propaganda eleitoral Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

propaganda eleitoral

Propaganda eleitoral: Camilo fala em “coragem” e General Theophilo em “autoridade”

Por Wanfil em Eleições 2018

03 de setembro de 2018

(FOTO: Reprodução)

Os primeiros programas eleitorais e inserções de rádio e televisão na campanha para o Governo do Ceará mostraram as linhas de comunicação preparadas por cada equipe.

Camilo Santana

Com mais tempo de propaganda (seis minutos), o programa de Camilo Santana (PT) conseguiu abordar um conjunt0 maior de mensagens. A estética é a mesma de outras campanhas, com grande (e cara) qualidade técnica.

Em relação ao texto, é possível destacar três pontos. Primeiro, a preocupação com o novo. Nesse ponto, uma afirmação é ressaltada: “Um novo Ceará está surgindo e talvez você não saiba”. Clara tentativa de anular o apelo por novidade, que poderia beneficiar a oposição, sobretudo nesse momento de desconfiança em relação aos políticos.

Segundo, o destaque conferido para a expressão “de mãos dadas” e para a palavra “união”, ressaltando o perfil conciliador do candidato e justificando, por tabela, o acordo que reúne ex-adversários e até partidos criticados pelo PT.

Terceiro, a ênfase no substantivo “coragem”, grifado diversas vezes no programa e nas inserções. Parece uma vacina para rebater as acusações de que faltaria coragem ao governo para combater as facções, em referência ao tema segurança pública. Essas não foram citadas no programa.

General Theophilo

Pela oposição, o General Theophilo (PSDB), com dois minutos de programa, optou por um misto entre a apresentação de sua história de vida (foco principal do material) e preocupação com saúde e segurança.

Sem ataques mais contundentes (para não antipatizar), o discurso procurou enfatizar a necessidade de um novo perfil de gestor, com mais “autoridade” e capacidade de “botar a casa em ordem”. As facções foram citadas como principal  problema a ser enfrentado na área de segurança.

Um segundo plano de mensagens foi trabalhado, sem menções diretas, buscando o eleitor que rejeita a hegemonia política dos Ferreira Gomes, que pode ser resumido no próprio nome da coligação da oposição: “Tá na hora de mudar”.

Ailton Lopes

O candidato Ailton Lopes, do PSOL, preferiu falar, nos seus 17 segundos, sobre temas como o uso de“agrotóxicos” ou “falso moralismo”, sem poder, pela limitação de tempo, aprofundar os temas.

Próximos capítulos

Os demais candidatos ainda esperam juntar tempo suficiente para tentar passar suas mensagens. A disputa agora consistirá em tentar pautar os principais temas e os tons do debate eleitoral. A ver.

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Segundo turno: presença (e ausência) de aliados nas propagandas revela estratégias opostas na reta final

Por Wanfil em Eleições 2016

25 de outubro de 2016

Na reta final do segundo turno em Fortaleza o candidato Capitão Wagner (PR) levou ao seu programa eleitoral seus apoiadores Tasso Jereissati, do PSDB, na semana passada, e Eunício Oliveira, do PMDB, nesta semana. Já nas peças de Roberto Cláudio (PDT) as figuras do governador Camilo Santana (PT) e dos ex-governadores Ciro e Cid Gomes (PDT) curiosamente ainda não apareceram.

Não obstante as qualidades e defeitos dos candidatos e de toda a comunicação feita até o momento, a presença ou a ausência de aliados nas propagandas pode ser determinante, uma vez que a disputa será decidida pelos indecisos. Todo detalhe agora é mais importante do que nunca.

Daí a opção de apresentá-los ou não, de associar imagens ou de evitar essas associações, na expectativa de agregar votos ou de evitar perdê-los. São decisões tomadas, claro, com base em pesquisas internas. Bem observadas as escolhas feitas neste segundo turno, há muito nelas que dizem respeito às próximas eleições, em 2018.

