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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

violência

Roubos caem, apreensão de drogas e armas sobe, mas homicídios disparam no Ceará: seguro ou inseguro?

Por Wanfil em Segurança

18 de julho de 2017

Números oficiais apontam para direções opostas na Segurança (Divulgação SSPDS)

O secretário de Segurança Pública, André Costa, divulgou nesta -terça-feira em coletiva de imprensa números relativos ao trabalho de combate ao crime no primeiro semestre de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado:

Apreensão de drogas: amento de 117,6%
Apreensão de armas: aumento de 26,6%
Prisões qualificadas (assaltantes, traficantes, homicidas e pessoas portando armas):  aumento de 8,9%
Latrocínios: queda de 8,2%
Roubos e furtos a bancos: queda 12,1%

São bons números, é inegável. Ocorre que na contramão desses resultados positivos, os homicídios têm registrado grande aumento. De acordo com dados da própria SSPDS divulgados no início de julho, os assassinatos aumentaram 31,9% no primeiro semestre de 2017. Em junho, os números subiram 91% em relação ao mesmo mês do ano passado. Na capital, o crescimento foi de 217,7%.

Nesse caso o problema, e sempre existe um problema, é que os relatórios nacionais e internacionais de segurança pública levam em consideração, na hora de fazer os rankings da violência, o índice de homicídios, onde o Ceará tem aparecido nas primeiras colocações.

Estamos diante de um contraste estatístico que aponta duas direções aparentemente opostas. A não ser que a morte de bandidos numa guerra de quadrilhas esteja puxando os demais índices para baixo, algo difícil de conceber, posto que seria a bandidagem tratando de reduzir a criminalidade à bala.

Resta ainda a possibilidade de que o aumento nas apreensões esteja relacionado a um provável aumento na circulação de armas e drogas, decorrente de um ambiente mais inseguro.

Por fim, resta saber se o cidadão se sente mais ou menos seguro. Se tivesse que apostar, diria que o impacto dos homicídios ofuscam a melhora nos demais itens.

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Autoridades em busca de explicações para a insegurança no Ceará

Por Wanfil em Segurança

11 de julho de 2017

O governador Camilo Santana defendeu a criação de uma lei que obrigue bancos gastem mais com segurança, de modo a inibir ataques a agências no interior do Ceará. Embora pareça uma solução, seria apenas um paliativo, já que as quadrilhas continuariam a cometer crimes, variando talvez de método e de alvos. A ideia foi anunciada em entrevista à rádio Tribuna Band News nesta terça-feira (11).

Na terça passada (4), o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, afirmou que o secretário de Segurança, André Costa, “precisa da ajuda da população para que seu projeto tenha sucesso”. Bom, se dependesse da vontade consciente da população, a violência jamais teria chegado aos patamares atuais, não é mesmo?

Já o secretário Costa, comentando na última sexta (7) o aumento de 91% nos homicídios em junho deste ano, comparado com junho de 2016, criticou o judiciário e a superlotação carcerária. Em resposta, o presidente do Tribunal de Justiça, Gladyson Pontes, disse que falta de educação para os jovens.

Fica evidente que apesar das boas intenções, e delas o inferno está cheio, cada autoridade aponta para um lado. Não há um discurso coeso, uma avaliação compartilhada. Na mesma entrevista à Band News, Camilo avaliou que a insegurança é uma combinação de causas diversas, no que tem razão. O desafio, portanto, é unir ações a partir de valores e de políticas públicas consensuais entre os responsáveis por encaminhar saídas para o problema.

Não é o que parece acontecer. O programa Ceará Pacífico, inspirado na experiência de Pernambuco, ensaiou caminhar nesse sentido, mas os números e as falas mostram o contrário.

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Cartão de visitas do crime

Por Wanfil em Segurança

08 de Fevereiro de 2017

Os homicídios voltaram a crescer no Ceará. No mês passado o novo secretário de Segurança, André Costa, ganhou notoriedade ao participar de ações policiais de “Operação Cartão de Visitas’. Em seguida, causou alguma polêmica ao afirmar, em entrevista coletiva, que criminosos poderiam decidir entre a rendição ou o enfrentamento com a polícia, situações colocadas na ocasião como escolha entre Justiça ou cemitério.

