PT Archives - Página 17 de 18 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PT

Senador Eunício, a solução para a seca é menos conversa e mais ação: cadê a transposição do São Francisco?

Por Wanfil em Ceará

30 de novembro de 2012

A bancada federal do Ceará está descontente com a presidente Dilma Rousseff, que vetou parte do projeto de lei que muda as regras de distribuição dos royalties do petróleo brasileiro. Os estados produtores também estão inconformados com a perda da receita que agora será dividida com não produtores. Cada parte alega que a verba extra será fundamental para melhorar os serviços públicos em seus estados.

Nessa toada, senadores do Ceará se antecipam e fazem planos para os recursos provenientes do petróleo. Para o petista José Pimentel, o dinheiro deve ser aplicado na educação. Já o senador Eunício Oliveira, do PMDB, acredita que a solução para conviver com a seca passa pelos novos critérios de distribuição dos royalties do petróleo.

A mais nova solução para os problemas de sempre

Não faz muito tempo, todo problema não resolvido pelos governos seria solucionado com o advento do pré-sal. Como o buraco para o óleo em mares profundos é, literalmente, mais embaixo, a redenção anunciada não dará resultado no curto prazo. E assim, agora aparece outro apanágio nacional para empurrar promessas com a barriga: os royalties do petróleo.

Eunício Oliveira declarou recentemente a intenção de se candidatar à sucessão de Cid Gomes. Motivado pelo desafio, o senador discursou cobrando soluções para a seca, citando a transposição do Rio São Francisco como uma boa medida a ser efetivada.

Hora de agir

Enquanto a questão do petróleo não é resolvida, o jeito é apelar para a velha conversa utilizada em duas eleições presidenciais, cujo o resultado prático está aí: gente sedenta no Ceará, que sente na pele e no bolso os efeitos da seca, que votou em Eunício, Pimentel e seus aliados para resolverem a questão, muito antes de falarem em royalties.

Portanto, senador, com todo o respeito, não espere por royalties ou por ninguém. Nem cobre seus aliados Lula e Dilma, que o senhor é governista há muito tempo. Para cobrá-los, seria preciso dizer que a presidente e o ex-presidente souberam prometer, mas não fizeram por incompetência ou por negligência. Seria preciso mostrar-se indignado com o descaso e romper, hipótese que não combina com um líder do PMDB.

Sendo assim, é preciso agir. A posição de Vossa Excelência é a de quem deve prestar contas, não a de credor. Nesse sentido, explique aos cearenses: Cadê a transposição do Rio São Francisco?

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PT apresenta denúncia contra PSB em Fortaleza: Só isso?

Por Wanfil em Fortaleza

23 de novembro de 2012

Elmano de Freitas, candidato derrotado, protocola denúncia contra Roberto Cláudio no TRE. Acusação tardia, frágil e superficial. Urgente mesmo é a transição que não anda… Foto: Omar Jacob / Jangadeiro

Se há algo que o PT de Fortaleza e a gestão de Luizianne Lins deveriam ter aprendido com a derrota nestas eleições é a importância do senso de urgência. Antes tarde do que nunca, não é verdade? Mas  não, parece que para ambos, partido e governo, tudo sempre pode esperar um pouco mais.

Vejam o caso das alardeadas denúncias de irregularidades feitas contra o candidato eleito Roberto Cláudio (PSB), anunciadas logo após a divulgação do resultado da disputa. Foram necessários 25 dias para que o PT apresentasse um primeiro questionamento na Justiça. O candidato petista Elmano de Freitas protocolou junto ao TRE pedido de investigação sobre uma suposta paralisação de várias unidades da equipe RAIO, grupo de elite do Pelotão de Motos da Polícia Militar do Estado do Ceará. Comprovado, imaginam os denunciantes, o fato provaria uso da máquina em favor de Roberto Cláudio.

Esse comportamento de quem imagina ter todo o tempo do mundo me faz lembrar do romance Oblómov, do russo Ivan Gontcharóv (1812-1891). De tanto viver com o rosto tomado pela “luz neutra da indiferença”, o personagem-título virou adjetivo: “oblomovismo”, sinônimo de inércia. Mais tarde volto a ele.

Só isso?

O clima de indignação dos derrotados, somados aos boatos de sempre e ao reconhecimento de que eleições no Brasil tem suas peculiaridades, criou alguma expectativa de que algo coisa mais sério poderia acontecer. O tempo passou e expectativa começou a se transformar em desconfiança. A primeira denúncia apenas reforça a sensação de que tudo não passa de choro de quem não sabe perder.

