Educação Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Educação

“Mais infância” não combina com menos saneamento

Por Wanfil em Ceará

29 de Maio de 2019

Foto: Tribuna do Ceará

O II Seminário Internacional Mais Infância Ceará, realizado nesta terça e quarta-feira (29), enfatizou “o desenvolvimento infantil como prioridade para gestores“. O governador Camilo Santana (PT) destacou os investimentos em creches e na educação. Porém, um assunto importantíssimo para o desenvolvimento da criança acabou, até onde foi noticiado, esquecido: saneamento básico. Explico.

Dados do Ministério da Saúde divulgados em 2018 revelaram que a mortalidade infantil no Ceará voltou a crescer (de 13 para 14,3 óbitos por 100 mil habitantes), após 26 anos de redução. Segundo o Unicef, uma das principais causas da mortalidade infantil no Brasil é a precariedade do saneamento básico. Sobre isso, a entidade divulgou no início do mês que 13,7% da população até 14 anos no Ceará vivem em domicílios sem banheiro.

O IBGE publicou levantamento agora em maio apontando que o Ceará está entre os 10 estados brasileiros que diminuíram o acesso da população ao esgotamento sanitário: de 45,2% em 2016 para 43,4% em 2018. O problema, portanto, é grande e está aumentando.

A responsabilidade pelos serviços de saneamento é dos governos estaduais, que não conseguem investir o necessário. Uma rápida pesquisa no Portal da Transparência mostra que o Governo do Ceará gastou R$ 979 milhões no setor em 2016, contra R$ 663 milhões em 2018. Além disso, o governo cearense anunciou nesta semana um pacote de cortes para manter o equilíbrio nas contas. Não há muito mais o que fazer em tempos de crise econômica.

A saída, por óbvio, é permitir que a iniciativa privada possa investir no setor, assim como já aconteceu com os aeroportos, algumas estradas e com a área de telecomunicações, com excelentes resultados. No entanto, a maioria dos estados, inclusive o Ceará, pressionados por forças políticas que controlam esse serviço tal como se encontra hoje, é contra a Medida Provisória 868/18, que altera o marco regulatório do saneamento. A iniciativa busca justamente compensar a inegável deficiência estatal.

A ideia de priorizar projetos de “mais infância” não pode ignorar as milhares de crianças que ainda vivem em meio ao esgoto, na Idade Média, expostas a insalubridades degradantes. Se por um lado o reconhecimento de boas práticas (como na educação) serve de incentivo, por outro, é necessário não perder de vista desafios que podem até constranger, mas que devem ser enfrentados com urgência, como o desastre do saneamento.

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A faculdade de cortar faculdades

Por Wanfil em Educação

13 de Maio de 2019

Governo, deputados e reitores no Ceará unidos contra cortes nas universidades federais. Só nas federais! Foto: Divulgação

Parte da bancada federal do Ceará se reuniu com governador Camilo Santana e com reitores de instituições federais no Estado para discutir ações que possam reverter o bloqueio de recursos para o ensino superior anunciado pelo Governo Federal.

Dos 22 deputados federais, oito estiveram no encontro. O destaque foi a presença do senador Cid Gomes. Para o coordenador da bancada, Domingos Neto, “é necessário que os deputados façam uma forte pressão” para “um recuo do corte”. Para o governador, a educação deve “ser colocada como prioridade absoluta, inclusive o ensino superior”.

A falta de clareza e das contradições nos anúncios que o Ministério da Educação faz potencializa a confusão. É impressionante. Por isso é compreensível a ansiedade nas instituições. Nesse ponto o  governo federal poderia aprender com o governo do Ceará.

Em 2015 a UECE divulgou uma nota sobre corte de verbas. Reproduzo um trecho (grifos meus):

Comunicado da Reitoria sobre ajuste do custeio da Uece aos cortes efetuados no orçamento estadual

Como é do conhecimento de todos, os governos federal, estaduais e municipais atravessam momento de extremas dificuldades financeiras, anunciando ajustes e cortes, em frequência quase diária. As instituições públicas, vinculadas a estes governos, vivem situação semelhante. A decisão do Governo do Ceará, linear para todos os órgãos, exceto saúde e educação básica, foi de um corte de 25% em relação ao custeio executado em 2014.” 

