Sistema Jangadeiro Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Sistema Jangadeiro

Camilo acertou ou errou ao deixar de ir ao debate?

Por Wanfil em Eleições 2018

23 de agosto de 2018

(FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

No debate promovido pelo Sistema Jangadeiro e pelo portal Focus.jor, o governador Camilo Santana, do PT, optou por não comparecer ao evento. Certamente sua equipe avaliou as circunstâncias, prós e contras, para definir sua estratégia. Os demais convidados, é claro, aproveitaram a oportunidade.

Durante o debate foi possível perceber algumas linhas de abordagem que deverão dar o tom neste início de campanha.

Ailton Lopes, do PSOL, insistiu no dualismo antagônico dos ricos contra pobres. Em linhas gerais, pareceu um discurso mais voltado para a própria militância;

General Theophilo, do PSDB, aproveitou para se apresentar. Naturalmente, fez menções ao senador Tasso Jereissati, seu correligionário e principal apoiador. Foi ajudado nesse sentido (involuntariamente) por Ailton Lopes;

Hélio Góis, do PSL, procurou marcar posição à direita. Fez questão de se apresentar como representante do presidenciável Jair Bolsonaro, também do PSL, de olho no seu eleitorado.

Todos, sem exceção, criticaram Camilo Santana e associaram sua ausência a uma postura inata do governador diante de situações mais difíceis, em referência ao avanço dos crimes no Ceará. Não concordo, nem discordo, só observo. Do outro lado, com recall alto e vantagem nas primeiras pesquisas, ainda sem a propaganda eleitoral que poderia repercutir mais ainda o debate, a ida de Camilo poderia render mais visibilidade aos adversários. Faz sentido, mas ao evitar a confrontação, abdicou de se defender.

Esse é precisamente o risco assumido pela equipe de Camilo (e logo o que mais pode expor o candidato), pois deu aos adversários a chance de projetar no governador uma imagem passiva e de frouxidão, quando a população quer pulso firme e determinação para reagir de fato ao avanço das facções.

Respondendo ao título deste post, Camilo acertou se tudo se mantiver como está, mas pode ter errado caso as coisas mudem de rumo com algum fato novo. É o tipo de ação que só pode ser avaliada mesmo, com precisão, retroativamente.

O fato é que as críticas dos opositores já eram esperadas, afinal, é eleição. O problema é se elas acabarem realçadas pelos fatos, potencializando eventuais desgastes, como agora, quando um dia após o debate, três policiais foram executados em Fortaleza. A notícia assusta porque é a repetição de uma rotina onde o poder público parece acuado, impotente como um púlpito vazio.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará)

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Focus Jangadeiro: mais que um projeto, um compromisso

Por Wanfil em Ao leitor

19 de julho de 2018

O Sistema Jangadeiro e o site Focus.Jor, do jornalista Fábio Campos, referência na análise política no impresso cearense e agora empreendedor digital, deram início a um projeto para a cobertura da eleições deste ano. Nessa parceria, como colunista político da Jangadeiro, represento os veículos do grupo. Não escrevi a respeito antes porque estava justamente imerso nos preparativos para as novidades.

O projeto vai muito além do programa Focus Jangadeiro, que estreou ontem na Tribuna Band News (101.7) e Rede Jangadeiro FM (para o interior). A experiência de convergência entre as plataformas Jangadeiro agora se expande para o compartilhamento de conteúdo e audiência com um site especializado em cobertura política, jurídica e econômica. Portal, site, redes sociais, rádios e televisão integrados para levar ao público informação e análise de qualidade.

Para mim, particularmente, uma dupla satisfação, pela responsabilidade confiada e pela oportunidade de trabalhar novos horizontes com pessoas que admiro na Focus e na Jangadeiro. Mais que um projeto inovador, é um compromisso. E isso é o principal. Compromisso com o bom jornalismo, com valores anunciados, entre os quais, as liberdades individuais e o empreendedorismo.

Não existe assunto tabu ou veto a convidados. Tudo e todos podem ser abordados, mas sempre a partir de uma premissa inegociável: o equilíbrio ao colocar os temas que tanto despertam paixões nos dias de hoje. Para falar – e até criticar – com proveito para leitores, ouvintes e telespectadores, é preciso ouvir com respeito.

O projeto está aberto, em construção. Sugestões serão lidas com carinho. Críticas também. O nosso compromisso, afinal, também – e principalmente – é com você.

