PT Archives - Página 6 de 18 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

PT

Ciro mira Tasso, mas acerta Camilo

Por Wanfil em Política

16 de outubro de 2017

Com tantos alvos na mira, fica difícil manter a pontaria

Ciro Gomes afirmou, durante a convenção estadual do PDT, que uma possível candidatura do senador Tasso Jereissati ao governo do Ceará seria traição ao petista Camilo Santana. A lógica é a seguinte: o atual secretário de Planejamento, Maia Júnior, é filiado ao PSDB. Uma candidatura do partido representaria, por essa ótica, deslealdade, em razão do cargo.

Pois é. A cautela recomenda evitar comentários sobre especulações, para não passar recibo de preocupação e não produzir efeitos indesejados. É o que tem feito, por exemplo, o governador Camilo. Como Ciro é mais impulsivo, ao antecipar juízo de valor sobre o que ainda não passa de boato, acabou atingindo, involuntariamente, seu aliado. Façamos uma leitura mais atenta das implicações desse caso, por partes:

1) A nomeação de Maia Júnior não se deu por acordo fisiológico para cooptação do PSDB. Foi antes uma escolha de viés técnico, como sempre pontuaram governador e secretário. A cobrança de alinhamento eleitoral em troca da secretaria, como fez Ciro, depõe contra a postura ética do governo na formação de seu secretariado;

2) ao reclamar publicamente da possibilidade eleitoral, Ciro deixou a impressão de que não confia no potencial eleitoral do governador frente a oponentes fortes. No futebol, o treinador sempre diz que adversário não se escolhe, justamente para mostrar que não teme ninguém e que aposta mais no trabalho do seu time;

3) a necessidade “proteger” o governador reforça a velha desconfiança que acompanha toda gestão de continuidade, qual seja, a de que seus fiadores tutelam o escolhido, condição que fragiliza a imagem de independência e de liderança que se espera de um chefe do Executivo;

4) a reação desproporcional serviu para criar mais expectativas sobre uma eventual candidatura de Tasso ao governo, o que pelo menos aumenta seu papel como apoiador de outra candidatura.

Sobre o outro boato do momento, que diz respeito a um possível acordão entre governistas no Ceará e o PMDB de Eunício Oliveira, inimigos de Ciro, nada se disse. Silêncio que acabou percebido como uma autorização tácita para negociações. Nesse caso, vejam só que conveniente para o PDT, qualquer acerto será debitado na conta do governador e do PT.

Com aliados assim, quem precisa de oposição?

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Camilo e Eunício unidos novamente? Tudo é possível no país das conveniências

Por Wanfil em Política

04 de setembro de 2017

Corre a notícia de que emissários de Camilo Santana e Eunício Oliveira estudam uma reaproximação entre PT e PMDB no Ceará, com vistas à reeleição de ambos. Seria isso possível depois das eleições de 2014, quando os dois trocaram insultos e acusações? E após o impeachment que pôs PT e PMDB em litígio no plano nacional? Como nenhuma das partes veio a público rejeitar os rumores e dizer que dessa água não beberá fica claro que a hipótese está, quando menos, sujeita a estudo, afinal, feio é perder eleição, diz a anedota.

Segundo o deputado estadual Audic Mota, do PMDB, em declaração ao jornal O Povo, “política é feita de conversa, de consenso, desde que não envolva nada ilícito”. Verdade. Poderia acrescentar ainda que também é feita ainda convicções e valores inegociáveis, mas é bem aí que as coisas sempre se complicam, e não é de hoje.

O historiador Paulo Mercadante, no clássico “A Consciência Conservadora no Brasil”, observa que desde a época do Império tudo se resolve entre a elite política com uma boa conversa, mesmo entre adversários aparentemente inconciliáveis. As lideranças liberais e conservadoras, reacionárias e revolucionárias, republicanas e monarquistas, escravistas e abolicionistas, por mais que se engalfinhassem em disputas políticas, conseguiam invariavelmente construir um denominador comum que pudesse resguardar posições na divisão do poder, sendo capazes até de absorver parte do ideário oposto para modular o entendimento.

É que na tradição política nacional valores e convicções sempre podem ser negociados. Como observou Vasconcellos de Drummond, diplomata e político amigo de José Bonifácio e de Dom Pedro II, ainda no século 18, com “governo de transações, convém ceder para conciliar”. O mesmo espírito pragmático com que, séculos depois, deputados, prefeitos e vereadores no Ceará pulam de partido em partido para apoiar o governo da hora, sem a menor cerimônia ou vergonha.

