Ciro Gomes Archives - Página 8 de 9 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ciro Gomes

Justiça proíbe ofensas de Ciro a Eunício e sem querer ajuda Camilo

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de agosto de 2014

A coligação “Ceará de Todos”, do candidato a governador Eunício Oliveira (PMDB), entrou com ação na Justiça Eleitoral contra integrantes da coligação “Para o Ceará Seguir Mudando”, do petista Camilo Santana, reclamando de ofensas e acusações dirigidas ao peemedebista. O pedido foi aceito e uma liminar determina que o governador Cid Gomes (Pros), o secretário da Saúde, Ciro Gomes (Pros) e o candidato Camilo Santana “se abstenham de promover propaganda eleitoral contendo suposta calúnia, difamação ou injúria” a respeito de Eunício.

Liberdade de expressão
Não se trata de censura prévia, mas de preservar a disputa eleitoral dentro dos limites da legalidade. Ciro Gomes anda dizendo em redes sociais e eventos eleitorais de Camilo que Eunício enriqueceu ilicitamente por meio de contratos obscuros com o governo federal (aliado de Ciro, Cid e Camilo). Cada um é livre para dizer o que quer, mas, nesse caso, sem provas, fica o dito pelo não dito. Uma coisa é o sujeito dizer que o ex-presidente nacional do PT José Genoíno é corrupto, afinal, o caso do mensalão foi julgado pelo STF; outra é sair falando genericamente que candidatos de oposição são corruptos na base do “deixa que eu tenho as costas largas”. Nesse nível, todos poderiam chamar os oponentes de traficantes ou de gangsteres, sem arcar com a responsabilidade do que dizem. Não é por aí. Se realmente sabem de alguma coisa que incriminem alguém, Ciro e Cid devem encaminhar suas acusações às autoridades competentes. Se existem suspeitas públicas contra o adversário, nada impede que sejam mostradas na campanha, desde que tratadas como o que são: suspeitas.

É claro que Eunício poderia entrar com processos de difamação e calúnia na justiça comum, mas como essas ações demoram, até lá, ganhando ou perdendo a questão, as eleições já teriam passado e o objetivo das acusações sem provas feitas pelos governistas teria sido alcançado. Nesse caso, afirmações criminosas poderiam afetar o pleito.

Por que não te calas?
Apesar de parecer um revés contra Camilo, a liminar acabou sendo um favor à sua candidatura, por obrigar o combativo e verborrágico aliado Ciro Gomes a não ofender seu adversário. Ciro possui uma inteligência rara, mas é de conhecimento geral que seus arroubos retóricos muitas vezes são inoportunos. A lista de confusões e contradições é grande, tanto que alongaria em demasia esse texto. Basta uma pesquisa no Google para conferir esse potencial desastroso.

De lados opostos e agora livre das amarras das conveniências, Ciro partiu para o ataque contra o ex-aliado do irmão, justamente no mais sensível dos momentos políticos: as eleições. De cara, ao fazer ainda na pré-campanha insinuações sobre o patrimônio de Eunício, chamando-o jocosamente de “riquinho”, alertou o adversário que, precavido, cuidou de trabalhar uma resposta indireta no horário eleitoral. Assim, a propaganda do PMDB enfatiza com competência a origem humilde do candidato Eunício e fez de sua ascensão financeira um valor positivo ligado ao trabalho. Ponto. Atento, o PMDB não caiu na tentação de retrucar na mesma moeda, rebaixando o debate a uma troca de insultos que soaria antipático ao eleitor, com o risco de parecer movido pelo despeito, o ressentimento e a inveja. Ponto de novo.

Recentemente, o advogado Reno Ximenes, amigo de Cid, publicou texto no Facebook alertando para o descontrole das “interferências” de Ciro, classificadas como “prejudiciais”. Pois bem, a Justiça fez o que muitos aliados do governador secretamente desejavam: tirar Ciro dessa linha de frente agressiva. Por vias tortas, acabou ajudando Camilo. Sem ter que ser preocupar com as gafes do aliado famoso, a campanha do Pros/PT (Pros na frente porque é quem manda) pode se concentrar melhor no próprio candidato.

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Eliane Novais para o blog: ‘Marina Silva sabe quem são os Ferreira Gomes’

Por Wanfil em Entrevista

18 de agosto de 2014

A morte Eduardo Campos e a confirmação informal de Marina Silva como nova candidata do PSB à Presidência da República deu vazão a inúmeras especulações. Após o choque inicial, os diretórios estaduais da sigla começam a reorganizar suas atividades e a refazer planos.

