secretariado Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

secretariado

A posse de Camilo: a distância entre discurso e prática

Por Wanfil em Política

02 de Janeiro de 2015

Camilo em discurso de posse: boas intenções esbarram em práticas antigas

Camilo em discurso de posse: boas intenções esbarram em práticas antigas. Foto: montagem sobre divulgação (Governo do Estado).

O discurso de posse do governador Camilo Santana (PT) seguiu o protocolo para ocasiões desse tipo: agradecimentos e palavras de otimismo e motivação.

Como foi candidato da situação, pregou a continuidade do “legado” que recebeu. No entanto, elegeu a redução dos índices de violência como uma de suas principais metas. Assunto complicado. Prudente, Camilo evitou críticas à gestão da Segurança Pública no governo Cid Gomes, que deixou o Ceará na condição de segundo estado mais violento do Brasil. Mas o reconhecimento de que a área exige mais atenção, dentro das circunstâncias, soa quase como uma autocrítica. O novo governador poderia ter falado sobre os investimentos recordes em segurança ou culpar supostas milícias pela situação, mas preferiu ser sucinto ao dizer que coordenará “diretamente as ações para combater a criminalidade”. Perfeito. Não deixa de ser uma confissão indireta de que as coisas realmente fugiram ao controle.

De resto, em linhas gerais, o discurso foi um apanhado de boas intenções: só gente de bem interessada em fazer tudo pelos mais necessitados, sem esquecer nunca de combater a corrupção. É de praxe. Aqui vale uma menção ao momento poético em que, após agradecer familiares, o governador afirmou que agora todos os cearenses são a sua família. Redação inspirada.

Até aí o discurso estava bacana, no campo das vontades e das linhas gerais que devem nortear a administração. Mas a conversa desandou quando Camilo mencionou os critérios para a formação de sua equipe: “todos foram escolhidos por sua competência e potencialidade”. Como? Não é bem assim… É possível reconhecer indicações predominantemente técnicas no novo secretariado, mas é inegável o peso de questões políticas como cotas partidárias (o velho e bom loteamento de cargos), projetos eleitorais para candidatos a deputado ou a prefeituras em 2016, nomeação de representantes da gestão Cid, acomodação de aliados não eleitos, entre outros, como critérios vigentes no processo de escolha.

Simplesmente não é possível explicar com argumentos de competência técnica a escolha de alguns indicados. Inácio Arruda (PCdoB) para a Secretaria da Ciência e Tecnologia, Osmar Baquit (PSD) para a Pesca e Aquicultura, David Duran (PRB) para o Esporte, Zé Linhares (PP) no Conselho de Educação, Míriam Sobreira (Pros) na Secretaria de Políticas sobre Drogas,  Dedé Teixeira (PT) na Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Artur Bruno (PT) para o Meio Ambiente, são exemplos disso. Podem se sair bem, mas não foi na base do currículo profissional e do conhecimento profundo nas respectivas áreas para as quais foram nomeados, que se deu a escolha. Melhor seria dizer que “alguns foram chamados por questões técnicas e outros pela capacidade política de articulação etc., etc.”. Ficaria menos distante da realidade. Por fim, querer disfarçar o óbvio faz parecer que certas indicações constrangem o novo chefe do Executivo estadual.

Fica a lição. Quando tratam de fatos objetivos, concretos, palavras precisam estar conectadas com ações se quiserem ser levadas a sério.

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Wanfil recusa convite para secretaria de governo

Por Wanfil em Imprensa

20 de dezembro de 2014

Fontes próximas ao governador eleito Camilo Santana (PT) afirmam que o comentarista político Wanderley Filho, que assina o Blog do Wanfil, foi convidado a participar do primeiro escalão da gestão que se inicia em janeiro. Os relatos variam entre as pastas da Cultura e a Casa Civil.

Indagado por ele mesmo com exclusividade para este blog, Wanfil desconversa. “Seria deselegante comentar esse tipo de especulação”. Na Tribuna do Ceará comentários confirmam a veracidade da história, acrescentando a recusa após um dia de consultas a amigos e familiares. O convite teria surpreendido aliados e correligionários de Camilo, uma vez que o colunista é visto por governistas como demasiadamente crítico. Faltando menos duas semanas para a posse, o governador eleito ainda não divulgou o seu secretariado. 

