Ceará Archives - Página 30 de 42 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ceará

Datafolha no Ceará: início sem surpresas para o Senado

Por Wanfil em Pesquisa

16 de agosto de 2014

Foram divulgados neste sábado os números do Datafolha para as eleições ao Senado, no Ceará. O levantamento foi publicado pelo jornal o povo.

– Tasso Jereissati (PSDB_– 53%
– Mauro Filho (Pros) – 18%
– Raquel Dias (PSTU) – 5%
– Geovana Cartaxo (PSB) – 3%
– Branco/nulo – 9%
– Não sabe – 10%

Esse é o cenário que antecede o início do horário eleitoral, na próxima terça-feira. O desafio agora é traçar as estratégias certas, especialmente no caso das principai9s coligações.

A vantagem de Tasso é considerável. Se Mauro conseguisse conquistar todos os indecisos e reverter brancos e nulos, ainda ficaria 16 pontos atrás, praticamente o seu índice atual. Isso não significa que a fatura esteja certa, mas mostra o tamanho do desafio do candidato da situação.

Não existem agora as condições favoráveis que embalaram as candidaturas governistas em 2010. Naquele ano, o governo federal tinha aprovação recorde e a oposição estava isolada. A conjuntura hoje é bem diferente. Dilma chega ao quarto ano de seu mandato em situação de queda de popularidade. Pode vencer, mas não empolga e não desperta paixões. A economia desandou: o país não cresce, a inflação pressiona. Em 2014, no Ceará, ainda existe um componente adicional: a oposição ganhou o reforço do PMDB, ex-aliado ao governo estadual. Ganhou tempo e estrutura que não tinha antes.

Além do mais, o Datafolha confirma uma regra clássica das pesquisas: fica na frente quem é mais conhecido, que é o caso de Tasso. A seu favor conta a qualidade desses números: a liderança se confirma em todos os estratos e segmentos pesquisados.

Por sua vez, Mauro Filho teve a candidatura definida na última hora, em substituição ao nome de José Guimarães, seu aliado, por causa do arranjo político entre o Pros e PT, que ficou com Camilo Santana na cabeça de chapa. O fato de ser menos conhecido pode ser revertido com o horário eleitoral. Porém, esse ponto não se configura como grande vantagem, pois os tempos das coligações são parecidos. O problema mesmo é o pouco tempo para reverter a situação.

Se por um lado Tasso e Eunício possuem capital político próprio e não dependem de terceiros, por outro Mauro e Camilo dependem muito do engajamento de seus padrinhos políticos Cid e Ciro Gomes. Talvez por isso os irmãos já tenham partido para o ataque, com aquele estilo peculiar de sempre, em palanques e nas redes sociais. Agem como protagonistas da disputa, enquanto seus indicados ficam calados, na esperança de enfraquecer os adversários.

Isso também não é surpresa. Estando atrás, os governistas precisam arriscar. E o risco é saber combinar as doses de propaganda positiva a favor de seus indicados e propaganda negativa contra opositores que remete o leitor à imagem de ex-companheiros traídos por quem soube se aproveitar deles. Em eleições, assim como nos filmes, o público costuma a simpatizar com a vítima.

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Datafolha mostra cenário de incertezas e tentações

Por Wanfil em Pesquisa

14 de agosto de 2014

Os números do instituto Datafolha para a disputa pelo governo do Estado no Ceará, publicados pelo jornal O Povo nesta quinta-feira, mostram o seguinte quadro (pesquisa estimulada):

– Eunício Oliveira (PMDB) – 47%
– Camilo Santana (PT) – 19%
– Eliane Novais (PSB) – 7%
– Ailton Lopes (PSOL) – 4%
– Brancos/nulos – 10%
– Não sabe – 13%

Em relação à rejeição, esse são os índices:

– Camilo Santana (PT) – 30%
– Eliane Novais (PSB) – 28%
– Ailton Lopes (PSOL) – 26%
– Eunício Oliveira (PMDB) – 16%
– Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum – 16%
– Rejeita todos/não votaria em nenhum – 5%
– Não sabe – 16%

O cenário
Eleições são apostas feitas não apenas por candidatos, mas pelo conjunto de forças políticas que se movimentam à procura de espaços no próximo governo. Apostar é assumir riscos. E como ninguém quer perder, a repercussão das pesquisas funciona mais ou menos como termômetro para validar ou mudar essas apostas.