Ao comentar aqui no blog sobre as declarações do secretário, que considero até mesmo um tanto tautológica, pois é mais do que justo que policiais reajam a ataques de criminosos, adverti para a “grande distância entre falar o que a maioria quer ouvir e efetivamente resolver o problema”.

Pois bem, o Governo do Ceará, como tem feito mensalmente, sempre com a presença do governador Camilo Santana, divulgou nesta segunda o número de homicídios no Estado. Em janeiro de 2017 o aumento foi de 46,5%, em relação com dezembro de 2016, quebrando a sequência de reduções do ano passado. Em Fortaleza, o aumento foi de 26,8%, em comparação com janeiro de 2016.

O estrago na última década foi grande demais para ser resolvido de uma hora para outra.

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Sossego da comunidade

Por Wanfil em Segurança

30 de junho de 2016

A foto que ilustra esta postagem tem circulado em grupos do WhatsApp em Fortaleza. Até que ponto a mensagem é verídica não é possível dizer.Comunicado

Imagens com cartazes semelhantes fixados em postes e muros da capital e de cidades do interior também circulam pelo aplicativo e ganham outras redes sociais.

Sobre isso, duas considerações:

1 – Rumores anteriores sobre supostos acordos de paz entre grupos de traficantes em Fortaleza e Sobral para levar tranquilidade aos seus pontos de drogas reforçam a “credibilidade” dos cartazes. Por coincidência, os homicídios de jovens caíram mais significativamente na capital após os boatos de pacto entre gangues. O governo nega que seja por isso.

2 – Caso exista mesmo relação direta entre a redução da violência e acordos entre facções de bandidos, estaremos vivendo o inacreditável paradoxo de ver a violência e o crime sendo combatidos por criminosos violentos, assumindo o papel de garantidores do “sossego da comunidade”.

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Bandido bom é bandido… preso!

Por Wanfil em Segurança

24 de Maio de 2016

As rebeliões nos presídios cearenses expuseram com muito sangue a crise no sistema carcerário do Estado. Mais informações no post Força Nacional de Segurança no Ceará. É um tema delicado para qualquer governo. De um lado, a obrigação de manter um sistema carcerário eficiente e do outro a população ressentida dos criminosos e da violência.

Bandido bom é bandido morto
Assim, não é raro ouvirmos gente insuspeita dizendo que bandido bom é bandido morto, como forma de desabafo e indignação. Com o noticiário das rebeliões, vi uma amiga, pessoa de bem, escrever que não consegue “ter empatia” pelo sofrimento desses criminosos. Quem consegue, não é mesmo?Outro afirmou que “não dá para ter pena desses marginais”. Realmente, é difícil. E um terceiro, pessoa cordata e doce, disparou: “Quem morre ali são os mais perigosos, eles que se entendam”. Não dá mesmo para chorar.

São reações compreensíveis, afinal, é praticamente impossível nutrir algum tipo de compaixão por quem mata, estupra, sequestra, mata e rouba, sem parecer um masoquista. De certo modo, concluímos, eles, os marginais, merecem um fim doloroso.

Quem decide o que é certo?
Esse é o ponto. Bandido que morre em confronto com a polícia, em última análise, é também vítima das escolhas que fez. Antes ele do que o policial que se arrisca em serviço. No entanto, uma vez capturado e encaminhado para um presídio, muitas vezes por crimes de menor gravidade, como furto, as coisas mudam do ponto de vista ético e moral.

Também não tenho empatia por criminosos. E por isso mesmo entendo que estou obrigado a tratá-los de acordo com aquilo o que eles não aceitam: o respeito à lei e à condição de ser humano. Tolerar (ou apostar) na selvageria em presídios como método de assepsia é investir na cultura da violência, é dar-lhes razão quanto aos métodos de ação. Por isso, bandido bom é bandido preso, cumprindo a pena até o final em condições adequadas, sem regalias, mas também sem degradação. Bandido bom é bandido submetido às regras que entendemos serem as corretas e não às que eles mesmos imaginam como certas.

