espetáculo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

espetáculo

MMA é sadomasoquismo disfarçado de esporte

Por Wanfil em Crônica

09 de junho de 2013

Fico impressionado com o sucesso das competições de “vale-tudo”, ou MMA, que são degradantes espetáculos de violência em que o repúdio ao grotesco é anestesiado sob o disfarce da palavra esporte. E isso é feito de tal forma que sujeitos dispostos a arriscar a própria integridade física para divertir o público sedento de sangue se transformam, numa espantosa inversão de valores, em heróis da paz, em atletas que cultuam a saúde, e até em sábios e filósofos, portadores de um autoconhecimento que somente o sopapo no pé do ouvido é capaz de forjar. É o valor negativo tomado por sinal positivo.

O ardil para legitimar as rinhas humanas como prática esportiva saudável consiste em transformar a humilhação a que se submetem os brutamontes brigando de cuecas, em momento de elevação espiritual (desafiando limites, diz o locutor); em atribuir ares de inocência infantil ao que não passa de apologia à violência; em chamar de esporte sua mais descarada negação. Tudo com muita alegria, claro, para que todos possam apreciar o evento sem os escrúpulos da consciência para atrapalhar.

Por isso é comum ver que muitos dos que acusam, cheios de indignação, programas policiais de exploração da violência, assumirem eles próprios a condição de entusiastas incondicionais do “vale-tudo”. Batem palmas, comentam com adoração como fulano chutou a cara de sicrano e como este caiu desacordado. Consideram-se humanistas por condenarem a denúncia da violência nas ruas (pode até ser apelativa, mas é sempre denúncia) e não atinam para a celebração que fazem da violência remunerada dos ringues. Não percebem que o princípio que valorizam é o mesmo do criminoso: a violência explícita e sem sentido como meio de vida.

Artes marciais deveriam ser propostas de dominação do natural pendor que temos para a agressividade, elemento intrínseco à condição humana. Mas falta a essa noção o apelo das arenas dos gladiadores romanos no Coliseu. Nos Olimpíadas, as competições de judô ou caratê não causam o frisson histérico das lutas de MMA. É que nelas não jorra sangue. E isso diz muito mais sobre o público do que sobre os protagonistas desse “esporte” radical.

PS. Quem quiser ver o quão edificante é esse “esporte”, procure no Google  Imagens pelas expressões “MMA” e “sangue”.

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MMA é sadomasoquismo disfarçado de esporte

Por Wanfil em Crônica

09 de junho de 2013

Fico impressionado com o sucesso das competições de “vale-tudo”, ou MMA, que são degradantes espetáculos de violência em que o repúdio ao grotesco é anestesiado sob o disfarce da palavra esporte. E isso é feito de tal forma que sujeitos dispostos a arriscar a própria integridade física para divertir o público sedento de sangue se transformam, numa espantosa inversão de valores, em heróis da paz, em atletas que cultuam a saúde, e até em sábios e filósofos, portadores de um autoconhecimento que somente o sopapo no pé do ouvido é capaz de forjar. É o valor negativo tomado por sinal positivo.

O ardil para legitimar as rinhas humanas como prática esportiva saudável consiste em transformar a humilhação a que se submetem os brutamontes brigando de cuecas, em momento de elevação espiritual (desafiando limites, diz o locutor); em atribuir ares de inocência infantil ao que não passa de apologia à violência; em chamar de esporte sua mais descarada negação. Tudo com muita alegria, claro, para que todos possam apreciar o evento sem os escrúpulos da consciência para atrapalhar.

Por isso é comum ver que muitos dos que acusam, cheios de indignação, programas policiais de exploração da violência, assumirem eles próprios a condição de entusiastas incondicionais do “vale-tudo”. Batem palmas, comentam com adoração como fulano chutou a cara de sicrano e como este caiu desacordado. Consideram-se humanistas por condenarem a denúncia da violência nas ruas (pode até ser apelativa, mas é sempre denúncia) e não atinam para a celebração que fazem da violência remunerada dos ringues. Não percebem que o princípio que valorizam é o mesmo do criminoso: a violência explícita e sem sentido como meio de vida.

Artes marciais deveriam ser propostas de dominação do natural pendor que temos para a agressividade, elemento intrínseco à condição humana. Mas falta a essa noção o apelo das arenas dos gladiadores romanos no Coliseu. Nos Olimpíadas, as competições de judô ou caratê não causam o frisson histérico das lutas de MMA. É que nelas não jorra sangue. E isso diz muito mais sobre o público do que sobre os protagonistas desse “esporte” radical.

PS. Quem quiser ver o quão edificante é esse “esporte”, procure no Google  Imagens pelas expressões “MMA” e “sangue”.