segurança pública Archives - Página 5 de 6 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

segurança pública

Viva o luxo, morra o bucho! Hilux e patinetes: muito custo, pouco resultado

Por Wanfil em Segurança

01 de novembro de 2013

Sempre que a política de segurança pública no Ceará é questionada, governistas e governantes alegam que nunca tantos recursos foram investidos na área como na atual gestão de Cid Gomes. Disso ninguém discorda, a questão sempre foi outra: a qualidade desses gastos.

Dois casos recentes ilustram bem isso: a compra de mais 400 camionetes Toyota Hilux de luxo para a Secretaria de Segurança e o destino dos patinetes Segway adquiridos em 2008 para o patrulhamento da Avenida Beira Mar, em Fortaleza, notícia da Tribuna do Ceará que ganhou o Brasil nas páginas do Portal UOL.

Patinetes: simplesmente um desperdício

Patinetes Segway no Ceará. desperdício e ostentação.

Patinetes Segway no Ceará: desperdício e ostentação. (FOTO: PMCE/ Divulgação)

O governo do Ceará comprou dez patinetes em 2008, a um custo total de 285 mil reais. Como a insegurança foi o mote da campanha eleitoral na primeira vitória de Cid para o governo, parecia a efetivação de uma nova política para o setor. Passados cinco anos, o equipamento não vingou e nem mesmo é visto por quem frequenta a Beira Mar. E o crime, como todos sabem e sentem na pele, aumentou vertiginosamente.

Oficialmente, todas as unidades estão há dois meses em manutenção, esperando por novas baterias. Processo licitatório complicado? Não. Por ser uma compra de menor porte, não haverá licitação, explica a assessoria da Secretaria de Segurança, sem, no entanto, revelar qual será o custo da compra.

A reportagem da Tribuna do Ceará informa, a título de comparação, que o valor de uma Segway que não serve de NADA equivale a dez meses de salário de um policial em começo de carreira. Pois é: nunca se investiu tanto em segurança pública.

Hilux pra quê?

O deputado Heitor Férrer, no começo da semana, pediu ao Tribunal de Contas do Ceará, uma investigação sobre a licitação para a compra de 400 Hilux. É que o vencedor original da licitação foi a General Motors, que foi desclassificada em seguida, o que garantiu o contrato para a empresa Newland, revendedora local da Toyota e habitual fornecedora da frota de carros luxuosos para o Estado. De acordo com o parlamentar, há indícios de favorecimento nesse processo, o que é negado pelo governo.

Que o caso seja devidamente apurado. Independente disso, há a questão do resultado. O novo secretário de Segurança, Servilho de Paiva, segundo me dizem, é obcecado por métrica e trabalha desesperadamente para obter números confiáveis para poder traçar estratégias de ação. Está certíssimo! Mas como podemos ver, é obrigado a arcar com, digamos assim, demandas (ia dizer acordos) anteriores.

A lógica é a seguinte: afinal, de quê serviu ter esses veículos? Qual o balanço? Fala-se genericamente em economia de manutenção. O fato é que o crime não reduziu, pelo contrário. O problema não estava, portanto, na qualidade das viaturas. É, portanto, no mínimo estranho querer agora, no penúltimo ano de gestão, querer comprar mais quatro centenas de Hilux por R$ 73 milhões, quando o correto seria esperar que o novo comando da pasta definisse quais deveriam ser as prioridades nesse grave momento que a segurança pública atravessa no Ceará. De quebra, é o tipo de postura que reforça justamente suspeitas sobre a conduta das autoridades e sua relação com fornecedores.

E agora?

Nunca se gastou tanto com segurança. Nunca se apostou tanto em ações midiáticas para a segurança. Nunca se venderam tantos produtos exclusivos para a segurança. Nunca se investiu tanto em aparência (como diz o ditado, “viva o luxo, morra o bucho”). E nunca a segurança foi tão ruim. Insistir nessa fórmula que não deu certo é torrar mais dinheiro público com o que não trará, comprovadamente, eficiência e resultados. É um escárnio.