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Homicídios caem no Ceará após 17 anos: veja como foi a evolução da violência nesse período

Por Wanfil em Segurança

12 de Janeiro de 2016

O Ceará registrou em 2015 uma queda de 9,5% no número de “Crimes Violentos Letais Intencionais”. O próprio governo reconhece que ainda são índices ainda são muito altos, mas sem bem observadas as circunstâncias e a conjuntura, estancar o aumento de homicídios é um feito que merece reconhecimento, devidamente creditado a atual gestão.

Em entrevista coletiva, o governador Camilo Santana ressaltou o peso desses dados: “Depois de 17 anos — eu gosto de frisar esse número porque 17 anos não são 17 meses nem 17 dias — nós conseguimos uma redução.

É verdade. Por isso mesmo é preciso situar muito bem esses dados, para não correr o risco de repetir erros passados, identificando quando e como a situação degenerou a ponto de fazer do Ceará um dos estados mais violentos do Brasil.

Tempo senhor da razão
Se por um lado é justo que o governo ressalte os 17 anos de crescimento da violência para mostrar o tamanho do desafio, por outro não se pode perder de vista que a evolução da criminalidade nesse período não foi diluída gradualmente, em partes iguais, como se fosse fenômeno dissociado da atuação de governos locais.

Pelo contrário, houve saltos que foram registrados na linha do tempo, como podemos ver no Mapa da Violência, com informações coletadas entre 2002 e 2012.

Tagela Mapa da Violência

Não é o caso de comparar a pesquisa com os números da Secretaria de Segurança, pois as metodologias podem ser distintas. O que vale aqui é o paralelo entre os anos e os demais estados comparados dentro de uma mesma metodologia.

Pelo Mapa, as taxas de homicídios no Ceará passaram a crescer mais aceleradamente a partir de 2006, último ano da gestão Lúcio Alcântara, então no PSDB. Foi aí que Cid Gomes, na época candidato pelo PSB, apareceu prometendo resolver o problema.

Entretanto, uma vez eleito, foi justamente nessa gestão que a situação piorou, degringolando de vez entre 2011 e 2012, quando a taxa subiu impressionantes 36,5% (o dobro do segundo maior aumento, em Sergipe), saltando de 32,7 para 44,6 mortes por grupo de 100 mil habitantes.

Outras amostras
Em outro levantamento, feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, a taxa de homicídios no Ceará em 2014, último ano de Cid no governo, chegou a 46,76 por 100 mil habitantes.

tabela-taxa-homicidios 2

Já pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a taxa em 2014 chegou a 48,6.

Tabela anuário

Conclusão
Em 17 anos, a violência cresceu, é fato. Como também é fato que ela explodiu mesmo nos oito anos que precederam 2015. E o que isso significa? Que esse período deve ser estudado como um case invertido, um modelo de como não proceder em segurança pública.

De certa maneira, isso até aumenta a dimensão do feito em 2015, pois a gestão Camilo recebeu o Estado em posição crítica, no pior momento da segurança em sua História.  A construção desse desastre, pelos números, foi uma soma que em determinado momento se agravou localmente de modo intenso, o que revela relação direta entre a insegurança e um modo de fazer política que, se em outras áreas foi bem sucedido, fracassou na segurança como nunca antes se viu, não obstante tentativas de acerto.

Ter isso em mente foi o primeiro passo para começar a reverter esse quadro.

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Quem diria: agora o Capitão Wagner é gente boa

Por Wanfil em Segurança

09 de Janeiro de 2015

As voltas que o mundo dá… Há menos de um mês o Capitão Wagner, liderança entre policiais do Ceará, era apontado pelo agora ex-governador Cid Gomes e seu irmão Ciro Gomes como causa principal dos problemas de segurança no Ceará nos últimos anos, sendo acusado de liderar uma suposta milícia e de agir com interesses meramente eleitorais. Pois agora o governador Camilo Santana (PT) fez o que parecia inimaginável: recebeu Wagner no Palácio da Abolição, na condição de deputado estadual eleito pelo PR e interlocutor legítimo para assuntos de segurança.

A conversa foi mais uma entre os vários encontros individuais que o governador tem feito com deputados estaduais, mas, de todas, a audiência com Wagner, policial militar que liderou uma paralisação da categoria entre o final de 2011 e início de 2012, era a que gerava mais expectativas.