Hoje, o cenário é o seguinte: uma chapa de oposição lidera com folga, seguida do candidato escolhido por um governo com aprovação em queda (mas razoável) e que parte com menos da metade das intenções de voto registradas pelo primeiro colocado. Como tem a máquina, a expectativa é que essa vantagem recue com o início do horário eleitoral. A questão é saber se haverá tempo hábil para buscar uma melhor posição.

Ocorre que, sem nenhuma campanha negativa tenha sido feita pelos adversários, o candidato governista tem a maior rejeição, o que gera dúvidas sobre o alcance de sua capacidade de reação, ainda mais quando se sabe que a aprovação à gestão de Cid Gomes caiu de 65% no início do segundo mandato para 46% agora. Ou seja, o lastro do fiador encurtou.

Tentações
Diante disso a primeira tentação para os aliados do governo é a de construir pontes de diálogo com a oposição, pois existe uma chance real de que ela vença. Aí nasce um impasse: ficar ou mudar? Quem é governista hoje, na sua grande maioria, é por conveniência e não por idealismo. Por isso mesmo pretende continuar governo amanhã, não importa muito quem seja o governador. Foi assim em 2006, quando Cid venceu Lúcio Alcântara. Nesse ambiente de incertezas, aliados da base que estão inseguros viram alvos da abordagem oposicionista. Já o governo, se reagir com truculência, na base da ameaça, tende a criar uma antipatia. Todavia, se ficar parado pedindo mais um tempo, pode ser atropelado.

Duas coisas poderiam compensar essa situação para Camilo Santana: o engajamento pessoal e intenso da presidente Dilma (não que ela transfira votos assim, mas pela força política que o candidato demonstraria) e uma grande vantagem de tempo no horário eleitoral gratuito. Acontece que isso não aconteceu e Dilma espera o desenrolar da campanha para ver como agir, pois não quer se indispor com o PMDB de Eunício Oliveira.

Pressionado pelos números e pelas circunstâncias, a candidatura de situação fica exposta a uma segunda tentação: adotar um discurso agressivo. O fato é que mesmo se todos os 13% do eleitores em dúvida optassem por Camilo Santana (o que é impossível), ainda assim ele não passaria Eunício. É preciso, portanto, fazer o adversário perder votos. Talvez por isso Ciro Gomes tenha dito que essa será uma eleição de ódio. Embora cutucasse a oposição, no fundo parecia sentir essa possibilidade como necessidade estratégica para o seu próprio candidato. Não por outra foi ele o autor das primeiras agressões verbais da campanha. O perigo aí, todos sabem, é que o preço para desconstruir o adversário pelo ataque é perder a simpatia dos eleitores, que passariam a ver o outro como vítima.

Por fim, o Datafolha registra um cenário onde a coligação governista deverá concentrar esforços em fazer sua candidatura avançar com mais velocidade. O foco é fazer valer o cabeça de chapa e o resto vem depois. Para isso, tem que segurar o impasse de seus aliados de conveniência e saber como atacar, para não acabar dando um tiro no próprio pé. E ainda resta ver como os atacados irão reagir. A meu ver, aí está a chave dessas eleições.

É claro que nada está definido e tudo pode mudar. A leitura dessas primeiras pesquisas não indica quem vencerá, mas revela que o páreo será duro e mais equilibrado do que o governo imaginou. As apostas estão abertas.

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E aí, quem foi melhor: Tasso ou Cid?

Por Wanfil em Política

08 de agosto de 2014

Quem foi melhor governador: Tasso Jereissati ou Cid Gomes? Quem fez mais? Quem construiu melhor? Quem tem mais liderança e autoridade? São questões que servem para atiçar paixões e mobilizar admiradores, que verão no seu preferido o nome certo para respondê-las. Na prática, aos olhos do historiador mais distante, tem pouca serventia.

De qualquer modo, chama a atenção o fato de que o apelo à comparação tem sido feito, de forma reiterada, pelo atual governador do Ceará, Cid Gomes, do Pros. O mais recente episódio com essa característica aconteceu após críticas feitas por Tasso, hoje candidato ao Senado pelo PSDB, em bate-papo com jovens pela internet na última quarta-feira (6). No dia seguinte, Cid anunciou em sua página pessoal no Facebook que comentaria as declarações e assim o fez.

Em linhas gerais, Tasso havia dito que faltou melhor planejamento e mais gente preparada nas ações de segurança pública, combate à seca e saúde. É perfeitamente normal e desejável que opositores façam críticas aos governos, sobretudo, quando fazem isso sem descambar para ataques pessoais ou acusações infundadas.

Por outro lado, é compressível que o governador Cid Gomes procure defender as ações o legado de sua gestão, especialmente quando pontos dele são questionados por um ex-governador.

