PDT Archives - Página 9 de 10 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PDT

O saldo da passagem de Lula pelo Ceará

Por Wanfil em Política

06 de Abril de 2016

Estive afastado do blog por alguns dias e agora, ao retornar, não posso deixar passar em banco o comício que Lula fez no Ceará, contra o impeachment de sua cria política Dilma Rousseff, no último sábado (2). Foi até melhor, pois com a poeira sentada fica mais fácil ver o que aconteceu.

Pois bem, passados quatros dias, qual o saldo do evento? Faço aqui uma listagem:

1 – Lula ainda não é ministro da Casa Civil – Ao dizer que tomaria posse até quinta (7), deu a entender, mais uma vez, que poderia ter informação antecipada sobre decisão do STF. Resultado: a liminar que o impede de assumir não será analisada nesta semana;

2 – O processo de impeachment contra Dilma continua tramitando – Segue conforme o rito definido pelo Supremo, com direito à ampla defesa da presidente na comissão que trata o assunto na Câmara, feita pelo titular da Advocacia Geral da União, José Eduardo Cardozo, revelando que, na prática, o governo sabe que o processo é legal, não obstante o discurso de golpe;

3 – O PDT cearense sumiu do palanque – Pois é. Nem Ciro (que recentemente xingou Lula de “merda”), nem Cid, nem André Figueiredo, muito menos o prefeito Roberto Cláudio quiseram acompanhar Lula na “defesa da democracia”. No palanque restaram Camilo Santana e Luizianne Lins, ambos do próprio PT. A liderança do PDT não foi por quê? Estava muito ocupada? Discorda de algo? Não quer ver a imagem do prefeito ligada a um investigado por corrupção, no caso, Lula? Ninguém sabe. Assim fica difícil convencer o PT a apoiar a reeleição de um pedetista na capital;

4 – A volta da refinaria – No momento mais surreal da passagem, mais revelador de uma moral e de uma forma de fazer política, o ex-presidente disse que retomaria o projeto da refinaria da Petrobras para o Ceará. Isso mesmo, aquele que mudaria a economia do Ceará, que seria um divisor de águas, que estava garantido, que teve pedra fundamental lançada pelo próprio Lula, mas que era desconhecido pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), porque não existia projeto. Golpe mesmo, materializado, consumado, foi este, eleitoreiro, contra os cearenses. A mentira torna-se ainda mais deslavada pelo fato de que a Petrobras foi arruinada pelos governos Lula e Dilma, pelas razões que todos já conhecem agora.

Saldo
Para o Ceará o saldo foi zero. Até o momento, o comício serviu apenas para manter acesa a disposição dos 10% que apoiam a presidente Dilma, contra os 70% que desejam o impeachment da presidente.

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Ciro Gomes: “A natureza do PT é ter candidatura própria”

Por Wanfil em Política

28 de Março de 2016

O pré-candidato do PDT à presidência da República concedeu entrevista ao Estadão na última quinta-feira (25), para falar sobre a conjuntura nacional. Destaco aqui um pensamento interessante de Ciro a respeito do PT, já no final da conversa com os repórteres Igor Gadelha e Caio Junqueira.

Estadão – O senhor acredita em um futuro apoio do PT à sua candidatura em 2018 como o presidente do PDT, Carlos Lupi, tem defendido?
Ciro – Só se eu fosse uma criança imbecil iria entrar numa bobagem dessa. A natureza do PT é de ter candidato e não apoiar ninguém.

Quem discorda?
É uma leitura que considero correta. Servir de linha auxiliar a projeto de terceiros é algo raro de se ver no petismo. Embora o ex-governador fale do cenário nacional, essa percepção serve para outras instâncias do partido, como percebemos nas declarações da ex-prefeita Luizianne Lins em defesa de candidatura própria do PT em Fortaleza.

O partido até poderá apoiar a reeleição de Roberto Cláudio, do PDT, por causa de fatores ligados à crise política, mas se o fizer, será contrariando sua própria natureza.

A quem interessar, aqui está a íntegra da entrevista.

