Roberto Cláudio Archives - Página 3 de 5 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Roberto Cláudio

Os bons companheiros

Por Wanfil em Eleições 2016

03 de agosto de 2016

Lula publicou a foto, mas Cid, Camilo e Ciro não compartilharam. Coisas do momento... (Instituto Lula)

Lula publicou a foto no Facebook. Cid, Camilo e Ciro não compartilharam: separados no palanque em Fortaleza, juntos por necessidade fora dele

Os perfis de Lula e do Instituto Lula no Facebook publicaram a foto ao lado, feita durante passagem do ex-presidente para o lançamento da candidatura de Luizianne Lins (PT) à Prefeitura de Fortaleza.

Nas redes sociais, muitas críticas ao que seria uma incoerência, uma vez que Luizianne é desafeto de Ciro e Cid Gomes (por enquanto no PDT), que trabalham pela reeleição de Roberto Cláudio (também por enquanto no PDT), com o apoio do governador Camilo Santana, petista que não apoia a candidata de Lula.

É preciso ter calma. Não há nada de errado no encontro. Aliás, é perfeitamente natural que assim procedam, afinal, Lula e os irmãos Gomes são aliados de longa data. Juntos, construíram um legado. Anunciaram a refinaria que não veio e não conseguiram concluir a transposição do São Francisco, embora tenham, junto com Dilma, duplicado o custo da obra.

Por falar em Dilma, no mês passado a presidente afastada fez questão de lembrar que Roberto Cláudio e Luizianne Lins fazem parte de sua base aliada. É isso! Esses dois candidatos, mesmo com suas diferenças de estilo e enfoque administrativo, são expressões políticas de lideranças que chegaram juntas ao poder e que hoje estão ameaçadas pela ascensão do PMDB no cenário nacional.

Vença um ou outro a disputa pela capital cearense, seus grupos, ou seus comandantes, sem ter para onde ir, continuam unidos na luta pela sobrevivência política.

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Dilma diz quem a representa nas eleições para a Prefeitura de Fortaleza

Por Wanfil em Eleições 2016

06 de julho de 2016

A presidente afastada Dilma Rousseff, do PT, comentou no Twitter sobre as eleições municipais em Fortaleza. A postagem pode ser conferida no perfil oficial de Dilma, onde tópicos da entrevista que ela concedeu à rádio O Povo CBN, nesta quarta, pouco depois da Operação Pripyat, da Lava Jato, que prendeu seis diretores da Eletronuclear e levou Valter Cardeal, braço direito da petista, em condução coercitiva.

A respeito da divisão do PT entre a candidatura própria do partido na capital com Luizianne Lins e o apoio de Camilo Santana à reeleição de Roberto Cláudio, do PDT, Dilma disse o seguinte:

Postagem do perfil oficial de Dilma no Twitter (@dilmabr)

Postagem do perfil oficial de Dilma no Twitter (@dilmabr)

Dilma é Luizianne Lins. Dilma é Roberto Cláudio. PT e PDT são a sua base. Não é novidade, mas como ninguém parece fazer questão de pontuar essa condição, fala muito sobre isso, fica o registro para os eleitores de Fortaleza.

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Roberto Cláudio inaugura mesma obra duas vezes e diz que não pensa em eleição

Por Wanfil em Eleições 2016

06 de junho de 2016

O jornal O Povo desta segunda-feira afirma que o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), inaugurou uma ciclovia na Avenida Beira Mar em menos de um mês. O prefeito rebate e esclarece que o primeiro evento (18 de maio) foi apenas uma entrevista coletiva para anunciar que a ciclovia estava funcionando, mas que a inauguração mesmo, de verdade, só aconteceu no domingo (5 de junho).

Divergências à parte, o fato é que promover eventos públicos com a devida cobertura de imprensa e mobilização do aparato municipal para a mesma obra em tão curto prazo, em ano eleitoral, quando o prefeito é candidato natural à reeleição, é muita coincidência. Mas RC esclarece: trata-se de ação administrativa, “serviço à população”, que nada tem a ver com sucessão. Então, tá.

