Inconfidência Mineira Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Inconfidência Mineira

Tiradentes foi um coxinha golpista

Por Wanfil em História

21 de Abril de 2016

A tradição marxista da historiografia brasileira aponta Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, homenageado nesta data com um feriado nacional, filho de produtor rural, parceiro de empresários e ativista liberal, como um revolucionário que ousou enfrentar a opressão das elites e tal.

Já para os portugueses, Tiradentes, que pregava emancipação nacional, menos interferência do estado na atividade econômica, menos impostos e o fim de privilégios para os protegidos da Coroa, era visto como um detestável conspirador que tramava contra as leis e contra o legítimo poder do rei, garantindo, ora bolas, por ninguém menos que o próprio Deus, segundo as normas do regime absolutista.

Dadas essas condições, se fosse transportado para os dias atuais, Tiradentes seria um sujeito de classe média ligado a setores políticos e econômicos mais abastados e contrários ao governo, protestando contra a interferência do estado na atividade econômica (ou seja, contra a crise), contra os altos impostos e pelo fim dos privilégios concedidos aos amigos do poder. Suponho, portanto, que o “conspirador” da Inconfidência diria sim ao impeachment, posição que faria dele, segundo a retórica governista dos dias que correm, um coxinha golpista.

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Feriado de Tiradentes e as semelhanças entre os inconfidentes de 1789 e os protestos de 2015

Por Wanfil em História

21 de Abril de 2015

Hoje é feriado de Tiradentes, morto no dia 21 de abril de 1792 e mártir da Inconfidência Mineira, iniciada em 1789. A conspiração dos mineiros contra a coroa portuguesa é alvo de revisões e polêmicas entre historiadores, mas é possível dizer com razoável concordância que os inconfidentes se insurgiram contra um conjunto de práticas adotadas pelo império absolutista lusitano. Não foi, com efeito, uma revolta popular, mas suas bases prenunciavam que o desgaste entre matriz e colônia caminhava para uma situação insustentável.

Os revoltosos de Minas queriam a emancipação do Brasil por causa de um conjunto de motivos que podem ser mais ou menos assim resumidos: os abusos autoritários do império português; o excesso de regulamentação para as atividades econômicas; os monopólios e privilégios concedidos aos amigos do rei, em prejuízo dos produtores locais; os altos impostos cobrados para a mineração de ouro, que equivalia a 20% de tudo o que era encontrado. Esse imposto era chamado de Quinto (a quinta parte do total). A gota d’água foi a “derrama”, que determinava o confisco indiscriminado de pertences de quem não pagasse os impostos em dia.

Agora vejam que curioso: parece ou não parece com o Brasil dos dias atuais? O governo brasileiro sangra a renda das famílias com uma carga tributária que beira os 40% do PIB, ou seja, o dobro do que cobravam os portugueses. As empresas sofrem com o excesso de burocracia e com regulamentação antiquada, feita para sustentar os pesados gastos da ineficiência estatal, punindo quem empreende. A população, mais esclarecida hoje do que no século 18, rejeita o governo em pesquisas por não aceitar mais os arranjos, as licitações viciadas, os privilégios concedidos aos amigos dos governantes.

Para os portugueses do Brasil colônia, os inconfidentes eram golpistas que atentavam contra a ordem legal e a estrutura política vigentes. No Brasil independente do século 21, protestos e rejeição popular são vistos pelo governo como sintomas de um movimento golpista. Quanta coincidência.

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Feriado de Tiradentes e as semelhanças entre os inconfidentes de 1789 e os protestos de 2015

Por Wanfil em História

21 de Abril de 2015

Hoje é feriado de Tiradentes, morto no dia 21 de abril de 1792 e mártir da Inconfidência Mineira, iniciada em 1789. A conspiração dos mineiros contra a coroa portuguesa é alvo de revisões e polêmicas entre historiadores, mas é possível dizer com razoável concordância que os inconfidentes se insurgiram contra um conjunto de práticas adotadas pelo império absolutista lusitano. Não foi, com efeito, uma revolta popular, mas suas bases prenunciavam que o desgaste entre matriz e colônia caminhava para uma situação insustentável.

Os revoltosos de Minas queriam a emancipação do Brasil por causa de um conjunto de motivos que podem ser mais ou menos assim resumidos: os abusos autoritários do império português; o excesso de regulamentação para as atividades econômicas; os monopólios e privilégios concedidos aos amigos do rei, em prejuízo dos produtores locais; os altos impostos cobrados para a mineração de ouro, que equivalia a 20% de tudo o que era encontrado. Esse imposto era chamado de Quinto (a quinta parte do total). A gota d’água foi a “derrama”, que determinava o confisco indiscriminado de pertences de quem não pagasse os impostos em dia.

Agora vejam que curioso: parece ou não parece com o Brasil dos dias atuais? O governo brasileiro sangra a renda das famílias com uma carga tributária que beira os 40% do PIB, ou seja, o dobro do que cobravam os portugueses. As empresas sofrem com o excesso de burocracia e com regulamentação antiquada, feita para sustentar os pesados gastos da ineficiência estatal, punindo quem empreende. A população, mais esclarecida hoje do que no século 18, rejeita o governo em pesquisas por não aceitar mais os arranjos, as licitações viciadas, os privilégios concedidos aos amigos dos governantes.

Para os portugueses do Brasil colônia, os inconfidentes eram golpistas que atentavam contra a ordem legal e a estrutura política vigentes. No Brasil independente do século 21, protestos e rejeição popular são vistos pelo governo como sintomas de um movimento golpista. Quanta coincidência.