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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

homenagens

Enquanto bandidos caçam policiais no Ceará, políticos homenageiam políticos

Por Wanfil em Política

03 de junho de 2014

Enquanto o pau canta no Ceará, políticos trocam homenagens entre si: medalhas e títulos para comemorar o quê?

O pau canta no Ceará e políticos trocam homenagens entre si: comemoram o quê? (Arte sobre imagem/Internet)

Uma rápida olhada no noticiário basta para compreender que o descrédito de políticos e partidos em geral não é de graça. Há uma profunda dissonância cognitiva entre a forma como eleitores e eleitos enxergam a realidade. No Ceará, quando o assunto é segurança pública, governantes acreditam, ou procuram acreditar, que tudo está sendo bem conduzido em suas gestões, que os resultados estão por aparecer e atribuem problemas a terceiros: ou é sabotagem de inimigos ou invenção da imprensa. Aos cearenses, resta sentir na pele o que é viver num dos estados mais violentos do Brasil.

Policiais como alvo
Essa dissonância, evidentemente, tende a agravar a situação. Os representados cobram por solução, os representantes tentam mudar de assunto. Nesse processo de degradação a novidade agora é que bandidos publicam anúncios em redes sociais oferecendo até 5 mil reais para quem matar um policial no Ceará. Que tal? A ameaça ganha maior credibilidade quando sabemos que nos últimos dias, cinco policiais foram vítimas de criminosos. Um morreu e quatro estão internados.

No sábado policiais civis decretaram estado de greve. Pedem, entre outras coisas, condições de trabalho. Em resposta, o governo diz que não reconhece o movimento. Outra notícia que mostra a gravidade do momento são as paralisações de motoristas e cobradores de ônibus em protesto contra a onda de assaltos a coletivos em Fortaleza.

Autoridades comemoram
Diante desse quadro, o que fazem aqueles que são responsáveis por resolver o problema? Reconhecem os erros e pedem ajuda? Não, nada disso. Fecham os olhos para os fatos constrangedores e, como se tudo estivesse muito bem, preferem trocar salamaleques entre si, promovendo farta distribuição de medalhas e títulos de cidadania em cerimônias devidamente registradas pelo exército de assessores que os acompanham em sites oficiais, com apoio de rádios e TVs públicas.

Na semana passada Ciro Gomes (Pros) recebeu título de cidadania em Fortaleza. Palmas e sorrisos. Seu irmão e correligionário, Cid Gomes, foi agraciado em Itapipoca. Fotos e abraços. No final de semana, Eunício Oliveira (PMDB) recebeu igual homenagem, junto com o presidenciável Eduardo Campos (PSB), em Juazeiro do Norte. Ontem (2), foi a vez de Zezinho Albuquerque, pré-candidato ao governo estadual pelo Pros e presidente da Assembleia Legislativa, ser laureado como cidadão fortalezense. Segundo o site da Câmara, é a “consagração” de uma “trajetória”. E tome discursos, elogios e brindes.

Vergonha
Esses foram alguns casos colhidos em rápida passagem pelo noticiário, que demonstram a total falta de sintonia entre as atitudes da classe política e os anseios da população.

Cerimônias oficiais em que políticos homenageiam outros políticos em ano eleitoral deveriam mesmo ser proibidas por lei. No mínimo, pela coincidência no calendário, são eventos que servem à promoção de possíveis candidatos. Mas, diante da insegurança que assola o Ceará (média de 10 assassinatos diários, maior taxa de homicídios do Nordeste e população sem transporte por causa de assaltos), o bom senso deveria bastar para impedir essas mesuras inúteis. Ou então, na ausência deste, um pouco daquele alerta moral conhecido como vergonha na cara não faria mal.

Mas bom senso e vergonha andam em falta.

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Enquanto bandidos caçam policiais no Ceará, políticos homenageiam políticos

Por Wanfil em Política

03 de junho de 2014

Enquanto o pau canta no Ceará, políticos trocam homenagens entre si: medalhas e títulos para comemorar o quê?

O pau canta no Ceará e políticos trocam homenagens entre si: comemoram o quê? (Arte sobre imagem/Internet)

Uma rápida olhada no noticiário basta para compreender que o descrédito de políticos e partidos em geral não é de graça. Há uma profunda dissonância cognitiva entre a forma como eleitores e eleitos enxergam a realidade. No Ceará, quando o assunto é segurança pública, governantes acreditam, ou procuram acreditar, que tudo está sendo bem conduzido em suas gestões, que os resultados estão por aparecer e atribuem problemas a terceiros: ou é sabotagem de inimigos ou invenção da imprensa. Aos cearenses, resta sentir na pele o que é viver num dos estados mais violentos do Brasil.

Policiais como alvo
Essa dissonância, evidentemente, tende a agravar a situação. Os representados cobram por solução, os representantes tentam mudar de assunto. Nesse processo de degradação a novidade agora é que bandidos publicam anúncios em redes sociais oferecendo até 5 mil reais para quem matar um policial no Ceará. Que tal? A ameaça ganha maior credibilidade quando sabemos que nos últimos dias, cinco policiais foram vítimas de criminosos. Um morreu e quatro estão internados.

No sábado policiais civis decretaram estado de greve. Pedem, entre outras coisas, condições de trabalho. Em resposta, o governo diz que não reconhece o movimento. Outra notícia que mostra a gravidade do momento são as paralisações de motoristas e cobradores de ônibus em protesto contra a onda de assaltos a coletivos em Fortaleza.

Autoridades comemoram
Diante desse quadro, o que fazem aqueles que são responsáveis por resolver o problema? Reconhecem os erros e pedem ajuda? Não, nada disso. Fecham os olhos para os fatos constrangedores e, como se tudo estivesse muito bem, preferem trocar salamaleques entre si, promovendo farta distribuição de medalhas e títulos de cidadania em cerimônias devidamente registradas pelo exército de assessores que os acompanham em sites oficiais, com apoio de rádios e TVs públicas.

Na semana passada Ciro Gomes (Pros) recebeu título de cidadania em Fortaleza. Palmas e sorrisos. Seu irmão e correligionário, Cid Gomes, foi agraciado em Itapipoca. Fotos e abraços. No final de semana, Eunício Oliveira (PMDB) recebeu igual homenagem, junto com o presidenciável Eduardo Campos (PSB), em Juazeiro do Norte. Ontem (2), foi a vez de Zezinho Albuquerque, pré-candidato ao governo estadual pelo Pros e presidente da Assembleia Legislativa, ser laureado como cidadão fortalezense. Segundo o site da Câmara, é a “consagração” de uma “trajetória”. E tome discursos, elogios e brindes.

Vergonha
Esses foram alguns casos colhidos em rápida passagem pelo noticiário, que demonstram a total falta de sintonia entre as atitudes da classe política e os anseios da população.

Cerimônias oficiais em que políticos homenageiam outros políticos em ano eleitoral deveriam mesmo ser proibidas por lei. No mínimo, pela coincidência no calendário, são eventos que servem à promoção de possíveis candidatos. Mas, diante da insegurança que assola o Ceará (média de 10 assassinatos diários, maior taxa de homicídios do Nordeste e população sem transporte por causa de assaltos), o bom senso deveria bastar para impedir essas mesuras inúteis. Ou então, na ausência deste, um pouco daquele alerta moral conhecido como vergonha na cara não faria mal.

Mas bom senso e vergonha andam em falta.