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Em defesa de Dilma: pacote de maldades mostra que presidenta é mais uma vítima da propaganda eleitoral

Por Wanfil em Política

20 de Janeiro de 2015

Com a economia no buraco, o governo Dilma tomou medidas para tentar salvar as contas públicas, severamente comprometidas nos últimos quatro anos. O IOF passou de 1,5% para 3%; as alíquotas sobre importados subiram de 9,25% para 11,75%; o reajuste de 6,5% na tabela do Imposto de Renda foi vetado (em breve quem ganha salário mínimo pagará IR no Brasil); o PIS/Cofins sobre gasolina e diesel aumentou; combustíveis terão mais um imposto com o ressurgimento da Cide. A esse conjunto podemos somar ações anunciadas recentemente, como cortes em benefícios previdenciários e trabalhistas; aumento na taxa Selic, na energia e nos juros para crédito imobiliário.

Como tudo isso vai na contramão do que foi prometido na campanha eleitoral, os defensores da presidente andam calados e seus críticos cobram a fatura da incoerência. Aliás, a própria Dilma ainda não falou sobre as medidas, tamanho o constrangimento. Cadê a líder segura e sem medos da campanha eleitoral? Pois é, essa é a chave para compreendermos como chegamos a esse ponto.

De que forma Dilma chegou ao poder? Neófita na política, sem formação adequada ou experiência relevante no setor privado, carente de liderança, ela acreditou na personagem criada por Lula e seus marqueteiros: a Dilma eficiente. Assim como milhões de brasileiros, a ex-guerrilheira acreditou ser mesmo uma grande gestora. Uma vez Collor de Mello acreditou ser realmente um “caçador de marajás” e deu no que deu. Não se trata de ingenuidade, mas de falta de senso crítico. Lula também não tinha preparo técnico, nem experiência administrativa. Tinha liderança política e sagacidade. Ciente disso, manteve a política econômica de FHC e deu carta branca para o então tucano Henrique Meireles no Banco Central. Também fez o contrário do que pregou a vida toda, mas nesse caso, preservou as conquistas do Plano Real e aumentou programas assistencialistas, seus maiores trunfos para eleger uma sucessora sem brilho próprio. Muita gente acha isso genial, eu acho picaretagem, mas essa é outra história.

Em defesa de Dilma é possível alegar que a fantasia da personagem autossuficiente e preparadíssima escolhida pelo ex-presidente visionário foi incorporada a ponto de se tornar em uma segunda natureza. Atores profissionais podem entrar em seus papéis, mas depois voltam a si. Com Dilma isso não aconteceu e sua persona fictícia assumiu o lugar da verdadeira: saiu a aspone que vivera de indicações políticas, entrou a executiva fantástica. Acontece que os fatos se impõem. O inepto, ainda que acredite ser apto, será desmentido por seus resultados.

É claro que quando falo em defesa, estou sendo irônico. Dilma acreditou nessa construção que fizeram porque isso a interessava. Sabia se tratar de uma criação, tinha conhecimento de que o Brasil supimpa cantado em verso e prosa por João Santana era falso como um balanço da Petrobras. Tanto que escondeu números durante a campanha. Na verdade, tinha total consciência de que as coisas eram muito piores do que os “pessimistas” imaginavam. Assim, ao contrário de parte de seus eleitores, ela não pode fugir da responsabilidade alegando mero engano.

Ao nomear Joaquim Levy para a Fazenda e consentir com o pacote ortodoxo agora anunciado para tirar a economia do caminho que ela mesma a conduziu, Dilma dá sinais de que talvez – talvez! – tenha começado a suspeitar que por debaixo daquele verniz de eficiência apresentado na propaganda eleitoral, exista mesmo uma gestora inepta ou – o que é mais provável -, pelo menos falível. O problema é que agora é tarde e a conta será paga pelos brasileiros. E olha que nem falamos de corrupção.

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O Ideb – que não é candidato, nem é de oposição – mostra fiasco na educação no Ceará. E agora, Izolda?

Por Wanfil em Educação

06 de setembro de 2014

Após ser pressionado pela imprensa, o governo federal finalmente divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede o desempenho de alunos do ensino fundamental e médio das escolas públicas e privadas no Brasil. Redes de 21 Estados não atingiram metas estabelecidas pelo Ministério da Educação; em 16 deles, médias são inferiores às obtidas em 2011.