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Prefeito diz que solução agora é eleger aliados de quem criou a crise

Por Wanfil em Fortaleza

11 de Março de 2016

Do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), em evento da sigla de aluguel PROS, defendendo que o PT de Camilo Santana (e Dilma Rousseff) apoie sua candidatura à reeleição, segundo matéria de O Povo :

“É muito importante que uma cidade como Fortaleza tenha uma aliança administrativa entre Prefeitura e Governo que possibilite recursos a mais e apoio político a mais para fazer o que a gente deve fazer em época de crise.”

Esse argumento perdeu a validade desde que o governo federal não cumpriu a promessa eleitoreira de construir uma refinaria da Petrobras no Ceará. Nesse caso, a única coisa que essa “aliança administrativa” conseguiu produzir foi o silêncio e a omissão dos governistas cearenses, que evitaram denunciar e cobrar o golpe, fingindo que nada aconteceu.

Por outra ainda, se aliança é garantia de ação, por que então o Hospital de Quixeramobim, inaugurado em 2014, ainda não funciona?

Quando o ex-prefeito Juraci Magalhães governava, dizia justamente o contrário: ter adversários nesses cargos evitaria acomodações e geraria uma disputa para ver quem faria mais. E aí? São ideias adaptáveis, conforme os interesses do momento.

De todo modo, mesmo compreendendo, digamos assim, o apelo eleitoral dessas formulações, o mais incrível agora é ver governistas dizendo que a melhor forma de enfrentar a crise é manter no poder a mesma aliança que a produziu.

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Do PROS ao pó: partido perde nove deputados com janela da infidelidade

Por Wanfil em Partidos

19 de Fevereiro de 2016

O PROS no Ceará virou pó, esmagado pelas circunstâncias eleitorais  do momento. Com a janela da infidelidade aberta (30 dias para que parlamentares mudem de partido sem o risco de perder os mandatos), o Partido Republicano da Ordem Social perderá nove deputados na Assembleia Legislativa, segundo informação do deputado estadual Sérgio Aguiar, ele mesmo membro do bloco que irá para o PDT, seguindo os passos da errática trajetória partidária de Ciro e Cid Gomes.

Criado em 2013 por um desconhecido e obscuro vereador de Planaltina, nos arredores de Brasília, sem nada de substancial a oferecer e programaticamente vazio, o PROS apareceu como saída de emergência para que políticos descontentes com seus partidos pudessem driblar a Justiça Eleitoral, que em 2007 havia decidido que os mandatos pertenciam aos partidos. Em busca de filiados, seus emissários apresentavam-no com o seguinte anúncio: “Insatisfeito com seu partido? Quer sair dele sem perder o mandato? O PROS é a mais nova opção”. E assim, seduzidos por esse pragmatismo sem compromisso ideológico, dissidentes do PSB no Ceará rompidos com o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, entraram no PROS. No entanto, a sintonia entre a fome e a vontade de comer durou pouco, pois a executiva estadual (leia-se Cid) não se sentia obrigada a prestar contas com a executiva nacional.

Instrumentos descartáveis
Vários partidos já foram usados como instrumentos de ocasião no Ceará, mas o caso do PROS, sigla de aluguel por excelência, escancara de forma inequívoca a essência dessa promiscuidade: o partido serviu momentaneamente, no Ceará, a um projeto de poder baseado nas relações de parentesco e compadrio, de amizade e servilismo.

Se o PDT oferece aos nômades da política cearenses um discurso ideológico, sempre amparado na figura de Leonel Brizola, no PROS isso nunca foi possível, fato que deixou exposto que o negócio do grupo é a instrumentalização dos partidos e da política como meio de vida e de ascensão social. É a consagração do poder pelo poder sem o peso de se ater a valores fixos. Do pó do oportunismo o PROS nasceu, ao pó do oportunismo o PROS retorna: sua utilidade se resume a garantir mais um tempinho de propaganda eleitoral para seus antigos usuários, todos juntos na mesma aliança. Sabe como é, vergonha é perder eleição.

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Ciro Gomes volta ao jogo com Dilma na plateia: a fome com a vontade de comer

Por Wanfil em Partidos

22 de Janeiro de 2016

A presidente Dilma Rouseff, que é do PT, prestigiou nesta sexta o encontro nacional do PDT, que na prática confirmou a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, com apoio da cúpula pedetista.