É simplesmente o mais inteligente a ser feito. Se de um lado realmente é preocupante a existência de movimentos que ameacem o sentido de hierarquia nas corporações militares, de outro é inegável que a relação da gestão Cid com os policiais se desgastou até se transformar numa crise de autoridade que degenerou para uma crise institucional, que por fim agravou ainda mais a insegurança no estado, já cambaleante, com índices obscenos de criminalidade, políticas públicas equivocadas e investimentos caros sem retorno. Assim, ao tentar personalizar esse processo na figura de uma única pessoa para fazê-la de bode expiatório da violência, a gestão Cid acabou catapultando a liderança do Capitão – em que pese eventuais críticas ao seu discurso -, para além dos limites da militância corporativa. A reação intempestiva e inábil das autoridades fez com que parte considerável do eleitorado passasse a ver nele o contraponto de protesto contra a situação precária da segurança e o elegesse com votações recordes para vereador e deputado estadual.

Por tudo isso, a nova gestão, ao contrário da anterior, não pretende, ao que tudo indica, enveredar pelo caminho da confrontação. Seria burrice. Os militares também acenam com uma postura mais amistosa. Para não ficar apenas nas palavras, no mesmo dia do encontro o governo anunciou a troca no comando da PM. O novo secretário de Segurança, Delci Teixeira, já trocou elogios públicos com o Wagner. Ficou decidido ainda que o deputado será recebido pelo chefe de gabinete Hélcio Batista e pela vice-governadora Isolda Cela, para tratar sobre reivindicações dos policiais e questões de segurança pública. Como dizem os mais jovens: bufo!

Ao ver essa mudança, fico aqui pensando nos comissionados e terceirizados pendurados nas repartições públicas (herança que lamentavelmente não entrou, por questões políticas, no corte dos gastos de custeio da nova administração), bem como em alguns secretários, assessores e deputados que saíram pelas redes sociais esculhambando o Capitão Wagner na campanha eleitoral. E agora? Poderiam ficar indignados e pedir para saírem, ou romperem com o governo acusando traição, mas algo me diz que ficarão caladinhos. São lindos, eles.

Se esse movimento de diálogo e aproximação vai render dividendos, eu não sei. Espero, pelo bem geral, que sim. Agora é possível dizer apenas que os primeiros passos rumo a uma solução estão sendo dados. Governo e policiais parecem ter consciência de que a intransigência é o pior caminho para quem deseja realmente negociar. Enquanto isso, resta esperar e torcer para que tudo se desenrole de maneira positiva e que enfim os responsáveis pela segurança pública – autoridades, oficiais e tropa -, possam finalmente focar sua atenções no combate ao crime e na redução dos índices de violência. Isso é o que realmente interessa.

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O crime cresce no Ceará e o que fazem o Executivo e o Legislativo? Reduzem penas para os criminosos!

Por Wanfil em Segurança

06 de dezembro de 2014

Nesta semana a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou o projeto de lei, de iniciativa do Executivo, que prevê a redução de pena para detentos que lerem obras literárias. Para cada livro, quatro dias a menos de cadeia, podendo chegar a 48 dias por ano. Por que um livro vale quatro dias e não três ou cinco? Não sei e acredito que nenhum parlamentar saiba. No entanto, vale aqui refletir sobre a essência da matéria.

A ideia de ajudar presos a voltarem ao convívio social é válida como princípio humanista. Isso não se questiona. Se reduzir penas contribui para isso, aí é discutível. Especialistas têm posições diversas a respeito. José Dirceu leu um monte de livros na Papuda. Se hoje é uma pessoa melhor, é um mistério. A questão, nesse caso do Ceará em particular, é o modo e a hora. O “quando” e o “como”, sem esquecer ainda o “quem”. Vou explicar melhor o raciocínio.