É o caso do Ceará, onde o ensino médio nas escolas públicas foi reprovado. A meta para 2013 para o Estado era a nota 3,5. No entanto, após grandes investimentos na área, o índice obtido foi de apenas 3,3. Ficamos abaixo da média nacional: 3,4 no setor público (no privado é 5,4). E reparem que a meta não era nada ambiciosa. Leia mais em Ceará tem queda em índice do ensino médio, contrariando propaganda de governo.

No ranking nacional da educação, o Ceará fica ali pelo meio da tabela, à frente de Estados como Bahia, Amapá e Alagoas, empatado com o Acre e o Distrito Federal, atrás de São Paulo e Pernambuco.

Mas o que preocupa mesmo é a atual tendência de queda no desempenho das escolas públicas no ceará, no ensino médio, registrada entre 2011 e 2013.

Eleições
Como estamos em plena campanha eleitoral, é impossível deixar de registrar que se trata de uma má notícia para o candidato ao governo estadual pela situação, o petista Camilo Santana, que tem a ex-secretária da educação, Izolda Cela, como candidata à vice-governadora em sua chapa, com o respaldo, justamente, de duas altas no Ibeb em anos anteriores. A educação e as escolas profissionalizantes figuram como grandes feitos da atual gestão. Izolda chegou a dizer no Facebook que duvidava da honestidade de quem criticasse a área. Pois é, o Ideb não é candidato e não é de oposição, por isso, motivações desonestas em sentido eleitoral devem ser descartadas.

Como consolo, o Ideb 2013 joga luzes no debate sobre a educação, que andava obscurecido pela propaganda eleitoral no Ceará. Nas peças da candidatura governista, a tática é mostrar belas estruturas físicas e deixar de lado os índices comparativos de desempenho. Esse é um padrão de comunicação já conhecido na segurança e na saúde. A realidade, mais uma vez, é que investimentos são feitos, o que merece reconhecimento, mas os resultados são pífios, o que não pode ser escondido. O problema, notadamente, não é financeiro, mas administrativo.

O Ideb agora é uma oportunidade para que candidatos mostrem como podem melhorar a qualidade da educação, ou pelo menos, como parar de piorá-la.

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NO – Um belo filme sobre marketing eleitoral (e a luta entre o medo e a esperança)

Por Wanfil em Cinema

31 de Maio de 2014

No (2012) de Pablo Larraín: O marketing eleitoral e as emoções

No (2012) de Pablo Larraín: O marketing eleitoral e as emoções da massa

É a história de uma campanha política baseada na confrontação de duas premissas antagônicas: o medo da volta ao passado, defendido pelo governo vigente, versus a esperança no futuro, mote da oposição. Não estamos falando do Brasil de 2014 (ou de 2006 e 2002), mas do Chile de 1988, habilidosamente retratado em NO, filme de Pablo Larraín, protagonizado por Gael Garcia Bernal, lançado em 2012 e indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013.

Antes de continuar, um breve comentário. Embora eu não seja especialista em cinema, destaco a fotografia dessa produção, que optou por amenizar a saturação das cores, conferindo um ar de álbum colorido, porém antigo, às imagens. Uma bela forma de ambientar a narrativa em seu tempo.

Agora, voltando ao que interessa, quem considera Duda Mendonça um gênio pelo conceito “a esperança venceu o medo” (e sua adaptação personalizada no “Lulinha Paz a Amor”), ficará surpreso ao descobrir que o baiano não criou a roda, apenas adaptou para o Brasil, uma audaciosa ideia posta em prática no Chile 14 anos antes.

Os chilenos viveram uma das mais violentas ditaduras militares da América Latina por 15 anos, comandada pelo general Augusto Pinochet. Entretanto, acuado pela comunidade internacional, o regime propôs um plebiscito, confiante de que os bons resultados na economia seduziriam os eleitores, que iriam às urnas escolher entre o “SIM”, dando mais oito anos a Pinochet, e o “NÃO”, que ensejaria eleições para a escolha de um novo presidente.