Viram quanta compreensão? Tudo explicadinho. Nem precisou que parlamentares da base governista estadual fizessem forte pressão para reverter o corte, nem que governo tratasse isonomicamente ensino superior e educação básica.

Pode até parecer que existem dois pesos e duas medidas, mas não é nada disso. Pelo visto, a repercussão política no Ceará sobre cortes (ou bloqueios) de verbas em certas universidades depende da faculdade – por parte de quem corta – de saber comunicar que o dinheiro acabou.

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Reforma do ensino médio não pode cair no maniqueísmo político que tomou conta do País

Por Wanfil em Educação

23 de setembro de 2016

A educação não pode parar no tempo, mas não deve mudar de qualquer jeito: é preciso senso e estratégia

A educação não pode parar no tempo, nem mudar de qualquer jeito

A medida provisória enviada ao Congresso Nacional pelo presidente Michel Temer propondo uma reforma no currículo do ensino médio causou enorme e justa apreensão entre educadores, escolas, pais e alunos.

Como era de se esperar, nas redes sociais o assunto foi tratado com o viés que tem envenenado qualquer debate no Brasil. De uma lado, uns dizem: “Olha o Temer perseguindo professores”; do outro, a resposta não tarda: “A proposta original é da Dilma, quem votou nela não pode reclamar”. E por aí vai no lenga-lenga aborrecido dos dias atuais.

Obviamente, divergências ideológicas e conceituais podem e devem fazer parte das discussões, mas com base em argumentos bem estruturados no lugar da paixão cega, da ânsia pelo bate-boca inócuo.

O governo federal e o Ministério da Educação poderiam ajudar, mostrando como essa proposta de reforma foi construída, mas isso não aconteceu. Quais os fundamentos, os parâmetros pedagógicos, os exemplos de outros países e pesquisas de desempenho foram utilizadas? A falta de comunicação alimenta boatos e dúvidas. Chega a surpreender.

Há pontos obscuros na proposta, como a falta de detalhes para a ampliação da carga horária de ensino, o impacto orçamentário para os estados com a adoção do tempo integral nas escolas. Em outro ponto, aulas de artes, educação física, filosofia e sociologia deixariam de ser obrigatórias no ensino médio, mas permaneceriam no infantil e fundamental, com conteúdo a ser definido a partir de uma nova Base Nacional Comum Curricular, que ainda será feita.

Apesar dos furos, uma coisa não pode deixar de ser vista: existe sim a necessidade urgente de atualizar conteúdos e dar um sentido estratégico à educação. Nos exames internacionais (pesquise o PISA), o Brasil sempre fica entre os últimos em matemática e leitura. Nossos alunos chegam mal preparados ao mercado de trabalho, isso é fato. Perdemos competitividade.

O debate sobre os rumos e soluções para essa contingência precisa de método, de racionalidade. Não se trata de gostar do governo A ou B, de ser contra esse ou aquele, mas do passo mais importante para uma refundação do Brasil. Que o Congresso tenha maturidade para ouvir, avaliar e propor melhorias no texto.

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Desemprego cresce e autoridades divulgam carta sobre fusão entre Cultura e Educação: muita confusão, pouco resultado

Por Wanfil em Ceará

20 de Maio de 2016

Manifestantes 'ocupam' prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar

Manifestantes ‘ocupam’ prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar (Divulgação)

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), junto com os demais governadores de estados nordestinos, divulgou carta contra a “extinção” do Ministério da Cultura. Horas antes, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) , e o presidente da Câmara de Vereadores, Salmito Filho (PDT), também assinaram texto contra a “extinção do Ministério da Cultura” e sua “incorporação ao Ministério da Educação”.