É preciso, entretanto, reconhecer que concentrar inaugurações de obras, algumas com direito a show, perto da data limite definida na lei eleitoral, dá a impressão de que essas coincidências inocentes são de fato ações de campanha para as eleições.

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Dilma fora. E agora Camilo? E agora PT?

Por Wanfil em Política

12 de Maio de 2016

Martelo batido no Senado: Dilma sai de jogo e Michel Temer assume a Presidência da República. Significa dizer, entre muitas outras coisas, que depois da primeira eleição de Collor de Mello, ainda em 1989, quando Tasso Jereissati era governador, o Ceará volta a ter uma gestão estadual de oposição ao governo federal.

Olhar pragmático
Junto com Dilma sai de cena a sua equipe ministerial. São todos agora passado. Promessas não cumpridas e obras atrasadas não dependem mais desse pessoal. Ponto. Caberá pois ao governador Camilo Santana olhar para frente e buscar, junto com a bancada no Congresso, investimentos reais junto ao novo governo. O momento é de adaptação, o que não significar dizer adesão (pelo menos em relação ao governador, já os deputados…).

Convém evitar declarações provocativas ou dúbias. O próprio estilo de Camilo, mais comedido, deve ajudar nesse sentido. Resta então guardar prudência nas ações e discrição nas eleições de outubro. O governador não deverá fazer como seu antecessor Cid Gomes, que se licenciou do cargo para ajudar na eleição de Roberto Cláudio (PDT) em Fortaleza. A menos que queira agravar a indisposição com o PMDB de Eunício Oliveira, arriscando prejudicar qualquer interlocução mais profunda com os ministérios nessa transição.

Relação institucional
O Ceará, não custa lembrar, precisa do governo federal. Em contrapartida, o novo presidente precisa de votos no legislativo. Temer provavelmente deverá entrar em contato com governadores de oposição para dizer que pretende manter uma relação institucional e até propositiva com esses estados, pois o que importa agora é aprovar medidas de recuperação etc. e tal. Será a deixa para construir uma via de acesso ao Planalto para discutir assuntos de interesse da população cearense.

PT na oposição
O PT já avisou que será oposição. Isolado e com todo o desgaste sofrido, a perspectiva do comando nacional da legenda é que prefeituras sejam perdidas em outubro. Em Fortaleza, o partido não decidiu se lançará candidatura própria ou se ficará na sombra de Roberto Cláudio, talvez como o vice da chapa.

PT como aliado?
A essa altura dos acontecimentos é hora de o próprio prefeito (leia-se Cid e Ciro Gomes) avaliar bem se a companhia do PT, apesar do tempo de propaganda que agrega, mais ajuda ou atrapalha. Se não seria melhor ter o PT correndo por fora para bater nos seus adversários… Ao PT, uma candidatura seria uma oportunidade de palanque para uma defesa de sua história. Que estudem as opções.

Incertezas
Ainda é muito cedo para dizer como serão as primeiras semanas da gestão Temer e como elas poderão impactar no Estado. Conseguirá estancar a sangria na economia e até prover alguma recuperação? Impossível dizer. O mercado tem sinalizado positivamente ao impeachment, o que é um indicativo considerável. O certo é que a configuração partidária do poder mudou e que o tempo para se adaptar a esse ambiente em formação é muito curto.

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Onde estão os que enalteciam as qualidades de Dilma no Ceará?

Por Wanfil em Política

11 de Maio de 2016

O Senado confirmará logo mais o afastamento de Dilma Rousseff, a presidente mais impopular da História, a que cometeu o maior estelionato eleitoral depois do Plano Cruzado, a presidente cuja gestão foi indelevelmente manchada pelo petrolão (maior caso de corrupção já desmascarado no Brasil), a que foi apresentada como grande gestora por Lula e que provocou, no final, a maior recessão da economia brasileira.

O editorial do Estadão desta quarta-feira história arremata: “É hora de Dilma Rousseff começar a se preparar para o destino que o Brasil lhe reservou generosamente: o esquecimento”.