Cid Gomes evitou adjetivos depreciativos ao ex-governador, no que acertou, pois as críticas de Tasso foram colocadas sem ofensas ou coisas do tipo. Mesmo assim, em alguns momentos, ficou a impressão de que aqueles questionamentos incomodam o governador de forma peculiar.

Logo de partida, Cid classificou as críticas de “ranzinzas”, deixando escapar que, para ele, somente alguém desprovido de bom humor pode ver defeitos em sua gestão. Fica parecendo que existe certa dificuldade em lidar com contestações. Imagine se o PT fosse oposição ao seu governo.

Em outro momento, ao defender suas ações na Segurança, o governador optou por comparar fotos antigas do Ciops (criado por Tasso), onde servidores operam computadores típicos dos anos 90, com imagens recentes, nas quais o aparato tecnológico é (não poderia ser diferente), mais moderno. Sobre dados e índices, nada. No fim, uma boa oportunidade de falar sobre o tema com seriedade acabou, infelizmente, perdida.

Fora isso, existe ainda um problema de natureza lógica. Ao tentar desmerecer a gestão de Tasso, Cid esquece que ele mesmo e seu grupo fizeram parte daquele momento. Tasso, a rigor, fez uma ruptura com a estrutura política que o antecedeu. Cid deu continuidade aos governos que lhe precederam. Isso não desmerece ninguém, apenas situa cada gestão.

É inegável que ambos foram governadores que deixaram suas marcas e fizeram história. Isso a maioria reconhece. Mas o que está em jogo não é a vaidade de saber quem fez mais ou fez menos, até porque foram momentos distintos, cada um com suas singularidades. Como ficou claro nos comentários feitos por internautas no Facebook do governador, as pessoas não estão lá muito interessadas nesse tipo de querela estéril. Elas querem é discutir o presente para fazerem suas escolhas de olho no futuro.

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Justiça investiga convênios entre prefeituras e a Secretaria das Cidades. Uma história de muitas coincidências!

Por Wanfil em Eleições 2014

07 de agosto de 2014

A Justiça Eleitoral está investigando convênios feitos pela Secretaria das Cidades com prefeituras do interior comandadas por aliados do governo estadual. A suspeita é que parte desses recursos, cerca de R$ 40 milhões, tenha sido liberada na antevéspera do prazo limite que proíbe a prática, justamente para cooptar apoio eleitoral. Também será investigado o possível repasse de verbas após o dia 5 de julho, o que não pode, pois a legislação impede a celebração desses contratos nos três meses que antecedem a eleição.

Com isso, o Ministério Público Eleitoral ajuizou ação contra o Secretário das Cidades, Carlo Ferrentini Sampaio, e contra os candidatos a governador e vice pela coligação “Para o Ceará Seguir Mudando”, Camilo Santana (PT) e Izolda Cela (Pros).

Desde já, anoto duas coincidências. De novo convênios celebrados pela Secretaria das Cidades com prefeituras viram objeto de investigação. Para quem não lembra, a pasta ficou nacionalmente conhecida com o “escândalo dos banheiros fantasmas”, caso que estourou entre 2010 e 2011, quando, também por coincidência, vejam só, Camilo Santana era o secretário.

O peso da dúvida
Voltando aos fatos do presente, o sentido da lei é preservar o mínimo de condições de igualdade entre os candidatos, inibindo a ação descarada de governos que buscam interferir na disputa distribuindo dinheiro público a partir de critérios eleitoreiros.

Se comprovada, será uma nódoa na gestão de Cid Gomes, pois o caso ficaria como comprovação cabal de que seu governo confunde o público com o privado, e de que se vale de artifícios desonestos para fraudar eleições. Mas é preciso lembrar que tudo ainda está sob investigação. Se nada restar provado, será um atestado de lisura para a coligação governista, não é mesmo? No máximo, poderão ser acusados de esperteza por saberem agir na fronteira entre o legal e o ilegal. O que no mundo político soa como elogio. O que não pode é ficar a dúvida no ar. Assim, que a Justiça apure tudo com urgência, de modo a proteger o processo eleitoral e o próprio eleitor.

Erro ou má fé? 
Levando em conta a presunção de inocência, digamos que esses recursos tenham sido repassados em data proibida para aliados do governo por mero erro técnico, uma incrível coincidência (mais uma!) desprovida de má fé. Nesse caso, de pouco adianta alegar que foi tudo sem querer querendo, pois isso não muda o efeito dos atos praticados. A questão é saber se a lei foi infringida em favor da coligação apoiada pelo próprio governo, o que é gravíssimo.

