Ceará Archives - Página 22 de 42 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ceará

Prefeito diz que solução agora é eleger aliados de quem criou a crise

Por Wanfil em Fortaleza

11 de Março de 2016

Do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), em evento da sigla de aluguel PROS, defendendo que o PT de Camilo Santana (e Dilma Rousseff) apoie sua candidatura à reeleição, segundo matéria de O Povo :

“É muito importante que uma cidade como Fortaleza tenha uma aliança administrativa entre Prefeitura e Governo que possibilite recursos a mais e apoio político a mais para fazer o que a gente deve fazer em época de crise.”

Esse argumento perdeu a validade desde que o governo federal não cumpriu a promessa eleitoreira de construir uma refinaria da Petrobras no Ceará. Nesse caso, a única coisa que essa “aliança administrativa” conseguiu produzir foi o silêncio e a omissão dos governistas cearenses, que evitaram denunciar e cobrar o golpe, fingindo que nada aconteceu.

Por outra ainda, se aliança é garantia de ação, por que então o Hospital de Quixeramobim, inaugurado em 2014, ainda não funciona?

Quando o ex-prefeito Juraci Magalhães governava, dizia justamente o contrário: ter adversários nesses cargos evitaria acomodações e geraria uma disputa para ver quem faria mais. E aí? São ideias adaptáveis, conforme os interesses do momento.

De todo modo, mesmo compreendendo, digamos assim, o apelo eleitoral dessas formulações, o mais incrível agora é ver governistas dizendo que a melhor forma de enfrentar a crise é manter no poder a mesma aliança que a produziu.

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Do PROS ao pó: partido perde nove deputados com janela da infidelidade

Por Wanfil em Partidos

19 de Fevereiro de 2016

O PROS no Ceará virou pó, esmagado pelas circunstâncias eleitorais  do momento. Com a janela da infidelidade aberta (30 dias para que parlamentares mudem de partido sem o risco de perder os mandatos), o Partido Republicano da Ordem Social perderá nove deputados na Assembleia Legislativa, segundo informação do deputado estadual Sérgio Aguiar, ele mesmo membro do bloco que irá para o PDT, seguindo os passos da errática trajetória partidária de Ciro e Cid Gomes.

Criado em 2013 por um desconhecido e obscuro vereador de Planaltina, nos arredores de Brasília, sem nada de substancial a oferecer e programaticamente vazio, o PROS apareceu como saída de emergência para que políticos descontentes com seus partidos pudessem driblar a Justiça Eleitoral, que em 2007 havia decidido que os mandatos pertenciam aos partidos. Em busca de filiados, seus emissários apresentavam-no com o seguinte anúncio: “Insatisfeito com seu partido? Quer sair dele sem perder o mandato? O PROS é a mais nova opção”. E assim, seduzidos por esse pragmatismo sem compromisso ideológico, dissidentes do PSB no Ceará rompidos com o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, entraram no PROS. No entanto, a sintonia entre a fome e a vontade de comer durou pouco, pois a executiva estadual (leia-se Cid) não se sentia obrigada a prestar contas com a executiva nacional.

Instrumentos descartáveis
Vários partidos já foram usados como instrumentos de ocasião no Ceará, mas o caso do PROS, sigla de aluguel por excelência, escancara de forma inequívoca a essência dessa promiscuidade: o partido serviu momentaneamente, no Ceará, a um projeto de poder baseado nas relações de parentesco e compadrio, de amizade e servilismo.

Se o PDT oferece aos nômades da política cearenses um discurso ideológico, sempre amparado na figura de Leonel Brizola, no PROS isso nunca foi possível, fato que deixou exposto que o negócio do grupo é a instrumentalização dos partidos e da política como meio de vida e de ascensão social. É a consagração do poder pelo poder sem o peso de se ater a valores fixos. Do pó do oportunismo o PROS nasceu, ao pó do oportunismo o PROS retorna: sua utilidade se resume a garantir mais um tempinho de propaganda eleitoral para seus antigos usuários, todos juntos na mesma aliança. Sabe como é, vergonha é perder eleição.