Nada disso é verdade, claro. Mas quando notícias são plantadas em notinhas e colunas de jornal, blogs ou rádios, ou mesmo quando viram matéria, tudo é vago. É a apoteose do futuro do pretérito: teria, seria, poderia. E também das gargantas profundas (as tais fontes) interessadíssimas em vender imagens e boatos que germinam como pragas em ambientes de pouca luz. Basta ter acesso, recursos e certa influência para fazer a engrenagem funcionar.

Diante da estratégia ou hesitação de Camilo Santana em relação ao anúncio do secretariado, tudo é mistério, condição propícia para todo tipo de balão de ensaio. O mesmo vale para as indecisões da presidente Dilma Rousseff, que já anunciou os nomes de alguns ministros para o seu segundo mandato. Aliás, o negócio ficou de um jeito que até deputado federal com pouca expressão em Brasília é apontado como possível candidato à presidência da Câmara Federal, a pedido de outros parlamentares. Então tá…

Por isso, caro leitor, fique atento a esse tipo de notícia. Elas não dizem de concreto, mas fazem o sujeito parecer mais importante do que ele realmente é.

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Cai o secretário de Segurança do Ceará. E a política de segurança do governo, continua?

Por Wanfil em Ceará, Segurança

07 de setembro de 2013

A queda do secretário de Segurança do Ceará, coronel Francisco Bezerra, nesta sexta-feira (6), foi antecipada por alguns sinais inequívocos de desgaste. Entre os mais significativos estão críticas feitas por Ciro Gomes, que recentemente atuou como consultor voluntário na pasta. Na Tribuna BandNews, não faz muitos dias, o irmão do governador admitiu publicamente o que todos já sabiam: que os índices de criminalidade no Ceará estão fora de controle. Era a senha que abria a brecha para eventuais mudanças no setor.

Encenação

Cid Gomes, que fez dessa área o mote de sua primeira campanha eleitoral, sempre relutou em reconhecer a gravidade da situação, fechando os ouvidos ao clamor geral até o limite do insuportável. Para não dar o braço a torcer (qualquer recuo poderia ser visto como reconhecimento de que o governo fracassou), Cid anunciou, na última quinta-feira (5), pela internet, que faria no dia seguinte uma espécie de mini-reforma no secretariado. Não foi bem isso o que aconteceu.

Na verdade, o governador adiantou em sete meses a saída dos secretários que deverão disputar mandatos nas eleições no ano que vem, para dar ares de normalidade burocrática à mudança. A própria saída de Bezerra estaria condicionada a uma hipotética candidatura a deputado estadual, algo difícil de acreditar.

Nos bastidores, fala-se que trocas de mais nomes na cúpula da segurança podem acontecer nos próximos dias.

Reação tardia

De qualquer forma, ainda que sem um mea culpa do governador, a exoneração do secretário e a perspectiva de mais alterações indicam que finalmente o governo entendeu que era preciso agir. Se a essa altura do campeonato, faltando pouco mais de três meses para começar o último ano do mandato, as mudanças terão o efeito que se deseja, e espera-se tenham, para o nosso próprio bem, é outra coisa. Até porque essa não é a primeira troca de secretário de Segurança na atual gestão. Quando o ex-titular da pasta, Roberto Monteiro foi exonerado, Bezerra surgiu como homem da absoluta confiança de Cid, capaz de cumprir à risca o que lhe fosse determinado. Deu no que deu.

Portanto, aproveitando a deixa, é importante que o governo reconheça, ainda que apenas internamente, que o modelo de política de segurança pública vigente no Ceará, idealizado lá em 2006 como peça de campanha eleitoral, não vingou. Trocar de secretário na ingênua esperança de que ele venha a fazer funcionar algo cuja concepção estratégica está errada, é trocar seis por meia dúzia.

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O secretariado de Roberto Cláudio: cadê a renovação?