Se por um lado a propensão ao entendimento afasta o risco de extremismos, no Brasil a virtude do equilíbrio foi corrompida pelos jeitinhos, de modo que “a consciência conservadora” tornou-se eufemismo para o oportunismo que permite conservar o poder pelo poder. Por tudo isso, uma nova aliança local entre PT e PMDB no Ceará para 2018 não seria surpresa alguma e apenas confirmaria o princípio pelo qual, historicamente, quase sempre na política brasileira as conveniências pairam acima de qualquer convicção.

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Caravana de Lula contra a Lava Jato chega ao Ceará

Por Wanfil em Política

29 de agosto de 2017

A caravana do ex-presidente Lula pelo Nordeste chega ao Ceará, onde passa por municípios do interior. Condenado a nove anos de prisão por corrupção e réu em outros cinco processos. A excursão foi batizada de “ato em defesa da democracia”. Entenda-se por isso ato contra a Lava Jato.

Vamos aguardar para ver quem, fora do petismo no Ceará, irá confraternizar em desagravo ao corrupto condenado e contra os investigadores. Aliás, será o caso de até mesmo conferir se alguns petistas que na verdade são alinhados com o PDT comparecerão.

Não se trata mais de dar um voto de confiança a um suspeito. É prestar solidariedade com alguém condenado, não obstante ter caríssimos e competentes advogados de defesa.

 

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Como eu avisei, aliados no Ceará não botam a mão no fogo por Lula

Por Wanfil em Política

13 de julho de 2017

Quem brinca com fogo pode se queimar

Eu não disse? A repercussão no Ceará da condenação de Lula por corrupção mobilizou, no meio político, protestos somente de nomes do PT, que acusaram uma grande armação contra o inocente ex-presidente.

Os adversários optaram por não tripudiar da situação, para não soarem antipáticos.

Já os aliados, vejam que coisa, preferiram não colocar a mão no fogo pelo ex-presidente, tudo conforme o roteiro que antecipei no post anterior: Quem ganha e quem perde no Ceará com a condenação de Lula?

Importante também destacar a posição do governador Camilo Santana, que é do PT, mas que também é Ciro para 2018, elogiou Lula, mas não contestou a decisão de Moro. Disse, sobre o ex-presidente, que nada poderá tirar-lhe “o brilho de sua história”.

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), não tocou no assunto e cumpriu agenda em Brasília junto ao Ministério da Saúde. Foco na gestão. O resto é o resto. Ivo Gomes (PDT), prefeito de Sobral, foi mais além e afirmou que “tudo o que o Brasil não precisa” é a volta de Lula, que “prestigiou a alta bandidagem brasileira”. Cid não se pronunciou ainda.

Ciro Gomes (PDT), em nota, disse “torcer” para que Lula prove sua inocência. Torce porque não tem certeza, é o recado. Como escrevi antes, o PDT conta com a saída de Lula do páreo para fazer de Ciro o candidato das esquerdas, herdando de quebra parte de seus votos. Postura devidamente copiada pelos liderados do pedetista.

O problema para o PT, e em especial para o PT cearense, é que se o partido quiser usar os palanques estaduais para defender Lula é ficar atento para ver se conta com nomes realmente dispostos a queimar a mão no fogo.

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Quem ganha e quem perde no Ceará com a condenação de Lula?

Por Wanfil em Política

12 de julho de 2017

Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex. Cabe recurso. Se a decisão for confirmada em segunda instância, o ex-presidente fica inelegível.

De todo modo, existem implicações políticas que interferem desde logo no processo eleitoral. Especialmente para seus aliados. E por incrível que pareça, no Ceará, alguns desses são os que mais podem lucrar com a condenação de Lula.

O principal adversário de Lula no Estado sempre foi o senador Tasso Jereissati, que não concorre ano que vem. E mesmo assim, sua votação se deu mais em função de méritos próprios que por contraposição a outros nomes. Nesse caso, a condenação é eleitoralmente indiferente para o tucano.

Eunício Oliveira sempre foi próximo a Lula. Foi eleito, inclusive, com seu apoio. Mas após romper com o PT do Ceará e com o impeachment de Dilma, o senador naturalmente se afastou do petista. Não é aliado, mas também não é adversário.