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Debate Jangadeiro é marcado por duelo de imagens entre Wagner e RC

Por Wanfil em Eleições 2016

25 de outubro de 2016

O debate promovido pelo Sistema Jangadeiro entre os pretendentes a Prefeitura de Fortaleza nesta terça-feira (25) foi marcado pela por um duelo de imagens cuidadosamente planejadas por seus estrategistas.

Desde o início Capitão Wagner (PR) buscou ocupar uma posição ofensiva, alternando críticas à gestão do oponente e referências à própria trajetória humilde. Pontuou diversas vezes que o prefeito seria um político tradicional, amarrado por acordos com aliados. Já Roberto Cláudio (PDT), que tenta a reeleição, procurou trabalhar o perfil de candidato propositivo e moderado, reagindo ao concorrente acusando-o de ser despreparado para o cargo e agressivo por não ter propostas.

Cada aposta com seus riscos. Wagner de parecer demasiadamente negativo ou soar arrogante, o que gera antipatias; Roberto Cláudio de afigurar-se muito passivo diante de acusações diretas, condição que prejudica a imagem de líder para quem procurar brilhar por conta própria. Em apenas um momento o prefeito foi mais incisivo na defesa, na maior parte do tempo, limitou-se a lamentar a postura do republicano.

Um dos clichês mais conhecidos do marketing político é o que o desafio do debate é não errar, não cometer uma gafe ou ser surpreendido por um fato novo desconcertante. Sem isso, não há ganhadores e perdedores, No entanto, como eu disse no post anterior (Presença e ausência de aliados nas propagandas revela estratégias opostas na reta final), uma vez que a disputa está apertada, todo detalhe agora pode ser determinante.

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Debate Jangadeiro – Eunício e Camilo buscam o confronto como ele deve ser: intenso, mas com respeito ao público

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

De olho nos votos dos eleitores indecisos, os candidatos Eunício Oliveira (PMDB) e Camilo Santana (PT), que disputam o governo do Ceará, protagonizaram ataques e trocas de acusações durante o debate promovido pelo Sistema Jangadeiro de Comunicação, realizado nos estúdios da Tribuna Bandnews nesta segunda (20). Descontadas as diferenças de estilo e postura, a estratégia de ambos foi a mesma: buscar aumentar a rejeição ao adversário, que os especialistas chamam de “desconstrução”.

A lógica é simples. Empatados tecnicamente, com as pesquisas registrando uma diferença entre os dois menor do que a quantidade de indecisos, a prioridade é convencer esse eleitor a não votar no concorrente. Isso pode aumentar o número de votos nulos e brancos, mas a intenção mesmo é evitar o crescimento do oponente nessa reta final e, de quebra, conquistar votos na condição de opção menos ruim para esse grupo. Qualquer um por cento a mais ou a menos pode ser a diferença entre a vitória e a derrota.

Assim, durante o debate, Eunício Oliveira, que já foi ministro das Comunicações no governo Lula, fez questão de ressaltar que Camilo Santana nunca ocupou cargos de relevância nacional, para destacar a inexperiência do petista, que acusou o golpe ao responder em outro bloco: “Posso não ter audiência com o Lula, mas tenho com o povo”. Por sua vez, Camilo afirmou que Eunício nunca teria ido a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em Fortaleza, na tentativa de mostrar um candidato distante das pessoas, especialmente dos mais pobres.

Em outro momento, Eunício disse que não tem patrão e que Camilo seria controlado pelo governador Cid Gomes (PROS). De outra feita, Camilo afirmou o peemedebista desconhece as ações do governo estadual por não passar muito tempo no Ceará.

No geral, como está numericamente atrás do petista, ainda que em situação de empate técnico, e sabendo da força da máquina no dia da eleição, Eunício assumiu uma postura mais contundente, mas foi habilidoso para não deixar espaço para pedidos de direito de resposta. Ao ser indagado por um ouvinte sobre corrupção, Eunício disse que trabalharia para aprovar uma lei que impedisse pessoas com bens bloqueados na justiça de serem candidatos. Foi uma indireta clara para o adversário que, no entanto, manteve, dentro dos limites possíveis, a cabeça fria e não passou recibo.