Para a campanha, opositores moderados chamaram publicitários sem vínculos políticos para criar e dirigir a propaganda eleitoral (“um olhar de fora”, argumentaram). Gente de mercado (palavrão para os partidos mais à esquerda, que acabaram vencidos internamente). No filme, esse grupo de profissionais de marketing é unificado no personagem René Saavedra (Gael Bernal). No comando, o publicitário deixou de lado o discurso que parecia mais óbvio (a denúncia das arbitrariedades da ditadura, com ênfase na violência contra civis) para adotar a “alegria” como base da campanha. O raciocínio foi mais ou menos assim: “o medo não vende, assusta. A alegria encoraja”. E assim,m o símbolo escolhido para a propaganda foi um arco-íris, onde todas as cores representavam a união de diferentes partidos em torno de um objetivo comum, altivo e… alegre!

Alguns viram nisso a despolitização das eleições. Em certa medida, concordo. Mas lembro Ortega Y Gasset em A Rebelião das Massas (cito de memória): as administrações ficaram tecnicamente tão complexas, tão distantes da compreensão até de pessoas bem instruídas, que inevitavelmente o debate político será reduzido à manipulação de emoções. No entanto, de volta ao filem, como o objetivo era ganhar, adotou-se o pragmatismo das técnicas de comunicação de massa. Não é o ideal, mas é como o jogo é jogado nos dias de hoje. Uma espécie de xadrez.

A ditadura, arrogante, imaginava que o plebiscito seria um passeio, pois a população estava satisfeita com as “conquistas” da economia. Vale lembrar que o desafio ficava ainda maior pelo fato de que a palavra “sim” possui, naturalmente, um valor positivo, enquanto o “não” carrega consigo uma conotação de negatividade.

Bom, a campanha foi uma espetáculo. Inacreditável. A oposição conseguiu vender alegria ao combater um regime violentíssimo. Críticas eram feitas com humor, para dar leveza (um risco enorme, pois poderia parecer descaso). Os governistas, pegos de surpresa, não souberam reagir e apelaram ao medo da “volta ao passado” de penúria e com acenos contra o terror comunista (que não colou pois a propaganda do NÃO evitou os chavões esquerdistas).

Um ótimo filme que se insere muito bem na atual conjuntura brasileira. Vivemos uma democracia, mas alguns elementos da guerra de propaganda política estão presentes por aqui, sobretudo na confrontação medo versus esperança. Existem as diferenças, claro. Até que ponto candidatos de oposição realmente conseguem convencer o eleitor de que são portadores de uma esperança? E até que ponto os governistas irão persuadir a população de que é possível ficar pior do que está?

Cada eleição é diferente, eu sei. Mas no Brasil de hoje, se eu fosse oposição veria o filme para sacar como se faz crítica propositiva; e se fosse governo, veria para ter noção do risco que é apostar no medo.

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Eles só pensam naquilo!

Por Wanfil em Tribuna Band News FM

09 de Abril de 2013

Meu comentário na rádio Tribuna BandNews FM – 101.7, sobre a antecipação da agenda eleitoral no Brasil e no Ceará.

Ouça o áudio:

[haiku url=”http://tribunadoceara.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2013/04/POLITICA_WANDERLEY_ELES-SÓ-PENSAM-NAQUILO.mp3″]

 

Segue a transcrição:

A antecipação do calendário eleitoral reduz o tempo do calendário administrativo. O que não foi resolvido até agora, não será mais até outubro de 2014.

A antecipação do calendário eleitoral reduz o tempo do calendário administrativo. O que não foi resolvido até agora, não será mais até outubro de 2014.

Eles só pensam naquilo! Eles só pensam em voto e nas próximas eleições. Daqui até outubro de 2014, todos os problemas passam a ser tratados de olho nas pesquisas e na base da propaganda.