Sobre isso, em relação ao Ceará, cabe uma ressalva. Antes mesmo do eleitor esquecer Dilma, parece que já a esqueceram muitos dos aliados que durante anos apoiaram a “Mãe do PAC”, garantindo aos cearenses tratar-se de pessoa preparadíssima para a função, apesar de todos os erros e mesmo após o golpe da refinaria e atrasos constantes e caríssimos na transposição do São Francisco.

Cadê?
Onde estão aqueles que nos últimos anos acotovelavam-se para aparecer ao lado de Dilma nos palanques eleitorais e nas visitas oficiais? Sumiram ou mudaram de lado. A começar pela bancada estadual do PMDB, comandada por Eunício Oliveira (que, dizem, nunca perdoou a imparcialidade de Dilma nas eleições de 2014, quando Cid Gomes lançou candidato do PT ao governo do Ceará quebrando acordo com o PMDB). Além do mais, foi o racha na aliança nacional da legenda com o PT que fez o governo federal perder de vez as condições de conduzir o País.

Até aí, era de se esperar. Mas existem outros que se antes aplaudiam e enalteciam a inigualável capacidade administrativa da presidente, como o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, agora estão calados. Nunca mais compareceram a eventos com a “presidenta”. Cid e Ciro até mandaram seus deputados federais e o presidente da Assembleia estadual, Zezinho Albuquerque, do PDT, tirarem foto com a petista na véspera da derrota na Câmara, mas foi apenas o último suspiro. O grupo agora deixará Dilma de lado para se concentrar numa possível candidatura de Ciro à Presidência da República.

Caminhando com Dilma até a derrocada final estão o próprio PT, com destaque para o deputado federal José Guimarães e para o governador Camilo Santana; o deputado Chico Lopes, do PCdoB; e Arnon Bezerra, do PTB. Com exceção de Lopes, os nomes mencionados neste parágrafo estiveram presentes na rápida passagem da ainda presidente em Juazeiro na última sexta-feira (6). E só. “Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua última quimera…”.

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Camilo e RC anunciam obras do IJF2: ano eleitoral deve ser apenas coincidência

Por Wanfil em Política

13 de Abril de 2016

Camilo Santana e Roberto Cláudio, governador do Ceará e prefeito de Fortaleza, ambos eleitos com o apoio de Cid Gomes e parceiros inseparáveis nas suas respectivas campanhas, anunciaram em entrevista coletiva as obras para ampliação do Instituto Doutor José Frota, na capital.

Naturalmente, ninguém é contra um empreendimento que pode aumentar o atendimento de um hospital público. Isso não significa, porém, abrir mão do discernimento necessário na hora de observar os devidos cuidados para que o projeto tenha o melhor resultado possível.

É preciso levar em conta se a obra está em consonância com prioridades definidas junto aos profissionais da área, se há condições financeiras para sua manutenção, se o momento é o ideal para contrair novos empréstimos, se os parceiros anunciados estão em condição de arcar com os compromissos assumidos e por aí vai.

Nesse sentido, no presente caso, alguns pontos precisam ser esclarecidos. Como é que o Governo do Estado e o Governo Federal anunciam um novo hospital quando o hospital regional de Quixeramobim, inaugurado há mais de um ano, não funciona por falta de verbas?

Como é que o Governo do Estado e a Prefeitura da capital irão equipar o novo IJF, se médicos reclamam da falta de insumos e remédios? Pela lógica, se não é possível dar conta da estrutura existente, aumentá-la não parece ser a melhor solução para dar mais eficiência aos serviços oferecidos.

Não se está a dizer aqui que o IJF2 tem caráter predominante eleitoreiro, afinal, por coincidência, a obra começa no final do mandato de um provável candidato a reeleição. Trata-se apenas de alertar para o risco de ver tanta ansiedade dos nossos gestores acabar em equívoco, levantando mais um elefante branco no Ceará ou criando um ponto de desequilíbrio financeiro que para funcionar, sugará recursos de outras áreas. E isso, suponho, ninguém quer.