Essas iniciativas aconteceram no mesmo dia (19/05) em que o IBGE anunciou que o desemprego no Brasil chegou a 10,9% no primeiro trimestre deste ano. O Nordeste foi a região mais afeta, com índice de 12,8%  (o Sul está com 7,3%). No Ceará os desempregados são 10,8% e na Região Metropolitana de Fortaleza, 11,5%. E o que tem a ver uma coisa com a outra, Wanfil? Vamos por partes.

Não é o fim da Cultura
Dizer que o Ministério da Cultura será extinto pode dar a impressão de que as políticas públicas para a área serão também extintas. Não é por aí. A pasta será incorporada ao Ministério da Educação, no esforço para reduzir o número de ministérios. Menos custos, mais investimentos, diz o governo. Além do mais, a fusão entre cultura e educação não é nenhuma jabuticaba. No Japão é assim, acrescida de ciência e tecnologia no mesmo ministério.

O que está acontecendo aqui é uma disputa política por influência e verbas. O MinC é loteado entre grupos bem articulados, com direito a especialistas em editais e licitações. Seu campo de atuação pode ir desde a reforma de prédios históricos até o financiamento de festivais com as mais variadas temáticas (geralmente com viés ideológico sintonizado com bandeiras de partidos políticos de esquerda). Pois bem, durante anos esse universo foi aparelhado por entidades partidárias, artistas sem público (nem todos, óbvio) e grupos privados interessados em fazer do acesso aos recursos públicos um meio de vida. O receio é que um novo enfoque na aplicação desse dinheiro possa prejudicar esses grupos.

Indignação seletiva
A rigor, ser contra ou a favor da fusão não interfere no problema do desemprego. É perfeitamente possível que governadores e prefeitos discordem da decisão, afinal, estamos numa democracia. Mas é curioso que não tenham adotado atitude semelhante quando, por exemplo, o golpe da refinaria que não veio foi consumado. Onde estavam? Por que não fizeram uma carta cobrando ressarcimento ao Estado? E agora, o que dizem sobre o desemprego?

Aliás, poderiam nossas autoridades aproveitar o embalo e registrar, por escrito, repúdio ao rombo fiscal nas contas federais, assumindo publicamente o compromisso de ajudar, com suas bancadas, na aprovação de medidas de ajuste. Bom mesmo seria um documento pedindo desculpas aos brasileiros e aos cearenses desempregados pelo apoio que deram  ao governo e à gestora que arruinaram a economia com suas pedaladas fiscais. Problemas são muitos, ma a prioridade é tirar o País do buraco. O resto é perfumaria.

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A ciclovia do atraso: pedalando sem ver o outro

Por Wanfil em Crônica

03 de Maio de 2015

outroManhã ensolarada de um domingo em Fortaleza. Decido fazer uma caminhada perto de casa. Mente sã, corpo são, é o que dizem. Acontece que por três vezes quase fui atropelado na calçada da Avenida Sebastião de Abreu, nas proximidades do Parque do Cocó, por alguns ciclistas que trafegavam pelo espaço destinado aos pedestres. Por algum motivo, rejeitavam a pista que aos domingos é destinada exclusivamente ao ciclistas. Por duas vezes precisei ir para o asfalto para que duplas de ciclistas pedalando lado a lado, expulsando os pedestres dali. Noutra, me protegi atrás de um poste. E experimente reclamar! Em vez de pedirem desculpas, ficavam enfezados. Eram minoria, mas ainda assim eram muitos.

Nesse ponto comecei a pensar por qual motivo essa turma dispensava a via exclusiva para desfilar na calçada. Não viam as pessoas caminhando? Não percebiam os demais ciclistas na pista correta?

Então me lembrei de uma vez, ainda estudante de História, que assisti a uma aula de Psicologia da Educação na Faculdade de Pedagogia da Universidade Federal do Ceará. Uma bela aula ministrada pelo professor Sílvio Gadelha. A certa altura, ele narrou à turma um episódio, quando levara um professor que viera de Portugal a uma praia nos arredores de Fortaleza. Entretanto, uma vez no local, um abarraca badalada, não conseguiram conversar, pois um jovem colocara o som de seu luxuoso carro a toda altura.