Qual seria a relação entre uma paralisação de veículo de um grupo cujo foco é o “combate ao porte ilegal de armas, o consumo e o tráfico de drogas em pontos de vendas nos bairros de Fortaleza”? A não ser que o número de eleitores traficantes e usuários que estivessem comercializando drogas no dia da eleição seja grande o bastante para mudar o resultado do pleito, o pedido não faz sentido.

Não satisfeitos com a demora em apresentar essa, vá lá, “denúncia”, a coligação comandada pelos petistas ainda avisa que está reunindo provas de outras irregularidades praticadas pelos apoiadores de Roberto Cláudio..

Os meios qualificam a oposição

A inércia do governo municipal custou-lhe o poder em Fortaleza e a aliança com o PSB. No livro que citei, a apatia de Oblómov contrasta com o estilo do seu adversário na trama, o empreendedor Stolz. Essa é a lição! Que a inércia de uns não atrapalhe a iniciativa de quem pode trabalhar.

Não faço aqui defesa de candidato algum, não é meu papel, e nem isento ninguém de nada. Apenas me atenho aos fatos. Se o PT tem algo de concreto, que o apresente já. Por que esperar? Ou tem ou não tem as provas alegadas. Se as tiver, a imprensa fará certamente o seu trabalho na apresentação delas ao público. Se não as tiver, que respeitem a decisão dos eleitores.

Nesse momento, quando Fortaleza carece de tantas ações e o Ceará vive uma seca de grandes proporções, é hora de fazer o melhor trabalho possível na transição para o novo governo. Problemas não faltarão para debater no futuro. No entanto, esse clima de denúncias forçadas e de ameaças sem efeito apenas conturba o processo político e administrativo. Na verdade, a impressão que fica é exatamente essa: o objetivo das acusações, até o momento frágeis e superficiais, é justamente o de atrapalhar. E isso não qualifica positivamente a oposição.

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PT e PSB usam imagem de Heitor Férrer para tentar ludibriar eleitores

Por Wanfil em Eleições 2012

16 de outubro de 2012

Imagem: facebook.com/sistemajangadeiro

As campanhas de Elmano de Freitas (PT) e de Roberto Cláudio (PSB) começaram o segundo turno de olho no patrimônio eleitoral do terceiro colocado no primeiro turno, o deputado Heitor Férrer (PDT), com quase 21% dos votos. Nada mais previsível e natural, afinal, é plausível deduzir que boa parte desse eleitorado irá decidir a partir de uma comparação com o candidato derrotado. Quanto mais afinidades, maior a chance de conquistá-lo.

O alvo: os eleitores de Heitor – A vítima: a verdade dos fatos

O PSB partiu na frente e conseguiu a adesão do PDT. Como os partidos têm pouca importância para o eleitor, a propaganda de Roberto Cláudio anunciou que contava agora com o apoio do “PDT, o partido de Heitor Férrer”.

A ênfase no nome do candidato foi tanta que deixou a impressão subliminar de que ele pessoalmente embarcara na campanha do PSB. No entanto, a referência, feita de forma sutil, é verossímil pela aliança partidária.

Mesmo assim, para esclarecer qualquer dúvida, o deputado convocou a imprensa para anunciou que não apoia nenhum dos candidatos e que não permite a utilização do seu nome nas respectivas campanhas de cada um. Nada mais lógico. Logo após a eleição, escrevi: Não seria conveniente para Férrer a manifestação de apoio a nenhum dos candidatos no segundo turno, para não correr o risco de perder a imagem de independência construída em sua atuação parlamentar e reforçada durante o pleito.

Apenas um dia depois dessas declarações, a campanha do PT manipula descaradamente em sua propaganda eleitoral a declaração de neutralidade de Férrer para insinuar que o parlamentar repudia apenas e tão somente a candidatura de Roberto Cláudio, exibindo o trecho em que ele afirma não poder aderir ao candidato lançado pelo governador e que representaria a consolidação de uma “oligarquia”.

A parte em que Férrer afirma que não apoia Elmano de Freitas por entender que essa opção seria manter por mais quatro anos a “ineficiência” que marca a atual gestão. Quem não assistiu aos jornais com as declarações, acaba concluindo que Heitor apoiaria o candidato do PT.