Cuidado
Fica o alerta para as demais secretarias e principalmente para os seus gestores: cuidado para não confundirem os papéis. Uma coisa é cargo de confiança, outra bem diferente é atuar como militantes e cabos eleitorais. O limite é a lei. E a Justiça.

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E o tema da eleição é: ‘milionários X profissionais da política’

Por Wanfil em Eleições 2014

04 de agosto de 2014

“Aqui não tem milionários”, diz Camilo Santana, candidato do PT ao governo do Ceará, que na verdade é um candidato genérico do Pros, partido que hoje comanda o Estado. É uma crítica aos patrimônios dos candidatos Eunício Oliveira, do PMDB, e Tasso Jereissati, do PSDB. Tecnicamente, é uma aposta na clivagem surrada, mas de algum apelo em países de grande desigualdade social, entre ricos e pobres. A mensagem é: somos nós, os pobres, contra eles, os ricos.

Marxismo de botequim como estratégia
Esse apelo ao marxismo de botequim não é à toa e tem função estratégica clara. Foi lançado nessas eleições por Ciro Gomes, outro que se quer humilde despossuído, com seu estilo peculiar. Camilo depois retoma o assunto, de forma mais moderada, para deixá-lo em evidência. De quebra, é uma alusão ao fato de Eunício possuir empresas que tem contratos com governos. Como um de seus clientes é o governo federal, seria bom que Ciro e Camilo alertassem Dilma caso realmente saibam de algo desabonador, não é?

Outro ponto interessante é que, apesar de fazer graça com a história de que não tem milionários na chapa, a coligação tem previsão de gastos de dezenas de milhões de reais. Pode parecer uma contradição, e milhões sem milionários é algo suspeito por natureza, mas como estamos falando de política, o raciocínio lógico nem sempre prevalece.

Notem que se trata de um cálculo. O candidato poderia dizer: “Aqui não tem corrupto”. Mas seu partido é o partido do mensalão. Melhor não ir por aí. Quem sabe um “aqui não tem traidor”, mas aí complicava o pessoal do Pros, aliados de Cid que mudam de partido vez por outra.

Revide
A resposta de Eunício e alguns aliados tem sido mais ou menos esta: “Não vamos baixar o nível e entrar em bate-boca, mas aqui não tem profissional da política”, em referência ao fato de Cid e Ciro Gomes, padrinhos da candidatura de Camilo, não possuírem atividade profissional conhecida fora da política, afinal, desde jovens ocupam cargos públicos.

Ficasse apenas na primeira parte, seria uma boa resposta, mas com o complemento, perde a eficácia, pois acaba servindo ao propósito dos ataques, pois termina dentro do tema proposto pelos adversários. Qualquer resposta que repercuta as acusações e ilações feitas por quem está atrás nas pesquisas tem o poder de colocá-lo no debate em condição estratégica favorável. Tem muito consultor dizendo que não responder é o pior. Nada disso. Responder aquilo o que espera o concorrente é que é o erro. O segredo aí é mudar o eixo da prosa. O revide precisa desmontar a intenção do outro candidato.

Se provocam com o “aqui não tem milionário”, a melhor resposta seria “aqui não tem incompetente”, ou “aqui tem gente indignada com a insegurança, com a seca, com a saúde precária”. Tirar o foco da discussão do patrimônio pessoal dos candidatos, que a rigor não tem nada demais (a não ser que existam provas de crimes), afinal, não é ilegal ser rico ou ter a política como profissão, e trazê-la para as questões administrativas.

Quem define o tema do debate leva vantagem
Aprendi que leva sempre vantagem quem estabelece os temas sobre os quais a campanha irá se desenrolar. Nesse momento, a luta é exatamente essa. Estamos com açudes secando, uma situação calamitosa, violência em alta e saúde desaprovada em pesquisas. Por enquanto, tudo isso aguarda por um debate. Pode ser que estejam esperando a propaganda de televisão. A demora, no entanto, beneficia quem não quer falar desses assuntos.

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Campanha no Ceará marcada por baixarias: mais respeito com o eleitor, senhores!

Por Wanfil em Eleições 2014

30 de julho de 2014

Começou mal a campanha eleitoral no Ceará. Troca de acusações, xingamentos, demonstrações de ressentimento e o uso de insinuações depreciativas sobre adversários ofuscam qualquer debate sobre os reais problemas do Estado. A maioria dessas manifestações são protagonizadas por membros das duas maiores coligações, geralmente aliados e correligionários dos candidatos.