Em Brasília, a presidente Dilma, do PT, trouxe o PR de Alfredo Nascimento e o PDT de Carlos Lupi de volta ao ministério do qual saíram após denúncias de corrupção. O que interessa aí é o tempo de TV de cada partido. E que se dane a faxina ética.

Para neutralizar a possível candidatura de Eduardo Campos, do PSB, à Presidência da República, Dilma anuncia no rádio, medidas e verbas contra a seca no nordeste. Diga-se de passagem que são as mesmas promessas feitas há exatamente uma semana aqui em Fortaleza e que até os governistas mais adestrados reconhecem ser tímidas.

No Ceará não é diferente. O governador Cid Gomes e seus aliados já se dedicam à campanha eleitoral mais do que recomenda o bom senso. Basta ver as movimentações de gente como o ministro dos Portos Leônidas Cristino, do secretário da Fazenda Mauro Filho ou até da secretária de Educação Izolda Cela, nomes citados nos balões de ensaio das colunas de jornal.

Tem ainda o PT, que ressentido com o racha em Fortaleza, agora parte pra cima do PSB e do governador, com direito a acusações mútuas de espionagem. Até poucas eleições atrás, esse pessoal trocava juras de amor e elogios rasgados entre si.

Do ponto de vista prático, tudo isso é infrutífero para resolver os grandes problemas do país e do Ceará.  Falta aproximadamente um ano e meio para as eleições do ano que vem. Já em junho próximo, teremos a Copa das Confederações. Quer dizer, de maio a agosto essa será a maior prioridade de nossas autoridades. Em 2014, depois do Carnaval, vem a Copa e as próprias eleições.

Com um pouco de otimismo, significa dizer que, na prática, o governador terá somente uns seis meses para trabalhar livremente. Talvez menos. Com a agenda eleitoral antecipada, esse tempo fica mais reduzido ainda. Portanto, será um fim de mandato apertado para encaminhar ações contra emergências que ignoram os calendários festivos e eleitorais: a seca e os obscenos índices de violência no estado. Mas sabe como é: eles só pensam naquilo!

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Dona Maria da Conceição: “Eu acho que nós vamos morrer de sede ou de fome”

Por Wanfil em Ceará

27 de Março de 2013

Senso de urgência: As vítimas da seca são prioridade somente em tempo de eleição.

Senso de urgência: As vítimas da seca são prioridade somente em tempo de eleição.

Dia 2 de setembro de 2010 – A propaganda eleitoral da candidata Dilma Rousseff apresenta, a partir dos seis minutos de exibição, o testemunho do operário Ivanilson Torres, direto da transposição do Rio São Francisco: Com essa obra aqui, a gente vai ter água pros animais, vai ter água pra beber, água pra tomar banho, e também poder plantar alguma coisa. Eu quero parabenizar o nosso presidente… né? E quero dizer que Deus continue abençoando ele, dando força, porque é um orgulho. É um orgulho… [começa a chorar] É um orgulho pra nós aqui! Senhor Presidente, que Deus te abençoe e lhe dê graça pro senhor continuar trabalhando, porque o teu povo precisa disso, essa obra”. Para conferir o vídeo original, clique aqui.

A obra, que promete levar água para 12 milhões de pessoas, como todos sabem, não ficou pronta. Aliás, está mais do que atrasada, dobrou de valor e é alvo de investigações de desvios de verba. Dilma foi eleita.

Dia 26 de março de 2013 – O Jornal Jangadeiro exibe a série especial Vidas Secas. Na matéria do dia, duas senhoras que vivem no semi-árido cearense são ouvidas. A dona de casa Josilene Duarte relata, aos 38 segundos de vídeo, a realidade que vive: “Está sendo difícil, viu. Porque nós estamos praticamente tirando [comida] da boca pra poder comprar água pra nós, fora essa água aqui [do carro-pipa].

No final, a partir de 1 minuto e 56 segundos, a aposentada Maria da Conceição lamenta: “Eu era moça, bem novinha. Aí nós viemos da Itapipoca pra cá, pra nós não morrer de sede e de fome. E agora tamo aqui… Eu acho que nós vamos morrer de sede ou de fome.

