Crato Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Crato

Eleições 2016: O Ceará na primeira eleição pós-impeachment

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

As primeiras impressões a respeito das eleições 2016 no Ceará ainda estão sendo processadas. A troca de ideias e informações ajuda a delinear as formas do quadro político no Estado. Para tanto, é preciso levar em conta o cenário e as circunstâncias que agiram sobre o pleito.

Abaixo, faço considerações sobre alguns resultados que me parecem significativos para a construção desse entendimento.

Primeiras considerações (clique nos links para ler os textos)

1 – Fortaleza: a disputa continua, mas já existem um derrotado e um vencedor

2 – Sobral e o preço de uma hegemonia

3 – Barbalha e o escândalo da compra de votos

4 – Massapê e Tauá, casos de família

5 – Quixadá como alento para o PT

6 – Crato frustra o PSDB

Outras considerações

As análises não se encerram aqui. Outras cidades ou disputas importantes merecem um olhar mais de perto. Nos próximos dias, mais resultados e o segundo turno em Fortaleza e Caucaia serão avaliados aqui no blog. Conto com sua divulgação nos seus municípios.

Abraço,

Wanderley Filho.

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Eleições 2016: Crato frustra o PSDB

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de outubro de 2016

As eleições no Crato constituem provavelmente a maior derrota do PSDB no Ceará. Não que a disputa estivesse fácil, mas é que a expectativa de eleger Samuel Araripe, um dos remanescentes da época em que a sigla foi a maior do Estado, era grande.

As pesquisas mostravam uma corrida eleitoral emparelhada, algumas com ligeira vantagem para Samuel, que já foi prefeito do município. Projeções não confirmadas pelas urnas: Zé Ailton, do PP, venceu com 58,78% dos votos válidos.  O candidato do PSDB ficou em segundo38,38%.

O alento para os tucanos é que a sigla voltou a crescer. Fez 13 prefeituras em 2012, e agora, conquistou 16. Pouco para quem já foi hegemônico, mas é melhor do que encolher.

 

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Pesquisa no Crato mostra a difícil missão dos candidatos governistas no Ceará

Por Wanfil em Pesquisa

27 de setembro de 2016

Pesquisa divulgada pela Jangadeiro FM Crato mostra que, na última semana de campanha, o candidato Samuel Araripe (PSDB), lidera a disputa pela Prefeitura do Crato com 50,8% dos votos válidos, contra 45,5% do candidato do PP, Zé Ailton Brasil. A pesquisa foi realizada pelo instituto Zaytec e registrada no TRE-CE com o protocolo CE-07039/2016.

Para mais detalhes, confira a matéria da Tribuna do Ceará: Samuel Araripe lidera disputa pela Prefeitura do Crato, com 50,8% dos votos válidos.

É o retrato das dificuldades de candidaturas governistas nas eleições deste ano. O candidato Zé Ailton o apoio do atual prefeito Ronaldo Mattos (PSC), que desistiu de concorrer à reeleição, pois é reprovado por nada menos que 82,3% da população, segundo a Zaytec. Por isso, naturalmente, não aparece na propaganda do seu escolhido.

Situação semelhante a de outros prefeitos, como bem lembrou o jornalista Paulo César Norões na edição de ontem do Diário do Nordeste, com números do Ibope: “Em Sobral, 69% desaprovam a gestão de Veveu Arruda. Em Juazeiro, Raimundo Macedo é desaprovado por 75%. Ronaldo Mattos, desaprovado por 86% dos cratenses. Mas ninguém bate o Dr. Washington, de Caucaia. Nada menos que 90% desaprovam sua gestão. Não à toa, Veveu, Ronaldo e Washington não são vistos nas campanhas, mesmo sabendo-se que todos têm candidatos. Ora, ninguém quer colar a imagem num gestor mal avaliado”.

Quem imaginaria prefeitos se escondendo para não atrapalhar seus afilhados? Ou com tantas dificuldades para tentar a reeleição, apesar de contarem com a máquina?

Nunca foi tão difícil convencer o eleitor de que a continuidade é a melhor opção.

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Ação quer impedir construção de estátua de santa no Crato. Sou contra.

Por Wanfil em Ceará

01 de Março de 2013

Parece fácil traçar uma linha separando completamente Estado e religião. A moral religiosa está inserida até nas leis, e isso não é ruim.

Parece fácil traçar uma linha separando completamente Estado e religião, mas isso é uma ilusão. É que não existe sociedade laica.

Pelo Twitter perguntam o que penso da seguinte notícia: Ministério Público tenta impedir construção de monumento religioso com dinheiro público no Crato. Para quem é de fora, Crato fica na região sul do Ceará, conhecida como Cariri, e é vizinha à cidade de Juazeiro do Norte, conhecida pela romaria de devotos do padre Cícero, que nem santo é, mas que tem uma estátua de grande estatura.

Religião X Estado laico

Não vou me ater a questões de cunho jurídico ou administrativo eventualmente presentes no caso. Se existem pendências ou desconfianças sobre a lisura do empreendimento, que se faça rigorosa investigação. No entanto, a Procuradoria de Justiça, de acordo com notícia publicada no blog Polítika, entende que “o fato de ser utilizado recurso público para a construção de monumento com cunho religioso ‘lesa frontalmente’ o Estado Democrático de Direito”. Esse é o ponto que me interessa: a interpretação sobre o caráter do Estado laico. É uma questão delicada. Não faz muito tempo, quando um procurador quis retirar a expressão “Deus seja louvado” das cédulas de real, escrevi o post Estado laico é diferente de ateísmo oficial, cujo trecho reproduzo:

Com efeito, Estado laico é aquele que não permite que perseguições sejam feitas em nome de uma religião ou de uma crença. Essa concepção não corresponde a um suposto Estado ateu ou agnóstico, que nega, prescinde ou mesmo despreza a dimensão espiritual de seu povo. (…)  Sim, o Estado brasileiro é laico, não tem religião oficial, mas não renega a importância da religiosidade como traço inerente à cultura nacional.