De certo modo, o evento marca a volta do ex-governador do Ceará ao centro da política nacional. Depois de ter a candidatura barrada em 2010, quando estava no PSB, preterida por Lula em favor de Dilma, e em 20013/2014 por Eduardo Campos, que lançou o próprio nome, Ciro migrou para a legenda de aluguel PROS. A crise atual abriu as portas para sua terceira tentativa de chegar ao Planalto (as duas primeiras foram pelo PPS, em 1998 e 2002), agora pelo PDT (sétimo partido que o abriga). No papel de pré-candidato por um tradicional partido de esquerda, as opiniões de Ciro ganham maior relevância a partir de agora. De carta fora do baralho, ele está temporariamente de volta ao jogo.

Como para bom entendedor meia palavra basta, resta evidente que Dilma, desgastada pela conjunção de recessão, denúncias de corrupção e recorde de impopularidade, enxerga na figura de Ciro um aliado com potencial eleitoral, já que o PT dificilmente terá condições de lançar um nome próprio diante da insatisfação geral e das incertezas advindas da Operação Lava Jato. Por isso, é preciso pensar em nomes alternativos, com os quais o petismo possa conversar e se acertar, de preferência mantendo nacos de poder na estrutura federal, com alguns ministérios, órgãos e estatais.

Ao PDT e a Ciro interessa o apoio da máquina, com seu poder de influência sobre partidos e governos estaduais, fundamentais para costurar uma coligação forte. Aliás, foi dentro dessa estratégia que Cid Gomes sugeriu no início de janeiro, como conselho supostamente desinteressado, que a presidente deixasse o PT e não interferisse nas eleições de 2018. É pressão para que os petistas apoiem um nome de fora e também um modo de dizer que Dilma evite subir no palanque desse que seria seu “plano B”.

Vai funcionar? Ninguém sabe. Afinal, muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. O próprio Ciro, orador habilidoso, deixa no ar uma expectativa quanto ao seu temperamento, que o ajudou a perder a disputa em 2002. O fato é que, quando aliados com cargos no governo anunciam candidaturas à sucessão faltando ainda três anos para o final do mandato, com direito à presença da própria presidente no evento, é mais um sinal, quase um reconhecimento formal, de que a gestão Dilma perdeu as condições de comandar o país.

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Servidores acusam PDT de transformar Correios em cabide de empregos. E agora, como ficam as críticas de Ciro ao PMDB?

Por Wanfil em Partidos

22 de dezembro de 2015

Na coluna Expresso, da revista Época, e no site da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP):

Funcionários dos Correios promoverão nesta terça-feira (22) uma manifestação em frente à sede da estatal em Brasília durante a posse de seis novos vice-presidentes. Os principais beneficiários (terão salários de R$ 24 mil) das mexidas na cúpula da empresa são ligados ao PDT. A presidência dos Correios está sob o comando de Giovanni Queiroz, também do partido, há pouco mais de um mês.

O protesto, segundo informe que circula nas redes sociais, será contra  o ” aparelhamento da empresa”.  Outro trecho do informe diz que “a intenção é tentar salvar a empresa que, por conta de ter se tornado um cabide de empregos, tem apresentado déficit em suas contas”. Os servidores deverão estar vestidos de preto.

Casa de ferreiro, espeto de pau
Quando a crise política se intensificou, o líder do PDT na Câmara, deputado federal André Figueiredo, do Ceará, anunciou que sua bancada adotaria postura independente. Para segurar o PDT na base, a presidente Dilma entregou os Correios ao partido e o Ministério das Comunicações para Figueiredo, agrados que transformaram a “independência” em “convicção governista”. Tamanha convicção que Carlos Lupi, presidente do partido, junto com o neopedetista Ciro Gomes, criaram o “movimento pela legalidade”, contra o impeachment de Dilma.

Lupi, só para lembrar, foi ministro do Trabalho na gestão da petista, mas saiu a pedido da Comissão de Ética da Presidência da República, após denúncias de corrupção.

Ciro Gomes voltou a aparecer no cenário nacional criticando duramente o PMDB e suas práticas fisiologistas. Nesse caso, é severo nas adjetivações. Resta saber o que ele acha quando o fisiologismo é usado para comprar o apoio do PDT, seu atual partido. Ou os Correios não deveriam ser geridos por seus funcionários de carreira?

