce, disparou: “Quem morre ali são os mais perigosos, eles que se entendam”. Não dá mesmo para chorar.

São reações compreensíveis, afinal, é praticamente impossível nutrir algum tipo de compaixão por quem mata, estupra, sequestra, mata e rouba, sem parecer um masoquista. De certo modo, concluímos, eles, os marginais, merecem um fim doloroso.

Quem decide o que é certo?
Esse é o ponto. Bandido que morre em confronto com a polícia, em última análise, é também vítima das escolhas que fez. Antes ele do que o policial que se arrisca em serviço. No entanto, uma vez capturado e encaminhado para um presídio, muitas vezes por crimes de menor gravidade, como furto, as coisas mudam do ponto de vista ético e moral.

Também não tenho empatia por criminosos. E por isso mesmo entendo que estou obrigado a tratá-los de acordo com aquilo o que eles não aceitam: o respeito à lei e à condição de ser humano. Tolerar (ou apostar) na selvageria em presídios como método de assepsia é investir na cultura da violência, é dar-lhes razão quanto aos métodos de ação. Por isso, bandido bom é bandido preso, cumprindo a pena até o final em condições adequadas, sem regalias, mas também sem degradação. Bandido bom é bandido submetido às regras que entendemos serem as corretas e não às que eles mesmos imaginam como certas.

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Desemprego cresce e autoridades divulgam carta sobre fusão entre Cultura e Educação: muita confusão, pouco resultado

Por Wanfil em Ceará

20 de Maio de 2016

Manifestantes 'ocupam' prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar

Manifestantes ‘ocupam’ prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar (Divulgação)

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), junto com os demais governadores de estados nordestinos, divulgou carta contra a “extinção” do Ministério da Cultura. Horas antes, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) , e o presidente da Câmara de Vereadores, Salmito Filho (PDT), também assinaram texto contra a “extinção do Ministério da Cultura” e sua “incorporação ao Ministério da Educação”.

Essas iniciativas aconteceram no mesmo dia (19/05) em que o IBGE anunciou que o desemprego no Brasil chegou a 10,9% no primeiro trimestre deste ano. O Nordeste foi a região mais afeta, com índice de 12,8%  (o Sul está com 7,3%). No Ceará os desempregados são 10,8% e na Região Metropolitana de Fortaleza, 11,5%. E o que tem a ver uma coisa com a outra, Wanfil? Vamos por partes.

Não é o fim da Cultura
Dizer que o Ministério da Cultura será extinto pode dar a impressão de que as políticas públicas para a área serão também extintas. Não é por aí. A pasta será incorporada ao Ministério da Educação, no esforço para reduzir o número de ministérios. Menos custos, mais investimentos, diz o governo. Além do mais, a fusão entre cultura e educação não é nenhuma jabuticaba. No Japão é assim, acrescida de ciência e tecnologia no mesmo ministério.

O que está acontecendo aqui é uma disputa política por influência e verbas. O MinC é loteado entre grupos bem articulados, com direito a especialistas em editais e licitações. Seu campo de atuação pode ir desde a reforma de prédios históricos até o financiamento de festivais com as mais variadas temáticas (geralmente com viés ideológico sintonizado com bandeiras de partidos políticos de esquerda). Pois bem, durante anos esse universo foi aparelhado por entidades partidárias, artistas sem público (nem todos, óbvio) e grupos privados interessados em fazer do acesso aos recursos públicos um meio de vida. O receio é que um novo enfoque na aplicação desse dinheiro possa prejudicar esses grupos.

Indignação seletiva
A rigor, ser contra ou a favor da fusão não interfere no problema do desemprego. É perfeitamente possível que governadores e prefeitos discordem da decisão, afinal, estamos numa democracia. Mas é curioso que não tenham adotado atitude semelhante quando, por exemplo, o golpe da refinaria que não veio foi consumado. Onde estavam? Por que não fizeram uma carta cobrando ressarcimento ao Estado? E agora, o que dizem sobre o desemprego?

Aliás, poderiam nossas autoridades aproveitar o embalo e registrar, por escrito, repúdio ao rombo fiscal nas contas federais, assumindo publicamente o compromisso de ajudar, com suas bancadas, na aprovação de medidas de ajuste. Bom mesmo seria um documento pedindo desculpas aos brasileiros e aos cearenses desempregados pelo apoio que deram  ao governo e à gestora que arruinaram a economia com suas pedaladas fiscais. Problemas são muitos, ma a prioridade é tirar o País do buraco. O resto é perfumaria.

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Ministério sem cearenses pode indicar falta de prestígio, é verdade. Mas quando foi que realmente houve prestígio?