Indo um pouco mais além, o Estado nem sequer obriga que as pessoas tenham religião, como já aconteceu no passado ou como acontece hoje em algumas teocracias orientais. A rigor, é impossível imaginar uma separação completa entre religião e o aparelho secular, pois estes estão umbilicalmente ligados. Praticamente todos os preceitos morais que norteiam a legislação possuem gênese nos códigos religiosos. Seria o caso de revogar a pretensão igualitária, conceito de inspiração cristã, de nossa Constituição?

Aspectos históricos, sócio-culturais e econômicos

Mas Wanfil, você está exagerando. Uma coisa é o aspecto filosófico de uma lei, outra é gastar dinheiro público com uma estátua de Nossa Senhora de Fátima. Certo, Vamos lá. Ninguém gosta de ver seus impostos aplicados em obras cujas justificativas que não lhes dizem respeito. Eu, por exemplo, não concordo com a realização da Copa no Brasil e não ando em estádios, mas mesmo assim patrocinei a construção do novo Castelão, em Fortaleza. Prevaleceram a vontade da maioria, o interesse econômico, incluindo aí o incremento do  fluxo turístico, e a questão cultural: futebol é a maior religião pagã do Brasil.

No Carnaval (festa da qual não gosto), dinheiro público financia desfiles que celebram personagens e crenças de religiões de origem africana. Seria o caso de vigiar o conteúdo dos enredos? O mesmo se dá com o Natal, quando as cidades se enfeitam. O que parece simples, como vemos, vai se complicando. O que vale, nessas ocasiões, é fazer do evento algo que seja de interesse geral, dentro das melhores práticas econômicas, sociais e administrativas. Leia mais

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Ação quer impedir construção de estátua de santa no Crato. Sou contra.

Por Wanfil em Ceará

01 de Março de 2013

Parece fácil traçar uma linha separando completamente Estado e religião. A moral religiosa está inserida até nas leis, e isso não é ruim.

Parece fácil traçar uma linha separando completamente Estado e religião, mas isso é uma ilusão. É que não existe sociedade laica.

Pelo Twitter perguntam o que penso da seguinte notícia: Ministério Público tenta impedir construção de monumento religioso com dinheiro público no Crato. Para quem é de fora, Crato fica na região sul do Ceará, conhecida como Cariri, e é vizinha à cidade de Juazeiro do Norte, conhecida pela romaria de devotos do padre Cícero, que nem santo é, mas que tem uma estátua de grande estatura.

Religião X Estado laico

Não vou me ater a questões de cunho jurídico ou administrativo eventualmente presentes no caso. Se existem pendências ou desconfianças sobre a lisura do empreendimento, que se faça rigorosa investigação. No entanto, a Procuradoria de Justiça, de acordo com notícia publicada no blog Polítika, entende que “o fato de ser utilizado recurso público para a construção de monumento com cunho religioso ‘lesa frontalmente’ o Estado Democrático de Direito”. Esse é o ponto que me interessa: a interpretação sobre o caráter do Estado laico. É uma questão delicada. Não faz muito tempo, quando um procurador quis retirar a expressão “Deus seja louvado” das cédulas de real, escrevi o post Estado laico é diferente de ateísmo oficial, cujo trecho reproduzo:

Com efeito, Estado laico é aquele que não permite que perseguições sejam feitas em nome de uma religião ou de uma crença. Essa concepção não corresponde a um suposto Estado ateu ou agnóstico, que nega, prescinde ou mesmo despreza a dimensão espiritual de seu povo. (…)  Sim, o Estado brasileiro é laico, não tem religião oficial, mas não renega a importância da religiosidade como traço inerente à cultura nacional.

Indo um pouco mais além, o Estado nem sequer obriga que as pessoas tenham religião, como já aconteceu no passado ou como acontece hoje em algumas teocracias orientais. A rigor, é impossível imaginar uma separação completa entre religião e o aparelho secular, pois estes estão umbilicalmente ligados. Praticamente todos os preceitos morais que norteiam a legislação possuem gênese nos códigos religiosos. Seria o caso de revogar a pretensão igualitária, conceito de inspiração cristã, de nossa Constituição?

Aspectos históricos, sócio-culturais e econômicos

Mas Wanfil, você está exagerando. Uma coisa é o aspecto filosófico de uma lei, outra é gastar dinheiro público com uma estátua de Nossa Senhora de Fátima. Certo, Vamos lá. Ninguém gosta de ver seus impostos aplicados em obras cujas justificativas que não lhes dizem respeito. Eu, por exemplo, não concordo com a realização da Copa no Brasil e não ando em estádios, mas mesmo assim patrocinei a construção do novo Castelão, em Fortaleza. Prevaleceram a vontade da maioria, o interesse econômico, incluindo aí o incremento do  fluxo turístico, e a questão cultural: futebol é a maior religião pagã do Brasil.

No Carnaval (festa da qual não gosto), dinheiro público financia desfiles que celebram personagens e crenças de religiões de origem africana. Seria o caso de vigiar o conteúdo dos enredos? O mesmo se dá com o Natal, quando as cidades se enfeitam. O que parece simples, como vemos, vai se complicando. O que vale, nessas ocasiões, é fazer do evento algo que seja de interesse geral, dentro das melhores práticas econômicas, sociais e administrativas. (mais…)