Ao sair de lá, Gadelha naturalmente pediu desculpas ao colega pela falta de educação do rapaz e explicou que isso era comum por aqui. E aí o português, cujo nome não me recordo, fez uma análise muito interessante. Para ele, o  jovem mal educado não agira daquela forma por maldade, no intuito de agredir os demais, muito pelo contrário. Sua motivação foi tão somente a satisfação pessoal, indiferente à presença dos demais clientes do estabelecimento. O sujeito simplesmente não reconhecia a existência do outro. Em certa medida, era possível que tivesse sido criado desde pequeno para pensar assim.

Os ciclistas que trafegavam cheios de si na calçada da Sebastião de Abreu, o faziam na urgência de satisfazerem seus propósitos imediatos, sem perceberem a existência do outro, que é a regra básica, a premissa fundamental, para o conceito de civilidade. Falta-lhes a educação para enxergarem os outros. A pretexto de celebrar uma vida saudável, reproduzem o que há de pior no trânsito: desrespeito aos demais e às regras de convivência. Não é a maioria, repito, mas são muitos. E sendo muitos, e por se acharem donos da razão e não sentirem vergonha do que fazem, perturbam. No próximo domingo, vou caminhar na esteira.

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Cid na Educação? Lembrei de Abraham Lincoln

Por Wanfil em Educação

29 de dezembro de 2014

Neste recesso muita gente me pergunta o que achei da indicação de Cid Gomes para o Ministério da Educação. Por isso faço uma pausa no descanso e falo sobre o assunto. O que li a respeito no noticiário foi o bastante para concluir que não há muito a ser dito. As matérias se limitavam a dar um breve perfil do governador cearense, lembrando sempre de Ciro Gomes, o irmão mais famoso. O resto foi especulação e imprecisão. Uma matéria dizia que a escolha desagradou ao PT; outra colocou a refinaria da Petrobras no Ceará – que não existe -, como um dos feitos da parceria Cid-Dilma.

Além disso, não é um nome técnico imposto pelas circunstâncias para acalmar desconfianças sobre os rumos do governo, como foi o caso da indicação de Joaquim Levy para a Fazenda. Nesse caso, trata-se mesmo de uma aposta bancada pela presidenta.

Lembro de uma passagem do filme Lincoln, com Daniel Day-Lewis, sobre a história do famoso presidente americano. A certa altura, conversando com seu secretário de Estado, ele pergunta: “Você seria capaz de adivinhar, antes de plantar, quais sementes irão germinar?”, para então concluir: “espere, pois, o tempo lhe dizer”. A reprodução é de memória, mas a essência é essa. Assim, vamos aguardar para ver como as coisas se desenrolam e aí fazer uma avaliação objetiva. Assim respondo aos que me indagaram: Cid na Educação? Boa sorte para ele, pois o desafio é imenso.

Aproveitando o assunto, deixo aqui minha primeira sugestão ao futuro ministro: impedir que grandes escolas inscrevam sedes fantasmas no Enem, abertas com CNPJ diferente da matriz e que reúnem poucos alunos (menos de uma turma), para fraudar o exame. Quanto mais fidedignas as informações, melhor o planejamento das políticas para a área.

De resto, por enquanto, manterei minhas filhas na escola particular em que elas estudam, tal como fazem os responsáveis pela educação pública. Sabe como é: com educação não se brinca.

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O Ideb – que não é candidato, nem é de oposição – mostra fiasco na educação no Ceará. E agora, Izolda?

Por Wanfil em Educação

06 de setembro de 2014

Após ser pressionado pela imprensa, o governo federal finalmente divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede o desempenho de alunos do ensino fundamental e médio das escolas públicas e privadas no Brasil. Redes de 21 Estados não atingiram metas estabelecidas pelo Ministério da Educação; em 16 deles, médias são inferiores às obtidas em 2011.

É o caso do Ceará, onde o ensino médio nas escolas públicas foi reprovado. A meta para 2013 para o Estado era a nota 3,5. No entanto, após grandes investimentos na área, o índice obtido foi de apenas 3,3. Ficamos abaixo da média nacional: 3,4 no setor público (no privado é 5,4). E reparem que a meta não era nada ambiciosa. Leia mais em Ceará tem queda em índice do ensino médio, contrariando propaganda de governo.

