IBGE Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

IBGE

“Mais infância” não combina com menos saneamento

Por Wanfil em Ceará

29 de Maio de 2019

Foto: Tribuna do Ceará

O II Seminário Internacional Mais Infância Ceará, realizado nesta terça e quarta-feira (29), enfatizou “o desenvolvimento infantil como prioridade para gestores“. O governador Camilo Santana (PT) destacou os investimentos em creches e na educação. Porém, um assunto importantíssimo para o desenvolvimento da criança acabou, até onde foi noticiado, esquecido: saneamento básico. Explico.

Dados do Ministério da Saúde divulgados em 2018 revelaram que a mortalidade infantil no Ceará voltou a crescer (de 13 para 14,3 óbitos por 100 mil habitantes), após 26 anos de redução. Segundo o Unicef, uma das principais causas da mortalidade infantil no Brasil é a precariedade do saneamento básico. Sobre isso, a entidade divulgou no início do mês que 13,7% da população até 14 anos no Ceará vivem em domicílios sem banheiro.

O IBGE publicou levantamento agora em maio apontando que o Ceará está entre os 10 estados brasileiros que diminuíram o acesso da população ao esgotamento sanitário: de 45,2% em 2016 para 43,4% em 2018. O problema, portanto, é grande e está aumentando.

A responsabilidade pelos serviços de saneamento é dos governos estaduais, que não conseguem investir o necessário. Uma rápida pesquisa no Portal da Transparência mostra que o Governo do Ceará gastou R$ 979 milhões no setor em 2016, contra R$ 663 milhões em 2018. Além disso, o governo cearense anunciou nesta semana um pacote de cortes para manter o equilíbrio nas contas. Não há muito mais o que fazer em tempos de crise econômica.

A saída, por óbvio, é permitir que a iniciativa privada possa investir no setor, assim como já aconteceu com os aeroportos, algumas estradas e com a área de telecomunicações, com excelentes resultados. No entanto, a maioria dos estados, inclusive o Ceará, pressionados por forças políticas que controlam esse serviço tal como se encontra hoje, é contra a Medida Provisória 868/18, que altera o marco regulatório do saneamento. A iniciativa busca justamente compensar a inegável deficiência estatal.

A ideia de priorizar projetos de “mais infância” não pode ignorar as milhares de crianças que ainda vivem em meio ao esgoto, na Idade Média, expostas a insalubridades degradantes. Se por um lado o reconhecimento de boas práticas (como na educação) serve de incentivo, por outro, é necessário não perder de vista desafios que podem até constranger, mas que devem ser enfrentados com urgência, como o desastre do saneamento.

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Carteira de trabalho não é realidade para maioria dos trabalhadores, mostra IBGE

Por Wanfil em Economia

02 de Maio de 2017

As discussões sobre a reforma trabalhista – como tudo o mais no Brasil, de campanhas eleitorais a comerciais de banco – apelam ao emocional, em detrimento do racional. E a emoção mais evocada nesses debates é o medo: de um lado a possibilidade de não se criarem empregos em quantidade suficiente e do outro a perda de garantias sem as quais voltaríamos à escravidão.

Por isso chega a ser estranho a pouca repercussão das informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada pelo IBGE na semana passada. É um retrato da atual situação do trabalho no País, indispensável para uma análise minimamente responsável sobre a necessidade de se rever ou não as leis trabalhistas. Segue abaixo um breve resumo:

88,9 milhões de brasileiros têm um trabalho;

14,2 milhões estão desempregados (recorde na série histórica iniciada em 2012); 

33,4 milhões de trabalhadores têm carteira assinada.

Significa que a maioria dos que trabalham NÃO tem carteira de trabalho. Não é por acaso que a Justiça do Trabalho virou uma indústria de processos.

Diante dessa REALIDADE, rejeitar automaticamente qualquer ideia de mudança em nome de um mundo ideal que não existe corresponde a preservar um sistema que comprovadamente é excludente. Por outro lado, a necessidade de mudança não confere qualidade ao que se propõe alterar. Uma boa mediação dos interesses em análise requer ampla divulgação de informações para que se chegue a um denominador comum, um mínimo consensual.

Mas aí voltamos ao conflito do ideal versus realidade. Para buscar o equilíbrio seria preciso maturidade de todas as partes ou, no caso de impasse, um governo com respaldo junto à opinião pública. Na falta de ambos, como acontece hoje, resta torcer para que as linhas tortas do presente se acertem no texto a ser escrito. Quando o debate é capenga, contaminado pela politicagem, pela mesquinhez, só com sorte se chega a um bom termo.