Por Wanfil em Ceará

16 de Maio de 2016

Entre os indicados para a equipe ministerial de Michel Temer não há, a exemplo de mulheres e negros, gestores cearenses. Talvez seja o caso de imaginar que do ponto de vista administrativo e político, o governo do PMDB não tenha feito do gênero, da cor e do Estado de origem, critérios de escolha.

Quais foram, então, os critérios? Ora, varia de acordo com a pasta. Foi técnico para o pessoal da área econômica; fisiológico, como no caso de Leonardo Picciani no Esporte; pessoal, como José Serra nas Relações Exteriores; e ainda teve as nomeações que misturam perfis técnicos com acordos políticos. O ministério é um amálgama de necessidades urgentes com as conveniências de sempre para fazer a tal maioria no parlamento. A esperar os resultados disso. Mesmo assim, essa ausência de cearenses tem causado rumores no meio político local.

Eunício sem nada?
Havia a expectativa de que o senador Eunício Oliveira conseguisse emplacar um nome, mais precisamente Gaudêncio Lucena, na Integração Nacional, o que não aconteceu. Seus adversários falam em falta de prestígio, apesar dos órgãos federais já comandados por indicados do Senador, como é o caso do BNB e DNOCS. Pode ser que sim, pode ser que não.

De fato, a falta de um nome ligado a Eunício, simplesmente o tesoureiro do PMDB e muito próximo a Temer, soa estranho. A não ser que a influência do senador tenha sido direcionada em outro sentido, como, por exemplo, suceder Renan Calheiros na presidência do Senado em 2017, com apoio do governo federal. E hoje, como resta comprovado por fatos recentes, presidir as casas legislativas no Congresso confere poderes aos seus ocupantes muito maiores do que os de um ministro. Mas isso são especulações a serem confirmadas, lembrando que tendências podem mudar a todo instante.

O que fizeram os ministros cearenses?
Vamos lá. Vários nomes cearenses ocuparam diversos ministérios nos últimos anos e isso, francamente, não fez muita diferença para o Estado.

Quantas obras realmente importantes para mudar o perfil socioeconômico do Ceará foram inauguradas por esses ministros? Nem mesmo a reforma do aeroporto foi realizada (lembram do “puxadinho”?). De que valeram para os cearenses essas nomeações na hora, por exemplo, de garantir a refinaria que não veio? De que serviram para evitar os caríssimos atrasos na transposição do rio São Francisco? Qual a utilidade de ter tido um ministro da Educação por três meses? Para o Ceará, os resultados nesses últimos 15 anos foram pífios, essa é a verdade.

Não estou dizendo que nada fizeram. Com certeza alguns deixaram suas marcas etc., etc. Só lembro que esses cargos, que são de abrangência nacional, não resultaram em ações direcionadas para beneficiar o estado natal dos ministros. Pelo menos no que diz respeito ao Ceará.

De toda forma, se o problema é o medo de falta de prestígio, é preciso dizer que, infelizmente, pela ausência de inaugurações e pelas promessas não cumpridas, falta de prestígio nunca faltou para a base que deu sustentação a Lula e Dilma no Ceará, apesar da nomeação de um ou outro ministro. Não seria, portanto, novidade alguma.

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Dilma fora. E agora Camilo? E agora PT?

Por Wanfil em Política

12 de Maio de 2016

Martelo batido no Senado: Dilma sai de jogo e Michel Temer assume a Presidência da República. Significa dizer, entre muitas outras coisas, que depois da primeira eleição de Collor de Mello, ainda em 1989, quando Tasso Jereissati era governador, o Ceará volta a ter uma gestão estadual de oposição ao governo federal.

Olhar pragmático
Junto com Dilma sai de cena a sua equipe ministerial. São todos agora passado. Promessas não cumpridas e obras atrasadas não dependem mais desse pessoal. Ponto. Caberá pois ao governador Camilo Santana olhar para frente e buscar, junto com a bancada no Congresso, investimentos reais junto ao novo governo. O momento é de adaptação, o que não significar dizer adesão (pelo menos em relação ao governador, já os deputados…).

Convém evitar declarações provocativas ou dúbias. O próprio estilo de Camilo, mais comedido, deve ajudar nesse sentido. Resta então guardar prudência nas ações e discrição nas eleições de outubro. O governador não deverá fazer como seu antecessor Cid Gomes, que se licenciou do cargo para ajudar na eleição de Roberto Cláudio (PDT) em Fortaleza. A menos que queira agravar a indisposição com o PMDB de Eunício Oliveira, arriscando prejudicar qualquer interlocução mais profunda com os ministérios nessa transição.