Candidatos precisam impor limites às suas campanhas

A disposição de usar a imagem de um candidato sem a sua devida autorização para induzir o voto dos eleitores revela: 1) desrespeito ao candidato e aos seus eleitores; 2) falta de limites éticos; 3) compostura e 4) pudor.

É verdade que o calor da disputa, o racha entre os ex-aliados Cid e Luizianne e as responsabilidades assumidas para o pelito, especialmente as financeiras, podem interferir no discernimento de parte dos comandos das campanhas – ou revelar-lhes a real natureza. Entretanto, isso não pode servir de desculpa para a tapeação.

Nessas horas em que a tentação de apelar seja ao que for para vencer a qualquer custo bate à porta, é que o candidato deve mostrar liderança e tomar as rédeas da própria campanha para não permitir um vale tudo eleitoral, ainda que lhe digam que o preço da correção seja uma eventual derrota.

Volto a publicar uma citação de Antoine de Saint-Exupéry“Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam”.

Senhores candidatos, por favor, mais dignidade. O eleitor agradece.

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O mensalão com aspas de Leonardo Boff e um alerta

Por Wanfil em Brasil

20 de setembro de 2012

Leonardo Boff (à direita) com Lula e José Dirceu – O teólogo tergiversa e não vai ao ponto: Os mensaleiros usaram o PT ou se o PT usou os mensaleiros? Eis a questão. (Foto: Antonio Cruz – Agência Brasil)

O teólogo Leonardo Boff assina o artigo Manter viva a causa do PT: para além do “Mensalão” , publicado simultaneamente nos sites de José Dirceu (onde é colunista) e do grupo Democracia Socialista (uma das tendências internas do Partido dos Trabalhadores), afirmando que o julgamento do mensalão tem sido meticulosamente usado para atingir o partido como um todo, fato que ensejaria uma reação de filiados e simpatizantes.

Certo ou errado, esse é um raciocínio legítimo, reflexo do próprio instinto de sobrevivência. O problema é que na sequência dessa argumentação Boff insinua que o mensalão teria sido uma espécie de desvio acidental, impulso isolado cometido por indivíduos menores que se deixaram seduzir pelo poder, e que por isso traíram a essência ideológica e moral do partido. Daí as aspas do título no referido artigo.

A questão é que o mensalão não foi acidente casual, uma vez que o esquema foi comandado pelos líderes da sigla, alguns dos quais seus fundadores. Nesse caso, o mensalão está mais para método do que para tentação de ocasião. Se os mensaleiros usaram o PT ou se o PT usou os mensaleiros, isso acabe ao próprio petismo dizer.

E os outros partidos?

Leonardo Boff afirma que a associação automática e generalizada entre o mensalão e o PT é obra do conservadorismo e da luta de classes. Quais lideranças de classe e quais agentes conservadores seriam esses, Boff não diz. Talvez não possa fazê-lo sob pena de envolver algum financiador de campanha ou companheiro da base de apoio do governo. Mas é verdade que o PT responde sozinho, perante a opinião pública, por ilícitos cometidos em parcerias com outros partidos. Ninguém fala do PP, do PL (hoje PR) ou do PTB de Roberto Jefferson.

No entanto, isso não prova ressentimento de classe ou discriminação ideológica, apenas revela o contraste que entre siglas que nunca foram levadas a sério e uma que gozava de imenso prestígio e credibilidade. Quem se fez o mais poderoso e rico partido do país prometendo acabar com a corrupção foi o PT. De resto, o papel dos demais partidos nessa trama é o de cúmplice, não o de protagonista.

Decepção e fuga

Escrevo pensando em amigos que gostam do PT, gente boa que acredita nele. Compreendo a decepção que eles vivem, assim como outros tantos, muitos dos quais apostaram de boa fé no mito pueril do monopólio da ética exercido pela esquerda, mas querer negar a realidade dos fatos com subterfúgios teóricos é outra forma de corrupção, que dessas vez atenta contra a inteligência. Leia mais

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Vices roubam a cena em Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2012

02 de julho de 2012

Diga-me com quem tu andas, que te direi quem tu és. O ditado popular serve para candidatos em busca de vices, mas também é válido para vices que aceitam referendar candidatos.

Para que serve um vice? Como agente administrativo, vale pouco, quase nada. É um reserva de luxo que eventualmente pode virar titular. Como peça estratégica em disputa eleitorais vale ao menos de três formas: 1) para composição de imagem da chapa; 2) como moeda de troca em alianças de ocasião; 3) como personificação de uma aliança programática.