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Homicídios caem no Ceará após 17 anos: veja como foi a evolução da violência nesse período

Por Wanfil em Segurança

12 de Janeiro de 2016

O Ceará registrou em 2015 uma queda de 9,5% no número de “Crimes Violentos Letais Intencionais”. O próprio governo reconhece que ainda são índices ainda são muito altos, mas sem bem observadas as circunstâncias e a conjuntura, estancar o aumento de homicídios é um feito que merece reconhecimento, devidamente creditado a atual gestão.

Em entrevista coletiva, o governador Camilo Santana ressaltou o peso desses dados: “Depois de 17 anos — eu gosto de frisar esse número porque 17 anos não são 17 meses nem 17 dias — nós conseguimos uma redução.

É verdade. Por isso mesmo é preciso situar muito bem esses dados, para não correr o risco de repetir erros passados, identificando quando e como a situação degenerou a ponto de fazer do Ceará um dos estados mais violentos do Brasil.

Tempo senhor da razão
Se por um lado é justo que o governo ressalte os 17 anos de crescimento da violência para mostrar o tamanho do desafio, por outro não se pode perder de vista que a evolução da criminalidade nesse período não foi diluída gradualmente, em partes iguais, como se fosse fenômeno dissociado da atuação de governos locais.

Pelo contrário, houve saltos que foram registrados na linha do tempo, como podemos ver no Mapa da Violência, com informações coletadas entre 2002 e 2012.

Tagela Mapa da Violência

Não é o caso de comparar a pesquisa com os números da Secretaria de Segurança, pois as metodologias podem ser distintas. O que vale aqui é o paralelo entre os anos e os demais estados comparados dentro de uma mesma metodologia.

Pelo Mapa, as taxas de homicídios no Ceará passaram a crescer mais aceleradamente a partir de 2006, último ano da gestão Lúcio Alcântara, então no PSDB. Foi aí que Cid Gomes, na época candidato pelo PSB, apareceu prometendo resolver o problema.

Entretanto, uma vez eleito, foi justamente nessa gestão que a situação piorou, degringolando de vez entre 2011 e 2012, quando a taxa subiu impressionantes 36,5% (o dobro do segundo maior aumento, em Sergipe), saltando de 32,7 para 44,6 mortes por grupo de 100 mil habitantes.

Outras amostras
Em outro levantamento, feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, a taxa de homicídios no Ceará em 2014, último ano de Cid no governo, chegou a 46,76 por 100 mil habitantes.

tabela-taxa-homicidios 2

Já pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a taxa em 2014 chegou a 48,6.

Tabela anuário

Conclusão
Em 17 anos, a violência cresceu, é fato. Como também é fato que ela explodiu mesmo nos oito anos que precederam 2015. E o que isso significa? Que esse período deve ser estudado como um case invertido, um modelo de como não proceder em segurança pública.

De certa maneira, isso até aumenta a dimensão do feito em 2015, pois a gestão Camilo recebeu o Estado em posição crítica, no pior momento da segurança em sua História.  A construção desse desastre, pelos números, foi uma soma que em determinado momento se agravou localmente de modo intenso, o que revela relação direta entre a insegurança e um modo de fazer política que, se em outras áreas foi bem sucedido, fracassou na segurança como nunca antes se viu, não obstante tentativas de acerto.

Ter isso em mente foi o primeiro passo para começar a reverter esse quadro.

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Uma breve reflexão sobre 2015 e votos para um feliz 2016

Por Wanfil em Ao leitor

31 de dezembro de 2015

Todo ano em nossas vidas constitui um conjunto de oportunidades e aprendizados, alguns bons, outros ruins, mas que ao final, são sempre uma soma. Nesse circuito de altos e baixos, alguns anos deixam saudades e outros nascem sob o signo da esperança ou da incerteza. A nós cronistas cabe registrar os momentos que sintetizam, ou qualificam, o tempo vivido em nossas respectivas áreas de atuação nesse período. Sendo assim, vamos lá.