Relação institucional
O Ceará, não custa lembrar, precisa do governo federal. Em contrapartida, o novo presidente precisa de votos no legislativo. Temer provavelmente deverá entrar em contato com governadores de oposição para dizer que pretende manter uma relação institucional e até propositiva com esses estados, pois o que importa agora é aprovar medidas de recuperação etc. e tal. Será a deixa para construir uma via de acesso ao Planalto para discutir assuntos de interesse da população cearense.

PT na oposição
O PT já avisou que será oposição. Isolado e com todo o desgaste sofrido, a perspectiva do comando nacional da legenda é que prefeituras sejam perdidas em outubro. Em Fortaleza, o partido não decidiu se lançará candidatura própria ou se ficará na sombra de Roberto Cláudio, talvez como o vice da chapa.

PT como aliado?
A essa altura dos acontecimentos é hora de o próprio prefeito (leia-se Cid e Ciro Gomes) avaliar bem se a companhia do PT, apesar do tempo de propaganda que agrega, mais ajuda ou atrapalha. Se não seria melhor ter o PT correndo por fora para bater nos seus adversários… Ao PT, uma candidatura seria uma oportunidade de palanque para uma defesa de sua história. Que estudem as opções.

Incertezas
Ainda é muito cedo para dizer como serão as primeiras semanas da gestão Temer e como elas poderão impactar no Estado. Conseguirá estancar a sangria na economia e até prover alguma recuperação? Impossível dizer. O mercado tem sinalizado positivamente ao impeachment, o que é um indicativo considerável. O certo é que a configuração partidária do poder mudou e que o tempo para se adaptar a esse ambiente em formação é muito curto.

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Onde estão os que enalteciam as qualidades de Dilma no Ceará?

Por Wanfil em Política

11 de Maio de 2016

O Senado confirmará logo mais o afastamento de Dilma Rousseff, a presidente mais impopular da História, a que cometeu o maior estelionato eleitoral depois do Plano Cruzado, a presidente cuja gestão foi indelevelmente manchada pelo petrolão (maior caso de corrupção já desmascarado no Brasil), a que foi apresentada como grande gestora por Lula e que provocou, no final, a maior recessão da economia brasileira.

O editorial do Estadão desta quarta-feira história arremata: “É hora de Dilma Rousseff começar a se preparar para o destino que o Brasil lhe reservou generosamente: o esquecimento”.

Sobre isso, em relação ao Ceará, cabe uma ressalva. Antes mesmo do eleitor esquecer Dilma, parece que já a esqueceram muitos dos aliados que durante anos apoiaram a “Mãe do PAC”, garantindo aos cearenses tratar-se de pessoa preparadíssima para a função, apesar de todos os erros e mesmo após o golpe da refinaria e atrasos constantes e caríssimos na transposição do São Francisco.

Cadê?
Onde estão aqueles que nos últimos anos acotovelavam-se para aparecer ao lado de Dilma nos palanques eleitorais e nas visitas oficiais? Sumiram ou mudaram de lado. A começar pela bancada estadual do PMDB, comandada por Eunício Oliveira (que, dizem, nunca perdoou a imparcialidade de Dilma nas eleições de 2014, quando Cid Gomes lançou candidato do PT ao governo do Ceará quebrando acordo com o PMDB). Além do mais, foi o racha na aliança nacional da legenda com o PT que fez o governo federal perder de vez as condições de conduzir o País.

Até aí, era de se esperar. Mas existem outros que se antes aplaudiam e enalteciam a inigualável capacidade administrativa da presidente, como o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, agora estão calados. Nunca mais compareceram a eventos com a “presidenta”. Cid e Ciro até mandaram seus deputados federais e o presidente da Assembleia estadual, Zezinho Albuquerque, do PDT, tirarem foto com a petista na véspera da derrota na Câmara, mas foi apenas o último suspiro. O grupo agora deixará Dilma de lado para se concentrar numa possível candidatura de Ciro à Presidência da República.

Caminhando com Dilma até a derrocada final estão o próprio PT, com destaque para o deputado federal José Guimarães e para o governador Camilo Santana; o deputado Chico Lopes, do PCdoB; e Arnon Bezerra, do PTB. Com exceção de Lopes, os nomes mencionados neste parágrafo estiveram presentes na rápida passagem da ainda presidente em Juazeiro na última sexta-feira (6). E só. “Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua última quimera…”.

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Camilo faz o primeiro aceno para Temer

Por Wanfil em Política

03 de Maio de 2016

O governador Camilo Santana, do PT, fez na semana o seu primeiro aceno para um futuro sem Dilma Rousseff na Presidência da República. Em solenidade para do programa Garantia Safra realizada no Palácio da Abolição na última segunda-feira (2), Camilo afirmou que buscará manter o diálogo com o governo federal na futura gestão de Michel Temer e que espera que o impeachment não afete obras que dependem de recursos da União para o Ceará.