Via de regra, o papel do vice é secundário e as alianças são feitas na base do fisiologismo, geralmente de olho no tempo de propaganda no rádio e na televisão. Ocorre que cada eleição tem suas peculiaridades e o peso do vice pode variar conforme a conjuntura.

Em Fortaleza, a grande quantidade de candidaturas aumenta a disputa e valoriza a figura o vice como peça de complemento. Não por acaso, os vices roubaram a cena nas convenções partidárias realizadas no último final de semana. Roubar no sentido de protagonizar, que fique bem claro (melhor não deixar espaço para dubiedades).

De médico, todo mundo tem um pouco

A surpresa ficou por conta do médico Antônio Mourão na chapa de Elmano de Freitas, do PT, o candidato de última hora escolhido pela prefeita Luizianne Lins. Articulista com presença em jornal e rádio, Mourão tinha sido, até o último sábado, um duro crítico da gestão que agora terá que defender. A composição indica que a candidatura oficial – que sofre com a baixa popularidade da prefeita – tentará oferecer ao eleitor o discurso da “continuidade sem continuísmo”.

Outro médico – profissão em alta no mercado político-partidário – aparecerá ao lado do candidato crônico Moroni Torgan, do Democratas: é o doutor Lineu Jucá, que também se notabilizou pelas críticas ao governo petista, especialmente na área da saúde. A escolha pode ajudar na construção de uma chapa que não se restringe a monotemática da segurança pública.

No PDT, onde o deputado estadual e… médico! Heitor Férrer é o cabeça de chapa, o empresário Alexandre Pereira, do PPS, pode não trazer votos, mas além do tempo a mais na propaganda, a parceria pode garantir maior acesso a financiadores de campanha, o que é fundamental para quem não tem a máquina pública como fator de atração.

Chapas puras

Marcos Cals, do PSDB, e Inácio Arruda, do PCdoB, isolados, optaram por soluções caseiras em chapas puras e escolheram correligionários com boa votação em Fortaleza.

Os tucanos deram vez ao deputado estadual Fernando Hugo, parlamentar popular e verborrágico, médico também, um dos maiores críticos da gestão o governo petista em Fortaleza. Soma para construir uma imagem mais enérgica para a candidatura e a consolida como polo de oposição. O risco é ter um vice mais lembrado do que o próprio candidato.

Já os comunistas apresentaram o deputado federal Chico Lopes, que apesar das boas votações pouco acrescenta à imagem de Inácio: os dois tem perfis parecidos, com histórico recente de parcerias com o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins. Surge como plano B do campo governista.

Padrinhos e afilhados

Por último, para fazer companhia ao desconhecido (do eleitorado) deputado estadual Roberto Cláudio, o PSB indicou o desconhecido (do eleitorado) empresário Gaudêncio Lucena, do PMDB, mais conhecido por ser sócio do senador Eunício Oliveira. É uma candidatura cuja potencialidade advém exclusivamente de seus padrinhos: Cid com a máquina estadual e Eunício com a máquina peemedebista (tempo e recursos).

É isso. Até aqui, curiosamente, os vices tem dado o tom das campanhas. São apostas, mas apenas o vencedor será lembrado como gênio da estratégia política.

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Dia dos Namorados, aliança desfeita

Por Wanfil em Política

12 de junho de 2012

Parecia uma parceria, mas não passou de arranjo eleitoreiro. Na imagem, Cid e Luizianne mantendo as aparências. Nesse caso, o único traído foi o povo.

Véspera do Dia dos Namorados. Em meio a uma crise no relacionamento, ele consulta os amigos. Dias antes, ela dera um ultimato. Cada um desejava conduzir o parceiro de outrora para caminhos diferentes. Ela queria a segurança da continuidade; ele queria vida nova. À noite, ela descobre, por meio de terceiros, que a partir do dia 12 de junho, cada um seguirá para o seu lado. A aliança se desfez, a união fatigou. O PSB decidiu, em anúncio feito por Cid Gomes, que não apoia o candidato escolhido pelo PT de Luizianne Lins. O mesmo Cid que pediu votos a Luizianne, a mesma Luizianne que pediu votos a Cid.

O relacionamento se desgastou, não resistiu ao peso das obrigações cotidianas. A paixão eleitoral deu lugar aos deveres administrativos e fez sucumbir a união. O que antes parecia cumplicidade, não passou – o teste do tempo é implacável – de interesse passageiro.No fundo, sempre desconfiaram um do outro. E os elogios gravados em propagandas eleitorais se transformam em críticas azedas, em negações, ambos os lados testemunhando decepções e lamentos, findando em acusações mútuas de intransigência.