O mais difícil nesse jogo de desconstrução do adversário é controlar as emoções e os impulsos. Uma resposta errada, mais agressiva, pode render efeito contrário. No entanto, mesmo nos momentos mais tensos, tanto Eunício como Camilo evitam as adjetivações grosseiras. Em vez de “mentiroso”, preferem acusar um ao outro de “faltar com a verdade”. Esse é um detalhe de grande relevância. O confronto faz parte do embate eleitoral, mas não devemos confundir o ataque legítimo que pode ser necessário em determinado momento de uma campanha, com baixaria, que é coisa diferente.

Os debates locais têm se mostrado mais elegantes do que os nacionais, para presidente. Provavelmente isso reflete a natureza dos dois candidatos ao governo estadual, políticos de características conciliatórias e experiência no parlamento, ao contrário da disputa presidencial, onde a campanha candidata à reeleição adota uma postura de beligerância que só tem paralelo com a campanha de Collor contra Lula, em 1989, que hoje, inclusive, são aliados. Prova de que o exagero não passa mesmo de teatro eleitoral.

Eunício e Camilo estavam ali lutando o voto dos indecisos, imersos em ambiente de disputa acirrada e cercados de aliados que atiçam os nervos, mas conseguiram mostrar equilíbrio e respeito pelo público. Caberá aos indecisos dizerem nas urnas quem se saiu melhor.

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Debate Jangadeiro: as estratégias na reta final

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de outubro de 2014

Debate JangadeiroO debate realizado pelo Sistema Jangadeiro refletiu o clima desse final de campanha. Via de regra, ocasiões específicas costumam reproduzir o panorama geral na qual estão inseridas. Se uma campanha ataca um oponente de forma dura, qualquer debate que aconteça sob o efeito dessa ação será igualmente conflituoso; se o embate acontece quando os ânimos estão mais comedidos, a tendência é que seja menos agressivo. É uma tautologia, é verdade, mas serve para mostrar que nada é improvisado e os movimentos são calculados antes de qualquer execução.

O momento mais agudo da campanha para o governo do Ceará aconteceu entre o final da semana passada e o início desta, com o surgimento do escândalo dos “banheiros fantasmas” e a consequente troca de acusações entre Eunício Oliveira, do PMDB, e Camilo Santana, do PT, que lideram as pesquisas. Com o fim da propaganda eleitoral no rádio e televisão, a intensidade dessa etapa foi reduzida, pelo menos publicamente.

Assim, como o debate do Sistema Jangadeiro foi último confronto direto entre os candidatos nessa campanha, a maior preocupação dos participantes foi não errar.

Favoritos reforçam discursos
Os favoritos trataram de reforçar suas estratégias de comunicação. Camilo Santana, do PT, se apresentou como continuidade do projeto liderado pelo governador Cid Gomes. Nessa condição, aproveitou mais uma vez qualquer para apresentar números oficiais cuidadosamente escolhidos, com a intenção de mostrar que a atual administração é um sucesso absoluto.

Por outro lado, Eunício Oliveira, do PMDB, afirmou que é possível sim melhorar a gestão, principalmente nas áreas em que o governo é mais reprovado pela população, notadamente segurança pública e saúde. Apresentou-se então como gestor experiente e de sucesso nos setores privado e público, capaz de colocar ordem na casa.

Desconstrução
Já Eliane Novais, do PSB, e Ailton Lopes, do Psol, buscaram novamente desconstruir os discursos principais candidatos, no papel de polemizadores do debate. Como a chance de vitória dessas candidaturas é praticamente impossível, a intenção parece ser demarcar espaço como forças de oposição ao futuro governo, ganhe quem ganhar. Política de longo prazo.

Agora é com o eleitor
A bola agora está com o eleitor, que terá três dias para fazer um balanço do que viu na campanha, trocar impressões com outros eleitores, avaliar as posturas candidatos e comparar históricos. Ah, também é a hora das autoridades responsáveis pela lisura do pleito mostrarem serviço para conter eventuais abusos.

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Um adjetivo para Wanderley Pereira

Por Wanfil em Crônica

10 de Março de 2014

Coluna Política desta segunda-feira, na Tribuna Bandnews 101,7

[haiku url=”http://tribunadoceara.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2014/03/POLITICA-WANDERLEY-FILHO_-1003_-UM-ADJETIVO-PARA-WANDERLEY-PEREIRA_209¨.mp3“]

Peço licença a você que me ouve para tratar de outro assunto neste espaço dedicado – como o próprio nome diz – à política.