No Ceará, as diretrizes e a postura de campanha seguem as mesmas, de acordo com a candidata do PSB ao Governo do Estado, Eliane Novais, com quem conversei nesta segunda. A expectativa é que a mudança possa, inclusive, repercutir nas pesquisas.

“O Datafolha já mostra que ela parte com 21%. As pessoas reconheceram que Eduardo era a pessoa que poderia mudar o Brasil e sabem que Marina segue esse projeto. Quando conversamos na Expocrato, na última visita do Eduardo, ela disse que via muito potencial na nossa candidatura. Então, a expectativa é a melhor possível, dentro das circunstâncias, pois nós somos a verdadeira mudança no Ceará. Por isso vamos para o segundo turno”.

Sobre o PSB estadual, perguntei se a ausência de Eduardo Campos, que era presidente nacional do partido, mudava alguma coisa em relação ao Ceará, uma vez que Marina Silva e Ciro Gomes foram ministros no governo do ex-presidente Lula, e se isso poderia acenar para uma reaproximação no futuro. Como todos sabem, os Ferreira Gomes deixaram o PSB em 2013 para apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, após romper com Eduardo Campos, que defendia candidatura própria defendido, em processo turbulento. Eliane foi taxativa na resposta:

“Não há essa possibilidade! Somos oposição no Ceará e isso não muda. Marina sabem quem eles são. Desde que romperam com o Eduardo, os Ferreira Gomes passaram a ser vistos como adversários pelo PSB e pela coligação. Continuamos com a mesma postura de sempre. Olha, ainda bem que o Eduardo botou esse pessoal pra fora. Imagina como ia ser?”.

No terreno movediço das hipóteses, de acordo com o jornal Valor Econômico, comenta-se nos bastidores de Brasília que se tivesse ficado no PSB, Ciro poderia ser o novo candidato do partido. É também impossível saber agora se e quanto Marina poderá impulsionar a candidatura de Eliane Novais. Como dizem os historiadores, não existe a História do que poderia ter sido, mas somente aquela que se realiza de fato. Assim, aguardemos.

Leia também: Mas afinal, o que seria essa terceira via de Marina?

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Campanha no Ceará marcada por baixarias: mais respeito com o eleitor, senhores!

Por Wanfil em Eleições 2014

30 de julho de 2014

Começou mal a campanha eleitoral no Ceará. Troca de acusações, xingamentos, demonstrações de ressentimento e o uso de insinuações depreciativas sobre adversários ofuscam qualquer debate sobre os reais problemas do Estado. A maioria dessas manifestações são protagonizadas por membros das duas maiores coligações, geralmente aliados e correligionários dos candidatos.

Pelo lado de Camilo Santana (PT), Ciro Gomes, ex-governador e atual secretário de Saúde – área mais preocupante para o eleitor cearense segundo o Ibope -, abusa das declarações agressivas contra opositores. É do seu estilo, todos sabem, mas como tudo demais é veneno, por muitas vezes essa postura mais atrapalha do que ajuda. Com o agravante de que se trata de político experiente e de inteligência afiada, mas que não raro sucumbe ao apelo das emoções.

Durante a inauguração do comitê do candidato Camilo, Ciro chamou o candidato do PMDB, Eunício Oliveira, entre outras coisas, de “petralha”. O colunista Josias de Souza, do UOL, cravou: “ato falho”. Ciro veria o petismo como sinônimo de roubo, já que o termo petralha, criado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, é a junção de petista com metralha, uma alusão aos criminosos “Irmãos Metralha”, personagens de histórias em quadrinhos. Nunca gostei do adjetivo e nunca o empreguei, por entendê-lo com uma espécie de infantilização do debate político. Seu contraponto, assinado por Paulo Henrique Amorim, é o PIG (porco em inglês), que significa Partido da Imprensa Golpista. Quanta bobagem! Voltando ao Ceará, Ciro explicou depois que foi um erro, mas que tem críticas a setores do PT, justamente o partido de Camilo. Ganhou o quê com isso? Nada.