Em jogo, agora, a disputa para saber quem fica com a guarda de Fortaleza. Que aguardem os cidadãos que apostaram (e os que dependem) da coligação celebrada na vitória da eleição passada, quando as juras de fidelidade davam a impressão de que era imortal o que não passava de chama.

Simbolismo perfeito

Nada poderia ser mais simbólico do que a constatação de uma separação – de fato, aguardando ser de direito – no dia em que as pessoas comuns celebram as uniões verdadeiras e livres. Como metáfora, é a demonstração perfeita da completa dissonância entre os nossos gestores e as esperanças da população, entre a política interesseira e o ideal de servir por vocação. Enquanto os poderosos mudam de aliados e de adversários ao sabor das conveniências eleitorais, o eleitor, coitado, busca alguém que tenha compromisso com a cidade e com a palavra empenhada.

A vida continua, todos sabem. No entanto, os momentos que se seguem a uma separação política são de exposição, nunca de reserva. Cada um tentará fazer prevalecer a sua versão e ninguém dirá que o verdadeiro traído nessa história foi o eleitor. Cada um garantirá que está aberto a dialogar com outros parceiros para assim compensar o rompimento do presente. E farão novas juras de amor e fidelidade, prometendo que agora sim Fortaleza será bem cuidada. Até o próximo dia dos namorados, ou melhor, até as próximas eleições.

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Cid, Luizianne e o darwinismo eleitoral

Por Wanfil em Partidos

28 de Maio de 2012

Darwinismo eleitoral: Não é o mais leal a uma ideologia ou o mais fiel a um aliado que sobrevive. É aquele que se adapta melhor as conveniências das pesquisas.

A semana que passou foi marcada pela troca de farpas, via imprensa, entre a prefeita Luizianne Lins (PT) e o governador Cid Gomes (PSB), sobre a manutenção ou não da aliança eleitoral entre seus partidos para as eleições de outubro em Fortaleza.

A prefeita reclamou da falta de diálogo entre os dois. Em seguida, Cid afirmou estar quites com a prefeita e completou afirmado estar livre doravante, embora reconheça e tenha gratidão pelo apoio vigente nos últimos oito anos.

As bases de uma aliança

Em nenhum momento questões como divergências ideológicas ou incompatibilidades programáticas foram colocadas como entraves para a continuação da parceria. Nada. Críticas veladas sobre incompetência e insinuações de desvios éticos trocadas por integrantes de ambas as gestões não causaram abalos maiores, antes disso, resultaram de um desacerto de natureza bem mais objetiva: a sobrevivência de seus respectivos projetos políticos.

A verdade é que a aliança entre PT e PSB em Fortaleza se desfaz em função de sua única e verdadeira razão de existir: as conveniências eleitorais. Não há prestação de contas, ações conjuntas ou realizações de relevância em debate. A aliança não funcionou do ponto de vista administrativo e isso é tomado como detalhe secundário. Isso não é exclusividade da união entre PT e PSB. É um mal do frágil partidarismo brasileiro, questão que pretendo abordar em outro texto.

Pragmatismo

Cada grupo – governo e município – tem suas pesquisas internas. O movimento de Cid é cristalino: descolamento progressivo da incômoda aliada, que tenta manter a estrutura de poder atual sob sua influência no município e dentro de seu próprio partido. O governo certamente avaliou o peso de entrar numa eleição como força auxiliar de um candidato escolhido por Luizianne. E optou por se afastar dessa possibilidade, com o devido cuidado de evitar transformar o antigo companheiro em vítima.

Fosse a gestão municipal bem avaliada pelo eleitorado, a história seria bem diferente. O próprio governo seria o primeiro a alardear que a parceria eleitoral se projetou em harmonia administrativa de sucesso. Entretanto, o que acontece é o oposto: a silenciosa tentativa de esconder essa parceria administrativa – vendida em eleições passadas como solução infalível.

Darwinismo

O naturalista britânico Charles Darwin consagrou a tese de que somente as espécies mais aptas conseguem sobreviver. Projetando essa característica no ambiente competitivo da política partidária nacional, é fácil observar por que os aliados de hoje podem ser os adversários de amanhã; ou como os inimigos de ontem viram os companheiros de hoje, dançando conforme a música tocada pelas pesquisas. O que interesse é a perspectiva de conquista ou de manutenção do poder. Quem não se adapta, fica para trás. Eis um modo de fazer política que tão cedo não corre o risco de extinção.