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Ciro e Carlos Lupi criam rede contra impeachment. Mas logo o Lupi?

Por Wanfil em Política

07 de dezembro de 2015

O UOL informa que Ciro Gomes, junto com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) e do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, lançaram a “Rede da Legalidade” em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) . Seria uma reedição de uma iniciativa liderada por Leonel Brizola em 1961, na tentativa de salvar o governo de João Goulart.

Na ocasião, Ciro acusou Michel Temer de conspirar contra a presidente e Carlos Lupi, que já foi ministro do Trabalho de Dilma, afirmou que Eduardo Cunha é “um homem sob suspeição”. Atenção: Lupi não gosta de gente sob suspeição! O presidente do PDT voltou a dizer que Ciro é candidato a presidente em 2018, escanteando o senador Cristovam Buarque, pedetista histórico e respeitado, que deseja disputar a indicação.

Dino é do PC do B, sigla que hoje não passa de um satélite do PT. Ciro quer ser candidato e mira no eleitorado de esquerda órfão de liderança. Já Lupi, segue abaixo algumas manchetes colhidas em rápida busca no Google, que mostram aí a quqalidade moral da “Rede da Legalidade”, que curiosamente, não tem petistas:

1. ‘Isso sai na urina’, diz Lula a Lupi sobre acusação de corrupção – Terra;
2. Ex-ministro de Lula e Dilma diz que PT roubou demais e se esgotou – Estadão,
3. Carlos Lupi pede demissão do Ministério do Trabalho – Cai o sexto ministro envolvido em escândalo de corrupção – O Globo;
4. Propina no ministério de Lupi – assessores diretos do ministro do Trabalho queriam 60% do imposto sindical para regularizar entidade – IstoÉ.

Como candidato à presidência da República, Ciro Gomes já teve apoio de Paulo Brossard e Mangabeira Unger. Agora tem de Carlos Lupi. É isso o que dá mudar muito de partido. A memória de Leonel Brizola não merecia esse tipo de “homenagem”.

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Questão de coerência: se vale para Cunha, vale para líder do PDT no Senado

Por Wanfil em Política

22 de outubro de 2015

O PDT divulgou nota contra o impeachment e pedindo o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB), todo enrolado com a Justiça, da presidência da Câmara dos Deputados. Eu concordo. Primeiro, além das investigações, ele realmente mentiu na CPI, o que configura quebra de decoro. Depois, seria a melhor forma de retirar de alguns governistas uma desculpa para falar em ética, como se não fossem integrantes de um governo sem ética. Saindo Cunha, todos poderiam se concentrar nas enroladas da gestão Dilma com a Justiça. Ou alguém acha que os problemas do país se resolveriam e todos entrariam em harmonia?

Confira o seguinte trecho, que encerra a nota:

Através destes fatos [denúncias contra Cunha], afirmamos que o deputado perdeu as condições políticas de se manter à frente da presidência da Câmara Federal, e deve afastar-se das suas funções. Defendemos, por coerência partidária e constitucional, o amplo direito de defesa do deputado em todas as esferas competentes.

Repare quem são os signatários:

Carlos Lupi, presidente da Executiva Nacional; Afonso Motta, líder da bancada na Câmara; Acir Gurgacz, líder da bancada no Senado.

Agora leia o que Josias de Souza escreveu no UOL:

“Escolhido para ser o relator do parecer do Tribunal de Contas da União que condenou as ‘pedaladas fiscais’ e rejeitou as contas do governo Dilma Rousseff do ano de 2014, o senador Acir Gurgacz, de Rondônia, é réu em processo que corre no Supremo Tribunal Federal. Responde por estelionato, artigo 171 do Código Penal, além de crimes contra o sistema financeiro nacional.

Investigado pela Polícia Federal e denunciado pela Procuradoria-Geral da República, Gurgacz foi convertido em réu no dia 10 de fevereiro de 2015. O relator da ação penal é o ministro Teori Zavascki, o mesmo que cuida dos processos da Lava Jato. A denúncia contra o senador foi aceita por unanimidade na 2ª turma do STF. Além de Zavascki, votaram os ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.”

Vejam só que coisa. Aci é um dos líderes do PDT que assinam a nota contra Cunha. É réu, mas não foi condenado, pode argumentar o partido. É verdade. Ocorre vale o mesmo para Cunha, não é?