A Lava jato e as crises política e econômica
O ano de 2015 pode ser marcado, na política, pela confluência dos seguintes acontecimentos: recessão econômica profunda e sem perspectiva de melhora no curto prazo; crise fiscal e rombo nas contas públicas; impopularidade recorde da presidente Dilma Rousseff; Operação Lava Jato, com a inédita prisão de alguns dos maiores empreiteiros do país, de um banqueiro e de um senador; ameaça de impeachment e de cassação da presidente Dilma; ameaça de cassação e prisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do presidente do Senado, Renan Calheiros.

Os principais partidos do país estão na seguinte situação: PT acuado, PMDB rachado, PSDB perdido. O resto orbitar em torno desse núcleo.

Nos estados e municípios, a apreensão é imensa, com riscos de colapso fiscal em 2016, caso os repasses federais continuem represados.

Cid no ministério
No Ceará, tivemos a nomeação de Cid Gomes para o Ministério da Educação e sua queda, por questões políticas, apenas três meses depois. Cid não gosta de Eduardo Cunha, que anunciou sua demissão ao vivo em rede de televisão após ser chamado de achacador por Cid em sessão no Congresso. O fato rendeu elogios ao ex-governador, já que Cunha é quase tão impopular quanto Dilma, mas de nada ajudou a Educação. Por falar em Ferreira Gomes, a família mudou mais uma vez de partido e agora foi para o PDT, levando consigo seus comandados.

Golpe da refinaria
Em 2015 os cearenses ficaram sabendo, logo no início, que a promessa de uma refinaria da Petrobras foi uma mentira. Fomos miseravelmente enganados. Depois, descobriu-se que a obra nem sequer tinha registro e autorização na Agência Nacional de Petróleo. Se não falta quem enfrente Cunha no Ceará, não apareceu um governista para responsabilizar Dilma e Lula pelo estelionato eleitoral. Ficou tudo por isso mesmo. É o que chamei de “indignação seletiva”.

Seca, saúde e segurança
Camilo Santana, correligionário de Dilma e aliado de Cid, foi eleito governador, com três grandes desafios: segurança, seca e saúde. Na segurança, Camilo pacificou a relação do governo com os policiais militares, feito que merece destaque, e conseguiu reduzir o índice de homicídios que aumentava há 17 anos, com notória intensidade nos oito anos de Cid. Na seca, fez o que pode fazer quem recebe uma herança maldita: correu para viabilizar ações de emergência, enquanto aguarda a conclusão da transposição do São Francisco, eternamente adiada e prevista agora para 2016. Na saúde está a maior fragilidade da gestão. Além das tradicionais superlotações, a falta de insumos angustiou médicos e pacientes. O governo do Estado encerra o ano cobrando os repasses federais que deixaram de vir ao Ceará.

A esperança
Muitos outros acontecimentos contribuíram para deixar 2015 com cara de ano perdido na política. Como 2016 é ano de eleição, para quem é situação resta conviver com a difícil tarefa de tentar não ser alvo da insatisfação popular com as crises. Para quem é oposição, é a oportunidade de se apresentar como mudança. Para ser justo, 2015 tem na Lava Jato a luz de esperança para uma reconstrução política do Brasil. Velhos esquemas estão ruindo e até o ex-presidente Lula foi obrigado a depor na Polícia Federal. Isso não é obra de governantes, mas de um amadurecimento natural e progressivo das instituições democráticas. Que em 2016, se faça justiça e que a justiça sirva de exemplo para novos gestores.

Obrigado
Encerro por aqui agradecendo aos leitores por mais um ano juntos. Ano que vem volto com a coluna Política na Tribuna Band News, com o Revista Jangadeiro na Jangadeiro FM e claro, aqui no blog, meu lazer, embora pareça trabalho.

Portanto, um 2016 de paz, saúde, realizações para todos nós; um ano novo de melhorias para o Ceará e para o Brasil, mesmo que para isso sejam necessários vivenciar alguns traumas; um porvir de união, esperança e crescimento espiritual para os brasileiros. O resto, a gente corre atrás. Grande abraço!

Wanfil

 

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Investimentos públicos em Fortaleza despencam 30% em 2015: culpa de quem?