Confira a matéria:

 

O contraste entre o testemunho da propaganda eleitoral, peça de tom paternalista na qual o choro do operário sugere um dever de subserviente gratidão, e as entrevistadas da matéria jornalística que revela as agruras da seca no Nordeste, não pode ser mais revelador. De um lado, o anúncio de novos amanhãs retumbantes, do outro, a velha realidade de descaso e abandono.

A diferença entre pedir favor e cobrar dívidas

O governador Cid Gomes pretende tratar com a presidente Dilma sobre ações de combate aos efeitos da estiagem. Há o risco iminente de colapso no abastecimento de água em grandes cidades do interior. Apesar da urgência do problema, Dilma conversará com o governador somente depois do feriado da Semana Santa, como se aquelas senhoras que temem a ameaça da sede e da fome pudessem esperar. Como se milhões não estivessem na mesma situação delas.

É o seguinte: catástrofes naturais costumam a causar comoção pública porque são repentinas e impactantes. Já a seca mata lenta e silenciosamente, característica incapaz de fazer brotar em nossos digníssimos gestores o sentimento de urgência que deveria angustiá-los nesse momento. Como isso não acontece, as pessoas sofrem e morrem longe, sem direito a vez e voz.

Não falo de obras de prevenção, que isso é outro assunto, mas de ações imediatas. Em Itapajé, cidade onde a reportagem foi feita, há um açude cuja construção foi concluída em janeiro passado, mas está vazio, pois o rio que o abasteceria secou. Portanto, não adianta prometer barragens, cisternas e coisas do tipo. É preciso água!

Seca de coragem

É bom lembrar que  Cid não tem que pedir favor à presidente Dilma, que em 2010 soube vir ao Ceará pedir votos. Trata-se de COBRAR medidas de curto prazo, uma vez que as promessas feitas não foram cumpridas. O velho ACM era assim, um aliado útil, desde que a sua Bahia não ficasse em segundo plano. Portanto, é hora do governador esquecer os salamaleques eleitorais e falar grosso com a presidente.

Mas Cid não tem que fazer isso sozinho. Onde estão os senadores do Ceará? Por que não denunciam tamanho descaso? E os deputados federais, por que não cobram o governo federal? Porque não param de votar qualquer medida, especialmente as de interesse da presidente, até que algo de efetivo seja feito? Se pelo menos houvesse uma oposição para denunciar essa pasmaceira… Não é de admirar que a mulher seja popular: falta brio para cobrarem as obrigações inerentes ao cargo e as promessas que ela fez.

Como eu disse em minha coluna na rádio Tribuna Band News, a seca é um fenômeno natural e previsível, mas a falta de ações concretas e emergenciais é falha dos governantes e das autoridades que nos representam.

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Dez sugestões de atividades para a hora da propaganda eleitoral gratuita

Por Wanfil em Crônica, Eleições 2012

22 de agosto de 2012

Não acredita mais em tanta promessa? Está cansado da mesma conversa de sempre? Veja alternativas construtivas para aproveitar o tempo da propaganda eleitoral gratuita. Atenção para o décimo item.

Com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, começa o espetáculo de frases lidas em teleprompter, músicas insuportáveis, vinhetas cheias de efeitos e maquetes eletrônicas. Sem esquecer as imagens de candidatos caminhando em bairros periféricos, abraçando crianças, comendo pratos regionais em feiras livres ou fingindo que estão trabalhando em cenários cheios de livros. Todos iguais, ou quase iguais.

Na forma, uns abusam na exibição de padrinhos políticos, enquanto outros escondem aliados inconvenientes. Na essência, abundam leituras superficiais sobre problemas complexos e propostas batizadas com nomes simpáticos, no melhor estilo Mamãe Feliz, Saúde na Hora, Escola Primeiro Mundo (nomes fictícios), que desafiam qualquer projeção orçamentária.