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Secretaria afirma que homicídios reduziram em 2013 no Ceará; eu provo que aumentaram

Por Wanfil em Ceará, Segurança

06 de agosto de 2013

A Secretaria da Segurança divulgou nesta segunda-feira (5), números que mostram redução de quase 10% na quantidade de homicídios dolosos registrados no segundo trimestre de 2013, em comparação com o primeiro trimestre do mesmo ano. “Entre janeiro e março foram registrados 1.074 crimes de morte no Estado contra 962 nos três meses seguintes”, informa a SSPDS.

Numa área carente de boas novas, a notícia sugere, se não uma solução, pelo menos um alívio. A primeira impressão que decorre dessa divulgação é a de que 2013 apresenta, finalmente, um recuo que pode indicar, quem sabe, o início de uma tendência declinante. Mas se o números não mentem, as aparências enganam. E assim, se compararmos esses dados com o mesmo período do ano passado, a coisa muda de figura.

De abril a junho de 2012, foram registrados 868 homicídios dolosos, contra 962 deste ano, um crescimento aproximado de 11%.  Então o que parece diminuição da violência, quando visto de forma mais ampla, se torna, na verdade, aumento da criminalidade. Os dados podem ser conferidos no site da própria secretaria.

Selecionar um período em que os números possam apresentar estatísticas aparentemente positivas não chega a ser propriamente uma mentira, mas é uma conveniência que beira a manipulação e que deixa no ar a impressão de o governo busca induzir o público a uma leitura equivocada dos números. A suspeita pode ainda ser reforçada pelo fato do secretário Francisco Bezerra ir à Assembleia Legislativa na quarta-feira (7), falar sobre as ações de segurança no Estado.

E olha que a situação pode ser ainda pior. É que o IPEA divulgou o Mapa dos Homicídios Ocultos no Brasil, mostrando que, em 15 anos, cerca de 2,6 mil homicídios deixaram de ser contabilizados no Ceará.

A gravidade do momento que vive o Estado, o medo, as mortes, os assaltos e tudo mais, exige absoluta transparência e franqueza em tudo o que for relacionado a área de segurança, para que se possa ter a real dimensão do problema e o encaminhamento de soluções viáveis. Truques estatísticos podem até gerar uma falsa sensação de melhoria que, não obstante, no dia a dia, ninguém constata nas ruas, aumentando o descrédito das autoridades. É tiro no pé.

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Ceará agora comanda Conselho de Segurança do Nordeste. Faz sentido!

Por Wanfil em Segurança

03 de agosto de 2013

Meu comentário deste sábado na coluna Política, da rádio Tribuna BandNews FM (101.7).

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará, Francisco Bezerra, foi eleito, por unanimidade, presidente do Conselho de Segurança Pública do Nordeste, em reunião realizada ontem [sexta-feira, 2] na Bahia. O Conselho é formado por secretários e outras autoridades da área nos estados do Nordeste.

Muita gente pode estranhar a escolha, uma vez que o Ceará apresenta um assustador quadro de criminalidade, com descontrole nos índices de assaltos e homicídios, tal como reconheceu o consultor informal da própria Secretaria de Segurança do estado, o ex-governador Ciro Gomes, aqui mesmo na Tribuna BandNews.

Ao comentar sobre a eleição, o secretário Francisco Bezerra disse que a violência está presente em todo o Brasil e que o Ceará se destaca pelo trabalho de inteligência e de cooperação com os outros estados da região Nordeste.

Ora, alguém por acaso nega que a violência esteja presente em todo o país em níveis alarmantes? A grande questão é saber porque aqui no Ceará ela cresce mais rápido do que nos vizinhos, em vez de recuar, tendo em conta os elevados investimentos. Na mesma sexta-feira, o portal Tribuna do Ceará mostrou que  o número de roubos a bancos no Estado cresceu 2.125%, entre 2008 e 2013.

Talvez essa seja a qualidade que os membros do Conselho de Segurança do Nordeste estivessem procurando: a capacidade de falar sobre o assunto evitando dados e números que possam constranger os governos, ou seja, a prevalência da habilidade política sobre a capacidade gerencial.

Nisso, quando o assunto é segurança, o Ceará é referência.