Vamos começar pelo “quem”. A política de segurança pública da gestão Cid Gomes, idealizadora do projeto, é um retumbante fracasso, não obstante acertos e méritos em outras áreas. Nunca o crime cresceu tanto como nos últimos oito anos. Segundo o  Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2014, o Ceará tem a segunda maior taxa de homicídios do Brasil. Em 2006 o Estado era o 15º nesse ranking. Pois bem, a pedido dessa gestão, a proposta foi endossada pela base aliada na Assembleia Legislativa. Somente os deputados Heitor Férrer (PDT) e Daniel Oliveira (PMDB) foram contra. Trata-se da mesma base que fechou os olhos para a degradação dos índices de segurança durante esse tempo e que acusou de “pessimistas” os críticos da política em vigor. Faltam-lhes, pois, condições de liderança para agir nesse sentido.

De qualquer jeito, são esses que aparecem agora no último mês do último ano de mandato (olha o “quando”), no apagar das luzes da atual legislatura, para posarem de autoridades ciosas e operantes, preocupadas com a reinserção de presos. No fundo, estão a repetir a cantilena de que tudo não passa de uma questão social, de compreender a psicologia e a sociologia do crime, de ser menos ostensivo e mais compreensivo, de modo que a presente situação possa ser imputada aos limites da condição humana e não à incompetência administrativa e política dessas mesmas autoridades. Como se isso fosse a prioridade do momento. Ora, ajudem a melhorar, senhores, as condições de trabalho da polícia e dos presídios! Seria bem mais útil.

Agora vamos ao “como”. Eu já disse que o debate sobre a ressocialização de presos é legítima. Ocorre que, diante de uma crise de segurança como a que vivemos é preciso antes discutir como reduzir a criminalidade. É tautológico, mas é isso. O italiano Cesare Beccaria já dizia no clássico Das Penas e dos Delitos (1746), que “o rigor das penas deve ser relativo ao estado atual da nação”. Com efeito, o atual estado no Ceará é de conflagração aberta, com vantagem para os criminosos. Beccaria também acreditava que a melhor forma de prevenir os crimes “é a certeza do castigo”. Ou seja, a impunidade estimula o criminoso. No Ceará, existem quase 60 mil mandados de prisão em aberto, segundo o Ministério Público. Boa parte da onda de violência nasce dessa incapacidade de punir bandidos. Mas para o Executivo e o Legislativo no Ceará, a solução é abrandar as penas daqueles que, eventualmente, foram presos. Depois ficam surpresos como tanto investimento em segurança não gerou resultados.

PS. Não estou pregando aqui a violência contra detentos, maus tratos, essas coisas. A prisão deve refletir o sentido de Justiça para proteger, acima de tudo, as pessoas de bem. Se der para recuperar, ótimo, se não der, que o indivíduo seja segregado do convívio com os demais. O momento é de mostrar rigor na aplicação da lei. “Tolerância Zero”. E isso vale também para o Judiciário na hora de ajudar a debelar essa crise. Pedir com jeitinho não vai assustar bandido. É preciso a certeza da punição, da prisão que não seja chamada de “engorda” ou que seja vista como mero contratempo, para intimidar a criminalidade. 

 

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Camilo diz que governo sabe quando e onde os crimes acontecem. Ótimo! Se é assim, só falta agir!

Por Wanfil em Segurança

21 de novembro de 2014

Atenção para a fala do governador eleito Camilo Santana (PT), em entrevista concedida após reunião com a equipe de transição, na quinta-feira (20), para avaliar a situação da segurança pública.

“Hoje o nível de tecnologia, o nível de organização da polícia hoje no Ceará na segurança evoluiu tanto, que hoje a gente sabe onde é que são as áreas mais críticas, os horários que acontecem o maior número de homicídios ou de crimes.”

Repare que o novo governador enfatiza bem o tempo presente com a repetição do advérbio “hoje”. É um tributo ao ainda governador Cid Gomes (Pros), seu padrinho político. Não há o antes, só o agora dotado de qualidades inéditas. Se é assim, é uma boa notícia, uma vez que sabendo onde e quando os crimes acontecem, basta agora partir para a ação. Fica até difícil explicar por qual razão os índices de criminalidade não caíram vertiginosamente. Por incrível que pareça ao governador eleito, o Ceará hoje é o segundo estado mais violento do Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 2006, o Estado ocupava a 15ª posição.