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Senado decide se Dilma deve ser julgada. Tá com pena dela?

Por Wanfil em Brasil

09 de agosto de 2016

Teve início na manhã desta terça -feira (9) a sessão que decidirá se a presidente afastada Dilma Rouseff, do PT, deve ser julgada por crime de responsabilidade.

No mesmo dia o IBGE divulgou que o volume de vendas no comércio varejista ampliado (que inclui as atividades que atuam com veículos e material de construção) desabou 10,1% no Brasil entre junho de 2015 e junho de 2016. No Ceará, a queda foi de 12,3%.

Ainda no Ceará, nesse no mesmo período, as vendas no setor de eletrodomésticos caíram 21%. A área de veículos e peças recuou 24,1%, e a de material de construção perdeu 23%.

Os dados podem ser conferidos na  Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). São o retrato das fraudes fiscais cometidas por Dilma em busca da reeleição. Esse cenário é a base de fundo do aumento do desemprego.

Dilma poderá ser julgada por isso. Ainda está com pena dela? Reveja os números.

 

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Desemprego cresce e autoridades divulgam carta sobre fusão entre Cultura e Educação: muita confusão, pouco resultado

Por Wanfil em Ceará

20 de Maio de 2016

Manifestantes 'ocupam' prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar

Manifestantes ‘ocupam’ prédio do Iphan em Fortaleza contra a fusão de ministérios. O emprego deles é protestar (Divulgação)

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), junto com os demais governadores de estados nordestinos, divulgou carta contra a “extinção” do Ministério da Cultura. Horas antes, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) , e o presidente da Câmara de Vereadores, Salmito Filho (PDT), também assinaram texto contra a “extinção do Ministério da Cultura” e sua “incorporação ao Ministério da Educação”.

Essas iniciativas aconteceram no mesmo dia (19/05) em que o IBGE anunciou que o desemprego no Brasil chegou a 10,9% no primeiro trimestre deste ano. O Nordeste foi a região mais afeta, com índice de 12,8%  (o Sul está com 7,3%). No Ceará os desempregados são 10,8% e na Região Metropolitana de Fortaleza, 11,5%. E o que tem a ver uma coisa com a outra, Wanfil? Vamos por partes.

Não é o fim da Cultura
Dizer que o Ministério da Cultura será extinto pode dar a impressão de que as políticas públicas para a área serão também extintas. Não é por aí. A pasta será incorporada ao Ministério da Educação, no esforço para reduzir o número de ministérios. Menos custos, mais investimentos, diz o governo. Além do mais, a fusão entre cultura e educação não é nenhuma jabuticaba. No Japão é assim, acrescida de ciência e tecnologia no mesmo ministério.

O que está acontecendo aqui é uma disputa política por influência e verbas. O MinC é loteado entre grupos bem articulados, com direito a especialistas em editais e licitações. Seu campo de atuação pode ir desde a reforma de prédios históricos até o financiamento de festivais com as mais variadas temáticas (geralmente com viés ideológico sintonizado com bandeiras de partidos políticos de esquerda). Pois bem, durante anos esse universo foi aparelhado por entidades partidárias, artistas sem público (nem todos, óbvio) e grupos privados interessados em fazer do acesso aos recursos públicos um meio de vida. O receio é que um novo enfoque na aplicação desse dinheiro possa prejudicar esses grupos.

Indignação seletiva
A rigor, ser contra ou a favor da fusão não interfere no problema do desemprego. É perfeitamente possível que governadores e prefeitos discordem da decisão, afinal, estamos numa democracia. Mas é curioso que não tenham adotado atitude semelhante quando, por exemplo, o golpe da refinaria que não veio foi consumado. Onde estavam? Por que não fizeram uma carta cobrando ressarcimento ao Estado? E agora, o que dizem sobre o desemprego?

Aliás, poderiam nossas autoridades aproveitar o embalo e registrar, por escrito, repúdio ao rombo fiscal nas contas federais, assumindo publicamente o compromisso de ajudar, com suas bancadas, na aprovação de medidas de ajuste. Bom mesmo seria um documento pedindo desculpas aos brasileiros e aos cearenses desempregados pelo apoio que deram  ao governo e à gestora que arruinaram a economia com suas pedaladas fiscais. Problemas são muitos, ma a prioridade é tirar o País do buraco. O resto é perfumaria.