Ciro Gomes, ex-ministro de Lula, é quem pode se beneficiar com a condenação de Lula. Mal nas pesquisas, o pedetista pode herdar parte dos votos do ex-presidente, se este sair do páreo. A ruína de um viabiliza a candidatura do outro à Presidência. Assim, o PDT defenderá Lula, mas sem exagero. Sem contar que um bom desempenho de Ciro ajuda a puxar votos para seu grupo no Estado.

Por falar nisso, o governador Camilo Santana, por sua vez, mesmo ainda estando no PT, não tem muito a perder, afinal, sua imagem é mais atrelada a Cid Gomes, de quem foi secretário, do que propriamente de Lula.

Assim, quem mais perde mesmo são as lideranças locais do PT. O partido foi rejeitado nas eleições municipais, quando perdeu metade das prefeituras que tinha. Resta-lhes a figura de Lula, que paira acima do próprio petismo. Por isso mesmo falam em complô. É questão de sobrevivência política.

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Como eu disse, Lula não quer o “fora Temer”, informa Veja

Por Wanfil em Política

12 de junho de 2017

Peças de um mesmo quebra-cabeças – Arte sobre foto do Instituto Lula

A revista Veja desta semana publica na Coluna Radar, de Maurício Lima:

O cálculo da Jararaca
Em público, Lula defende eleições diretas. No seu círculo mais próximo, porém, diz que o melhor cenário para o PT é que Temer permaneça no cargo e fique sangrando até 2018.

Você leu antes aqui

Foi exatamente o que eu disse aqui no blog ainda no dia 30 de maio passado:

O mais lógico é imaginar que ao PT e ao PDT interessa mesmo a permanência de um Michel Temer enfraquecido no cargo. Estratégia inconfessável publicamente, é claro. Impopular e queimado pela JBS, Temer não poderia ser candidato e seu apoio seria um peso. É o adversário perfeito. Até desviou as atenções do público de Lula para o PMDB. Nesse sentido, qualquer outro nome representaria uma incógnita. Vai que o sucessor se viabilize para 2018, não é mesmo?

E no dia 02 de junho:

O PT acena com “Diretas já” para o público, mas opera com os fatos reais nos bastidores. Em Brasília, o partido quer emplacar Aldo Rebelo (PCdoB) como vice de Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, para o caso de eleições indiretas. Maia também é investigado na Lava Jato, onde Lula já figura como réu. Porém, esse seria um plano b, pois o ideal mesmo [para o PT] seria deixar Temer sangrando na Presidência.

Sem contar, completo agora, que Michel Temer é a melhor chance de Lula e outros réus de vários partidos e colorações ideológicas de ver a Lava Jato confrontada. É isso aí. A velha e boa dedução lógica ainda é um bom guia.

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Petistas divulgam carta cobrando Camilo por declarações de apoio a Tasso. É jogo de cena!

Por Wanfil em Partidos

02 de junho de 2017

O grupo no PT liderado pela deputada federal Luizianne Lins divulgou carta aberta cobrando o alinhamento de Camilo Santana com a campanha por eleições diretas agora para a Presidência da República. É que o governador cearense recentemente elogiou o nome do senador Tasso Jereissati (PSDB), caso aconteçam eleições indiretas, como determina a Constituição, mas que o PT oficialmente rejeita.

Desvio
Antes, uma rápida digressão. Como todos sabem, Camilo opera em consonância com Ciro Gomes, que também optou por externar publicamente preferência por Tasso, e também contrariando seu partido, o PDT. Sincronia que sugere estratégia, premeditação. Muitos viram nas declarações um gesto de aproximação com o antigo aliado, mas na política, nem sempre o que parece é. Pode haver outras razões, como expor Tasso à intrigas dentro do PSDB ou com o próprio PMDB, incomodado com as articulações de substituição a Temer. Quem vai saber?

De volta
Voltando ao assunto inicial, o PT acena com “Diretas, já” para o público, mas opera com os fatos reais nos bastidores. Em Brasília, o partido quer emplacar Aldo Rebelo (PCdoB) como vice de Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, para o caso de eleições indiretas. Maia também é investigado na Lava Jato, onde Lula já figura como réu. Porém, esse seria um plano B, pois o ideal mesmo seria deixar Temer sangrando na Presidência: recordista de impopularidade, não ousaria ser candidato e ainda atrapalha qualquer aliado.

