cinema Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

cinema

Renoir

Por Wanfil em Cinema

09 de Maio de 2013

Mais uma resenha que fiz para o site Tribuna do Ceará, por ocasião da cobertura do ‘Festival de Cinema Francês’, que acontece em Fortaleza.

Poster - Divulgação

Poster – Divulgação

Renoir (Idem, 2012) de Gilles Bourdos. Elenco: Michel Bouquet, Christa Theret e Vincent Rottiers.

*Por Wanderley Filho

Drama desenvolvido a partir dos últimos anos de vida de um dos maiores pintores da história, o filme se passa em 1915 e apresenta um Pierre-Auguste Renoir alquebrado pelas enfermidades da velhice, preocupado com o destino dos filhos enviados para lutar na Primeira Guerra Mundial.

Vale ressaltar a magistral interpretação de Michel Bouquet no papel do mestre do impressionismo, marcada pelo minimalismo: gestos contidos, expressões sutis, suspiros e olhares que valem por diálogos inteiros.

Viúvo, confinado  em sua casa de campo na Côte d’Azur, Renoir já não possui grandes aspirações até encontrar a jovem Andrée (Christa Theret), cuja beleza reacende a inspiração do pintor.

Um ponto forte do filme são as tomadas no atelier e no campo aberto, repletas de uma luz dourada, em composições que lembram pinturas do próprio Renoir. Leia mais

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O Homem que Ri

Por Wanfil em Cinema

08 de Maio de 2013

Compartilho com vocês uma resenha que fiz para o site Tribuna do Ceará, por ocasião da cobertura do ‘Festival de Cinema Francês’ que acontece em Fortaleza.

O Homem que RiO Homem que Ri (L’homme qui rit, 2012) de Jean-Pierre Améris. Elenco: Gérard Depardieu, Marc-André Grondin e Emmanuelle Seigner.

*Por Wanderley Filho

Adaptação do romance homônimo de Victor Hugo, a obra, ambientada no Século XVII com uma produção esmerada, apresenta boa reconstituição de época e um belo jogo de luzes e sombras. O livro já havia sido levado para o cinema em 1928, num filme mudo americano dirigido pelo expressionista alemão Paul Leni.

O Homem que Ri Conta a história de Gwynplaine (Marc-André Grondin), que ainda criança é sequestrado durante uma rebelião comandada por seu pai, um poderoso nobre, e tem o rosto desfigurado a mando do rei. Como resultado da trágica ação, o menino tem a face talhada com duas enormes cicatrizes nos cantos da boca que lhe conferem um eterno e sombrio sorriso. Pois é, quem imagina que o rosto do vilão Coringa, arqui-rival de Batman, foi uma criação original, fica sabendo que ele se inspirou no doce e meigo personagem de Victor Hugo. Leia mais

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Dica de Filme: Le Petit Nicolas (O Pequeno Nicolau)

Por Wanfil em Cinema

14 de julho de 2012

Uma comédia que celebra a beleza da infância, capaz de nos fazer lembrar da criança que fomos um dia. Foto: Divulgação

Alguns filmes surpreendem pela simplicidade com que absorvem a atenção de quem os assiste – simplicidade, nesse caso, não significa ausência de sofisticação. É o caso da suave, divertida e comovente comédia “O Pequeno Nicolau” ( Le Petit Nicolas, França, 2009), baseada no personagem de quadrinhos criado por René Goscinny e Jean-Jacques Sempé. Sem o auxílio de grandes estrelas ou de efeitos especiais, o filme consegue, pela força de seu roteiro, a inteligência e sensibilidade da direção, e a dedicação do elenco, levar o público a uma viagem no tempo para fazê-lo, por alguns instantes, crianças novamente.

Volta no tempo

O trabalho do diretor Laurent Tirard é preciso e envolvente. A história se passa na França dos anos 50 (época em que ser criança significava brincar na rua, longe da parafernália eletrônica ou do medo paranóico dos condomínios fechados).

O pequeno Nicolau (Maxime Godart), é um garoto que tem uma vida perfeita. Pais amorosos, escola boa, saúde, amigos divertidos e uma professora bonita. Seu mundo vira de cabeça para baixo (ver metáfora da cena inicial) quando Nicolau imagina, ao ouvir escondido (coisa de criança) uma conversa dos pais, que ganhará um irmão e que por isso será abandonado.

Ver o mundo como criança

O tema é tratado longe das implicações psicológicas da infância que preocupam os adultos, para se fixar no ponto de vista da própria criança, onde se misturam o medo diante do desconhecido, o desejo pela exclusividade do amor dos pais, a inocência em busca de soluções mágicas e a lealdade das primeiras amizades. Aliás, a convivência de Nicolau com seus colegas de escola, em especial aos hilários Agnaldo (Damien Ferdel) e Clotário (Victor Charles), suas desventuras e brincadeiras, é o ponto alto do filme.

Nossos amigos de infância, com os quais convivemos no colégio, estão todos lá representados: o estudioso delator (sempre o preferido dos professores), o desatento, o gordinho, o abastado, o medroso e o brigão. Todos diferentes em suas posturas singulares e iguais na aventura de ser criança. Nesse ponto, é essencial destacar que as crianças do filme são cativantes justamente por serem o que são, evitando o clichê das crianças-prodígio comuns no cinema, capazes de filosofar como se fossem adultos experimentados.