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Prefeito diz que solução agora é eleger aliados de quem criou a crise

Por Wanfil em Fortaleza

11 de Março de 2016

Do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), em evento da sigla de aluguel PROS, defendendo que o PT de Camilo Santana (e Dilma Rousseff) apoie sua candidatura à reeleição, segundo matéria de O Povo :

“É muito importante que uma cidade como Fortaleza tenha uma aliança administrativa entre Prefeitura e Governo que possibilite recursos a mais e apoio político a mais para fazer o que a gente deve fazer em época de crise.”

Esse argumento perdeu a validade desde que o governo federal não cumpriu a promessa eleitoreira de construir uma refinaria da Petrobras no Ceará. Nesse caso, a única coisa que essa “aliança administrativa” conseguiu produzir foi o silêncio e a omissão dos governistas cearenses, que evitaram denunciar e cobrar o golpe, fingindo que nada aconteceu.

Por outra ainda, se aliança é garantia de ação, por que então o Hospital de Quixeramobim, inaugurado em 2014, ainda não funciona?

Quando o ex-prefeito Juraci Magalhães governava, dizia justamente o contrário: ter adversários nesses cargos evitaria acomodações e geraria uma disputa para ver quem faria mais. E aí? São ideias adaptáveis, conforme os interesses do momento.

De todo modo, mesmo compreendendo, digamos assim, o apelo eleitoral dessas formulações, o mais incrível agora é ver governistas dizendo que a melhor forma de enfrentar a crise é manter no poder a mesma aliança que a produziu.

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Unidos no fracasso e nas desculpas

Por Wanfil em Política

05 de Fevereiro de 2016

No Brasil, confundiram harmonia entre os poderes com promiscuidade e subserviência. Montesquieu não merecia.

No Brasil, confundiram harmonia entre os poderes com promiscuidade e subserviência. Montesquieu não merecia.

Governistas de todos os níveis agora pregam a união do Brasil contra a crise econômica. Foi o que se viu durante a semana, por ocasião das solenidades de retorno das casas legislativas. Por união entenda-se a concordância automática com medidas que atenuem o desastre por eles causado e com as quais pretendem manter-se no poder que conquistaram ao passo em que destruíam a estabilidade da economia.

Com esse viés discursaram a presidente Dilma Rousseff e o senador Renan Calheiros, presidente do Senado; o governador Camilo Santana e o deputado estadual Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa; bem como o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e o vereador Salmito Filho, presidente da Câmara na capital cearense. A unidade retórica dessas autoridades não nasce do acaso ou de verdades incontestáveis, mas do arranjo político que as uniu na aliança eleitoral que hoje predomina em Fortaleza, no Ceará e no Brasil.

Origem
Esse apelo à união é bonito e remete à ideia de harmonia entre os poderes, distorcendo-lhe, porém, seu conceito original, que preconiza uma relação harmônica e INDEPENDENTE entre Legislativo, Judiciário e Executivo. Uma harmonia que pressupõe uma relação livre de interferências que atentem contra a independência de cada um. Resumindo, para Montesquieu, que foi quem definiu as bases dessa visão clássica sobre os poderes,  “só o poder freia o poder”. Nem ele, nem John Locke ou Jacques Rousseau pregaram a “união” incondicional dos poderes, presente nos governos absolutistas.

Jeitinho
No Brasil, essa, digamos, “solidariedade” que se pretende harmônica encontrou no fisiologismo ou mesmo na compra direta, como foi o caso do mensalão, sua fórmula de governabilidade, replicada nos estados e municípios.

No Ceará, a título de ilustração do que digo, a base aliada na Assembleia (e que controla a Casa) manobrou para adiar uma CPI que pretende investigar a construção de um aquário milionário, obra com diversos problemas na Justiça, abdicando temporariamente de seus deveres constitucionais em benefício, ou a serviço, de outro poder.

Vez por outra desentendimentos momentâneos podem dar a impressão de independência. Entretanto, via de regra, parlamentares dos mais variados naipes confundem o conceito de harmonia com a conveniência da intimidade eleitoral.

Papo furado
Ao contrário do discurso governista em curso, a união desses poderes não é a solução para a crise, pelo contrário: a subserviência do Legislativo diante do Executivo é uma de suas causas. Foi justamente a omissão do Legislativo no dever de fiscalizar as contas públicas que permitiu ao Executivo a liberdade de pedalar dívidas e maquiar números até que quebrar o País.