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Policiais mortos em serviço? Não! Foram vítimas de assaltantes depois do trabalho

Por Wanfil em Ceará, Segurança

16 de julho de 2013

Leio no Tribuna do Ceará do que três policiais foram assassinados em apenas 10 dias em Fortaleza. Desses, pelo em dois casos — um envolvendo um policial militar e outro um policial rodoviário federal — as vítimas morreram ao serem assaltadas.

Casos assim tem se repetido e revelam uma situação constrangedora. Sim, porque o risco de morte na atividade policial é uma constante, cujas implicações de ordem psicológica são bastante consideráveis. A família de um agente precisa aprender a conviver com o medo de perder o ente querido numa situação de conflagração. Mas o que temos visto em Fortaleza são policiais morrendo fora do expediente de trabalho, quando, imaginam os coitados, já estariam fora de perigo.

Morrem como o cidadão comum, como o padre Élvis — assassinado por assaltantes no Centro Dragão do Mar —, como tantos outros todos os dias. Com um agravante: o policial, ao ser abordado por criminosos, sabe que ao descobrirem sua profissão, as chances de que venham a ser executados é grande, deixando-lhes como única opção a reação.

O avanço da criminalidade não se processa de uma hora para a outra. É um fenômeno que necessita de tempo, de da soma de uma série de enganos. Os índices negativos no Ceará crescem ano após ano, de acordo com o Mapa da Violência. Podem mudar de formato (do sequestro relâmpago para o assalto comum), mas a quantidade de vítimas não para de subir.

Vez por outra, aqui no blog ou em minha coluna na Rádio BandNews FM 101.7, falo do fiasco na política de segurança pública e lembro que a polícia não consegue dar conta do recado. Alguns leitores reclamam, lembrando o esforço feito pelos policiais no combate ao crime. Sempre respondo dizendo que concordo. Com efeito, e já disse isso algumas vezes, a polícia (especialmente a Militar) tem a ingrata missão de enxugar gelo. Prendem e rapidamente os bandidos voltam às ruas. O problema, todos sabem e muitos fingem não ver a realidade, é de gestão! É a política de segurança pública baseada em concepções equivocadas e fechada para eventuais críticas, mesmo as construtivas.

Como esse processo de degeneração da ordem social continua a se intensificar, o que vemos agora é a violência indiscriminada. Qualquer um pode ser vítima. Lembro que, no começo do ano, bandidos executaram um criminoso em frente ao Fórum Clóvis Beviláqua, numa prova cabal de para eles não há mais limites. Quando policiais sabem que o risco de morrer pela ação de marginais depois da jornada de trabalho é o mesmo (ou maior) que durante o exercício das suas atividades profissionais, é porque o negócio desandou de vez.

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Ainda Fortaleza Apavorada: Por que o movimento incomoda tanto?

Por Wanfil em Ideologia, Segurança

15 de junho de 2013

Como tudo o que aparece e chama a atenção do público, o movimento Fortaleza Apavorada, criado para manifestar a insatisfação de alguns moradores da capital cearense contra a inegável e crescente onda de violência na cidade, ganhou críticos, a ponto de virar tema de acalorados debates na internet e de artigos de jornal. Curiosamente, no entanto, o debate foi deslocado da área de segurança para uma inócua discussão sobre a origem social do movimento, que ousou se manifestar sem a chancela de algum grupo carente, ONG progressista ou governo.

Basicamente, o movimento é acusado de:

1- Elitismo – Por serem pessoas de classe média que nunca foram às ruas protestar contra os problemas de cidadãos de outras classes, os apavorados não passariam de hipócritas desprovidos de legitimidade para falar sobre uma causa social. O argumento é estúpido, claro, uma vez que a posição social de um indivíduo não o impede de ser crítico a um governo ou a um estado de coisas (pelo contrário, a condição de grupo costuma a anestesiar a consciência individual), muito menos de se reunir em grupo para protestar contra o que quer que seja;