O problema desse excesso de zelo para não ferir suscetibilidades é deixar de ver a realidade. Isso não implica em falta de reconhecimento a respeito desses investimentos, mas se não houver a aceitação de que o modelo adotado hoje falou, não será possível fazer as devidas correções para o próximo ano, para o amanhã.

A experiência dos últimos oito anos mostra que esse investimento em equipamentos e tecnologia não foi o bastante. Evidentemente Camilo não precisa sair criticando a gestão Cid, que isso seria deselegante, mas é importante ter em vista que o desastre – e a palavra é essa mesmo – na segurança pública do Ceará é político. Na verdade, faltam rumo e liderança. E isso não pode ser comprado.

É preciso deixar claro desde o início que a política da nova gestão é de tolerância zero, que polícia e governo são parceiros, que a máquina está realmente organizada para atuar de forma coordenada. A crise de segurança, repito quantas vezes for necessário, é antes uma crise de autoridade que só pode ser debelada com pulso firme e sem tergiversações.

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Enquanto bandidos caçam policiais no Ceará, políticos homenageiam políticos

Por Wanfil em Política

03 de junho de 2014

Enquanto o pau canta no Ceará, políticos trocam homenagens entre si: medalhas e títulos para comemorar o quê?

O pau canta no Ceará e políticos trocam homenagens entre si: comemoram o quê? (Arte sobre imagem/Internet)

Uma rápida olhada no noticiário basta para compreender que o descrédito de políticos e partidos em geral não é de graça. Há uma profunda dissonância cognitiva entre a forma como eleitores e eleitos enxergam a realidade. No Ceará, quando o assunto é segurança pública, governantes acreditam, ou procuram acreditar, que tudo está sendo bem conduzido em suas gestões, que os resultados estão por aparecer e atribuem problemas a terceiros: ou é sabotagem de inimigos ou invenção da imprensa. Aos cearenses, resta sentir na pele o que é viver num dos estados mais violentos do Brasil.

Policiais como alvo
Essa dissonância, evidentemente, tende a agravar a situação. Os representados cobram por solução, os representantes tentam mudar de assunto. Nesse processo de degradação a novidade agora é que bandidos publicam anúncios em redes sociais oferecendo até 5 mil reais para quem matar um policial no Ceará. Que tal? A ameaça ganha maior credibilidade quando sabemos que nos últimos dias, cinco policiais foram vítimas de criminosos. Um morreu e quatro estão internados.

No sábado policiais civis decretaram estado de greve. Pedem, entre outras coisas, condições de trabalho. Em resposta, o governo diz que não reconhece o movimento. Outra notícia que mostra a gravidade do momento são as paralisações de motoristas e cobradores de ônibus em protesto contra a onda de assaltos a coletivos em Fortaleza.

Autoridades comemoram
Diante desse quadro, o que fazem aqueles que são responsáveis por resolver o problema? Reconhecem os erros e pedem ajuda? Não, nada disso. Fecham os olhos para os fatos constrangedores e, como se tudo estivesse muito bem, preferem trocar salamaleques entre si, promovendo farta distribuição de medalhas e títulos de cidadania em cerimônias devidamente registradas pelo exército de assessores que os acompanham em sites oficiais, com apoio de rádios e TVs públicas.

Na semana passada Ciro Gomes (Pros) recebeu título de cidadania em Fortaleza. Palmas e sorrisos. Seu irmão e correligionário, Cid Gomes, foi agraciado em Itapipoca. Fotos e abraços. No final de semana, Eunício Oliveira (PMDB) recebeu igual homenagem, junto com o presidenciável Eduardo Campos (PSB), em Juazeiro do Norte. Ontem (2), foi a vez de Zezinho Albuquerque, pré-candidato ao governo estadual pelo Pros e presidente da Assembleia Legislativa, ser laureado como cidadão fortalezense. Segundo o site da Câmara, é a “consagração” de uma “trajetória”. E tome discursos, elogios e brindes.

Vergonha
Esses foram alguns casos colhidos em rápida passagem pelo noticiário, que demonstram a total falta de sintonia entre as atitudes da classe política e os anseios da população.