Por Wanfil em Fortaleza

21 de dezembro de 2012

Alguns critérios de escolha para o novo secretariado não combinam com a mensagem de renovação defendida por Roberto Cláudio durante a campanha. Imagem: TV Jangadeiro / reprodução.

O prefeito eleito de Fortaleza Roberto Cláudio assumirá o comando do município a partir do dia 1º de janeiro de 2013. Entretanto, com a divulgação dos nomes do futuro secretariado, podemos dizer que ele fez sua estreia no Executivo, afinal, cada escolha pressupõe um método, uma visão de administrativa, política e moral dos fatos. É um cartão de visitas. E aí, infelizmente, a nova gestão começa mal.

Durante a campanha, a renovação do modo de fazer o governo deu o tom da comunicação   Acontece que, apesar da conversa de que o perfil da equipe é técnico, a lógica que sustenta as novas indicações não destoa daquela utilizada no governo Luizianne Lins: loteamento de espaços para aliados (por critérios exclusivamente políticos) e inchaço da máquina. Mudaram os nomes, mas a renovação em sentindo profundo parece que ainda não veio. Trata-se de mais do mesmo, com a esperança de que seja bem executado desta vez.

Para começo de conversa, Roberto Cláudio nomeou para a uma das pastas mais poderosas o próprio irmão, repetindo o governador Cid Gomes, seu padrinho político. Segundo o STF, a contratação de parente para “exercício de cargo eminentemente político” não configura nepotismo. Fica a dica para os demais prefeitos nomearem familiares: é só criar cargos eminentemente políticos. Não faço crítica ao irmão do prefeito. Pode até ser bom gestor, veremos, mas a questão é que a mensagem de austeridade fica comprometida. Empregar parentes é prática do Brasil atrasado, patrimonialista. A título de prevenção, convém ao gestor tornar sua administração algo impessoal. Renovar práticas políticas contratando parente é um retrocesso.

Depois, o anúncio de SETE novas secretarias. É impossível cortar despesas desnecessárias e reduzir gastos com contratações de terceirizados aumentando a máquina. Além disso, fica evidente que algumas pastas foram criadas apenas para abrigar companheiros políticos, como a indicação de Karlo Kardozo para a Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos. Onde está o perfil técnico? Trata-se de um jurista? Não. Sua credencial é ser chefe do PSB local. Não se renova usando cargos públicos como prêmio a companheiros de partido.

Na Secretaria Extraordinária da Copa, o escolhido foi o deputado federal Domingos Neto, que tem no currículo o fato de ser filho do vice-governador Domingos Filho. É a renovação da cota do PMDB. Moeda de troca.

E o PCdoB? Usufruiu o quanto pode de cargos na gestão de Luizianne, rompeu na última hora para aderir à candidatura de Roberto Cláudio. Pelo feito, a sigla foi recompensada com a Habitafor para Eliana Gomes e a liderança na Câmara, com o neófito Evaldo Lima (que foi secretário de Esporte na gestão que termina). Renovar com políticos que aderem a qualquer governo é ilusão. 

Existem nomes sérios, claro, com bons currículos. Além disso, em muitas áreas, será difícil piorar a situação: a tendência é que o mínimo de trabalho apresente resultados. No entanto, a atual gestão também tinha nomes bons em algumas pastas e isso não bastou. Vamos torcer para dar certo, mas sem perder a capacidade de avaliar o que está no caminho certo e o que está no caminho errado. E dizer isso o quanto antes, não após quatro anos.

O novo governo busca abrigar o maior número de partidos e forças políticas, pois o prefeito é um conciliador por natureza. Mas até esse perfil precisa de limites, e o primeiro deveria ser não nomear parentes e apadrinhados, nem aceitar indicações políticas sem lastro técnico. Como demitir um secretário ruim se ele foi indicado pelo governador, é da família ou militante profissionais de partidos aliados? Mostrando desde o primeiro dia que assim será. Não seria fácil, mas certamente seria renovador.

Governar, em boa medida, é saber dizer não a aliados.