No ranking nacional da educação, o Ceará fica ali pelo meio da tabela, à frente de Estados como Bahia, Amapá e Alagoas, empatado com o Acre e o Distrito Federal, atrás de São Paulo e Pernambuco.

Mas o que preocupa mesmo é a atual tendência de queda no desempenho das escolas públicas no ceará, no ensino médio, registrada entre 2011 e 2013.

Eleições
Como estamos em plena campanha eleitoral, é impossível deixar de registrar que se trata de uma má notícia para o candidato ao governo estadual pela situação, o petista Camilo Santana, que tem a ex-secretária da educação, Izolda Cela, como candidata à vice-governadora em sua chapa, com o respaldo, justamente, de duas altas no Ibeb em anos anteriores. A educação e as escolas profissionalizantes figuram como grandes feitos da atual gestão. Izolda chegou a dizer no Facebook que duvidava da honestidade de quem criticasse a área. Pois é, o Ideb não é candidato e não é de oposição, por isso, motivações desonestas em sentido eleitoral devem ser descartadas.

Como consolo, o Ideb 2013 joga luzes no debate sobre a educação, que andava obscurecido pela propaganda eleitoral no Ceará. Nas peças da candidatura governista, a tática é mostrar belas estruturas físicas e deixar de lado os índices comparativos de desempenho. Esse é um padrão de comunicação já conhecido na segurança e na saúde. A realidade, mais uma vez, é que investimentos são feitos, o que merece reconhecimento, mas os resultados são pífios, o que não pode ser escondido. O problema, notadamente, não é financeiro, mas administrativo.

O Ideb agora é uma oportunidade para que candidatos mostrem como podem melhorar a qualidade da educação, ou pelo menos, como parar de piorá-la.

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Ceará: sucesso como fornecedor e fracasso como empregador de talentos do ITA

Por Wanfil em Artigo, Educação

17 de outubro de 2013

Em 2008 assisti a uma palestra do economista israelense Raphael Bar-El, da Universidade de Bem Gurion (e de várias outras na Europa e EUA), proferida no auditório da Fiec, em Fortaleza. Na ocasião, o professor foi preciso ao afirmar que sem uma educação para formar profissionais de ponta e operários versáteis, o Ceará continuaria a atrair investimentos que demandam somente mão de obra barata e de pouca escolaridade. A saída: educação, educação e educação, como compensação à falta de recursos naturais valiosos. Educação como estratégia de desenvolvimento, não como mera obrigação constitucional e burocrática. Só assim, o Ceará ficaria atraente para os investimentos de alto valor agregado.

Estamos em 2013 e essa avaliação continua atualíssima. Mas há um aspecto que agrava ainda mais esse cenário de falta de visão estratégica para a educação, até mesmo, ou especialmente, em nível superior, como mostra reportagem especial do portal Tribuna do Ceará sobre o sucesso dos alunos cearenses no ITA, referência quando o assunto é engenharia. São jovens que precisam sair do Ceará para buscar um formação melhor e que não conseguem voltar para atuar no mercado local, por falta de vagas para profissionais com essa qualificação. Ou seja, existe matéria-prima de altíssimo nível, estudantes formados em escolas cearenses, a maioria particular, claro, mas prata da casa.

Esse colégios, aliás, bem administrados que são, perceberam a demanda e criaram turmas que reúnem esses alunos mais talentosos para esse tipo de exame. É estratégia. Leia mais

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Vereador apresenta projeto revolucionário para a educação em Fortaleza: é a Sexta do Futebol!

Por Wanfil em Fortaleza

07 de Fevereiro de 2013

Vereador Evaldo Lima, do PCdoB, ex-secretário de Luizianne e agora líder de Roberto Cláudio na Cãmara, é o autor do PL 23/123.