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Cid quer encontro com Lula: direto na fonte

Por Wanfil em Eleições 2012

21 de Maio de 2012

Mário Quintana: "Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta". Pois é. Quando o assunto é eleição, Cid também dispensa intermediários.

Após uma reunião entre governadores do Nordeste, realizada na semana passada, o governador do Ceará Cid Gomes cedeu espaço para que o presidente do PSB cearense, Cid Gomes, revelasse que irá procurar o ex-presidente Lula em São Paulo, nesta terça (22), para falar de cenários eleitorais em Fortaleza.

A dupla condição de autoridade pública e presidente de partido assumida por Cid serve para lembrar que a relação de Lula com o Ceará tem igualmente uma forma dupla, constituída de partes teoricamente separadas, mas que na prática se misturam: a administrativa e a eleitoral. Relação sempre muito bem conduzida e explorada pelo político Cid Gomes, mas de pouco proveito para o governador Cid Gomes. Explico.

Parceria administrativa

Lula foi presidente do Brasil por dois mandatos, conquistando votações impressionantes no Ceará. Sobre a área de infraestrutura, não foram poucas as vezes que o ex-presidente veio ao Estado prometer: 1) uma refinaria, 2) uma siderúrgica, 3) a ferrovia Transnordestina e 4) a transposição do Rio São Francisco. Nada disso aconteceu, apesar dos anúncios grandiosos do PAC.

De concreto, os cearenses conseguiram uma usina de biodiesel a base de mamona. Os demais ganhos foram de ordem econômica, com forte componente conjuntural e experimentados por todos os entes da Federação. A rigor, Cid não tem muito o que mostrar em termos de obras federais no Ceará. As estradas, por exemplo, continuam na mesma precariedade de sempre, conforme já denunciou o próprio governador.

A parceria administrativa não rendeu o que prometia ou o que poderia nesse campo, apesar da aliança política anunciada como vantagem nas eleições.

Parceria eleitoral

Candidato crônico à Presidência, Lula conseguiu mudar a imagem de eterno perdedor para a de político imbatível. Algo sem precedentes na história do Brasil. E foi nessa condição de vitorioso que o petista tornou-se aliado de Cid e Ciro Gomes. Veio por cima.

Aí sim, o político Cid não tem do que reclamar da parceria.

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Ibope: Heitor cresce e Cals surpreende; o resto é recall e dúvida

Por Wanfil em Pesquisa

10 de Maio de 2012

Corrida eleitoral: largar bem não é garantia de vitória, no entanto, largar mal é certeza de esforço adicional na busca de recuperar terreno.

A pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira com nomes de pré-candidatos para a Prefeitura de Fortaleza mostra uma quadro sem grandes surpresas. Encomendada pelo PSB, a consulta simulou quatro cenários de disputa, mudando os indicados de alguns partidos, uma vez que as convenções que definem as candidaturas ainda não foram realizadas.

Inácio e Moroni: recall

Em todos os cenários Inácio Arruda (PC do B) e Moroni Torgan (DEM) lideram. Nada mais natural, por serem nomes mais conhecidos, beneficiados com a exposição de campanhas passadas. Ambos já concorreram – e perderam – diversas vezes na capital, com bons desempenhos. Nesse momento, sem nomes definidos e faltando pouco mais de cinco meses para o pleito, o eleitor ainda não parou para avaliar opções. dessa forma, a pesquisa Ibope é recall, ou seja, o registro dos nomes mais lembrados. De qualquer forma, Moroni e Inácio, pelo histórico, começam com a vantagem de sempre: são candidatos bons de largada, mas que perdem fôlego na reta final. O desafio para eles é ultrapassar os 25% de preferência e segurar a vantagem.

Heitor Férrer e Marcos Cals: bem posicionados

Próximos aos líderes aparecem os nomes de Heitor Férrer (PDT) e Marcos Cals (PSDB). Férrer, de ator coadjuvante em outras campanhas majoritárias, desponta desta vez como alternativa real de poder. O deputado cresceu ao atuar como um dos poucos opositores de Cid Gomes na Assembleia Legislativa. Se conseguir sair candidato, tem boa perspectiva de desempenho.