Outro que tenta mostrar serviço como infantaria no front da baixaria foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao insinuar (repetindo Ciro) que Eunício “se serviu da política” para enriquecer. Se serviu como? Ninguém diz ou mostra indício, muito menos representa judicialmente o que afirma. Se uma autoridade sabe de crimes cometidos por outra e não os revela, então prevarica.

Do lado de Eunício, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acusa a prefeitura de distribuir cargos para cooptar aliados. Assim como seus adversários, fala, mas não prova nada.

Se um candidato tem algo a informar sobre a postura ética ou moral do adversário no passado, e que seja de interesse geral, que o faça, mas desde que amparado em fatos comprovados. Ademais, ninguém é ingênuo de acreditar que uma campanha, parafraseando Nelson Rodrigues, só se faz com bons sentimentos. É preciso bom senso, maturidade.

A política é o espaço natural de confrontação de ideias, de visões de mundo, de concepções e métodos da administração pública. É também – como podemos testemunhar -, ambiente de choque de projetos pessoais, de traições sórdidas e de compromissos não cumpridos. Nada disso é exclusivo dos políticos cearenses, apenas está mais perto de nós que vivemos aqui. Mas com o tempo, ao perdurar esse tipo de instabilidade, a imagem coletiva do Estado se consolida e seu prestígio político míngua. Esse é um dos motivos da ausência de grandes obras federais no Ceará nos últimos anos: seus representantes não possuem unidade estratégica, pois as pontes de diálogo são dinamitadas a cada eleição. A grande coalizão governista aqui nunca passou de uma ilusão, como agora podemos constatar.

É preciso que os candidatos coloquem (se puderem), limites nos seus aliados, para que a campanha tenha algum espaço para proposituras. Como eu já disse em outro post, se não podem fazer isso em respeito ao adversário e à democracia, que façam em atenção ao eleitor.

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O recado de Ciro Gomes

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de junho de 2014

Ciro Gomes (Pros) passou a atacar o ex-aliado Eunício Oliveira (PMDB). Chama agora o novo adversário de “biruta de aeroporto”, “lambanceiro” e “riquinho”, além de fazer insinuações sobre suposta prática de suborno (crime tipificado) e ilações desabonadoras sobre as atividades empresarias do senador pelo PMDB.

Sem entrar no mérito desse, digamos assim, estilo retórico carente de provas, cabe observar que o expediente já se tornou um padrão que não surpreende ninguém, afinal, nada mais previsível do que Ciro batendo em alguém, enquanto seu irmão Cid opta por uma atuação mais discreta. A estratégia já perdeu a capacidade de atingir seus alvos com impacto. As falas dos irmãos parecem formas opostas de lidar com a situação, mas são ações sincronizadas e complementares. Tanto é assim que Ciro nunca é desautorizado, muito menos convidado a calar-se. É um porta-voz informal a passar recados que não cairiam bem se pronunciados pelo governador.

E que recados são esses? Tolices, na maioria. Indiretas que revelam o estado de espírito no Palácio da Abolição. Juras de inimizade. Sugestões de que segredos podem ser revelados. Ameaças veladas. Um conjunto de declarações que acabam revelando que há um nervosismo no ar, misto de mágoa, raiva e medo.

Se no passado a palavra de Ciro tinha o peso de um potencial candidato competitivo à Presidência da República, no presente guarda a autoridade limitada de um secretário estadual. Daí que Eunício, líder do PMDB no Senado Federal, nem se deu ao trabalho de responder-lhe as críticas, como quem dissesse ter mais o que fazer. Fosse o governador a fazê-las, seria outra a reação.

Por fim, Ciro cobra lealdade e coerência ideológica do peemedebista. Não deixa de ter razão, uma vez que Eunício foi governista até um dia desses, mas o problema é que o próprio Ciro nunca criou raízes em partido político algum e leva consigo um histórico de ex-aliados deixados de lado em períodos eleitorais. Ciro, aliás, generaliza dizendo que o PMDB é um ajuntamento de assaltantes, mas nunca viu problema em se aliar com o partido que ele mesmo desqualifica. Assim, fica difícil ser levado a sério nesses quesitos.

Ao final, o recado de Ciro Gomes não altera nada, não repercute como outrora, não gera ansiedade nos adversários e talvez nem anime os aliados. É  mais do mesmo.

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Eleições: Ciro joga ônus de eventual rompimento em Eunício

Por Wanfil em Política

14 de Fevereiro de 2014

Ciro Gomes, atualmente secretário de Saúde do Ceará, disse em entrevista à Tribuna Bandnews FM (101.7), considerar justa a pretensa candidatura do senador Eunício Oliveira (PMDB) ao governo estadual, para em seguida mandar ver a clássica conjunção coordenativa adversativa “agora”, no sentido de “mas”, “contudo”, “porém”. Pois é, sempre tem um “porém” para complicar a história. Assim, reproduzo a oração coordenada que dá sentido estratégico ao raciocínio de Ciro: Agora, nós vamos sentar na mesa (sic) apelando para que o que esteja em jogo não sejam projetos pessoais, nem nosso, nem de ninguém, mas o futuro do Ceará”.

Faço aqui, uma tradução interpretativa dessa sentença política: “O Eunício fez da candidatura um projeto pessoal e por isso não terá o nosso apoio. Portanto, se houver rompimento, a culpa é dele”. Na prática, é o que está dito. Por que raios ele não fala assim logo de uma vez, Wanfil? Ora, porque política é isso, a arte do arrodeio. Entre a imagem de vítima e de carrasco, a primeira é sempre mais simpática aos olhos do público.

Na entrevista, Ciro explicou os critérios pelos quais o PROS tem nada menos do que seis nomes como pré-candidatos ao cargo de Cid: Domingos Filho, Mauro Filho, Leônidas Cristino, Izolda Cela, Zezinho Albuquerque e Roberto Cláudio. Segue a explicação: “Por que eles? Porque são aqueles que têm maior massa de serviços prestados, maior experiência, maior conhecimento da estratégia de desenvolvimento do Ceará, garantia de seriedade de que nenhum deles, ninguém, pode pegar na munheca que não responda muito bem.”

Ficou um pouco confuso no final, mas, evidentemente, uma vez que o PROS não possui dinâmica partidária baseada numa militância genuína, nem sequer mesmo um programa claro, os nomes apresentados são pessoalmente ligados aos irmãos Ciro e Cid. Faço, mais uma vez, a tradução política do que foi dito: onde se lê “garantia de seriedade”, leia-se “garantia de lealdade”. Mais pessoal e menos imparcial, impossível.

Para encerrar, nos bastidores o próprio Eunício não esconde que, na opinião dele, o maior empecilho ao seu inequívoco projeto pessoal de ser governador, é mesmo Ciro Gomes. Cid até toparia, mas Ciro veta. Indagado qual seria o motivo, o senador é incisivo ao dizer que o ex-governador temeria perder espaço. Se isso é verdade ou não, não há tradutor que possa esclarecer. Resta aguardar cenas dos próximos capítulos dessa novelinha.

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Luizianne Lins e Ciro Gomes unidos por uma causa comum

Por Wanfil em Política

13 de novembro de 2013

Dilma ao lado de Cid Gomes, Luizianne Lins  e Ciro Gomes, em 2010 - Imagem: Efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho/Divulgação.

Dilma ao lado de Cid Gomes, Luizianne Lins e Ciro Gomes, em 2010 – Imagem: Efeito sobre foto de Roberto Stuckert Filho/Divulgação.

Alguns amigos me perguntam o que achei da nomeação da ex-prefeita Luizianne Lins para o cargo de conselheira do BNDES. Ora, acho normal, o que não quer dizer que ache uma boa escolha. É normal porque o padrão vigente para a distribuição de cargos é o loteamento político.

Num país onde Edson Lobão é ministro das Minas e Energia (preenchendo a cota para garantir o apoio de José Sarney ao governo), José Eduardo Cardozo e Marta Suplicy comandam as pastas da Justiça e da Cultura (cotas do Lula), Aldo Rebelo se entrincheira no Esporte (feudo do PCdoB), Marcelo Crivella reza na Pesca (paraíso de Edir Macedo), entre outros, a nomeação de Luizianne tem até menor potencial de causar prejuízos à nação do que outras. No fundo, a boquinha visa mesmo é acomodar a ex-prefeita, de modo a evitar rachas na base subirá no palanque de Dilma no Ceará.

Esse não é o primeiro caso envolvendo políticos cearenses ultimamente. Quem não lembra que até pouco tempo Leônidas Cristino, com a autoridade e a expertise de quem já foi prefeito de Sobral (município incrustado no semiárido), ocupava a Secretaria dos Portos, com status de ministro? Estava a preencher os cargos doados ao então PSB ligado ao governador Cid Gomes. Não entender nada, absolutamente nada, da área em que vai atuar não é nenhuma exceção ou anomalia na gestão Dilma, pelo contrário. É normal.