Vereador Evaldo Lima, do PCdoB, ex-secretário de Luizianne e agora líder de Roberto Cláudio na Câmara, é o autor do PL 23/123. Foto: Genilson de Lima/CMFOR

Como todos sabem, a rede municipal de ensino de Fortaleza ficou na penúltima posição no ranking da educação no estado, divulgado em 2012. Das 184 cidades avaliadas, só ganhou de Parambu. Portanto, é de se esperar que os vereadores empossados em janeiro de 2013 dediquem especial atenção ao problema.

Por isso mesmo o Projeto de Lei 23/2013 – de autoria do vereador Evaldo Lima, do PC do B, sigla que tem como modelo de educação a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung na China – causa estranheza. De acordo com o parlamentar, ex-secretário de Esportes na gestão de Luizianne Lins (PT) e agora líder do prefeito Roberto Cláudio (PSB) na Câmara (é a dialética, diriam os marxistas…), além de ajudar no cumprimento das promessas da atual gestão, faz-se mister criar a Sexta do Futebol nas escolas da capital.

O que é isso?

Segundo o vereador Evaldo Lima, que já foi professor de História, o projeto “dispõe sobre o uso facultativo de camisas de seleções que participarão da Copa do Mundo de Futebol de 2014, para o funcionalismo público e estudantes de escolas públicas municipais de Fortaleza às sextas-feiras”.

Qual a importância da iniciativa?

Ainda de acordo com o parlamentar, apesar de outras demandas, é preciso “contemplar e estimular também o lado lúdico que as grandes comemorações mundiais permitem”.

Conclusão

Não devemos julgar o trabalho do vereador estreante com base apenas em projeto de lei ordinária, é claro. Isso seria injusto, face a experiência de Evaldo Lima como educador, gestor público e político governista. Seria ainda duvidar da disposição revolucionária de um comunista.

No entanto, pela urgência da situação de desastre que vive a educação em Fortaleza, o melhor que se tem a fazer pelos alunos é ensiná-los a escrever e a fazer operações matemáticas básicas. Tudo o mais é secundário. Todos os esforços, tempo e autoridade disponíveis de nossos representantes devem convergir para melhorar a qualidade de ensino. Afinal, a Copa do Mundo passa, mas as escolas continuam.

Leia a proposta na íntegra (clique na imagem para ampliar)

PL

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Greve nas universidades públicas: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”

Por Wanfil em Brasil

24 de agosto de 2012

Professores federais no Ceará decidem greve levantando cartões vermelhos, a cor da revolução. Foto de arquivo com aplicação de efeito. Expressão de um passado que insiste em permanecer presente, como um quadro antigo na parede.

Professores da UFC e Unilab-CE encerraram nesta semana uma greve que durou cerca de 70 dias. No entanto, alguns grevistas não concordaram com a decisão e protestaram em frente à sede do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), que divulgou nota pública: “A ADUFC-Sindicato lamenta que a situação tenha chegado a esse nível de conflito, que vem se agravando desde as últimas assembleias”.

A nova luta

Quando estudei na UFC, entre 1993 e 1998, testemunhei de perto duas greves. As justificativas eram sempre as mesmas, mais ou menos apresentadas de acordo com uma suposta ordem de importância: Por uma universidade pública e gratuita de qualidade; contra a privatização; contra o neoliberalismo; por melhores condições de trabalho; e finalmente, por melhores salários. Evidentemente, em sala de aula e nos corredores da universidade, docentes e agitadores do movimento estudantil afirmavam que a única forma de conseguir tudo isso rapidamente seria derrotar a direita e eleger um companheiro de esquerda, sensível ao papel da educação e com “vontade política”. Mais precisamente, era preciso eleger o operário Lula da Silva.

Como todos sabem, Lula foi eleito, re-eleito e ainda elegeu sua sucessora. E como está a faculdade? Está em greve, ora bolas! É o vício do cachimbo que entorta a boca. Sem o mote ideológico, restou ao espírito do ativismo acadêmico, formado ao longo de quatro décadas, procurar uma nova causa: o aumento salarial, puro e simples, sem cobrança por desempenho, que este é um conceito burguês e capitalista.