2 – Sensacionalismo – A estratégia do grupo reforçaria a insegurança, uma vez que aposta no medo como propaganda. Há uma crença entre os mais sensíveis de que a expressão é “apavorada” é apelativa. Queriam que o movimento alheio fosse batizado com algo mais construtivo, como paz ou harmonia,  coisas sublimes que não os fizessem lembrar a escalada da criminalidade no Estado, o que seria ilógico, pois descaracterizaria o ponto de convergência de seus membros;

3 – Oportunismo – Por não apresentar propostas para solucionar o problema da insegurança, o movimento serviria apenas para abrir espaço a críticas oportunistas. Como se o sujeito, para abrir um processo contra uma operadora de telefonia tivesse que estudar engenharia de telecomunicações, de forma a sugerir soluções para obter um serviço de qualidade. Não me parece uma ideia prática. Ademais, cobrar do paciente a cura que o médico não providencia por negligência ou incompetência é que oportunismo.

As críticas não partem de um centro, mas ganharam certa relevância entre pessoas de classe média, unidas por uma concepção sobre a natureza dos movimentos sociais que possui, ainda que eles não saibam, um DNA ideológico evidente.

Movimentos sociais, ideologia e partidos políticos

O filósofo italiano Antonio Gramsci cunhou no início do século XX a expressão “sociedade civil organizada” para definir entidades que controladas para servirem de apêndice ao Partido (no caso dele, o comunista), noção incorporada posteriormente por quase todas as agremiações de esquerda (menos os anarquistas).

No Brasil, com a predominância do marxismo no sistema educacional desde os anos 60 e 70, desde o ensino infantil até o superior, os movimentos sociais mais atuantes e – atenção! – ricos, passaram a incorporar o discurso que, invariavelmente, prega contra o capitalismo (transformando qualquer empreendedor em explorador, o lucro em pecado, o sucesso em culpa e as empresas entidades maléficas), o americanismo (com a exaltação de ditaduras como a cubana ou norte-coreana), a injustiça social (definida dentro dos parâmetros esquerdistas) e a desigualdade (como forma de manter aceso o ódio que alimente a aposta na luta de classes).

Estão aí o MST, a Cufa, a CUT e a UNE para comprovar o que digo, todos recebendo dinheiro público direta ou indiretamente, a serviço de governos com possuam ligação ideológica. Mobilizam-se apenas contra o agronegócio ou para desgastar gestões de adversários.

Órfãos 

A ideia de um grupo formado por indivíduos que dispensam as antigas estruturas dos movimentos sociais controlados por partidos políticos é inconcebível para os barões do ativismo social. Pior ainda se esse grupo assume uma bandeira que não guarda relação com o arquétipo maniqueísta da luta entre o bem e o mal que interessa à propaganda esquerdista. O Fortaleza Apavorada não prega a revolução, não grita o “fora Cid”, não culpa o sistema. Ele pede eficiência administrativa observada em outros estados. Pede paz para que os indivíduos, e não as classes, possam trabalhar. E isso gera desconfiança.

“Afinal, a quem eles servem?” Essa é a indagação que perturba os que se sentem é órfãos de uma noção de justiça social atrelada a velhos cacoetes ideológicos.

O Fortaleza Apavorada incomoda porque surgiu ao largo da estrutura profissionalizada do ativismo social no Brasil, distante do monitoramento e do assédio de forças político partidárias. Pelo menos até agora. Quanto as críticas ou dúvidas, elas devem existir, claro, mas não com argumentos alheios ao cerne da questão: a obscena insegurança no Ceará.

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Ah, se o problema da segurança no Ceará fosse apenas denúncias de milícias…

Por Wanfil em Segurança, Tribuna Band News FM

25 de Maio de 2013

Meu comentário deste sábado na rádio Tribuna BandNews FM 101.7

Durante toda esta semana falamos sobre a questão da segurança pública, como parte da série especial Por um Ceará mais Seguro, do Sistema Jangadeiro.

As matérias mostraram que as autoridades da área estão cientes da gravidade da situação. Vimos ainda que outros estados conseguiram, com razoável sucesso, mobilizar a sociedade na tarefa de reduzir a criminalidade.

Mas, diante disso, fica a pergunta: O que falta então para fazer recuar a violência no Ceará?