Uma mensagem simples e essencial

Le Petit Nicolas é esteticamente belo, em suas tomadas melancólicas, no colorido iluminado e na reconstituição de época livre de exageros ou referências históricas (é o cotidiano da vida comum), sem esquecer que o principal, para um diretor, deve sempre consistir na habilidade de contar uma história. Nesse caso em particular, há um adicional: a capacidade de amparar a narrativa numa experiência de forte cunho emocional e comum a todos, que é a infância. De alguma forma, nos vemos em retrospectiva e acabamos por lembrar a importância de respeitar quem hoje vive essa condição pela qual já passamos: as crianças do presente.

Veja o trailler legendado

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Dica de filme: Incêndios

Por Wanfil em Cinema

22 de Abril de 2012

O passado está sempre presente na eterna construção de cada indivíduo e de cada nação

Vez por outra publico uma dica de filme aqui no blog. Não sou especialista, mas gosto de dividir impressões sobre alguns filmes, que de uma forma ou de outra, chamaram a minha atenção. Os filmes indicados não precisam ser lançamentos ou estar na moda. Ao contrário, podem ser clássicos revisados ou novidades que não estouraram nas bilheterias. O que importa é a temática e a técnica, não data.

Começo com o filme Incêndios, filme de Denis Villeneuve, produção canadense que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro. De cara, merece destaque a atuação espetacular da belga Lubna Azabal. Concisa, firme e discretamente tocante. Uma atriz capaz de conferir a um mesmo personagem esperança e desolação, perseverança e fragilidade, sem apelar a histrionismos ou clichês. Ela é natural sempre.

Enredo
Ao morrer, a protagonista, Nawal Marwan, imigrante libanesa que foi para o Canadá, orienta em seu testamento que seus filhos, um casal de gêmeos, entreguem duas cartas. Uma, para um irmão, cuja existência desconheciam. Outra para o pai, que julgavam morto. Não cita nomes ou lugares, e lhes dá uma única pista: ela morreu consumida por uma promessa que buscou cumprir durante toda a vida. Surpresos, os irmãos precisarão refazer a trajetória da mãe para descobrir a verdade e encontrar os destinatários da carta.

Nessa reconstituição, os filhos descobrem na mãe uma personalidade insuspeita, que viveu ativamente a guerra civil no Líbano, muito distinta da mulher com a qual conviveram. E o que interessa uma história que se passa no Líbano? Como acontece nos bons enredos, o local serve de base material para o universal. A teia de acontecimentos que envolve os personagens, o mosaico composto entre presente e passado, as peças que se encaixam pouco a pouco e o final desconcertante, falam muito sobre a vida de cada um de nós.

Esse é um filme sobre o qual não é possível citar passagens, sob pena de estragar as surpresas que ele guarda. No entanto, é correto dizer que a história nos faz pensar sobre a complexidade que existe para além das impressões que temos das pessoas, especialmente dos que nos são mais próximos. Todo indivíduo guarda, debaixo da sua personalidade pública, uma história rica de sentimentos e emoções. Ter isso em mente nos ajuda a respeitar mais os outros.

Outra atração é a trilha sonora assinada pelo grupo Radiohead, com destaque para a música You and whose army.

Confira o trailer:

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Dica de filme: Incêndios

Por Wanfil em Cinema

22 de Abril de 2012

O passado está sempre presente na eterna construção de cada indivíduo e de cada nação

Vez por outra publico uma dica de filme aqui no blog. Não sou especialista, mas gosto de dividir impressões sobre alguns filmes, que de uma forma ou de outra, chamaram a minha atenção. Os filmes indicados não precisam ser lançamentos ou estar na moda. Ao contrário, podem ser clássicos revisados ou novidades que não estouraram nas bilheterias. O que importa é a temática e a técnica, não data.

Começo com o filme Incêndios, filme de Denis Villeneuve, produção canadense que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro. De cara, merece destaque a atuação espetacular da belga Lubna Azabal. Concisa, firme e discretamente tocante. Uma atriz capaz de conferir a um mesmo personagem esperança e desolação, perseverança e fragilidade, sem apelar a histrionismos ou clichês. Ela é natural sempre.

Enredo
Ao morrer, a protagonista, Nawal Marwan, imigrante libanesa que foi para o Canadá, orienta em seu testamento que seus filhos, um casal de gêmeos, entreguem duas cartas. Uma, para um irmão, cuja existência desconheciam. Outra para o pai, que julgavam morto. Não cita nomes ou lugares, e lhes dá uma única pista: ela morreu consumida por uma promessa que buscou cumprir durante toda a vida. Surpresos, os irmãos precisarão refazer a trajetória da mãe para descobrir a verdade e encontrar os destinatários da carta.

Nessa reconstituição, os filhos descobrem na mãe uma personalidade insuspeita, que viveu ativamente a guerra civil no Líbano, muito distinta da mulher com a qual conviveram. E o que interessa uma história que se passa no Líbano? Como acontece nos bons enredos, o local serve de base material para o universal. A teia de acontecimentos que envolve os personagens, o mosaico composto entre presente e passado, as peças que se encaixam pouco a pouco e o final desconcertante, falam muito sobre a vida de cada um de nós.

Esse é um filme sobre o qual não é possível citar passagens, sob pena de estragar as surpresas que ele guarda. No entanto, é correto dizer que a história nos faz pensar sobre a complexidade que existe para além das impressões que temos das pessoas, especialmente dos que nos são mais próximos. Todo indivíduo guarda, debaixo da sua personalidade pública, uma história rica de sentimentos e emoções. Ter isso em mente nos ajuda a respeitar mais os outros.

Outra atração é a trilha sonora assinada pelo grupo Radiohead, com destaque para a música You and whose army.

Confira o trailer: