Transpetro Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Transpetro

Delação de Sérgio Machado deixa claro: as estatais não são do povo

Por Wanfil em Corrupção

16 de junho de 2016

A delação do ex-presidente da Transpetro, indicado para o cargo por Renan Calheiros e nomeado por Lula e reconduzido ao cargo por Dilma, tornada pública ontem, entrega meio mundo de políticos, especialmente do PMDB e do PT, mas também do PC do B, PSDB, PSB, PP E DEM.

Dois dias antes o site Congresso em Foco publicou documento da Procuradoria-Geral da República em que Rodrigo Janot afirma o seguinte: “Lula é investigado pela suspeita de que, no exercício do mandato presidencial, tenha atuado em posição dominante na organização criminosa que se estruturou para obter, mediante nomeações de dirigentes de estatais do setor energético, em especial a Petrobras S/A, a BR Distribuidora S/A e a Transpetro S/A, vantagens indevidas de empresas prestadoras de serviços, em especial de construção civil”.

Tudo isso precisa ser investigado e devidamente comprovado, etc., etc. Ocorre que de todo modo, somadas essas novas denúncias com o conjunto de delações feitas por executivos, empreiteiras e políticos, está claro que as estatais e os bancos públicos são roubados sistematicamente por corruptos sem distinção partidária ou ideológica, com fins de enriquecimento pessoal ou financiamento para projetos políticos.

Reação
Por tudo isso, tão importante quanto punir esses criminosos é acompanhar a tramitação da chamada Lei de Responsabilidade das Estatais (PLS 555/2015), relatada pelo senador Tasso Jereissati e aprovada em março passado. O projeto estabelece regras para a profissionalização das estatais, como a exigência de experiência dos indicados na área ou a quarentena para a nomeação de dirigentes partidários ou sindicalistas nessas empresas.

A matéria foi enviada para a Câmara dos Deputados, que nana maior cara dura, em votação realizada ontem (15), afrouxou a nova lei para não dificultar tanto a nomeação de apadrinhados, que hoje serve em grande medida aos propósitos revelados por Sérgio Machado e outros tantos.

Agora a lei modificada voltará ao Senado. É preciso vigilância total para que as descabidas mudanças no projeto sejam anuladas, de forma que as estatais não apenas deixem de ser assaltadas, como possam também ser mais transparentes e eficientes.

Sugestão
E aproveitando a deixa, o governo do Ceará e os deputados estaduais deveriam propor lei semelhante. A ideia de colocar profissionais experientes no lugar de correligionários incompetentes pode assustar muitos partidos, mas certamente o eleitor agradeceria.

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As gravações de Sérgio Machado mostram a atualidade de Nelson Rodrigues

Por Wanfil em Corrupção

30 de Maio de 2016

Nunca o Brasil foi tão profundamente rodriguiano como nos dias que vivemos. O instrumento da delação premiada, por exemplo, é a materialização jurídica de uma das tiradas de Nelson Rodrigues: “A fidelidade deveria ser facultativa“. Nosso maior dramaturgo não acreditava na fidelidade como promessa, mas como expressão de cinismo. Por isso também dizia que “só o cúmplice é fiel“. Fiel, porém, aos próprios interesses.

Vejamos o caso das gravações feitas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, de conversas com Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá. Os trechos vazados mostram que parte do PMDB, frustrada com o fracasso de Dilma e Lula em frear a Lava Jato, tentava desesperadamente transformar o impeachment numa manobra contra a operação. Flagrados, esses medalhões acabaram mais expostos do que nunca. Na verdade, chamaram a atenção para a manutenção dos cuidados necessários para preservar as investigações.

O fato é que a fidelidade prometida pelas conveniências da cumplicidade entre políticos agora é facultativa, diante da ameaça de prisão de alguns. É delicioso imaginar a paranoia, a desconfiança e o medo que hoje atinge os casamentos arranjados entre corruptos, que daqui em diante, ao iniciarem seus namoros ainda nas eleições, levarão consigo, intuitivamente, outra máxima de Nelson Rodrigues: “No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte“. Em politiquês, significa dizer que o aliado de hoje pode ser o delator de amanhã. Assim, nunca mais poderão confiar em ninguém, nem em quem tem o rabo preso e talvez, nem em si mesmos.

Nelson Rodrigues é eterno.

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As gravações de Sérgio Machado mostram a atualidade de Nelson Rodrigues

Por Wanfil em Corrupção

30 de Maio de 2016

Nunca o Brasil foi tão profundamente rodriguiano como nos dias que vivemos. O instrumento da delação premiada, por exemplo, é a materialização jurídica de uma das tiradas de Nelson Rodrigues: “A fidelidade deveria ser facultativa“. Nosso maior dramaturgo não acreditava na fidelidade como promessa, mas como expressão de cinismo. Por isso também dizia que “só o cúmplice é fiel“. Fiel, porém, aos próprios interesses.

Vejamos o caso das gravações feitas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, de conversas com Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá. Os trechos vazados mostram que parte do PMDB, frustrada com o fracasso de Dilma e Lula em frear a Lava Jato, tentava desesperadamente transformar o impeachment numa manobra contra a operação. Flagrados, esses medalhões acabaram mais expostos do que nunca. Na verdade, chamaram a atenção para a manutenção dos cuidados necessários para preservar as investigações.

O fato é que a fidelidade prometida pelas conveniências da cumplicidade entre políticos agora é facultativa, diante da ameaça de prisão de alguns. É delicioso imaginar a paranoia, a desconfiança e o medo que hoje atinge os casamentos arranjados entre corruptos, que daqui em diante, ao iniciarem seus namoros ainda nas eleições, levarão consigo, intuitivamente, outra máxima de Nelson Rodrigues: “No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte“. Em politiquês, significa dizer que o aliado de hoje pode ser o delator de amanhã. Assim, nunca mais poderão confiar em ninguém, nem em quem tem o rabo preso e talvez, nem em si mesmos.

Nelson Rodrigues é eterno.