Acusei aqui na coluna para a politização negativa desse debate, que acaba se perdendo em discussões sem efeito prático. Agora os responsáveis por garantir a segurança no estado pautam o problema a partir de denúncias de supostas milícias formadas por policiais militares, como se essa fosse a causa dos absurdos índices criminalísticos no estado.

Se existem milícias, que sejam investigadas, claro, e que seus membros sejam punidos, mas a verdade é que nem de longe essa será a solução para o descontrole que se vê nas ruas.

Em entrevista exibida aqui na Tribuna BandNews, o promotor de Justiça José Filho revelou que 92% dos assassinatos cometidos no estado não tem seus autores identificados. Ou seja, existe uma grave deficiência nos setores investigativos da polícia, falha que resulta em mais impunidade, em mais estímulo para os criminosos.

Esse é apenas um exemplo, entre tantos outros, de erros que podem ser estudados e devidamente corrigidos. Os desafios são grandes e se acumulam. As medidas adotadas até o momento não surtem efeito. E o pior é que, diante do agravamento da situação, boa parte das lideranças políticas do Ceará fecha os olhos para a realidade que os desafia e que assusta a população. Preferem acreditar que a gestão vai bem e que tudo não passa de intriga de adversários. Como diz o ditado, o pior cego é o que não quer ver.

Todas as matérias da série por um ceará mais seguro podem ser conferidas no site Tribuna do Ceará.

Para ouvir o comentário:

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Debate sobre segurança no Ceará não pode virar briga pessoal entre Ciro e Capitão Wagner

Por Wanfil em Segurança

21 de Maio de 2013

As acusações do ex-governador Ciro Gomes contra o vereador Capitão Wagner, pelas quais o parlamentar seria chefe de uma milícia criminosa, ofuscaram a notícia de que Fortaleza, segundo avaliação de risco divulgada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), é a cidade-sede mais perigosa para turistas na Copa das Confederações, no mês que vem.

Eis o único efeito prático da acalorada discussão entre essas duas figuras públicas: mudar o foco do noticiário. Se para os turistas a coisa não é boa, imagine para quem vive no local…

Não é impulso, é cálculo

Ciro é conhecido pelas declarações polêmicas e impulsivas, no entanto, essas últimas estão em perfeita sintonia com as recentes manifestações de outras autoridades do governo estadual, todas convergindo para a denúncia de supostos interesses políticos na área de segurança, numa sincronia que não pode ser creditada ao acaso, mas que antes revela método e cálculo nessas abordagens.

O próprio governador Cid Gomes e o secretário de Planejamento Eduardo Diogo já disseram que uma greve de policiais militares será punida com a prisão dos envolvidos, no que agora são repetidos por Ciro, com o seu peculiar estilo de sempre: “cabeças rolarão”.

Diogo estreitou o alvo para “meia dúzia” de líderes. Ciro agora aponta Wagner como a cabeça por trás de uma espécie de complô contra o governo estadual, mas não apresenta provas para os crimes que denuncia. Assim, além de mudar o enfoque e de colocar em pauta a versão do governo para os problemas de segurança, as intervenções de Ciro ainda possuem a vantagem adicional de preservar a imagem de Cid, principal autoridade responsável por dar respostas a eles.

Em resposta, Wagner afirma que irá acionar a Justiça e chama Ciro, nas redes sociais, de “comentarista esportivo” e de “desequilibrado”, na intenção de desqualificá-lo para o debate, sem atentar para o fato de que o ex-ministro não possui cargo no governo, o que bastaria para evitá-lo como interlocutor.

De tudo isso, temos os seguintes resultados:

a) a impressão de que o problema da explosão de criminalidade no Ceará não passa de uma briga entre policiais e o irmão do governador, ou seja, uma questão meramente pessoal, destituída de qualquer conteúdo mais profundo;

b) a fuga do que realmente interessa tratar: formas de recuar os índices de violência que avançam e que já colocam o Ceará como o estado mais violento do Nordeste;

c) a decomposição da autoridade do secretário efetivo de Segurança, coronel Francisco Bezerra, diante do protagonismo de Ciro, que passa a atuar como um secretário informal da pasta.