Tanto é assim que ninguém nem disfarça mais. Ciro Gomes, por exemplo, é apontado como indicação do recém-criado Pros, uma mera sigla de aluguel, para ocupar algum ministério. Isso mesmo, o quinhão do partido é qualificado por um pronome indefinido, e o nome do possível donatário é lançados antes de mesmo de saberem qual área lhes será entregue. O líder do Pros na Câmara Federal, um certo Givaldo Carimbão (AL), explica que “Ciro tem capacidade para tudo”. Por mais que Ciro seja mesmo um nome experimentado, tudo é muita coisa. Mesmo que Ciro recuse a indicação – ele declara não ter esse desejo -, o que fica patente nisso tudo é o método vigente, baseado no princípio da distribuição de cargos para contemplar arranjos eleitoreiros.

Isso não é invenção de Dilma Rousseff, uma novata em mandatos eletivos. Mas em seu governo, a prática ultrapassa qualquer limite, especialmente agora com a aproximação do ano eleitoral. Tanto que existem nada menos do que inacreditáveis 39 ministérios. E é exatamente isso o que une adversários declarados como Luizianne Lins e Ciro Gomes. Por mais que se imaginem distantes um do outro, estão aí sob a tutela desses manejos e conveniências. São, queiram ou não, e ainda que por força das circunstâncias, aliados no desejo de compor esse time de notáveis escalado pela presidente.

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Nepotismo esclarecido

Por Wanfil em Ceará

09 de setembro de 2013

Ciro Gomes é o novo secretário de Saúde do Ceará. Apesar de ser irmão do governador Cid Gomes, o caso não configura nepotismo. É algo estranho, pois a nomeação de parentes de um governante para cargos públicos é crime, como disposto na Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal.

Acontece que o próprio STF entendeu que, no caso de funções eminentemente políticas, a contratação de parentes é permitida. A questão foi definida em 2009, justamente por causa da nomeação de Ivo Gomes, outro irmão do governador do Ceará, para cargo de confiança. Família unida é assim mesmo, reza a tradição brasileira.

O precedente

Ninguém questiona a competência dos irmãos do governador. O problema é o precedente que brecha cria, já que, na prática, dá margem para que prefeitos nomeiem seus parentes, valendo-se exatamente desses cargos políticos, mais precisamente, de secretários. Até em Fortaleza isso acontece, com o prefeito Roberto Cláudio também indicando um irmão para a sua equipe. Tudo legal, evidentemente. É impressionante como sempre se dá um jeitinho para que tudo permaneça como sempre foi.

Na Europa do Século XVIII, o modelo que mesclava o poder absoluto dos reis com algumas ideias reformistas ficou conhecido como despotismo esclarecido. No Brasil, com a ajuda do nosso querido Ceará, criou-se, em pleno Século XXI, o nepotismo esclarecido. O sujeito nomeia a parentada, mas com a devida ressalva de que é tudo gente boa e da mais alta competência.

Pouco tempo e muita cobrança

Deixando essa questão um pouco de lado e olhando para a conveniência política da escolha de Ciro para a Saúde, trata-se uma opção arriscada, dado o perfil polêmico do ex-governador. É o tipo de aliado normalmente escalado para atuar na linha de frente em casos de crises, para o confronto de ideias.

De todo modo, é possível dizer que durante dois dias a nomeação de Ciro ofuscou a troca de comando em outra pasta, a da Segurança, a mais desgastada da atual gestão. No lugar de Francisco Bezerra, assume Servilho Paiva, que já atuava como coordenador geral de disciplina na própria Secretaria de Segurança.

Essa troca de nomes, por si só, não resolve problemas, claro, mas abre espaço para possíveis ajustes, o que gera mais expectativas. Resta agora torcer para que os novos secretários tenham autonomia para resolver ou pelo menos amenizar os efeitos daquilo o que deu errado. O tempo de que eles dispõem é pequeno, mas a cobrança será grande como nunca.

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O estilo Ciro Gomes

Por Wanfil em Ceará, Política

24 de julho de 2013

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews (FOTO: Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).