Pelo lado de Camilo Santana (PT), Ciro Gomes, ex-governador e atual secretário de Saúde – área mais preocupante para o eleitor cearense segundo o Ibope -, abusa das declarações agressivas contra opositores. É do seu estilo, todos sabem, mas como tudo demais é veneno, por muitas vezes essa postura mais atrapalha do que ajuda. Com o agravante de que se trata de político experiente e de inteligência afiada, mas que não raro sucumbe ao apelo das emoções.

Durante a inauguração do comitê do candidato Camilo, Ciro chamou o candidato do PMDB, Eunício Oliveira, entre outras coisas, de “petralha”. O colunista Josias de Souza, do UOL, cravou: “ato falho”. Ciro veria o petismo como sinônimo de roubo, já que o termo petralha, criado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, é a junção de petista com metralha, uma alusão aos criminosos “Irmãos Metralha”, personagens de histórias em quadrinhos. Nunca gostei do adjetivo e nunca o empreguei, por entendê-lo com uma espécie de infantilização do debate político. Seu contraponto, assinado por Paulo Henrique Amorim, é o PIG (porco em inglês), que significa Partido da Imprensa Golpista. Quanta bobagem! Voltando ao Ceará, Ciro explicou depois que foi um erro, mas que tem críticas a setores do PT, justamente o partido de Camilo. Ganhou o quê com isso? Nada.

Outro que tenta mostrar serviço como infantaria no front da baixaria foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao insinuar (repetindo Ciro) que Eunício “se serviu da política” para enriquecer. Se serviu como? Ninguém diz ou mostra indício, muito menos representa judicialmente o que afirma. Se uma autoridade sabe de crimes cometidos por outra e não os revela, então prevarica.

Do lado de Eunício, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acusa a prefeitura de distribuir cargos para cooptar aliados. Assim como seus adversários, fala, mas não prova nada.

Se um candidato tem algo a informar sobre a postura ética ou moral do adversário no passado, e que seja de interesse geral, que o faça, mas desde que amparado em fatos comprovados. Ademais, ninguém é ingênuo de acreditar que uma campanha, parafraseando Nelson Rodrigues, só se faz com bons sentimentos. É preciso bom senso, maturidade.

A política é o espaço natural de confrontação de ideias, de visões de mundo, de concepções e métodos da administração pública. É também – como podemos testemunhar -, ambiente de choque de projetos pessoais, de traições sórdidas e de compromissos não cumpridos. Nada disso é exclusivo dos políticos cearenses, apenas está mais perto de nós que vivemos aqui. Mas com o tempo, ao perdurar esse tipo de instabilidade, a imagem coletiva do Estado se consolida e seu prestígio político míngua. Esse é um dos motivos da ausência de grandes obras federais no Ceará nos últimos anos: seus representantes não possuem unidade estratégica, pois as pontes de diálogo são dinamitadas a cada eleição. A grande coalizão governista aqui nunca passou de uma ilusão, como agora podemos constatar.

É preciso que os candidatos coloquem (se puderem), limites nos seus aliados, para que a campanha tenha algum espaço para proposituras. Como eu já disse em outro post, se não podem fazer isso em respeito ao adversário e à democracia, que façam em atenção ao eleitor.

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Justiça barra tentativa governista de impedir candidatura de oposição no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2014

24 de julho de 2014

Eu sei, eu sei. Os ânimos estão aflorados no Ceará e os ressentimentos turvam o bom senso nessas eleições, mas é preciso discernimento para impedir o impulso da intolerância, afinal, política é o espaço das convergências e também das divergências. Na falta de respeito pelos adversários e pela própria imagem, que isso seja feito pelo menos em consideração ao digníssimo eleitor.

Ameaça
Vou explicar onde quero chegar com essa conversa. A Justiça Eleitoral julgou improcedente o pedido de impugnação feito pela coligação do petista Camilo Santana, candidato à sucessão estadual ungido pelo governador Cid Gomes, contra a coligação do peemedebista e ex-aliado Eunício Oliveira.

Nada contra ações judiciais, que isso é natural e civilizado, mas é preciso levar em consideração a intenção do processo. A candidatura governista buscou impedir judicialmente uma candidatura de oposição, aliás, a única que representa ameaça ao seu projeto de manutenção. Como ainda existem juízes no Ceará, a coisa não prosperou e acabou rejeitada por unanimidade no Tribunal Regional Eleitoral.

O caso
Vamos ao caso. Camilo Santana questionava o conteúdo das atas dos partidos que apoiam Eunício Oliveira, alegando que algumas siglas não registraram os nomes dos demais partidos da coligação feita com o PMDB. Segundo a acusação, alguns desses partidos acabaram enganados, pois ao se aliarem com dois partidos, acabaram incluídos numa aliança com outras sete agremiações.