Se reformas eram necessárias, por que não foram discutidas antes, quando a maioria do governo era segura? Fingem ignorar o fato de que os impasses que atormentam o Palácio do Planalto decorrem do racha na base e não por sabotagem da oposição, que minoria, é incapaz de impor sua pauta.

Dilma, por exemplo, deseja recriar a CPMF e acena com a reforma da Previdência para consertar o estrago que fez. Para isso pede votos da oposição que ela acusa de ser golpista, enquanto seu próprio partido, o PT, e parceiros de esquerda, são contra, pois não querem arcar com o peso de medidas impopulares.

Pedir união nessas circunstâncias não passa de conversa mole, de cortina de fumaça, de quem deseja repassar ou dividir suas responsabilidades para terceiros, fazendo de conta que só agiu com as melhores intenções do mundo.

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Roberto Cláudio: “PMDB está mergulhado na corrupção, tanto quanto o PT”

Por Wanfil em Política

09 de outubro de 2015

Em entrevista concedida à rádio Tribuna Band News FM (101.7) na quinta-feira (8), o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, recém filiado ao PDT, anunciou em primeira mão um pacote de cortes de gastos em razão da crise econômica que o país vive.

Sobre as eleições do ano que vem, o prefeito disse não fazer questão alguma de ter o PMDB, partido do vice-prefeito Gaudêncio Lucena, como aliado. E justificou: “O PMDB exerce a política da extorsão, da chantagem, do jogo mais mesquinho, mais sujo, envolvido até o pescoço na corrupção, tanto quanto o PT nacionalmente”.

O discurso converge com o de Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência pelo PDT, com a evidente intenção de se dissociar das lambanças e dos escândalos protagonizados pelo governo federal e seus principais partidos de sustentação. No entanto, dadas as circunstâncias locais, há riscos nessa abordagem.

A ênfase na crítica ao PT nacional é profilática, para prevenir ser contaminado pela rejeição ao partido e à presidente Dilma. Ocorre que seu principal aliado, o governador Camilo Santana, é do PT, assim como uma de suas principais adversárias, a ex-prefeita Luizianne Lins. Roberto Cláudio precisa do apoio do PT estadual, mas Luizianne defende candidatura própria. Dizer que o PT está mergulhado na corrupção, embora seja uma verdade, pode gerar desgastes com os militantes do partido no Ceará e fortalecer a tese da ex-prefeita.

Sobre o PMDB, é preciso lembrar que o discurso do grupo a que pertence Roberto Cláudio foi, durante muito tempo, exatamente esse. O partido seria nacionalmente ruim, tendo Michel Temer, segundo Ciro Gomes, como chefe do “ajuntamento de ladrões”, mas enquanto Eunício Oliveira foi aliado de Cid Gomes, a sigla, no estado, prestava. Só depois de romper é que o tratamento foi integralizado em seu conjunto.

Além do mais, o vice-presidente Michel Temer foi eleito, junto com Dilma, com o apoio, aqui no Ceará, de Cid, Ciro, Camilo e Roberto Cláudio. Se não é de hoje que Ciro bate no PMDB, seus alertas foram solenemente ignorados pela presidente. Deu no que deu. A ironia é que seu grupo ajudou a fortalecer aqueles que, agora, eles dizem ser o pior para o Brasil.

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Ferreira Gomes: partido novo, encenação antiga

Por Wanfil em Política

19 de agosto de 2015

Em mais um capítulo de sua peculiar trajetória política, os Ferreira Gomes devem mesmo sair do PROS para entrar no PDT, sétimo partido a servir de abrigo aos  grupo liderado por Ciro e Cid Gomes.

O encontro que reuniu os ainda filiados do PROS no Ceará, na noite da última segunda-feira, repetiu a encenação que sempre é feita nessas ocasiões, necessária para tornar verossímeis as alegações escolhidas para justificar a mudança, invariavelmente fundadas nos mais belos e nobres propósitos, tudo para disfarçar que são as conveniências eleitorais do momento a razão para essas idas e vindas.