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O milagre do PIB do Cearense

Por Wanfil em Economia

11 de dezembro de 2013

Meu comentário desta quarta-feira na Tribuna Bandnews FM 101.7

O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará cresceu 3,76% no terceiro trimestre de 2013, se comparado ao mesmo período de 2012. A informação foi divulgada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado do Ceará – Ipece. O índice supera a taxa de crescimento do Brasil, que foi de 2,2%. Pelo 14º trimestre seguido o desempenho estadual supera o nacional.

É inegável de que se trata de um resultado positivo. Mas, dado o paralelo entre os números específicos e gerais,  fica a indagação: Será que é o Ceará que acelera muito ou o Brasil que está lento demais?

Para se ter uma ideia, no governo Dilma, o PIB brasileiro registra sua pior média anual dos últimos 20 anos, com 2,6%. Países como China, Rússia ou Índia cresceram o dobro ou o triplo no mesmo período.

Assim, é preciso ter claro que o desempenho nacional é uma base de comparação baixa. O mérito do Ceará consiste mesmo em superar a tendência de quase estagnação da economia brasileira, o que não é pouca coisa. Porém, crescer 3,76% não é o suficiente para dar conta das necessidades do estado e sua população. No mínimo, para gerar bons empregos e reduzir a pobreza, seria preciso avançar algo em torno de 5% ao ano.

É preciso ainda verificar a qualidade desse crescimento. A maior parte da produção estadual se concentra em Fortaleza e sua região metropolitana. Existe também uma grande dependência do PIB em relação aos investimento públicos. Entretanto, esse indutor é limitado pela capacidade de endividamento do estado.

O desempenho do PIB cearense, na verdade, segue uma tendência. De acordo com o IBGE, na última década os  estados médios cresceram em ritmo mais intenso, enquanto os oito mais ricos, que concentram 77% do PIB nacional, perderam fôlego.

O Ceará, portanto, cresce mais do que o Brasil. Mas isso não é nenhum milagre econômico nos moldes dos anos 70 do século passado. O desempenho é bom se comparado com a realidade nacional, mas pouco diante dos desafios que existem.

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O milagre do PIB do Cearense

Por Wanfil em Economia

11 de dezembro de 2013

Meu comentário desta quarta-feira na Tribuna Bandnews FM 101.7

O Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará cresceu 3,76% no terceiro trimestre de 2013, se comparado ao mesmo período de 2012. A informação foi divulgada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado do Ceará – Ipece. O índice supera a taxa de crescimento do Brasil, que foi de 2,2%. Pelo 14º trimestre seguido o desempenho estadual supera o nacional.

É inegável de que se trata de um resultado positivo. Mas, dado o paralelo entre os números específicos e gerais,  fica a indagação: Será que é o Ceará que acelera muito ou o Brasil que está lento demais?

Para se ter uma ideia, no governo Dilma, o PIB brasileiro registra sua pior média anual dos últimos 20 anos, com 2,6%. Países como China, Rússia ou Índia cresceram o dobro ou o triplo no mesmo período.

Assim, é preciso ter claro que o desempenho nacional é uma base de comparação baixa. O mérito do Ceará consiste mesmo em superar a tendência de quase estagnação da economia brasileira, o que não é pouca coisa. Porém, crescer 3,76% não é o suficiente para dar conta das necessidades do estado e sua população. No mínimo, para gerar bons empregos e reduzir a pobreza, seria preciso avançar algo em torno de 5% ao ano.

É preciso ainda verificar a qualidade desse crescimento. A maior parte da produção estadual se concentra em Fortaleza e sua região metropolitana. Existe também uma grande dependência do PIB em relação aos investimento públicos. Entretanto, esse indutor é limitado pela capacidade de endividamento do estado.

O desempenho do PIB cearense, na verdade, segue uma tendência. De acordo com o IBGE, na última década os  estados médios cresceram em ritmo mais intenso, enquanto os oito mais ricos, que concentram 77% do PIB nacional, perderam fôlego.

O Ceará, portanto, cresce mais do que o Brasil. Mas isso não é nenhum milagre econômico nos moldes dos anos 70 do século passado. O desempenho é bom se comparado com a realidade nacional, mas pouco diante dos desafios que existem.