O noticiário político desta semana já está marcado pelas polêmicas declarações do ex-governador Ciro Gomes, feitas na terça-feira (23), em entrevista à rádio Tribuna BandNews FM (101.7), do Sistema Jangadeiro de Comunicação.

Entre outras coisas, Ciro Gomes chamou o vereador Capitão Wagner de lambanceiro e o vereador João Alfredo de inconsequente; disse que o procurador Oscar Costa Filho é exibicionista e sugeriu que o procurador Alessander Sales pintasse a bunda de branco para aparecer.

Destempero ou método?

Muitos ficam chocados com o estilo de Ciro, acusado de ser truculento. Eu estive entre os entrevistadores do ex-governador e o que eu pude perceber, na verdade, foi cálculo. O que a muitos parece destempero verbal, eu vejo como método, como ação premeditada. Se não, vejamos. As declarações foram feitas no rastro de questões sobre segurança pública e sobre o embargo da obra dos viadutos no entorno do Parque do Cocó, em Fortaleza.

Na prática, com Ciro imprimindo seu estilo desbocado, as discussões sempre acabam transferidas da esfera dos fatos para a das boas maneiras, onde o que se sobressai são as censuras ou os elogios à falta de polidez do entrevistado, com a vantagem adicional de deixá-lo em evidência mesmo sem mandato público ou cargo partidário, e de desviar o alvo natural das críticas, que seriam o governador e o prefeito, seus aliados.

Forma e conteúdo

E assim, a forma acaba ganhando mais relevo do que o conteúdo. É que as disputas políticas são diferentes das querelas judiciais ou dos debates acadêmicos. Na política, vale mais a versão do que o fato, já constatava o mineiro Tancredo neves. E a versão que prepondera é a que faz mais barulho.

Claro que esse é um jeito arriscado de atuar nos debates públicos, pois a margem para erros é demasiada larga. Não há espaço para a hesitação ou vacilo, pois a palavra dita não tem volta. E não basta querer ser polêmico, é preciso ter uma personalidade que comporte essa técnica, que pode ser muito útil, como, por exemplo, na hora de enfrentar consensos politicamente corretos, ou um desastre, caso venha a ferir a suscetibilidade do grande público.

Ciro Gomes apareceu na política com esse estilo, do qual agora faz uso, e com ele se tornou uma grande promessa da política brasileira. E também por causa dele, depois um ou dois escorregões, perdeu uma eleição presidencial. Acontece. Tem hora que funciona, tem hora que não. Por mais que seja calculado, é sempre um risco.

 

Esse também foi o tema do meu comentário desta quarta na Tribuna BandNews:

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Debate sobre segurança no Ceará não pode virar briga pessoal entre Ciro e Capitão Wagner

Por Wanfil em Segurança

21 de Maio de 2013

As acusações do ex-governador Ciro Gomes contra o vereador Capitão Wagner, pelas quais o parlamentar seria chefe de uma milícia criminosa, ofuscaram a notícia de que Fortaleza, segundo avaliação de risco divulgada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), é a cidade-sede mais perigosa para turistas na Copa das Confederações, no mês que vem.

Eis o único efeito prático da acalorada discussão entre essas duas figuras públicas: mudar o foco do noticiário. Se para os turistas a coisa não é boa, imagine para quem vive no local…

Não é impulso, é cálculo

Ciro é conhecido pelas declarações polêmicas e impulsivas, no entanto, essas últimas estão em perfeita sintonia com as recentes manifestações de outras autoridades do governo estadual, todas convergindo para a denúncia de supostos interesses políticos na área de segurança, numa sincronia que não pode ser creditada ao acaso, mas que antes revela método e cálculo nessas abordagens.

O próprio governador Cid Gomes e o secretário de Planejamento Eduardo Diogo já disseram que uma greve de policiais militares será punida com a prisão dos envolvidos, no que agora são repetidos por Ciro, com o seu peculiar estilo de sempre: “cabeças rolarão”.

Diogo estreitou o alvo para “meia dúzia” de líderes. Ciro agora aponta Wagner como a cabeça por trás de uma espécie de complô contra o governo estadual, mas não apresenta provas para os crimes que denuncia. Assim, além de mudar o enfoque e de colocar em pauta a versão do governo para os problemas de segurança, as intervenções de Ciro ainda possuem a vantagem adicional de preservar a imagem de Cid, principal autoridade responsável por dar respostas a eles.