Assim, o PDT deveria, por coerência, afastar Acir Gurgacz da liderança do partido no Senado, garantindo ao mesmo, claro, “amplo direito de defesa em todas as esferas competentes”. De outro modo, fica estranho ver expoentes do partido como Cid Gomes ou até o presidenciável Ciro, exigirem a saída de Cunha.

Pau que dá em Chico, dá em Francisco. Ou não?

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No PDT, Cid fala grosso com o PMDB. Mas será que o PDT, hoje, é melhor que o PMDB?

Por Wanfil em Partidos

19 de outubro de 2015

Atenção cidistas e ciristas de todo o Ceará: aliado de Dilma é, queira ou não, aliado de Temer. O resto é firula - Foto: Site da Executiva Nacional do PDT

Aliado de Dilma é, queira ou não, aliado de Temer. O resto é firula – Foto: site da Executiva Nacional do PDT

Em solenidade de filiação ao PDT, no último final de semana, o ex-governador e ex-ministro Cid Gomes não poupou críticas à cúpula dirigente do PMDB, chegando a classificar o vice-presidente da República, Michel temer, de chefe de quadrilha.

Com base nesse discurso, fica a impressão de que bastará ao próximo presidente se afastar do PMDB para que as relações de poder sejam menos promíscuas e as coisas, ao final, melhorem. Acontece que nem tudo é tão simples assim.

Michel temer não é um novato na cena política, pelo contrário. Foi presidente da Câmara dos Deputados por três vezes. Na primeira, inclusive, eleito com o apoio de FHC. Depois, com a derrota dos tucanos, o peemedebista se chegou ao PT e, nas duas vezes em que foi eleito como companheiro de chapa de Dilma, contou no Ceará com o apoio – veja só – de Cid Gomes. Este, por sua vez, foi eleito governador em 2010 tendo como vice o deputado estadual Domingos Filho, então filiado ao velho PMDB de guerra, que apoiou a gestão Cid por sete anos, vindo a romper apenas por questões eleitorais, não de conduta.

Hoje, a própria Dilma tem como maior aliado contra um impeachment o presidente do Senado, Renan Calheiros, medalhão do… PMDB! Ou seja, na prática, aliados da presidente são aliados do PMDB, queiram ou não queiram, digam o que disserem. O resto é firula e confete.

No fundo, PDT e PMDB, atualmente, possuem muitas semelhanças, para desgosto dos saudosistas de Leonel Brizola. São partidos governistas que só votam com o Planalto quando lhes interessa e que cobram ministérios para continuar na base. O que vai mudar aí é o tamanho de cada um.

Por fim, uma recordação que deveria inspirar cautela aos pedetistas mais afoitos. Em 2011, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, deixou o Ministério do Trabalho acusado de corrupção. Até onde sei nada foi provado, mas se é assim, Michel Temer também nunca foi condenado a nada. Aliás, se isso valesse como critério, Temer não precisou renunciar dos cargos que ocupou. Fica difícil.

Assim, se Carlos Lupi é o modelo de retidão que o PDT tem a oferecer aos cearenses e brasileiros para enfrentar o PMDB, melhor tomar mais cuidado antes de falar em quadrilha.

(Transcrição de minha coluna na rádio Tribuna Band News na segunda-feira).

Só para lembrar
Confira aqui a satisfação do PDT com a companhia de Michel Temer, no ano passado:  Michel Temer anuncia nesta segunda no Rio o seu apoio a Lupi.

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Roberto Cláudio: “PMDB está mergulhado na corrupção, tanto quanto o PT”

Por Wanfil em Política

09 de outubro de 2015

Em entrevista concedida à rádio Tribuna Band News FM (101.7) na quinta-feira (8), o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, recém filiado ao PDT, anunciou em primeira mão um pacote de cortes de gastos em razão da crise econômica que o país vive.

Sobre as eleições do ano que vem, o prefeito disse não fazer questão alguma de ter o PMDB, partido do vice-prefeito Gaudêncio Lucena, como aliado. E justificou: “O PMDB exerce a política da extorsão, da chantagem, do jogo mais mesquinho, mais sujo, envolvido até o pescoço na corrupção, tanto quanto o PT nacionalmente”.