É verdade que algumas pessoas gostam de assistir a propaganda eleitoral, até como programa de humor. Mas a maioria, que nunca prestou atenção ao noticiário político, mas que é obrigada a votar, senta desolada diante da televisão e espera a volta da programação normal. Foi pensando nesse público que pesquisei junto a amigos, dicas para aproveitar o horário eleitoral gratuito de forma construtiva e prazerosa. São sugestões colhidas de forma aleatória e muitas outras opções não foram contempladas.

Dez coisas para fazer durante a propaganda eleitoral:

1 – Conversar com a família – Sem jornais ou novelas para disputar a atenção de todos, essa é uma boa oportunidade para saber como as crianças estão na escola ou se o cônjuge tem novidades no trabalho;

2 – Ler um livro – Com 15 ou 20 páginas diárias, dá para passar o tempo e ainda adquirir cultura. Se a intenção for fugir da realidade, uma boa dica para disputar com as propagandas eleitorais são as ficções científicas; Leia mais

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O perigo de andar de ônibus ou ir ao banco em Fortaleza: muito mais que uma sensação de insegurança

Por Wanfil em Fortaleza, Segurança

19 de Abril de 2012

Apesar dos investimentos crescentes em segurança, os números da violência aumentam ano após ano. É hora do governo debater com a sociedade.

As notícias que sobre nove saidinhas bancárias em dois dias e mais de 100 assaltos a ônibus nos primeiros 3 meses do ano em Fortaleza, publicadas pelo Jangadeiro Online, mostram que a realidade já ultrapassou muito aquilo o que alguns especialistas chamam de “sensação de insegurança”. Vivemos na pele mesmo é uma onda crescente de insegurança real. Atividades comuns como pegar um coletivo ou ir a uma agência bancária, agora causam justificado medo nas pessoas. Medo que se transforma em paranoia, na medida em que nos obriga a manter um estado de alerta constante, tal como nas cidades que correm risco de atentados terroristas.

Violência crescente
Os números, sempre os números, mostram que essa percepção tem razão de ser. De acordo com o mais recente Mapa da Violência, divulgado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, mostra que em 2010 a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no Ceará 2010, ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Uma alta de 16,7 no índice. Uma calamidade.

Desculpas sobram aos montes, mas resultados impactantes no combate à criminalidade simplesmente inexistem. E como se o problema não fosse grave o bastante, o mais urgente e angustiante que vivemos, a maior preocupação do governo e de seus opositores é a construção de um aquário. Parecem não saber que para se ter aquário, emprego, turismo, educação e saúde, a premissa básica é no mínimo estar vivo.  Leia mais

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O perigo de andar de ônibus ou ir ao banco em Fortaleza: muito mais que uma sensação de insegurança

Por Wanfil em Fortaleza, Segurança

19 de Abril de 2012

Apesar dos investimentos crescentes em segurança, os números da violência aumentam ano após ano. É hora do governo debater com a sociedade.

As notícias que sobre nove saidinhas bancárias em dois dias e mais de 100 assaltos a ônibus nos primeiros 3 meses do ano em Fortaleza, publicadas pelo Jangadeiro Online, mostram que a realidade já ultrapassou muito aquilo o que alguns especialistas chamam de “sensação de insegurança”. Vivemos na pele mesmo é uma onda crescente de insegurança real. Atividades comuns como pegar um coletivo ou ir a uma agência bancária, agora causam justificado medo nas pessoas. Medo que se transforma em paranoia, na medida em que nos obriga a manter um estado de alerta constante, tal como nas cidades que correm risco de atentados terroristas.

Violência crescente
Os números, sempre os números, mostram que essa percepção tem razão de ser. De acordo com o mais recente Mapa da Violência, divulgado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, mostra que em 2010 a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no Ceará 2010, ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Uma alta de 16,7 no índice. Uma calamidade.

Desculpas sobram aos montes, mas resultados impactantes no combate à criminalidade simplesmente inexistem. E como se o problema não fosse grave o bastante, o mais urgente e angustiante que vivemos, a maior preocupação do governo e de seus opositores é a construção de um aquário. Parecem não saber que para se ter aquário, emprego, turismo, educação e saúde, a premissa básica é no mínimo estar vivo.  (mais…)