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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

futuro

A falta que um Cícero faz ao Brasil: Oh tempos oh costumes

Por Wanfil em Crônica

14 de julho de 2013

Cícero denuncia Catilina no Senado romano. Óleo de Cesare Maccari.

Cícero denuncia Catilina no Senado romano. Óleo de Cesare Maccari.

O advogado e professor Jorge Hélio disse em seu artigo desta semana que “o futuro é o passado andando de costas“. Pois bem, nesses dias reli os discursos de Marco Túlio Cícero, político, orador e filósofo romano que viveu entre os longínquos anos de 106 a.C. a 43 a.C, feitos no Senado após uma tentativa de golpe contra a República.

Cícero, que era Cônsul, expôs publicamente a dissimulação do líder da conspiração frustrada, Lúcio Sérgio Catilina, que insistia em frequentar o próprio Senado, apesar dos crimes que cometera.

“Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?”, indagou-lhe Cícero logo no primeiro dos quatro discursos – conhecidos como Catilinárias –, com tamanha força moral e talento retórico na defesa da ordem republicana, que Catilina acabou obrigado a deixar Roma.

O futuro é o passado andando de costas

No presente, o que vemos no Brasil? Diante das manifestações populares, figuras como o presidente do Senado, Renan Calheiros; da Câmara, Eduardo Alves; e do líder do governo Dilma Rousseff no Congresso, deputado José Nobre Guimarães, entre outros mais, falam em voz das ruas, em novos tempos, em reforma política! Será que não sabem, como disse Cícero a Catilina, que “quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?“.

Roma tinha poder econômico e militar, mas sucumbiu diante de uma crise de valores, de uma decadência moral disfarçada pelo sucesso material. Seu passado volta no momento em que percebemos que o Brasil é impedido de crescer justamente por uma cultura política imoral, questiona nas ruas. E seus beneficiários, o que dela se locupletam, buscam parecer inocentes criaturas, tal como Catilina. Não querem ver que todos sabem quem são e o que fizeram e fazem?

Falta um Cícero no Brasil

Nas Catilinárias, ficou famosa a expressão que Cícero proferiu para destacar a ação dos que agiam para desestabilizar a república: “O tempora o mores” (Oh tempos, oh costumes). Mais que um lamento, a constatação era uma exortação aos seus colegas para que providências fossem tomadas.

Mais adiante, de forma didática, Cícero faz um alerta que caberia perfeitamente para explicar as manifestações no Brasil de hoje: “Pois agora é a Pátria, mãe comum de todos nós, que te odeia e teme, e sabe que desde há muito não pensas noutra coisa que não seja o seu parricídio; e tu, nem respeitarás a sua autoridade, nem acatarás as suas decisões, nem te assustarás com o seu poder?“.

Eis a questão.

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A falta que um Cícero faz ao Brasil: Oh tempos oh costumes

Por Wanfil em Crônica

14 de julho de 2013

Cícero denuncia Catilina no Senado romano. Óleo de Cesare Maccari.

Cícero denuncia Catilina no Senado romano. Óleo de Cesare Maccari.

O advogado e professor Jorge Hélio disse em seu artigo desta semana que “o futuro é o passado andando de costas“. Pois bem, nesses dias reli os discursos de Marco Túlio Cícero, político, orador e filósofo romano que viveu entre os longínquos anos de 106 a.C. a 43 a.C, feitos no Senado após uma tentativa de golpe contra a República.

Cícero, que era Cônsul, expôs publicamente a dissimulação do líder da conspiração frustrada, Lúcio Sérgio Catilina, que insistia em frequentar o próprio Senado, apesar dos crimes que cometera.

“Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?”, indagou-lhe Cícero logo no primeiro dos quatro discursos – conhecidos como Catilinárias –, com tamanha força moral e talento retórico na defesa da ordem republicana, que Catilina acabou obrigado a deixar Roma.

O futuro é o passado andando de costas

No presente, o que vemos no Brasil? Diante das manifestações populares, figuras como o presidente do Senado, Renan Calheiros; da Câmara, Eduardo Alves; e do líder do governo Dilma Rousseff no Congresso, deputado José Nobre Guimarães, entre outros mais, falam em voz das ruas, em novos tempos, em reforma política! Será que não sabem, como disse Cícero a Catilina, que “quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?“.

Roma tinha poder econômico e militar, mas sucumbiu diante de uma crise de valores, de uma decadência moral disfarçada pelo sucesso material. Seu passado volta no momento em que percebemos que o Brasil é impedido de crescer justamente por uma cultura política imoral, questiona nas ruas. E seus beneficiários, o que dela se locupletam, buscam parecer inocentes criaturas, tal como Catilina. Não querem ver que todos sabem quem são e o que fizeram e fazem?

Falta um Cícero no Brasil

Nas Catilinárias, ficou famosa a expressão que Cícero proferiu para destacar a ação dos que agiam para desestabilizar a república: “O tempora o mores” (Oh tempos, oh costumes). Mais que um lamento, a constatação era uma exortação aos seus colegas para que providências fossem tomadas.

Mais adiante, de forma didática, Cícero faz um alerta que caberia perfeitamente para explicar as manifestações no Brasil de hoje: “Pois agora é a Pátria, mãe comum de todos nós, que te odeia e teme, e sabe que desde há muito não pensas noutra coisa que não seja o seu parricídio; e tu, nem respeitarás a sua autoridade, nem acatarás as suas decisões, nem te assustarás com o seu poder?“.

Eis a questão.