Marcos Cals colhe os frutos da exposição obtida nas eleições para o governo estadual em 2010, quando terminou em segundo lugar com quase 20% dos votos, contrariando pesquisas. Boa parte dessa votação se deu na capital. O tucano não deixa de ser uma surpresa. Postula o cargo sem ter a cobertura de um mandato ou cargo público (o que gera visibilidade) e sem poder contar com uma militância partidária forte. Com um piso de mais ou menos 15%, mostra competitividade.

O resto é dúvida

Renato Roseno reaparece com a eterna missão de marcar território para o seu partido. Está onde sempre esteve, com 7% das intenções.

O restante dos candidatos gera mais dúvidas do que certezas. Artur Bruno (PT), Ferrucio Feitosa (PSB), Roberto Cláudio (PSB) e Elmano Freitas (PT) aparecem nas últimas posições, bem distantes dos líderes. Na verdade, ainda não entraram em campo, enquanto os adversários já se aquecem. O grupo ficar com a lanterna da pesquisa é algo esperado, posto que seus partidos, apesar de serem aliados na atual gestão, estão em processo de disputa interna justamente para saber quem será o escolhido, com risco iminente de racha.

A essa altura, o que deve preocupar o PT e o PSB é o passar do tempo. O romano Tito Lívio já alertava: “periculum in mora” ou “o perigo está na demora”.

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Uma conversa sobre eleições 2012 em Fortaleza, com Lídia Cavalcante

Por Wanfil em Entrevista

18 de Abril de 2012

Leio no blog da jornalista Kézya Diniz que alguns partidos em Fortaleza começam a se movimentar de olho no processo eleitoral deste ano. Propagandas de televisão, reuniões, ensaios e entrevistas. Sem contar o clima de racha entre as siglas que atualmente comandam a capital cearense, PT e PSB. Com o avançar do calendário, as eleições 2012 entram no noticiário paulatinamente.

Ainda é cedo para definir favoritos. O importante agora é tentar enxergar tendências e a movimentação em torno da expectativa de poder gerada por um processo eleitoral em que o chefe do executivo não poderá concorrer à reeleição. Para isso, conversei com a cientista política Lídia Cavalcante Freitas, que atua como consultora de marketing político e de comunicação. Pensei muito antes de convidar alguém para falar sobre esse assunto. Evitei os medalhões acadêmicos de sempre, cujas ideias já são pra lá de conhecidas, e procurei alguém que reúna conhecimento teórico com prática, juventude com experiência. Daí nasceu a conversa com a Lídia Cavalcante, a quem agradeço a gentileza. Segue o bate-papo.

Wanfil –  Quais forças políticas polarizam, com real expectativa de poder, a disputa eleitoral em Fortaleza neste ano?

Lídia Cavalcante – Em um cenário de sucessão, onde a prefeita não pode mais se candidatar, emergem várias forças, inicialmente dentro do próprio partido que está no governo e que apresenta seus nomes. No campo das oposições, o PDT tem o deputado estadual Heitor Férrer como pré-candidato; no PSDB, a expectativa gira em torno do nome do ex-deputado estadual Marcos Cals; há a expectativa em torno do DEM, com o já conhecido candidato Moroni Torgan; e o PSOL, que deverá apresentar Renato Roseno, que conseguiu excelente votação para deputado federal em 2010. O PMDB ainda mantém diálogo interno para definir se apresentará candidato ou se irá compor a aliança com o PT.

Pode haver ainda uma divisão da base da prefeita Luizianne Lins e o surgimento de duas novas candidaturas, com Roberto Cláudio pelo PSB (embora existam outros nomes à disposição) e Inácio Arruda pelo PC do B. O cenário do momento, entre os partidos, basicamente é esse.

Wanfil – PT e PSB compuseram uma aliança bem sucedida no Ceará nos últimos 8 anos, mas que agora mostra desgaste. Além disso, nem Cid Gomes, nem Luizianne Lins, podem concorrer à reeleição. Como isso afeta essa parceria?

LD – A parceria entre o governador e a prefeita refere-se à manutenção do poder de seus grupos no Ceará e em Fortaleza. No entanto, são projetos distintos. O processo de sucessão é encarado por ambos como mais um degrau estratégico para casa um, pois a escolha do sucessor reflete a influência de ambos dentro de seus partidos, não necessariamente às diretrizes partidárias. Como presidentes de seus partidos, conseguiram manter até o momento a aliança eleitoral, mas esta se apresenta corroída pelos questionamentos internos de ambos os partidos.