Em seu voto, o juiz Luis Praxedes citou jurisprudência mostrando que só os partidos da própria coligação questionada teriam legitimidade para mover a ação. O relator do processo no Ministério Público Eleitoral, Rômulo Conrado, afirmou que o fato apontado pela acusação não passa de “mero erro formal”, insuficiente para invalidar a candidatura da oposição.

Quem decide é o eleitor
Como eu já disse, é normal candidatos, partidos e coligações acionarem a justiça, especialmente em período eleitoral. Mas uma coisa é questionar adversários juridicamente sobre eventuais erros de conduta ou vantagens indevidas, como propaganda irregular, uso da máquina pública ou abuso de poder político ou econômico; outra bem diferente é tentar impedir que a oposição tenha uma candidatura. Não se trata de ser a favor deste ou daquele, mas de preservar a prerrogativa básica dos eleitores: o direito ao voto livre.

Uma candidatura, claro, pode ser impugnada e o Ministério Público já acionou a justiça nesse sentido em várias ocasiões. Mas no caso em questão, provocado por candidatura oficial com base em argumentos insustentáveis, vale dizer: operou-se tentativa de interditar o processo eleitoral. Ao contrário do que acontece em regimes autoritários, nas democracias, opositores podem apresentar candidaturas contra os governos de plantão, sem risco de sabotagens ou de intimidações de qualquer natureza. Isso faz parte do conceito de alternância: ninguém é dono do poder, que emana do povo.

Má impressão
No final, a marmota acaba prejudicando a imagem da própria coligação governista. Quando um governo não quer compreender ou aceitar a legitimidade de grupos opositores, buscando deixar o eleitor sem qualquer opção que não seja o seu indicado, é sinal, no mínimo, de arrogância e prepotência. Ou então, de insegurança no próprio candidato que escolheu para manter-se no poder. Não fica bem. Que prevaleça o bom senso.

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Ibope mostra diferença de capital político entre candidaturas naturais e as fabricadas

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de julho de 2014

Na primeira pesquisa Ibope feita no Ceará após a oficialização das candidaturas, Eunício Oliveira (PMDB) lidera para o governo do Estado com 44% das intenções de voto, seguido por Camilo Santana (PT), que aparece com 14%. Para o Senado, Tasso Jereissati (PSDB) parte na frente com 58%, contra 14% de Mauro Filho (Pros).

Os números, encomendados pela TV Verdes Mares, refletem o peso eleitoral de cada um na largada. Enquanto Eunício e Tasso dispensam padrinhos políticos, Camilo e Mauro, lançados de última hora, surpreendendo até aliados, dependem da transferência de parte do capital político do governador Cid Gomes. Não por acaso, ambos cravaram o mesmo índice. A questão é saber até onde essa influência poderá carregar os candidatos governistas.

O desempenho das candidaturas menores não deve ser menosprezado. Para o governo estadual, Eliane Novais (PSB) tem 6% e Ailton Lopes (Psol) 3%. Juntos, conseguem quase 10% dos votos, que no final podem fazer falta aos líderes. Já para o Senado, Rachel Dias (Psol) tem 5% e Geovana Cartaxo (PSB), 2%.

Certamente os números deverão variar conforme a dinâmica das campanhas. Fatores como a eventual influência de padrinhos políticos, a capacidade de articulação dos candidatos, as taxas de rejeição, a disputa presidencial, a experiência política de cada um, a propaganda eleitoral e os debates, ainda surtirão efeito.

Por enquanto, nesse começo, Eunício e Tasso trabalham sem grandes contratempos. Na verdade, respiram aliviados por terem conseguido reunir mais apoio do que imaginavam antes das convenções. Já Camilo e Mauro, sob o comando de Cid, por um lado contam com a máquina governista, mas por outro lutam para conter o ressentimento dos pré-candidatos descartados pelo Pros e o racha interno no PT.

Tem ainda a briga para ver quem terá o apoio de Dilma. Entretanto, com a presidente caindo pesquisa após pesquisa, já é o caso de pensar se essa companhia pode realmente ajudar. No Planalto, a preocupação não é mais evitar um segundo turno, mas estar no segundo turno.

A primeira pesquisa mostra uma considerável diferença na largada. Não é sinal de vitória fácil de quem parte na frente, mas indício forte de que a reta final será disputada como há muito tempo não se vê.