Por isso tudo, a carta aberta dos petistas cearenses é apenas uma satisfação de lideranças locais, especialmente de Fortaleza, para as cobranças da militância e manobra estratégia para desgastar o comando do partido, ligado ao deputado federal José Guimarães, além do próprio o governador, aliado dos Ferreira Gomes, inimigos de Luizianne. No fundo, é teatro para as bases e fogo-amigo contra a direção estadual. Bastar ler o trecho final da para isso ficar claro:

“É obrigação nossa e de nossa direção defender o PT, estancando a afronta expostas pelas declarações do governador que atordoam nossos militantes que estão nas ruas lutando contra o governo do golpe”.

Para ler a carta na íntegra, clique na imagem.

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Na mesma delação em que acusa Temer, JBS diz que propina abasteceu projeto de Cid no Ceará

Por Wanfil em Corrupção

19 de Maio de 2017

Pois é

A delação da JBS, que fez Michel Temer balançar no cargo e afastou Aécio Neves do Senado, não demorou a chegar ao Ceará. Segundo Wesley Batista, sócio do grupo, o ex-governador Cid Gomes (PDT) teria recebido R$ 20 milhões de propina em 2014 para o financiamento de campanhas, em troca da liberação de créditos de ICMS. Metade desse valor, de acordo com o delator, foi repassado como doação oficial nas últimas eleições (ver o post JBS está entre os maiores doadores de campanha no Ceará).

Em outra delação, Ricardo Saud, executivo da mesma JBS, afirma que R$ 5 milhões teriam sido pagos ao senador Eunício Oliveira (PMDB) por causa de uma medida provisória sobre créditos de PIS/Cofins.

Todos negam as acusações. De fato, delações premiadas necessitam de um conjunto probatório para que tenham efeito judicial. Acontece que os irmãos Joesley e Wesley Batista fizeram provavelmente o melhor dos acordos de delação na Lava Jato. E daí? Isso prova algo? Não, mas caso tenham mentido o acordo estará automaticamente desfeito. Sem contar que a JBS afirma ter anexado documentos.

A presunção de inocência é garantida por lei, porém, enquanto as investigações seguem, a delação da JBS aponta que o mesmo método de corrupção que abasteceu a chapa Dilma-Temer alimentou, ainda que a partir de fontes distintas, o projeto político de Cid Gomes no Ceará. É o que dizem os delatores.

O ônus da prova cabe a quem acusa e esse é um princípio jurídico indiscutível. Mas politicamente, até que tudo seja passado a limpo, o peso da suspeita é que recairá como ônus sobre as imagens dos acusados, especialmente nesses tempos de escândalos sem fim.

PS. Muita gente que comemorou as primeiras repercussões da delação da JBS mudou de ideia com a divulgação de outros nomes, como Lula e Dilma, além de outros políticos de variadas ideologias.

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Quando a cobrança de atraso chega com atraso…

Por Wanfil em Política

16 de Maio de 2017

Com atraso de uma década, obras federais inacabadas e promessas não cumpridas finalmente são cobradas no Ceará

A troca de comando no governo federal ensejou, naturalmente, mudanças nas atuações de algumas autoridades estaduais. Para além das diferenças partidárias, nota-se o esforço na construção de uma nova imagem para ex-aliados do Planalto. Vejamos demonstrações recentes:

1 – O presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), mobiliza parlamentares para pressionar o governo federal na transposição do São Francisco, caso o impasse jurídico que hoje atrasa sua conclusão no Ceará não seja resolvido;

2 – O presidente da Câmara de vereadores de Fortaleza, Salmito Filho (PDT), cobra autorização federal para que a Prefeitura de Fortaleza possa contrair empréstimo internacional;

3 – Na mesma toada, o governador Camilo Santana (PT) tem apontado falhas do governo federal, como falta de ações de fronteiras, como causas de agravamento na segurança pública.

Nada contra as cobranças, muito pelo contrário. Aliás, uma das críticas que sempre fiz aqui foi a subserviência com que os então aliados tudo aceitavam nessa relação, até humilhações, em nome de uma unidade que pouco rendeu aos cearenses. Com o impeachment, isso parece ter mudado um pouco e, nesse sentido, fez bem aos nossos representantes.

Basta reparar que só agora na oposição Zezinho descobriu que a entrega da transposição, sistematicamente adiada desde a década passada, está atrasada. Salmito, que nunca cobrou os governos Lula e Dilma pelo golpe da refinaria, hoje se posiciona sem receios, embora esqueça que a autorização para empréstimos ficou mais difícil por causa do rombo deixado por essas gestões, que tinham seu apoio. O mesmo vale para o governo estadual: faz muito tempo que a segurança saiu de controle.

