Collor Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Collor

Cunha, assim como Dilma, diz ser vítima de injustiça. Coitadinhos…

Por Wanfil em Brasil

09 de julho de 2016

Ao renunciar à Presidência da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha disse que ser vítima de uma perseguição. Sobre o impeachment, Dilma disse ser vítima de uma farsa jurídica. Lula garante ser vítima de complô. José Dirceu e José Genoino, condenados por corrupção, posam de presos políticos vítimas das elites. Collor de Mello, relembrando seu próprio impeachment, afirma ter sido vítima de um golpe parlamentar.

Dizer o quê? Como se ninguém soubessem o quanto são poderosos, acenam ao público como se fossem criaturas indefesas. Alardeiam suas mentiras numa mescla de indignação e lamento, às vezes com fúria, outras com a candura dos puros. Vítimas de si mesmos, fazem da verdade a vítima maior de suas idiossincrasias.

Para tentar entender como conseguem fazer isso com tanta convicção, tomo emprestadas as palavras de Affonso Romano de Sant’Anna no poema a A Implosão da Mentira:

Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

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Mensalão em Fortaleza, mensalão em Brasília… Afinal, o que é o mensalão?

Por Wanfil em Corrupção

04 de Maio de 2012

D. Sebastião, o rei português desaparecido em batalha no séc. 16, que deu origem ao termo sebastianismo: a falsa esperança de que a realidade mude a partir de um evento. Não é assim que funciona.

O Ministério Público pediu ao  Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) uma auditoria nas emendas repassadas pela prefeitura de Fortaleza aos vereadores da capital entre os anos de 2010 e 2011. O objetivo é investigar um suposto mensalão na Câmara de Vereadores de Fortaleza.

Paralelamente, há grande expectativa sobre o desfecho do mensalão original, aquele denunciado por Roberto Jefferson, derrubou José Dirceu, que poderá ser julgado ainda neste semestre no Supremo Tribunal Federal.

Esperança vã

Os mais indignados com a corrupção alimentam a esperança de que esses processos sirvam de lição aos corruptos. Alguns, mais inocentes ainda, anseiam pelo resgate da aura esquerdista carregada por partidos que alardeavam ter o monopólio da ética. Querem voltar a ser especiais, numa espécie de sebastianismo ideológico (Ver definição abaixo ou no link).

Ainda que nos dois casos as acusações sejam comprovadas e todos os envolvidos sejam punidos, é preciso dizer, para o desencanto geral, que  isso não representará nada mais do que um mero arranhão no invólucro da estrutura de poder vigente, que protege o seu núcleo, a hegemonia cultural da esquerda brasileira, patrocinadores dos mensalões em vigor. No mínimo, alguns soldados da infantaria poderão cair; no máximo, um oficial condecorado, como o próprio Dirceu, pode ser abatido, embora permaneça influente nas altas esferas do poder.

Os mensalões da vida serão vistos como pequenas nódoas derivadas de eventuais desvios particulares, crimes levados a efeito por agentes que se desviaram do caminho, nunca como método de conquista e consolidação de poder, de enriquecimento pessoal e partidário.

A verdadeira novidade

É bem verdade que a corrupção e a compra de parlamentares existem no Brasil desde antes da proclamação da República. A novidade é que a revelação destes crimes agora não abala em nada o prestígio moral de seus maiores beneficiários: presidentes, governadores ou prefeitos. Sarney percebeu a mudança de eixo, se mostrou aliado útil, e de vilão nacional foi alçado por Lula à condição de “brasileiro incomum”.

A reputação de partidos de esquerda que cresceram prometendo mudar “tudo o que está aí”, mas que agora se beneficiam dos métodos que antes condenavam, continuará preservada nos ambientes de influência cultural: escolas/universidades, redações e sindicatos. Bandido é o Bolsonaro, não o Romero Jucá ou o João Paulo Cunha.

Mensalão atual e os mensalões do passado

A diferença entre o mensalão atual e os mensalões de sempre está na força política de seus operadores. Leia mais

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Mensalão em Fortaleza, mensalão em Brasília… Afinal, o que é o mensalão?

Por Wanfil em Corrupção

04 de Maio de 2012

D. Sebastião, o rei português desaparecido em batalha no séc. 16, que deu origem ao termo sebastianismo: a falsa esperança de que a realidade mude a partir de um evento. Não é assim que funciona.

O Ministério Público pediu ao  Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) uma auditoria nas emendas repassadas pela prefeitura de Fortaleza aos vereadores da capital entre os anos de 2010 e 2011. O objetivo é investigar um suposto mensalão na Câmara de Vereadores de Fortaleza.

Paralelamente, há grande expectativa sobre o desfecho do mensalão original, aquele denunciado por Roberto Jefferson, derrubou José Dirceu, que poderá ser julgado ainda neste semestre no Supremo Tribunal Federal.

Esperança vã

Os mais indignados com a corrupção alimentam a esperança de que esses processos sirvam de lição aos corruptos. Alguns, mais inocentes ainda, anseiam pelo resgate da aura esquerdista carregada por partidos que alardeavam ter o monopólio da ética. Querem voltar a ser especiais, numa espécie de sebastianismo ideológico (Ver definição abaixo ou no link).

Ainda que nos dois casos as acusações sejam comprovadas e todos os envolvidos sejam punidos, é preciso dizer, para o desencanto geral, que  isso não representará nada mais do que um mero arranhão no invólucro da estrutura de poder vigente, que protege o seu núcleo, a hegemonia cultural da esquerda brasileira, patrocinadores dos mensalões em vigor. No mínimo, alguns soldados da infantaria poderão cair; no máximo, um oficial condecorado, como o próprio Dirceu, pode ser abatido, embora permaneça influente nas altas esferas do poder.

Os mensalões da vida serão vistos como pequenas nódoas derivadas de eventuais desvios particulares, crimes levados a efeito por agentes que se desviaram do caminho, nunca como método de conquista e consolidação de poder, de enriquecimento pessoal e partidário.

A verdadeira novidade

É bem verdade que a corrupção e a compra de parlamentares existem no Brasil desde antes da proclamação da República. A novidade é que a revelação destes crimes agora não abala em nada o prestígio moral de seus maiores beneficiários: presidentes, governadores ou prefeitos. Sarney percebeu a mudança de eixo, se mostrou aliado útil, e de vilão nacional foi alçado por Lula à condição de “brasileiro incomum”.

A reputação de partidos de esquerda que cresceram prometendo mudar “tudo o que está aí”, mas que agora se beneficiam dos métodos que antes condenavam, continuará preservada nos ambientes de influência cultural: escolas/universidades, redações e sindicatos. Bandido é o Bolsonaro, não o Romero Jucá ou o João Paulo Cunha.

Mensalão atual e os mensalões do passado

A diferença entre o mensalão atual e os mensalões de sempre está na força política de seus operadores. (mais…)