Separar partido e gestão
Não significa dizer que o governador mudou de opinião em relação ao afastamento da presidente. Correligionário de Dilma, por várias vezes Camilo se manifestou contra a saída dela. Significa que, diante do inevitável, é preciso ser pragmático. Assim, Camilo acerta ao tentar separar suas posições partidárias de suas funções administrativas.

Além do mais, os estados brasileiros, em especial os mais pobres, possuem enorme dependência financeira em relação ao governo federal, o que implica em manter, pelo menos uma relação institucional respeitosa com o presidente.

Por último, e não menos importante: no final, o governador é quem será cobrado por resultados, pois é dele a responsabilidade de pagar as contas do estado no final do mês. Essa responsabilidade ameniza qualquer arroubo de natureza política ou ideológica.

Estratégias de convivência
Essa responsabilidade é algo que impõe uma postura bem diferente, por exemplo, da demonstrada por Ciro Gomes, do PDT, que na semana passada chamou publicamente a Michel Temer de “safado” e “conspirador filho da puta”. Esse é outro caminho. Sem cargos e sem obrigações administrativas, de olho em seu próprio projeto eleitoral, Ciro aposta no enfrentamento.

Se essa diferença de estratégias e de objetivos poderá causar problemas na parceria entre o PT estadual e os Ferreira Gomes, isso o tempo logo, logo dirá. Naturalmente, Camilo precisará conversar também com a bancada cearense do PMDB, que por sua vez, é o que se espera, deverá ter a responsabilidade de deixar diferenças e ressentimentos eleitorais de lado nesse momento de crise.

Radicais e moderados
Os aliados de Camilo que apostam na intriga, tanto no PT como no PDT, devem ser evitados nesse momento de crise, em proveito de interlocutores mais sensatos da nova base aliada, que também precisará controlar seus radicais. É uma situação difícil, mas se isso não acontecer, o Ceará ficará novamente excluído das prioridades do governo federal, como aconteceu nos últimos anos.

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Camilo faz o primeiro aceno para Temer

Por Wanfil em Política

03 de Maio de 2016

O governador Camilo Santana, do PT, fez na semana o seu primeiro aceno para um futuro sem Dilma Rousseff na Presidência da República. Em solenidade para do programa Garantia Safra realizada no Palácio da Abolição na última segunda-feira (2), Camilo afirmou que buscará manter o diálogo com o governo federal na futura gestão de Michel Temer e que espera que o impeachment não afete obras que dependem de recursos da União para o Ceará.

Separar partido e gestão
Não significa dizer que o governador mudou de opinião em relação ao afastamento da presidente. Correligionário de Dilma, por várias vezes Camilo se manifestou contra a saída dela. Significa que, diante do inevitável, é preciso ser pragmático. Assim, Camilo acerta ao tentar separar suas posições partidárias de suas funções administrativas.

Além do mais, os estados brasileiros, em especial os mais pobres, possuem enorme dependência financeira em relação ao governo federal, o que implica em manter, pelo menos uma relação institucional respeitosa com o presidente.

Por último, e não menos importante: no final, o governador é quem será cobrado por resultados, pois é dele a responsabilidade de pagar as contas do estado no final do mês. Essa responsabilidade ameniza qualquer arroubo de natureza política ou ideológica.

Estratégias de convivência
Essa responsabilidade é algo que impõe uma postura bem diferente, por exemplo, da demonstrada por Ciro Gomes, do PDT, que na semana passada chamou publicamente a Michel Temer de “safado” e “conspirador filho da puta”. Esse é outro caminho. Sem cargos e sem obrigações administrativas, de olho em seu próprio projeto eleitoral, Ciro aposta no enfrentamento.

Se essa diferença de estratégias e de objetivos poderá causar problemas na parceria entre o PT estadual e os Ferreira Gomes, isso o tempo logo, logo dirá. Naturalmente, Camilo precisará conversar também com a bancada cearense do PMDB, que por sua vez, é o que se espera, deverá ter a responsabilidade de deixar diferenças e ressentimentos eleitorais de lado nesse momento de crise.

Radicais e moderados
Os aliados de Camilo que apostam na intriga, tanto no PT como no PDT, devem ser evitados nesse momento de crise, em proveito de interlocutores mais sensatos da nova base aliada, que também precisará controlar seus radicais. É uma situação difícil, mas se isso não acontecer, o Ceará ficará novamente excluído das prioridades do governo federal, como aconteceu nos últimos anos.