Como ninguém admite publicamente tal mudança, fica parecendo que todos sempre foram de oposição e que problemas como insegurança, falta de investimentos e atrasos começaram – ou agravaram-se – somente agora. Na verdade, se os seus grupos políticos tivessem colocado o Ceará acima das conveniências partidárias, sem o receio de incomodar aliados em Brasília, talvez ninguém estranhasse agora tamanha disposição.

Isso não invalida algumas dessas e outras cobranças, mas qualifica a atuação de quem as faz mais por conveniência do que por dever de representação.

 

*Texto baseado no comentário que fiz para a coluna Política, na Tribuna Band News, dia 18 passado, publicado a pedidos de ouvintes.

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Lula x Moro: onde estão os aliados do ex-presidente no Ceará?

Por Wanfil em Política

11 de Maio de 2017

Lula fala a Moro e aliados no Ceará silenciam…

O depoimento do réu Lula ao juiz Sérgio Moro dominou o noticiário e as redes sociais. Via de regra, as opiniões sobre a suposta culpa ou inocência do ex-presidente já estão formadas, independente do resultado do processo. É que para o grande público, política é mais paixão do que razão. Diferente dos profissionais da política, que costumam calcular suas posições, geralmente de olho nas próximas eleições.

Assim, é muito interessante observar as reações daqueles que foram os principais aliados locais do ex-presidente durante os seus mandatos.

Deputados do PT, por dever de ofício e senso de autopreservação, defenderam o ex-presidente na Assembleia Legislativa, antes e depois do interrogatório. Lideranças do partido também se manifestaram nesse sentido. Era de se esperar.

Curioso foi o silêncio do PDT e até do PCdoB. Seus parlamentares, lideranças, prefeitos, ex-ministros, ex-senadores (os do PMDB não contam, já que pularam fora antes com o impeachment, embora fossem muito próximos, lembram?). Ninguém publicou nada, deu entrevista ou discursou prestando solidariedade ou em desagravo ao petista, muito menos criticando Moro.

Parece que, no Ceará, esses “companheiros” (alguns ainda no PT) preferem não botar a mão no fogo por Lula. Ou então não podem, ou não devem, na medida em que estão mais integrados hoje ao projeto eleitoral de Ciro Gomes. Sem Lula no páreo, o ex-governador – que patina nas mais recentes pesquisas – poderia liderar uma frente de esquerda na corrida ao Palácio do Planalto, herdando ainda parte dos votos do petista, que atualmente lidera essas mesmas pesquisas.

Com aliados assim, quem precisa de adversários?

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Lula x Moro: onde estão os aliados do ex-presidente no Ceará?

Por Wanfil em Política

11 de Maio de 2017

Lula fala a Moro e aliados no Ceará silenciam…

O depoimento do réu Lula ao juiz Sérgio Moro dominou o noticiário e as redes sociais. Via de regra, as opiniões sobre a suposta culpa ou inocência do ex-presidente já estão formadas, independente do resultado do processo. É que para o grande público, política é mais paixão do que razão. Diferente dos profissionais da política, que costumam calcular suas posições, geralmente de olho nas próximas eleições.

Assim, é muito interessante observar as reações daqueles que foram os principais aliados locais do ex-presidente durante os seus mandatos.

Deputados do PT, por dever de ofício e senso de autopreservação, defenderam o ex-presidente na Assembleia Legislativa, antes e depois do interrogatório. Lideranças do partido também se manifestaram nesse sentido. Era de se esperar.

Curioso foi o silêncio do PDT e até do PCdoB. Seus parlamentares, lideranças, prefeitos, ex-ministros, ex-senadores (os do PMDB não contam, já que pularam fora antes com o impeachment, embora fossem muito próximos, lembram?). Ninguém publicou nada, deu entrevista ou discursou prestando solidariedade ou em desagravo ao petista, muito menos criticando Moro.

Parece que, no Ceará, esses “companheiros” (alguns ainda no PT) preferem não botar a mão no fogo por Lula. Ou então não podem, ou não devem, na medida em que estão mais integrados hoje ao projeto eleitoral de Ciro Gomes. Sem Lula no páreo, o ex-governador – que patina nas mais recentes pesquisas – poderia liderar uma frente de esquerda na corrida ao Palácio do Planalto, herdando ainda parte dos votos do petista, que atualmente lidera essas mesmas pesquisas.

Com aliados assim, quem precisa de adversários?