Enquanto eles brigam, perdemos a guerra

Não quero menosprezar os riscos desse impasse entre a cúpula do governo e os policiais militares. Nem sequer entro no mérito da questão, pois, a essa altura, pouco importa ao cidadão quem tem razão. Parece estranho dizer isso, mas é a verdade. Seria como ver o país ser invadido por um exército inimigo enquanto lideranças civis e militares permanecessem inertes, ocupadas demais em trocar acusações entre si.

Os gravíssimos problemas de segurança pública no Ceará e a falta de eficácia das medidas adotadas nos últimos anos não podem ser resolvidos a partir das premissas colocadas na briga entre Ciro Gomes e Capitão Wagner. Nada disso mudará a constatação de que a situação aqui é crítica, fato, inclusive, que já ultrapassa as fronteiras do Estado, tornada pública até pela Abin.

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Governador, os inimigos não são os policiais, são os bandidos! Ou: Contando os mortos

Por Wanfil em Segurança, Tribuna Band News FM

16 de Maio de 2013

Meu comentário desta quinta na rádio Tribuna BandNews FM 101.7

Na noite da última segunda-feira (13) um estudante universitário foi assassinado vítima de uma tentativa de assalto no bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza.

Diariamente, assistimos impotentes a escalada da violência no Ceará.  Cada vez mais novas tragédias são registradas, mais vidas são interrompidas, de tal modo que nos resta somente conferir, incrédulos, a contagem de mortos subir assustadoramente, como só se vê nas guerras.

De acordo com dados divulgados ontem (15) pela Secretaria de Segurança, 1.356 pessoas foram assassinadas no Ceará somente nos quatro primeiros meses do ano. Na capital, foram registrados 661 homicídios, o que corresponde a um aumento de 30% na comparação com o ano passado.

Enquanto isso, o Governo do Estado anuncia as negociações com as associações de policiais militares estão encerradas, criando um impasse de consequências imprevisíveis, entre as quais, uma nova greve da PM.

Pior ainda é ver as autoridades responsáveis pela área dizerem que o descontentamento da corporação inteira é obra de apenas meia dúzia de líderes que agem para atingir politicamente o governo.

A essa altura, fechar os olhos e os ouvidos para as reivindicações dos policiais e subestimar a insatisfação generalizada que os motiva apenas revela que o comando não sabe o que fazer para resolver o problema, deixando no ar, de quebra, a suspeita de que o que está ruim pode piorar.

O momento deveria ser de apaziguamento, de diálogo, de humildade para reconhecer falhas, de revisão de estratégias e de novas propostas! É preciso lembrar o governo de que o seu verdadeiro inimigo não são os policiais, mas os bandidos! Eles é que precisam “sentir o braço firme da lei”.

Portanto, agir para criar mais impasses e constrangimentos, desmotivando ainda mais as forças de seguranças, e justo quando a criminalidade explode, é de uma irresponsabilidade que somente poderá ser medida na macabra contagem de mortos que não para de subir. Mas aí poderá ser tarde demais para qualquer um de nós ou de nossos amigos e familiares.

Para ouvir o comentário:

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A desconfiança mútua entre comandantes e comandados só piora a crise de segurança no Ceará

Por Wanfil em Segurança

13 de Maio de 2013

Os problemas atualmente constatados na área de Segurança Pública no Ceará já configuram, para análises futuras de historiadores, uma página de constrangedora ironia para um governo que ascendeu ao poder justamente prometendo um policiamento mais eficaz e humano, o que pressupõe uma relação harmônica entre o Estado e as suas forças policiais. Apesar dos investimentos e das boas intenções, aconteceu o contrário: as relações entre as partes degeneraram a ponto de não haver mais tempo hábil para uma conciliação até o final da atual gestão, isso num ambiente onde os índices de criminalidade registram inédito aumento na criminalidade.

Canais obstruídos

A situação é de tal maneira inusitada que o governador Cid Gomes se comprometeu a receber um grupo formado por esposas de policiais militares para uma audiência de reivindicações, após elas terem realizado mais um protesto em Fortaleza. Cid as receberá, contudo, desde que novas manifestações não aconteçam e com a ressalva de que qualquer menção a uma nova greve da polícia será devidamente tratada como motim, o que me parece lógico.