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Bolsa Família e eleições: tudo a ver

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de julho de 2014

Os presidenciáveis Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) marcaram presença na região do Cariri, sul do Ceará, no final de semana. Visitaram, separados, é  claro, a ExpoCrato, famoso evento de agropecuária. Aécio depois foi a Juazeiro do Norte, acompanhado do ex-governador e candidato ao Senado Tasso Jereissati, onde participou de uma missa em memória aos 80 anos da morte do Padre Cícero.

Lideranças locais e candidatos ao governo estadual também estiveram pelos municípios da região. Eunício Oliveira (PMDB), Eliane Novais (PSB), Camilo Santana (PT), este acompanhado do notório deputado José Guimarães (PT), e Ailton Lopes (Psol), marcaram presença.

Geopolítica eleitoral
Se por um lado o Cariri conseguiu atrair os principais nomes da oposição ao governo federal para os mesmos eventos, por outro, não seduziu os estrategistas da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Por quê? Ora, não é difícil deduzir a resposta. Existe nisso, como em tudo o mais numa eleição, logica e cálculo. É que se no Sul e Sudeste do Brasil Dilma tem seu pior desempenho nas pesquisas, é no Norte e no Nordeste que tem alguma folga. O corolário é óbvio: cada um precisa manter o que conquistou e avançar onde o adversário é mais forte.

No caso das oposições, reduzir a diferença de intenção de votos no Nordeste, que tem mais densidade populacional do que o Norte, é fundamental para levar a disputa para o segundo turno.

De resto, aliás, isso é coisa antiga: presidentes costumam a ter mais popularidade justamente nas regiões mais pobres do país, onde a população depende mais da assistência do governo.

Bolsa Família
Além da convergência de agenda, Campos e Aécio também coincidiram na estratégia de discurso, que focou o compromisso de manter o Bolsa Família. Segundo o tucano, o PT faz terrorismo eleitoral quando diz que a oposição pretende acabar com o programa, o que seria, a seu ver, sinal de que governistas estariam à beira de um ataque de nervos com a queda de Dilma nas pesquisas. De fato, a tática de anunciar a manutenção do programa é uma manobra de defesa.

Isso tudo faz parte do jogo. Agora, a verdade é que, independente das pesquisas, o uso eleitoreiro do Bolsa Família tem sido recorrente, o que é ruim não apenas do ponto de vista ético, mas também é preocupante pelos aspectos econômico e social. Afinal, após dez anos do seu lançamento, com a promessa de reduzir a miséria, seu evidente peso no debate eleitoral é sinal de que a pobreza e a falta de educação ainda falam alto na nossa democracia.

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BRICS terá 7 mil agentes de segurança. Pena que é nuvem passageira

Por Wanfil em Economia

15 de julho de 2014

Sai de cena a festa da Copa do Mundo e entra em campo a aridez dos temas econômicos, com Fortaleza sediando a 6ª Cúpula do BRICS, o grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do sul. No fundo, é o grupo resulta mesmo da política externa de Chia e Rússia, potências militares que sonham com a liderança no concerto da geopolítica mundial. Mas essa é outra história, jogo de gente grande. Para nós do Ceará o que importa é que esses eventos são indiscutíveis oportunidades de consolidar o nome do estado na rota do turismo mundial: a Copa com o lazer, o BRICS com as chances de negócios.

Segurança
Por isso Fortaleza está um brinco, pelo menos no entorno do Centro de Eventos, onde a limpeza e a pavimentação germânicas (para usarmos um padrão da moda), assim como a segurança, não deixam nada a desejar. O Governo do Estado anunciou que ao todo 7.689 agentes atuarão para que tudo ocorra na mais perfeita tranquilidade. São 4.444 de seu próprio contingente, que contam com o reforço de outros 3.245 profissionais vindos de parcerias com órgãos como a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ministério da Defesa e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), entre outros.

Basta andar nas ruas próximas ao local para conferir como tudo está tinindo para proteger e impressionar os chefes de estado esperados para o encontro. Temos que causar boa impressão, mirando em futuros investimentos, claro. Nada contra. Quem dera memso essas ações preparadas para o BRICS durassem o ano inteiro e fossem ampliadas para todo o Ceará.

O negócio é tão bacana, que o risco agora é ver essas impressões se confundirem com a realidade. Porém, todo esse arranjo é passageiro, já que a reunião acaba na quarta-feira (16).  Por isso, é bom a gente ficar ligado: assim como promover uma copa não significa dizer que temos uma grande seleção, sediar o encontro do BRICS não é garantia de que temos uma economia equilibrada ou que moramos em lugar seguro.