Por Wanfil em Fortaleza

27 de dezembro de 2015

Na comparação entre os anos de 2014 e 2015, o investimentos feitos pela Prefeitura de Fortaleza caíram 29,98%, segundo informações divulgadas neste domingo pelo jornal O Globo, com base nos relatórios apresentados no início do mês por 22 prefeitos de capitais ao Tesouro Nacional. Desse total, 14 estão no vermelho.

Fortaleza está em situação bem menos ruim do que Natal (-89,75%) e Curitiba (-63,71%), e pouco menos ruim que Vitória (-46,42%) e Belo Horizonte (-41,97%). No entanto, algumas poucas capitais conseguiram aumentar os investimentos, como Goiânia (+ 113,81%) e Cuiabá (+197,35%). Essas, entretanto, são exceções. No geral, o investimento nas capitais desabou.

O Globo ouviu o consultor econômico Irineu de Carvalho, da Associação dos Municípios do Estado do Ceará, que didaticamente explicou: “Num primeiro momento, o prefeito reduz o custeio, depois o investimento. Mas chega um momento que não tem muito mais o que fazer, e aí vai ter que começar a reduzir serviços”.

A matéria mostra ainda que contando as com as demais prefeituras, as que não são capitais de estados, que 62% delas devem a fornecedores. Em algumas, o investimento caiu 90%. Imaginem, por dedução lógica, a situação das prefeituras no interior do Ceará.

No título do post, pergunto de quem é a culpa. Como a maioria dos prefeitos cearenses é aliada ao governo Dilma por orientação do grupo político liderado pelo ex-governador Cid Gomes, eles responderiam mais tecnicamente ao questionamento. Diriam (como têm feito, com Roberto Cláudio à frente) que a conjunção de queda na arrecadação, redução do FPM e cenário de crise criou esse cenário de dificuldades e que a solução é enterrar a ideia de impeachment e voltar com a CPMF. Na verdade, eles ainda não se arriscam a chamar a recessão econômica criada pelos erros do governo federal pelo nome verdadeiro: Dilma Rousseff. Talvez em 2016, ano eleitoral, mudem de postura e resolvam não arcar sozinhos com os ônus do Palácio do Planalto.

 

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Governo Federal libera recursos para a transposição. Ótima notícia, mas é bom permanecer alerta

Por Wanfil em Ceará

23 de dezembro de 2015

Finalmente uma boa notícia do governo federal para o Ceará neste 2015, conforme registrado no site do governo estadual:

O Governo do Ceará, por meio da Secretaria das Cidades, assinou nesta terça-feira (22) o Termo de Compromisso com o Ministério da Integração Nacional, visando o repasse de recursos no valor de R$93.902.137,48 para a implantação, operação e manutenção da infraestrutura de abastecimento de água de comunidades rurais localizadas no Ceará, ao longo dos canais de integração do Rio São Francisco. O compromisso foi firmado durante visita da presidente Dilma Rousseff a Pernambuco.

Como todos sabem, a situação hídrica no estado é alarmante. O volume de água nos reservatórios está em 12,4% de sua capacidade total. Com previsão de mais um ano de estiagem, o empenho para garantir a conclusão da transposição em 2016 é vital para os cearenses e o governo estadual sabe disso.

Ver para crer
Durante a solenidade, o governador do Ceará, Camilo Santana, que pacientemente tem buscado recursos federais cada vez mais escassos por causa da recessão, comemorou:

“Para quem não acreditava, a transposição do rio São Francisco já é uma realidade e será muito importante para nosso estado e para toda Região Nordeste”.

Trata-se, repito, de uma ótima notícia. É um rumo que aponta para uma saída, uma luz no fim do túnel, mas ainda não é uma realidade pronta e acabada. Não há dúvida de que o aporte de água será muito importante para o Ceará e o Nordeste. E realmente muita gente, principalmente no início do empreendimento, não acreditava que a transposição fosse viável. Falava-se até no risco de prejudicar o São Francisco. Isso parece superado, portanto, é importante não confundir esses incrédulos com os que criticam o atraso e as suspeitas de corrupção na obra. A cobrança também é parte importante, pois impele o cobrado a agir.