Não há, hoje, dentro do PSB e do PT, uma convicção de que a aliança deva ser mantida a todo custo, nem de que ela seja vital para cada um dos partidos, e é crescente o desejo no PSB de desvincular sua imagem à gestão de Luizianne. As rachaduras na parceria ganham mais extensão na impossibilidade de reeleição de ambos, o que traz a oportunidade para novos nomes assumirem as posições principais de gestores municipais e estaduais, respectivamente. Para os partidos da base aliada, inclusive para parte do PT, a sustentação da aliança gira em torno da apresentação de uma nova ideia de gestão, diferente da desenvolvida por Luizianne nos últimos 8 anos. Leia mais

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Uma conversa sobre eleições 2012 em Fortaleza, com Lídia Cavalcante

Por Wanfil em Entrevista

18 de Abril de 2012

Leio no blog da jornalista Kézya Diniz que alguns partidos em Fortaleza começam a se movimentar de olho no processo eleitoral deste ano. Propagandas de televisão, reuniões, ensaios e entrevistas. Sem contar o clima de racha entre as siglas que atualmente comandam a capital cearense, PT e PSB. Com o avançar do calendário, as eleições 2012 entram no noticiário paulatinamente.

Ainda é cedo para definir favoritos. O importante agora é tentar enxergar tendências e a movimentação em torno da expectativa de poder gerada por um processo eleitoral em que o chefe do executivo não poderá concorrer à reeleição. Para isso, conversei com a cientista política Lídia Cavalcante Freitas, que atua como consultora de marketing político e de comunicação. Pensei muito antes de convidar alguém para falar sobre esse assunto. Evitei os medalhões acadêmicos de sempre, cujas ideias já são pra lá de conhecidas, e procurei alguém que reúna conhecimento teórico com prática, juventude com experiência. Daí nasceu a conversa com a Lídia Cavalcante, a quem agradeço a gentileza. Segue o bate-papo.

Wanfil –  Quais forças políticas polarizam, com real expectativa de poder, a disputa eleitoral em Fortaleza neste ano?

Lídia Cavalcante – Em um cenário de sucessão, onde a prefeita não pode mais se candidatar, emergem várias forças, inicialmente dentro do próprio partido que está no governo e que apresenta seus nomes. No campo das oposições, o PDT tem o deputado estadual Heitor Férrer como pré-candidato; no PSDB, a expectativa gira em torno do nome do ex-deputado estadual Marcos Cals; há a expectativa em torno do DEM, com o já conhecido candidato Moroni Torgan; e o PSOL, que deverá apresentar Renato Roseno, que conseguiu excelente votação para deputado federal em 2010. O PMDB ainda mantém diálogo interno para definir se apresentará candidato ou se irá compor a aliança com o PT.

Pode haver ainda uma divisão da base da prefeita Luizianne Lins e o surgimento de duas novas candidaturas, com Roberto Cláudio pelo PSB (embora existam outros nomes à disposição) e Inácio Arruda pelo PC do B. O cenário do momento, entre os partidos, basicamente é esse.

Wanfil – PT e PSB compuseram uma aliança bem sucedida no Ceará nos últimos 8 anos, mas que agora mostra desgaste. Além disso, nem Cid Gomes, nem Luizianne Lins, podem concorrer à reeleição. Como isso afeta essa parceria?

LD – A parceria entre o governador e a prefeita refere-se à manutenção do poder de seus grupos no Ceará e em Fortaleza. No entanto, são projetos distintos. O processo de sucessão é encarado por ambos como mais um degrau estratégico para casa um, pois a escolha do sucessor reflete a influência de ambos dentro de seus partidos, não necessariamente às diretrizes partidárias. Como presidentes de seus partidos, conseguiram manter até o momento a aliança eleitoral, mas esta se apresenta corroída pelos questionamentos internos de ambos os partidos.

Não há, hoje, dentro do PSB e do PT, uma convicção de que a aliança deva ser mantida a todo custo, nem de que ela seja vital para cada um dos partidos, e é crescente o desejo no PSB de desvincular sua imagem à gestão de Luizianne. As rachaduras na parceria ganham mais extensão na impossibilidade de reeleição de ambos, o que traz a oportunidade para novos nomes assumirem as posições principais de gestores municipais e estaduais, respectivamente. Para os partidos da base aliada, inclusive para parte do PT, a sustentação da aliança gira em torno da apresentação de uma nova ideia de gestão, diferente da desenvolvida por Luizianne nos últimos 8 anos. (mais…)