Em resposta, Wagner afirma que irá acionar a Justiça e chama Ciro, nas redes sociais, de “comentarista esportivo” e de “desequilibrado”, na intenção de desqualificá-lo para o debate, sem atentar para o fato de que o ex-ministro não possui cargo no governo, o que bastaria para evitá-lo como interlocutor.

De tudo isso, temos os seguintes resultados:

a) a impressão de que o problema da explosão de criminalidade no Ceará não passa de uma briga entre policiais e o irmão do governador, ou seja, uma questão meramente pessoal, destituída de qualquer conteúdo mais profundo;

b) a fuga do que realmente interessa tratar: formas de recuar os índices de violência que avançam e que já colocam o Ceará como o estado mais violento do Nordeste;

c) a decomposição da autoridade do secretário efetivo de Segurança, coronel Francisco Bezerra, diante do protagonismo de Ciro, que passa a atuar como um secretário informal da pasta.

Enquanto eles brigam, perdemos a guerra

Não quero menosprezar os riscos desse impasse entre a cúpula do governo e os policiais militares. Nem sequer entro no mérito da questão, pois, a essa altura, pouco importa ao cidadão quem tem razão. Parece estranho dizer isso, mas é a verdade. Seria como ver o país ser invadido por um exército inimigo enquanto lideranças civis e militares permanecessem inertes, ocupadas demais em trocar acusações entre si.

Os gravíssimos problemas de segurança pública no Ceará e a falta de eficácia das medidas adotadas nos últimos anos não podem ser resolvidos a partir das premissas colocadas na briga entre Ciro Gomes e Capitão Wagner. Nada disso mudará a constatação de que a situação aqui é crítica, fato, inclusive, que já ultrapassa as fronteiras do Estado, tornada pública até pela Abin.

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A eminência parda e a rainha da Inglaterra na Secretaria de Segurança do Ceará

Por Wanfil em Ceará, Segurança

08 de Abril de 2013

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) agora conta com a ajuda extraoficial do ex-governador e ex-ministro Ciro Ferreira Gomes, que ultimamente tem comparecido ao órgão com frequência com a missão de acompanhar as ações da pasta, embora até o momento não haja nomeação alguma nesse sentido no Diário Oficial do Estado.

Segundo o governador Cid Gomes, irmão mais novo e herdeiro político de Ciro, a contribuição é voluntária e atende a um pedido pessoal do próprio governador.

Sem desculpas

É inegável que Ciro Gomes, que no passado já foi uma das maiores promessas políticas do Brasil, tem todo o  direito de querer ajudar o irmão a escapar do completo fiasco na área da segurança pública, bandeira de campanha mais famosa do governador. Pior que o mais implacável crítico e o mais ferrenho opositor (caso ainda exista um), é parecer fracassado diante da população que apostou suas fichas nessa gestão. E o fato é que a incompetência do governo em prover soluções para a alta da criminalidade no estado não pode mais ser disfarçada com pirotecnias ou desculpas.

Aliás, diga-se de passagem, o próprio pedido de ajuda do governador ao irmão mais experiente é sinal reluzente de que o incômodo que a sociedade vive nessa área finalmente chegou ao centro das preocupações governo. Talvez seja tarde demais para a atual administração. De qualquer forma, o sinal vermelho acendeu.

Quem manda na SSPDS?

O problema é que a informalidade da presença de Ciro na secretaria cria um quadro de confusão e de incertezas que termina por complicar ainda mais a situação. Afinal, Ciro presta contas a quem? Somente ao governador? Qual sua autoridade para emitir eventuais ordens ou determinações? O fato é que essa participação sem lastro oficial acaba criando a figura da eminência parda, ou seja, abre um comando paralelo que termina por enfraquecer o próprio secretário Francisco Bezerra, que agora fica com cara de rainha da Inglaterra, mero enfeite burocrático sem poder de fato.

Tanto isso é verdade, que Cid Gomes já precisou vir à público dizer que não pretende promover mudanças na cúpula da Segurança. Ora, quando um gestor se vê na situação de negar a possível demissão de um secretário é porque já existem pressões nesse sentido atuando fortemente. Além disso, fica a desconfiança de que a mudança não será necessária justamente porque é Ciro quem dá as cartas no órgão.