Portanto, a liberação dos recursos é um alívio, porém, convém não descansar enquanto a transposição não estiver funcionando plenamente, levando água para os cearenses. A história de sua construção mostra que a obra está sujeita a problemas diversos, principalmente de gerenciamento e de custos, que adiantem sua finalização. Com a seca, isso não é mais tolerável. Vamos aguardar mais notícias positivas, alertas para que nada as prejudique.

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Como ficaria o Ceará num eventual governo Temer?

Por Wanfil em Política

09 de dezembro de 2015

Michel Temer arte

Possível governo Temer já provoca debates. No Ceará, o eixo de poder mudaria radicalmente

Brasília, 2016. O governador Camilo Santana, do PT, vai a Brasília conversar com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Na pauta, ações contra a seca. Santana é informado que novas verbas já foram alocadas a pedido do senador Eunício Oliveira, que divulgará a notícia no mesmo dia aos cearenses, junto com o ministro da Integração, José Serra. Com as bênçãos do Planalto, Oliveira trabalha com o PSDB para confirmar o hub da TAM no Ceará. Agradecido, o governador elogia o espírito republicano do novo presidente. Roberto Cláudio não é recebido, por ter acusado o PMDB de ser chantagista. O governo federal prefere esperar pelo próximo prefeito de Fortaleza a ser eleito em breve, de preferência, alguém do próprio PMDB ou aliado. Enquanto isso, Ciro e Cid Gomes, sem mandatos, acusam Temer de ser chefe de quadrilha, o que isola ainda mais Camilo Santana e Roberto Cláudio.

Esse é o pior pesadelo do grupo liderado por Ciro no Ceará. E depois da sova que o governo tomou na Câmara, quando a oposição e dissidentes do PMDB, sob o comando de Temer, elegeram uma chapa pró-impeachment para a Comissão Especial que irá analisar o pedido de afastamento de Dilma, o pesadelo ganha contornos de realidade em formação. Pesadelo político. Administrativamente, o Ceará sempre foi desprezado pelas gestões petistas no Planalto, ao contrário de Pernambuco e Alagoas.

Na verdade, o Ceará foi humilhado no caso da refinaria e enormemente prejudicado com os atrasos na transposição do São Francisco. Portanto, as mudanças, a princípio, seriam mesmo de caráter estritamente político, com a transferência do eixo de poder para o PMDB estadual. O PT estaria na difícil situação de ser oposição nacionalmente e precisar conviver institucionalmente com os peemedebistas como situação local. Os Ferreira Gomes, inimigos de Temer e do PMDB, ficariam por conta própria, buscando defender seu feudo em Sobral, já que a base aliada de Dilma no estado mudaria rapidinho de lado, fazendo juras de amor ao governo de plantão.

O futuro é imprevisível e tudo ainda está no campo das hipóteses. Não é questão de torcer contra ou a favor, mas de fazer uma projeção pragmática, com base em premissas que estão sim na ordem do dia, independente das vontades. Se pode acontecer, então é preciso estar minimamente preparado. Até porque a derrota do governo, que está em indiscutível minoria na Câmara, reforça um pouco mais a expectativa – com o medo dos governistas e a ansiedade mal disfarçada dos oposicionistas – de que essas possibilidades possam a vir se tornar realidade. Na política, a perspectiva de poder é o centro gravitacional onde orbitam candidatos e partidos. E, no momento, esse centro de atração parece mais forte para os que estão a favor do impeachment.

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Hospital Universitário para por falta de verbas: pois é, professor Jesualdo…

Por Wanfil em Ceará

30 de novembro de 2015

Vivendo a maior crise de sua história, o Hospital Universitário Walter Cantídio para atividades por causa da falta de repasses de verbas do governo federal, via SUS. É o que dizem médicos e gestores da instituição, em notas publicadas na imprensa e depoimentos nas rede sociais. Serão suspensos transplantes de rim, pâncreas, fígado e medula óssea. Outros procedimentos serão progressivamente reduzidos.

Às pressas, o reitor da Universidade Federal do Ceará, Henry Campos, foi a Brasília tentar uma saída junto ao secretário superior do Ministério da Educação, Jesualdo Farias, que antecedeu Campos na reitoria da UFC. Aliás, Jesualdo foi um dos 54 reitores (de um total de 58) que em 2014 assinaram um manifesto de apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, que assim justificava o posicionamento do grupo (grifos meus):

“Enquanto educadores, dirigentes universitários eleitos e com mandato, mas sobretudo como cidadãos que desejam ver o país continuar avançando, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção e com o respeito que merecem todos os candidatos a presidente da República que estamos no rumo certo, portanto, devemos continuar lutando e exigindo a perenidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis”.

A militância eleitoral rendeu a Jesualdo uma indicação para o Ministério da Educação, porém, a UFC e o hospital universitário estão como todos sabem. Confundir o papel de “cidadão” com as responsabilidades de gestor pode dar nisso. Fica pelo menos o registro de que Dilma não afundou o Brasil, a educação e a saúde sozinha.

Cota
Um jornalista do Sistema Jangadeiro me informou há pouco que médicos do HUWC, desses que trabalham longe dos  manifestos eleitorais e que preferem o anonimato, estão fazendo uma cota para pagar, do próprio bolso, os custos para realizar um transplante de fígado, pois o paciente corre sério risco. Essa é a situação. Médicos demonizados como culpados pela crise na saúde durante a campanha eleitoral, acusados de ser contra o programa “Mais Médicos” só por birra. Médicos que agora são criticados pela reitoria por ameaçarem suspender cirurgias por falta de condições de trabalho e de respeito aos pacientes.

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Deputados ignoram secretário e aprovam requerimento pedindo a Camilo que avalie presença da Força Nacional no Ceará

Por Wanfil em Política

19 de novembro de 2015

Numa decisão surpreendente, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou requerimento de autoria do deputado Capitão Wagner (PR), que solicita ao governador Camilo Santana (PT) que “avalie a necessidade da presença da Força Nacional de Segurança no nosso Estado”.

A razão do pedido foram os recentes casos de assassinatos no bairro Messejana, em Fortaleza; ataques a delegacias e quartéis, com carros incendiados; além de uma onda de boatos no Whatsapp, com ameaças à população.

Para ser aprovado, foram necessárias alterações no texto original. Depois de negociar com o líder do governo na Casa, Evandro Leitão (PDT), a nova redação amenizou o tom de cobrança, destacando tratar-se de uma consulta.

Quando a maioria recua
A surpresa fica por conta da postura da base aliada. Como a oposição é minoria, o requerimento poderia ser reprovado com facilidade, poupando o governador do constrangimento de ter que se posicionar sobre essa possibilidade, que na prática, sugere falta de condições para o controle da situação com as forças locais.

Sem esquecer ainda que a posição da gestão a respeito já havia sido manifestada um dia antes, na própria Assembleia, quando o secretário de Segurança, Delci Teixeira, descartou a ideia de pedir apoio federal. Ficou a impressão de que os aliados de Camilo não acreditaram muito no que diz o próprio governo, na figura do responsável pela área.

Entre a convicção no apoio ao secretário e ao próprio governo e o risco de parecer mais uma vez omissa perante os eleitores, a base optou por aprovar o requerimento.

Segue abaixo o requerimento aprovado:

Requerimento AL Força Nacional

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Redução da desigualdade no Ceará coincide com aumento de famílias dependentes do Bolsa Família entre 2004 e 2014

Por Wanfil em Ceará

18 de novembro de 2015

Informa o site do Governo do Ceará:

“Nos últimos 10 anos, a desigualdade social e a pobreza foram reduzidas de forma drástica no Ceará. (…) Os 10% mais pobres, por exemplo, apresentaram um crescimento médio de 85,1% na renda, entre 2004 e 2014. O percentual de pessoas abaixo da linha da pobreza no Ceará reduziu de 47,5%, em 2004, para 17,3%, em 2014.”

Os dados são do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). Nesses 10 anos avaliados, dois pontos merecem atenção:

1) o período foi marcado por um ambiente econômico favorável nacionalmente, marcado por crescimento econômico razoável, inflação sob controle, oferta de crédito, demanda por commodities, e câmbio barato. Condições que agora deixaram de existir;

2) o papel dos programas de transferência de renda nessa equação, cuja importância é reconhecida pelo próprio diretor do Ipece, Flávio Ataliba. Em certa medida, as pessoas deixaram de ser pobres porque recebem dinheiro desses programas. Se deixarem de receber, voltam a ser pobres. Basta conferir a Matriz de Informação Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome: em 2004, no Ceará, 572.730 famílias eram assistidas pelo Bolsa Família. Dez anos depois, o número de famílias beneficiárias do programa subiu para 1.089.813. Qualquer relação de causa e efeito não é mera coincidência.

Conclusão: cenário econômico de crescimento baseado em oferta de crédito e estímulo ao consumo, somada à programas de transferência, especialmente o Bolsa Família, ajudaram a reduzir, momentaneamente, a pobreza. Na verdade, há nisso tudo uma enorme contradição. Se a pobreza e a desigualdade diminuíram, como explicar o aumento de famílias necessitadas dos programas de transferência?

Não houve, por exemplo, grandes saltos na educação, esperança de emancipação econômica para os filhos dessas famílias beneficiárias. De acordo com o mesmo Ipece, em 2004, apenas 5,5% dos cearenses com mais de 25 anos tinham ensino superior completo, contra 7,4% em 2014. Um avanço muito tímido.

Infelizmente, a redução da desigualdade ainda depende muito, demais, do assistencialismo oficial que vem de fora.

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Redução da desigualdade no Ceará coincide com aumento de famílias dependentes do Bolsa Família entre 2004 e 2014

Por Wanfil em Ceará

18 de novembro de 2015

Informa o site do Governo do Ceará:

“Nos últimos 10 anos, a desigualdade social e a pobreza foram reduzidas de forma drástica no Ceará. (…) Os 10% mais pobres, por exemplo, apresentaram um crescimento médio de 85,1% na renda, entre 2004 e 2014. O percentual de pessoas abaixo da linha da pobreza no Ceará reduziu de 47,5%, em 2004, para 17,3%, em 2014.”

Os dados são do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). Nesses 10 anos avaliados, dois pontos merecem atenção:

1) o período foi marcado por um ambiente econômico favorável nacionalmente, marcado por crescimento econômico razoável, inflação sob controle, oferta de crédito, demanda por commodities, e câmbio barato. Condições que agora deixaram de existir;

2) o papel dos programas de transferência de renda nessa equação, cuja importância é reconhecida pelo próprio diretor do Ipece, Flávio Ataliba. Em certa medida, as pessoas deixaram de ser pobres porque recebem dinheiro desses programas. Se deixarem de receber, voltam a ser pobres. Basta conferir a Matriz de Informação Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome: em 2004, no Ceará, 572.730 famílias eram assistidas pelo Bolsa Família. Dez anos depois, o número de famílias beneficiárias do programa subiu para 1.089.813. Qualquer relação de causa e efeito não é mera coincidência.

Conclusão: cenário econômico de crescimento baseado em oferta de crédito e estímulo ao consumo, somada à programas de transferência, especialmente o Bolsa Família, ajudaram a reduzir, momentaneamente, a pobreza. Na verdade, há nisso tudo uma enorme contradição. Se a pobreza e a desigualdade diminuíram, como explicar o aumento de famílias necessitadas dos programas de transferência?

Não houve, por exemplo, grandes saltos na educação, esperança de emancipação econômica para os filhos dessas famílias beneficiárias. De acordo com o mesmo Ipece, em 2004, apenas 5,5% dos cearenses com mais de 25 anos tinham ensino superior completo, contra 7,4% em 2014. Um avanço muito tímido.

Infelizmente, a redução da desigualdade ainda depende muito, demais, do assistencialismo oficial que vem de fora.