No caso atual, ninguém escondia lá na tal reunião do PROS estadual que a opção pelo  PDT empolga mais pela possibilidade de uma nova candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, em acordo com o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, ex-ministro do trabalho que perdeu o cargo por causa de denúncias de corrupção.

Quando saíram do PSB para ingressarem no PROS, os Ferreira Gomes e seus comandados alegaram compromisso com a reeleição de Dilma. Negavam uma candidatura própria com Eduardo Campos. A petista não será candidata em 2018, mas em meio a atual crise e faltando (em tese) pouco menos de três anos e meio para o fim do mandato da petista, os aliados da presidente no Ceará engrossam as fileiras da oposição e do PMDB, que já anteciparam o debate sucessório, fragilizando ainda mais o governo. Curiosamente, o prefeito Roberto Cláudio, ainda no PROS e com o pé no PDT, diz que antecipar debates eleitorais é um desrespeito com o povo, mas comemora publicamente a possível candidatura de Ciro. Convicções moldadas pelas oportunidades são outra característica de quem está sempre disposto a mudar de partido como quem troca de roupa.

É claro que Ciro Gomes tem o direito de querer ser candidato e que mudar de partido não é crime. Mas a frequência com que isso acontece, sempre em função de candidaturas, é sinal de inconsistência política para liderar nacionalmente uma agremiação política e de intolerância para conviver com as naturais disputas internas que existem em todos os partidos. A sucessão de trocas pode indicar ainda falta de lealdade, o que abre espaço para críticas sobre uma propensão ao oportunismo crônico. De qualquer forma, esse estilo tem funcionado aqui no Ceará. Se irá colar lá fora, é o que veremos. Sabe como é, tudo demais é veneno.

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Ferreira Gomes: partido novo, encenação antiga

Por Wanfil em Política

19 de agosto de 2015

Em mais um capítulo de sua peculiar trajetória política, os Ferreira Gomes devem mesmo sair do PROS para entrar no PDT, sétimo partido a servir de abrigo aos  grupo liderado por Ciro e Cid Gomes.

O encontro que reuniu os ainda filiados do PROS no Ceará, na noite da última segunda-feira, repetiu a encenação que sempre é feita nessas ocasiões, necessária para tornar verossímeis as alegações escolhidas para justificar a mudança, invariavelmente fundadas nos mais belos e nobres propósitos, tudo para disfarçar que são as conveniências eleitorais do momento a razão para essas idas e vindas.

No caso atual, ninguém escondia lá na tal reunião do PROS estadual que a opção pelo  PDT empolga mais pela possibilidade de uma nova candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, em acordo com o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, ex-ministro do trabalho que perdeu o cargo por causa de denúncias de corrupção.

Quando saíram do PSB para ingressarem no PROS, os Ferreira Gomes e seus comandados alegaram compromisso com a reeleição de Dilma. Negavam uma candidatura própria com Eduardo Campos. A petista não será candidata em 2018, mas em meio a atual crise e faltando (em tese) pouco menos de três anos e meio para o fim do mandato da petista, os aliados da presidente no Ceará engrossam as fileiras da oposição e do PMDB, que já anteciparam o debate sucessório, fragilizando ainda mais o governo. Curiosamente, o prefeito Roberto Cláudio, ainda no PROS e com o pé no PDT, diz que antecipar debates eleitorais é um desrespeito com o povo, mas comemora publicamente a possível candidatura de Ciro. Convicções moldadas pelas oportunidades são outra característica de quem está sempre disposto a mudar de partido como quem troca de roupa.

É claro que Ciro Gomes tem o direito de querer ser candidato e que mudar de partido não é crime. Mas a frequência com que isso acontece, sempre em função de candidaturas, é sinal de inconsistência política para liderar nacionalmente uma agremiação política e de intolerância para conviver com as naturais disputas internas que existem em todos os partidos. A sucessão de trocas pode indicar ainda falta de lealdade, o que abre espaço para críticas sobre uma propensão ao oportunismo crônico. De qualquer forma, esse estilo tem funcionado aqui no Ceará. Se irá colar lá fora, é o que veremos. Sabe como é, tudo demais é veneno.