Por outro lado, e em sentido contrário, o deputado Capitão Wagner, eleito após se notabilizar na greve da PM em 2012, diz que os militares não são recebidos pelo secretário Francisco Bezerra e já fala em possibilidade de nova paralisação, o que soa, por mais que ele negue, uma ameaça.

É evidente que o canal de diálogo entre comandados e comandantes está obstruído, de tal modo que é preciso se valer das esposas dos membros da categoria para tentar alguma conversação. Ora, elas não constam dos quadros das forças policiais e não são servidoras do Estado, portanto, qualquer acordo fechado com elas necessita não possuirá validade legal. Mais do que isso, a situação revela que a autoridade do governo sobre as forças policiais não existe mais, o que abre as portas para o imprevisível.

O preceito do interesse público

Nesse imbróglio, existem questões pertinentes que devem ser observadas, mas que demandariam um texto mais longo, o que não é o caso agora. Temas como hierarquia militar, planejamento orçamentário, eficácia gerencial, doutrina de segurança estabelecida em metas, legislação, condições de trabalho para o efetivo policial, entre outros. Tudo, no entanto, é bom lembrar, deve estar subordinado a um preceito elementar: o interesse público na preservação da ordem e da segurança da população.

O governo deveria desobstruir os canais de diálogos e se mostrar aberto a ouvir críticas e sugestões, mas se fecha desconfiado. Da mesma forma, policiais deveriam ir para a mesa de negociação desarmados (no sentido figurado), dispostos a entender eventuais limitações do poder público, cientes ainda de que, na condição de militares, existem limites legais para suas formas de reivindicação. Sobretudo, as partes precisam se respeitar para que a situação da segurança pública, que é responsabilidade de ambos, não deteriore ainda mais.

O inaceitável é a aposta, dos dois lados, de que o medo das pessoas possa servir de instrumento de pressão política.

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Governo Dilma investiu apenas 23,8% do previsto em segurança pública em 2012

Por Wanfil em Brasil

15 de Janeiro de 2013

Na previsão de gastos da União para 2012, R$ 3,1 bilhões seriam destinados para investimentos na área de segurança pública. Entretanto, de acordo com o site Contas Abertas, desse total, apenas R$ 738 milhões foram efetivamente aplicados.

Tenho certeza absoluta de que não faltam desculpas bem construídas para explicar o fracasso numa área essencial. Assim como na área econômica, a competência que falta ao governo para a gestão, sobra no gogó. Mas os números e os fatos estão aí, para quem quiser vê-los.

Por ano, oficialmente, 50 mil pessoas são assassinadas no Brasil. Número semelhante ao da guerra civil travada na Síria, em 18 meses foram 60 mil mortes. Diante do descalabro, o investimento feito em segurança de 2012 é pouco mais da metade do realizado em 2007, quando foram gastos R$ 1,2 bilhão. Como se os crimes tivessem reduzido na mesma proporção. Leia mais

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Governo Dilma investiu apenas 23,8% do previsto em segurança pública em 2012

Por Wanfil em Brasil

15 de Janeiro de 2013

Na previsão de gastos da União para 2012, R$ 3,1 bilhões seriam destinados para investimentos na área de segurança pública. Entretanto, de acordo com o site Contas Abertas, desse total, apenas R$ 738 milhões foram efetivamente aplicados.

Tenho certeza absoluta de que não faltam desculpas bem construídas para explicar o fracasso numa área essencial. Assim como na área econômica, a competência que falta ao governo para a gestão, sobra no gogó. Mas os números e os fatos estão aí, para quem quiser vê-los.

Por ano, oficialmente, 50 mil pessoas são assassinadas no Brasil. Número semelhante ao da guerra civil travada na Síria, em 18 meses foram 60 mil mortes. Diante do descalabro, o investimento feito em segurança de 2012 é pouco mais da metade do realizado em 2007, quando foram gastos R$ 1,2 bilhão. Como se os crimes tivessem reduzido na mesma proporção. (mais…)