Uma das boas coisas de termos a esquerda no poder é a comprovação histórica de que as universidades públicas foram aparelhadas por um projeto político. Agora, sem inimigos ideológicos para combater, nossos “intelectuais” começam a se estranhar entre si. Os alunos que paguem o preço de perder aulas. E os alunos, jovens doutrinados desde o ensino básico, ainda acreditam que tudo isso é por uma causa nobre.

Conservadorismo disfarçado

O filósofo alemão Ernst Bloch (18885-1977), de tendência marxista (veja a ironia), na trilogia O Princípio da Esperança, descreve uma imagem para a Europa que serve perfeitamente para ilustrar a universidade pública no Brasil: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”. Os grevistas das universidades não querem as revoluções da boa gestão administrativa ou do mérito individual; querem mesmo é a manutenção de velhos paradigmas e garantia do conforto de grupo, das eternas discussões infecundas, do isolamento diante das necessidades de mercado e das vantagens financeiras. Se a conta não fechar, o Erário que cubra o déficit! É o conservadorismo mais profundo disfarçado de progressismo chique.

E assim, os anos passam e a história se repete. Leia mais

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Greve nas universidades públicas: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”

Por Wanfil em Brasil

24 de agosto de 2012

Professores federais no Ceará decidem greve levantando cartões vermelhos, a cor da revolução. Foto de arquivo com aplicação de efeito. Expressão de um passado que insiste em permanecer presente, como um quadro antigo na parede.

Professores da UFC e Unilab-CE encerraram nesta semana uma greve que durou cerca de 70 dias. No entanto, alguns grevistas não concordaram com a decisão e protestaram em frente à sede do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), que divulgou nota pública: “A ADUFC-Sindicato lamenta que a situação tenha chegado a esse nível de conflito, que vem se agravando desde as últimas assembleias”.

A nova luta

Quando estudei na UFC, entre 1993 e 1998, testemunhei de perto duas greves. As justificativas eram sempre as mesmas, mais ou menos apresentadas de acordo com uma suposta ordem de importância: Por uma universidade pública e gratuita de qualidade; contra a privatização; contra o neoliberalismo; por melhores condições de trabalho; e finalmente, por melhores salários. Evidentemente, em sala de aula e nos corredores da universidade, docentes e agitadores do movimento estudantil afirmavam que a única forma de conseguir tudo isso rapidamente seria derrotar a direita e eleger um companheiro de esquerda, sensível ao papel da educação e com “vontade política”. Mais precisamente, era preciso eleger o operário Lula da Silva.

Como todos sabem, Lula foi eleito, re-eleito e ainda elegeu sua sucessora. E como está a faculdade? Está em greve, ora bolas! É o vício do cachimbo que entorta a boca. Sem o mote ideológico, restou ao espírito do ativismo acadêmico, formado ao longo de quatro décadas, procurar uma nova causa: o aumento salarial, puro e simples, sem cobrança por desempenho, que este é um conceito burguês e capitalista.

Uma das boas coisas de termos a esquerda no poder é a comprovação histórica de que as universidades públicas foram aparelhadas por um projeto político. Agora, sem inimigos ideológicos para combater, nossos “intelectuais” começam a se estranhar entre si. Os alunos que paguem o preço de perder aulas. E os alunos, jovens doutrinados desde o ensino básico, ainda acreditam que tudo isso é por uma causa nobre.

Conservadorismo disfarçado

O filósofo alemão Ernst Bloch (18885-1977), de tendência marxista (veja a ironia), na trilogia O Princípio da Esperança, descreve uma imagem para a Europa que serve perfeitamente para ilustrar a universidade pública no Brasil: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”. Os grevistas das universidades não querem as revoluções da boa gestão administrativa ou do mérito individual; querem mesmo é a manutenção de velhos paradigmas e garantia do conforto de grupo, das eternas discussões infecundas, do isolamento diante das necessidades de mercado e das vantagens financeiras. Se a conta não fechar, o Erário que cubra o déficit! É o conservadorismo mais profundo disfarçado de progressismo chique.

E assim, os anos passam e a história se repete. (mais…)