Economia
Sobre segurança, não é preciso dizer muito. Todos sabem como andam as coisas no Ceará e no Brasil. Já na economia, começamos a sentir no bolso o peso do baixo crescimento e das políticas fiscal e monetária do governo federal. Os dados falam por si. Entre os países do BRICS, o Brasil é o que apresentou pior desempenho econômico nos últimos anos, com a pior taxa de investimentos.

Crescimento (média 2011-2013)
B
rasil – 2%
Rússia – 3%
Índia – 5,4%
China- 8,2%
África do Sul – 2,6%

Taxa de investimento (% PIB)
Brasil – 18%
Rússia – 23%
Índia – 30%
China- 49%
África do Sul – 19% – Fonte: Exame/Abril

O risco inflacionário
O Brasil aparece bem em relação ao PIB per capita e a taxa de pobreza (6%), comparado com o resto do grupo (na China a taxa dobra). Mas essas conquistas estão ameaçadas pela inflação, que já estourou o teto da meta este ano e que no primeiro semestre superou o rendimento da poupança.

Futuro
No futebol, a derrota terminou com a demissão de Felipão e de toda a comissão técnica. Na economia, o debate começa agora, com as eleições entrando de vez no calendário da torcida brasileira. O nome do técnico é Guido Mantega.

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BRICS terá 7 mil agentes de segurança. Pena que é nuvem passageira

Por Wanfil em Economia

15 de julho de 2014

Sai de cena a festa da Copa do Mundo e entra em campo a aridez dos temas econômicos, com Fortaleza sediando a 6ª Cúpula do BRICS, o grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do sul. No fundo, é o grupo resulta mesmo da política externa de Chia e Rússia, potências militares que sonham com a liderança no concerto da geopolítica mundial. Mas essa é outra história, jogo de gente grande. Para nós do Ceará o que importa é que esses eventos são indiscutíveis oportunidades de consolidar o nome do estado na rota do turismo mundial: a Copa com o lazer, o BRICS com as chances de negócios.

Segurança
Por isso Fortaleza está um brinco, pelo menos no entorno do Centro de Eventos, onde a limpeza e a pavimentação germânicas (para usarmos um padrão da moda), assim como a segurança, não deixam nada a desejar. O Governo do Estado anunciou que ao todo 7.689 agentes atuarão para que tudo ocorra na mais perfeita tranquilidade. São 4.444 de seu próprio contingente, que contam com o reforço de outros 3.245 profissionais vindos de parcerias com órgãos como a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ministério da Defesa e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), entre outros.

Basta andar nas ruas próximas ao local para conferir como tudo está tinindo para proteger e impressionar os chefes de estado esperados para o encontro. Temos que causar boa impressão, mirando em futuros investimentos, claro. Nada contra. Quem dera memso essas ações preparadas para o BRICS durassem o ano inteiro e fossem ampliadas para todo o Ceará.

O negócio é tão bacana, que o risco agora é ver essas impressões se confundirem com a realidade. Porém, todo esse arranjo é passageiro, já que a reunião acaba na quarta-feira (16).  Por isso, é bom a gente ficar ligado: assim como promover uma copa não significa dizer que temos uma grande seleção, sediar o encontro do BRICS não é garantia de que temos uma economia equilibrada ou que moramos em lugar seguro.

Economia
Sobre segurança, não é preciso dizer muito. Todos sabem como andam as coisas no Ceará e no Brasil. Já na economia, começamos a sentir no bolso o peso do baixo crescimento e das políticas fiscal e monetária do governo federal. Os dados falam por si. Entre os países do BRICS, o Brasil é o que apresentou pior desempenho econômico nos últimos anos, com a pior taxa de investimentos.

Crescimento (média 2011-2013)
B
rasil – 2%
Rússia – 3%
Índia – 5,4%
China- 8,2%
África do Sul – 2,6%

Taxa de investimento (% PIB)
Brasil – 18%
Rússia – 23%
Índia – 30%
China- 49%
África do Sul – 19% – Fonte: Exame/Abril

O risco inflacionário
O Brasil aparece bem em relação ao PIB per capita e a taxa de pobreza (6%), comparado com o resto do grupo (na China a taxa dobra). Mas essas conquistas estão ameaçadas pela inflação, que já estourou o teto da meta este ano e que no primeiro semestre superou o rendimento da poupança.

Futuro
No futebol, a derrota terminou com a demissão de Felipão e de toda a comissão técnica. Na economia, o debate começa agora, com as eleições entrando de vez no calendário da torcida brasileira. O nome do técnico é Guido Mantega.