É que no último sábado o Sistema Jangadeiro perdeu um de seus idealizadores e seu grande entusiasta, o jornalista Wanderley Pereira, que após 71 anos, deixou o mundo material para voltar à sua forma espiritual.

De Wanderley Pereira herdei o nome, o sangue e a paixão pelas palavras. E tive, pela graça de Deus, a satisfação de poder trabalhar com ele aqui, no Sistema Jangadeiro, por cinco anos. Esse é um privilégio que poucas pessoas podem desfrutar: ter na pessoa do pai um amigo e um colega de trabalho que, na verdade, sempre foi uma luz a me guiar. E uma luz rara, preocupada em não ofuscar ninguém, só em clarear caminhos.

Em minhas lembranças de menino, recordo-me das redações do Jornal do Brasil e da revista Veja, onde Wanderley Pereira – que nasceu na pacata Uruburetama, um legítimo pau de arara, como ele se definia – brilhou como um dos grandes jornalistas do Brasil. Dos tempos de Brasília, lembro-me de suas conversas animadas com colegas como Alexandre Garcia, Dora Kramer, Paulo Henrique Amorim, Antônio Brito, José Nêumane Pinto, Elio Gaspari, entre outros.

Trabalhou também com os melhores do Ceará, que de tantos, não arrisco citar nomes para não cometer injustiças, caso esqueça algum.

E apesar desse currículo, Wanderley Pereira era simples. Muito simples. Hoje uso o computador que foi dele aqui na Jangadeiro, a sua segunda casa. Sei que é impossível superá-lo ou mesmo igualá-lo, mas levarei para sempre comigo o seu conselho fraternal: “Meu filho, seja ponderado e tenha cuidado com os adjetivos, muito cuidado com os adjetivos”.

Assim, me despeço de Wanderley Pereira ponderando bem para escolher um adjetivo que lhe faça justiça e ainda expresse minha gratidão por tudo: pai, você foi, simplesmente… extraordinário!

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Um adjetivo para Wanderley Pereira

Por Wanfil em Crônica

10 de Março de 2014

Coluna Política desta segunda-feira, na Tribuna Bandnews 101,7

[haiku url=”http://tribunadoceara.com.br/blogs/wanderley-filho/files/2014/03/POLITICA-WANDERLEY-FILHO_-1003_-UM-ADJETIVO-PARA-WANDERLEY-PEREIRA_209¨.mp3“]

Peço licença a você que me ouve para tratar de outro assunto neste espaço dedicado – como o próprio nome diz – à política.

É que no último sábado o Sistema Jangadeiro perdeu um de seus idealizadores e seu grande entusiasta, o jornalista Wanderley Pereira, que após 71 anos, deixou o mundo material para voltar à sua forma espiritual.

De Wanderley Pereira herdei o nome, o sangue e a paixão pelas palavras. E tive, pela graça de Deus, a satisfação de poder trabalhar com ele aqui, no Sistema Jangadeiro, por cinco anos. Esse é um privilégio que poucas pessoas podem desfrutar: ter na pessoa do pai um amigo e um colega de trabalho que, na verdade, sempre foi uma luz a me guiar. E uma luz rara, preocupada em não ofuscar ninguém, só em clarear caminhos.

Em minhas lembranças de menino, recordo-me das redações do Jornal do Brasil e da revista Veja, onde Wanderley Pereira – que nasceu na pacata Uruburetama, um legítimo pau de arara, como ele se definia – brilhou como um dos grandes jornalistas do Brasil. Dos tempos de Brasília, lembro-me de suas conversas animadas com colegas como Alexandre Garcia, Dora Kramer, Paulo Henrique Amorim, Antônio Brito, José Nêumane Pinto, Elio Gaspari, entre outros.

Trabalhou também com os melhores do Ceará, que de tantos, não arrisco citar nomes para não cometer injustiças, caso esqueça algum.

E apesar desse currículo, Wanderley Pereira era simples. Muito simples. Hoje uso o computador que foi dele aqui na Jangadeiro, a sua segunda casa. Sei que é impossível superá-lo ou mesmo igualá-lo, mas levarei para sempre comigo o seu conselho fraternal: “Meu filho, seja ponderado e tenha cuidado com os adjetivos, muito cuidado com os adjetivos”.

Assim, me despeço de Wanderley Pereira ponderando bem para escolher um adjetivo que lhe faça justiça e ainda expresse minha gratidão por tudo: pai, você foi, simplesmente… extraordinário!