O discurso converge com o de Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência pelo PDT, com a evidente intenção de se dissociar das lambanças e dos escândalos protagonizados pelo governo federal e seus principais partidos de sustentação. No entanto, dadas as circunstâncias locais, há riscos nessa abordagem.

A ênfase na crítica ao PT nacional é profilática, para prevenir ser contaminado pela rejeição ao partido e à presidente Dilma. Ocorre que seu principal aliado, o governador Camilo Santana, é do PT, assim como uma de suas principais adversárias, a ex-prefeita Luizianne Lins. Roberto Cláudio precisa do apoio do PT estadual, mas Luizianne defende candidatura própria. Dizer que o PT está mergulhado na corrupção, embora seja uma verdade, pode gerar desgastes com os militantes do partido no Ceará e fortalecer a tese da ex-prefeita.

Sobre o PMDB, é preciso lembrar que o discurso do grupo a que pertence Roberto Cláudio foi, durante muito tempo, exatamente esse. O partido seria nacionalmente ruim, tendo Michel Temer, segundo Ciro Gomes, como chefe do “ajuntamento de ladrões”, mas enquanto Eunício Oliveira foi aliado de Cid Gomes, a sigla, no estado, prestava. Só depois de romper é que o tratamento foi integralizado em seu conjunto.

Além do mais, o vice-presidente Michel Temer foi eleito, junto com Dilma, com o apoio, aqui no Ceará, de Cid, Ciro, Camilo e Roberto Cláudio. Se não é de hoje que Ciro bate no PMDB, seus alertas foram solenemente ignorados pela presidente. Deu no que deu. A ironia é que seu grupo ajudou a fortalecer aqueles que, agora, eles dizem ser o pior para o Brasil.

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Roberto Cláudio: “PMDB está mergulhado na corrupção, tanto quanto o PT”

Por Wanfil em Política

09 de outubro de 2015

Em entrevista concedida à rádio Tribuna Band News FM (101.7) na quinta-feira (8), o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, recém filiado ao PDT, anunciou em primeira mão um pacote de cortes de gastos em razão da crise econômica que o país vive.

Sobre as eleições do ano que vem, o prefeito disse não fazer questão alguma de ter o PMDB, partido do vice-prefeito Gaudêncio Lucena, como aliado. E justificou: “O PMDB exerce a política da extorsão, da chantagem, do jogo mais mesquinho, mais sujo, envolvido até o pescoço na corrupção, tanto quanto o PT nacionalmente”.

O discurso converge com o de Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência pelo PDT, com a evidente intenção de se dissociar das lambanças e dos escândalos protagonizados pelo governo federal e seus principais partidos de sustentação. No entanto, dadas as circunstâncias locais, há riscos nessa abordagem.

A ênfase na crítica ao PT nacional é profilática, para prevenir ser contaminado pela rejeição ao partido e à presidente Dilma. Ocorre que seu principal aliado, o governador Camilo Santana, é do PT, assim como uma de suas principais adversárias, a ex-prefeita Luizianne Lins. Roberto Cláudio precisa do apoio do PT estadual, mas Luizianne defende candidatura própria. Dizer que o PT está mergulhado na corrupção, embora seja uma verdade, pode gerar desgastes com os militantes do partido no Ceará e fortalecer a tese da ex-prefeita.

Sobre o PMDB, é preciso lembrar que o discurso do grupo a que pertence Roberto Cláudio foi, durante muito tempo, exatamente esse. O partido seria nacionalmente ruim, tendo Michel Temer, segundo Ciro Gomes, como chefe do “ajuntamento de ladrões”, mas enquanto Eunício Oliveira foi aliado de Cid Gomes, a sigla, no estado, prestava. Só depois de romper é que o tratamento foi integralizado em seu conjunto.

Além do mais, o vice-presidente Michel Temer foi eleito, junto com Dilma, com o apoio, aqui no Ceará, de Cid, Ciro, Camilo e Roberto Cláudio. Se não é de hoje que Ciro bate no PMDB, seus alertas foram solenemente ignorados pela presidente. Deu no que deu. A ironia é que seu grupo ajudou a fortalecer aqueles que, agora, eles dizem ser o pior para o Brasil.