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O secretariado de Roberto Cláudio: cadê a renovação?

Por Wanfil em Fortaleza

21 de dezembro de 2012

Alguns critérios de escolha para o novo secretariado não combinam com a mensagem de renovação defendida por Roberto Cláudio durante a campanha. Imagem: TV Jangadeiro / reprodução.

O prefeito eleito de Fortaleza Roberto Cláudio assumirá o comando do município a partir do dia 1º de janeiro de 2013. Entretanto, com a divulgação dos nomes do futuro secretariado, podemos dizer que ele fez sua estreia no Executivo, afinal, cada escolha pressupõe um método, uma visão de administrativa, política e moral dos fatos. É um cartão de visitas. E aí, infelizmente, a nova gestão começa mal.

Durante a campanha, a renovação do modo de fazer o governo deu o tom da comunicação   Acontece que, apesar da conversa de que o perfil da equipe é técnico, a lógica que sustenta as novas indicações não destoa daquela utilizada no governo Luizianne Lins: loteamento de espaços para aliados (por critérios exclusivamente políticos) e inchaço da máquina. Mudaram os nomes, mas a renovação em sentindo profundo parece que ainda não veio. Trata-se de mais do mesmo, com a esperança de que seja bem executado desta vez.

Para começo de conversa, Roberto Cláudio nomeou para a uma das pastas mais poderosas o próprio irmão, repetindo o governador Cid Gomes, seu padrinho político. Segundo o STF, a contratação de parente para “exercício de cargo eminentemente político” não configura nepotismo. Fica a dica para os demais prefeitos nomearem familiares: é só criar cargos eminentemente políticos. Não faço crítica ao irmão do prefeito. Pode até ser bom gestor, veremos, mas a questão é que a mensagem de austeridade fica comprometida. Empregar parentes é prática do Brasil atrasado, patrimonialista. A título de prevenção, convém ao gestor tornar sua administração algo impessoal. Renovar práticas políticas contratando parente é um retrocesso.

Depois, o anúncio de SETE novas secretarias. É impossível cortar despesas desnecessárias e reduzir gastos com contratações de terceirizados aumentando a máquina. Além disso, fica evidente que algumas pastas foram criadas apenas para abrigar companheiros políticos, como a indicação de Karlo Kardozo para a Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos. Onde está o perfil técnico? Trata-se de um jurista? Não. Sua credencial é ser chefe do PSB local. Não se renova usando cargos públicos como prêmio a companheiros de partido.

Na Secretaria Extraordinária da Copa, o escolhido foi o deputado federal Domingos Neto, que tem no currículo o fato de ser filho do vice-governador Domingos Filho. É a renovação da cota do PMDB. Moeda de troca.

E o PCdoB? Usufruiu o quanto pode de cargos na gestão de Luizianne, rompeu na última hora para aderir à candidatura de Roberto Cláudio. Pelo feito, a sigla foi recompensada com a Habitafor para Eliana Gomes e a liderança na Câmara, com o neófito Evaldo Lima (que foi secretário de Esporte na gestão que termina). Renovar com políticos que aderem a qualquer governo é ilusão. 

Existem nomes sérios, claro, com bons currículos. Além disso, em muitas áreas, será difícil piorar a situação: a tendência é que o mínimo de trabalho apresente resultados. No entanto, a atual gestão também tinha nomes bons em algumas pastas e isso não bastou. Vamos torcer para dar certo, mas sem perder a capacidade de avaliar o que está no caminho certo e o que está no caminho errado. E dizer isso o quanto antes, não após quatro anos.

O novo governo busca abrigar o maior número de partidos e forças políticas, pois o prefeito é um conciliador por natureza. Mas até esse perfil precisa de limites, e o primeiro deveria ser não nomear parentes e apadrinhados, nem aceitar indicações políticas sem lastro técnico. Como demitir um secretário ruim se ele foi indicado pelo governador, é da família ou militante profissionais de partidos aliados? Mostrando desde o primeiro dia que assim será. Não seria fácil, mas certamente seria renovador.

Governar, em boa medida, é saber dizer não a aliados.