Comando disperso

Nas questões de poder, não existe vácuo. Se o secretário Francisco Bezerra e Ciro Gomes divergirem em algum ponto, muito provavelmente a opinião do irmão do governador prevalecerá. Mas existe o outro lado da moeda. Ciro talvez não possa assumir oficialmente cargos na Segurança por não possuir liderança sobre o efetivo policial. Durante a greve que paralisou a Polícia Militar e o governador Cid Gomes no início de 2012, Ciro bateu de frente com a categoria. Em um de seus arroubos característicos, chamou os grevistas de marginais fardados. Assim, o ex-governador pode até contar com o aval do irmão para atuar, mas sua presença ali é causa de constrangimento diante dos comandados. Daí a necessidade de manter uma rainha da Inglaterra no organograma da pasta.

Desse jeito, a ajuda tal voluntária de Ciro acaba por se transformar em mais um ponto de dispersão de energia (e recursos) que tanto caracteriza a gestão Cid Gomes na Segurança Pública, sem que apareçam os devidos resultados.

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A eminência parda e a rainha da Inglaterra na Secretaria de Segurança do Ceará

Por Wanfil em Ceará, Segurança

08 de Abril de 2013

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) agora conta com a ajuda extraoficial do ex-governador e ex-ministro Ciro Ferreira Gomes, que ultimamente tem comparecido ao órgão com frequência com a missão de acompanhar as ações da pasta, embora até o momento não haja nomeação alguma nesse sentido no Diário Oficial do Estado.

Segundo o governador Cid Gomes, irmão mais novo e herdeiro político de Ciro, a contribuição é voluntária e atende a um pedido pessoal do próprio governador.

Sem desculpas

É inegável que Ciro Gomes, que no passado já foi uma das maiores promessas políticas do Brasil, tem todo o  direito de querer ajudar o irmão a escapar do completo fiasco na área da segurança pública, bandeira de campanha mais famosa do governador. Pior que o mais implacável crítico e o mais ferrenho opositor (caso ainda exista um), é parecer fracassado diante da população que apostou suas fichas nessa gestão. E o fato é que a incompetência do governo em prover soluções para a alta da criminalidade no estado não pode mais ser disfarçada com pirotecnias ou desculpas.

Aliás, diga-se de passagem, o próprio pedido de ajuda do governador ao irmão mais experiente é sinal reluzente de que o incômodo que a sociedade vive nessa área finalmente chegou ao centro das preocupações governo. Talvez seja tarde demais para a atual administração. De qualquer forma, o sinal vermelho acendeu.

Quem manda na SSPDS?

O problema é que a informalidade da presença de Ciro na secretaria cria um quadro de confusão e de incertezas que termina por complicar ainda mais a situação. Afinal, Ciro presta contas a quem? Somente ao governador? Qual sua autoridade para emitir eventuais ordens ou determinações? O fato é que essa participação sem lastro oficial acaba criando a figura da eminência parda, ou seja, abre um comando paralelo que termina por enfraquecer o próprio secretário Francisco Bezerra, que agora fica com cara de rainha da Inglaterra, mero enfeite burocrático sem poder de fato.

Tanto isso é verdade, que Cid Gomes já precisou vir à público dizer que não pretende promover mudanças na cúpula da Segurança. Ora, quando um gestor se vê na situação de negar a possível demissão de um secretário é porque já existem pressões nesse sentido atuando fortemente. Além disso, fica a desconfiança de que a mudança não será necessária justamente porque é Ciro quem dá as cartas no órgão.

Comando disperso

Nas questões de poder, não existe vácuo. Se o secretário Francisco Bezerra e Ciro Gomes divergirem em algum ponto, muito provavelmente a opinião do irmão do governador prevalecerá. Mas existe o outro lado da moeda. Ciro talvez não possa assumir oficialmente cargos na Segurança por não possuir liderança sobre o efetivo policial. Durante a greve que paralisou a Polícia Militar e o governador Cid Gomes no início de 2012, Ciro bateu de frente com a categoria. Em um de seus arroubos característicos, chamou os grevistas de marginais fardados. Assim, o ex-governador pode até contar com o aval do irmão para atuar, mas sua presença ali é causa de constrangimento diante dos comandados. Daí a necessidade de manter uma rainha da Inglaterra no organograma da pasta.

Desse jeito, a ajuda tal voluntária de Ciro acaba por se transformar em mais um ponto de dispersão de energia (e recursos) que tanto caracteriza a gestão Cid Gomes na Segurança Pública, sem que apareçam os devidos resultados.