Cerimônias oficiais em que políticos homenageiam outros políticos em ano eleitoral deveriam mesmo ser proibidas por lei. No mínimo, pela coincidência no calendário, são eventos que servem à promoção de possíveis candidatos. Mas, diante da insegurança que assola o Ceará (média de 10 assassinatos diários, maior taxa de homicídios do Nordeste e população sem transporte por causa de assaltos), o bom senso deveria bastar para impedir essas mesuras inúteis. Ou então, na ausência deste, um pouco daquele alerta moral conhecido como vergonha na cara não faria mal.

Mas bom senso e vergonha andam em falta.

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Enquanto bandidos caçam policiais no Ceará, políticos homenageiam políticos

Por Wanfil em Política

03 de junho de 2014

Enquanto o pau canta no Ceará, políticos trocam homenagens entre si: medalhas e títulos para comemorar o quê?

O pau canta no Ceará e políticos trocam homenagens entre si: comemoram o quê? (Arte sobre imagem/Internet)

Uma rápida olhada no noticiário basta para compreender que o descrédito de políticos e partidos em geral não é de graça. Há uma profunda dissonância cognitiva entre a forma como eleitores e eleitos enxergam a realidade. No Ceará, quando o assunto é segurança pública, governantes acreditam, ou procuram acreditar, que tudo está sendo bem conduzido em suas gestões, que os resultados estão por aparecer e atribuem problemas a terceiros: ou é sabotagem de inimigos ou invenção da imprensa. Aos cearenses, resta sentir na pele o que é viver num dos estados mais violentos do Brasil.

Policiais como alvo
Essa dissonância, evidentemente, tende a agravar a situação. Os representados cobram por solução, os representantes tentam mudar de assunto. Nesse processo de degradação a novidade agora é que bandidos publicam anúncios em redes sociais oferecendo até 5 mil reais para quem matar um policial no Ceará. Que tal? A ameaça ganha maior credibilidade quando sabemos que nos últimos dias, cinco policiais foram vítimas de criminosos. Um morreu e quatro estão internados.

No sábado policiais civis decretaram estado de greve. Pedem, entre outras coisas, condições de trabalho. Em resposta, o governo diz que não reconhece o movimento. Outra notícia que mostra a gravidade do momento são as paralisações de motoristas e cobradores de ônibus em protesto contra a onda de assaltos a coletivos em Fortaleza.

Autoridades comemoram
Diante desse quadro, o que fazem aqueles que são responsáveis por resolver o problema? Reconhecem os erros e pedem ajuda? Não, nada disso. Fecham os olhos para os fatos constrangedores e, como se tudo estivesse muito bem, preferem trocar salamaleques entre si, promovendo farta distribuição de medalhas e títulos de cidadania em cerimônias devidamente registradas pelo exército de assessores que os acompanham em sites oficiais, com apoio de rádios e TVs públicas.

Na semana passada Ciro Gomes (Pros) recebeu título de cidadania em Fortaleza. Palmas e sorrisos. Seu irmão e correligionário, Cid Gomes, foi agraciado em Itapipoca. Fotos e abraços. No final de semana, Eunício Oliveira (PMDB) recebeu igual homenagem, junto com o presidenciável Eduardo Campos (PSB), em Juazeiro do Norte. Ontem (2), foi a vez de Zezinho Albuquerque, pré-candidato ao governo estadual pelo Pros e presidente da Assembleia Legislativa, ser laureado como cidadão fortalezense. Segundo o site da Câmara, é a “consagração” de uma “trajetória”. E tome discursos, elogios e brindes.

Vergonha
Esses foram alguns casos colhidos em rápida passagem pelo noticiário, que demonstram a total falta de sintonia entre as atitudes da classe política e os anseios da população.

Cerimônias oficiais em que políticos homenageiam outros políticos em ano eleitoral deveriam mesmo ser proibidas por lei. No mínimo, pela coincidência no calendário, são eventos que servem à promoção de possíveis candidatos. Mas, diante da insegurança que assola o Ceará (média de 10 assassinatos diários, maior taxa de homicídios do Nordeste e população sem transporte por causa de assaltos), o bom senso deveria bastar para impedir essas mesuras inúteis. Ou então, na ausência deste, um pouco daquele alerta moral conhecido como vergonha na cara não faria mal.

Mas bom senso e vergonha andam em falta.